Arquivo da tag: Marcelo Demoliner

Sorteio coloca desafios para Djokovic
Por José Nilton Dalcim
13 de abril de 2019 às 11:14

Preocupado em se sair melhor do que em Indian Wells e Miami, Novak Djokovic se inscreveu também nas duplas, ao lado do irmão Marko, em Monte Carlo. Embora seja um tenista que se adapta rapidamente a qualquer piso, o sérvio certamente chega ao primeiro Masters do saibro europeu com certa pressão de mostrar serviço.

O sorteio lhe sugere sequência exigente, que pode começar com Philipp Kohlschreiber e seguir com Diego Schwartzman e Stefanos Tsitisipas, adversários de estilos completamente distintos. Se mantiver o favoritismo, poderá então chegar em Dominic Thiem e aí o desafio será ainda maior. O austríaco tem o canhoto Martin Klizan e David Goffin como prováveis barreiras.

Em busca de um histórico 12º título – algo que nenhum profissional obteve em qualquer torneio de nível ATP -, a luta particular de Rafa Nadal é contra sua falta de ritmo. John Millman talvez seja mais perigoso que Roberto Bautista, mas qualquer um deles permitirá que o canhoto espanhol calibre sua movimentação e seus golpes com paciência. Depois, viria o estilo agressivo de Denis Shapovalov ou de Grigor Dimitrov, que não assustam no saibro lento. Um bom teste pode vir nas quartas contra Marco Cecchinato ou Stan Wawrinka, aí sim verdadeiros especialistas.

O quadrante mais interessante e imprevisível tem o decepcionante Alexander Zverev, que pode estrear diante de Felix Aliassime e aí correr um considerável risco. Logo em seguida, estaria Fabio Fognini, que mesmo em má fase é sempre um monstro no saibro. Também estão ali o vice Kei Nishikori, o experiente Fernando Verdasco e os garotos Borna Coric e Jaume Munar. Difícil apostar.

Numa chave que fechou no 56º do mundo, boas atrações desde a primeira rodada: Schwartrzman x Edmund, Basilashvili x Fucsovics, Coric x Hurkacz, Djere x Pella e Pouille x Wawrinka. Se não houver surpresas, a segunda poderá ter Djokovic x Kohlschreiber, Tsonga x Schwartzman, Nishikori x Verdasco, Munar x Coric, Zverev x Aliassime e Wawrinka x Cecchinato.

Saiba mais:
– Monte Carlo tradicionalmente começa no domingo. As rodadas da semana largam às 5h (de Brasília).
– Desde 1979, o campeão de mais baixo ranking no torneio foi o austríaco Thomas Muster, então 37º, em 1992.
– Bob e Mike Bryan são outros multicampeões em Mônaco, com seis troféus na carreira. Como estão na semi de Houston, eles não participação em 2019.
– Seguindo os passos de Indian Wells, vários nomes importantes de simples estão na chave de duplas: Djokovic, Zverev, Thiem, Tsitsipas, Fabio Fognini, David Goffin e Karen Khachanov. Primeira rodada terá Wawrinka/Dimitrov contra Shapovalov/Aliassime.
– Melo, Soares e Demoliner representam o tênis brasileiro, mas a chave está bem dura para todos. Como se sentem mais à vontade no saibro do que os outros, Melo e Kubot podem ir mais longe.

Djokovic cumpre primeira meta
Por José Nilton Dalcim
19 de janeiro de 2019 às 12:49

A liderança do ranking está garantida e Novak Djokovic fica provavelmente mais leve e solto para buscar seu 15º troféu de Grand Slam. Melhor ainda, o garoto Denis Shapovalov nem de longe assustou, mergulhado numa sucessão de erros bobos e escolhas mal feitas. A reação que conseguiu foi muito mais por total desconcentração do adversário.

Era para ter sido uma surra, quando Djokovic abriu 4/1 no terceiro set. Mas aí ele se incomodou com luzes no fundo de quadra e perdeu cinco games seguidos. Foi fundamental ganhar os dois games apertados na abertura do quarto set, e aí Nole retomou o domínio. O jogo decepcionou por culpa de Shapovalov, que cometeu 57 erros e fez só 21 winners. O próprio Djokovic desacelerou, com 33 falhas e 16 winners.

O próximo desafio é Daniil Medvedev, contra quem tem 2 a 0. O russo de 22 anos não pode ser desprezado e deve exigir muito mais de Nole no fundo de quadra. No entanto, a presença do cabeça 1 na semifinal parece mais do que óbvia, já que o adversário seguinte sairá de Kei Nishikori e Pablo Carreño.

Horas mais tarde, Alexander Zverev economizou pernas e passou facilmente pelo local Alex Bolt, resultado que lhe garantiu a maior campanha em Melbourne e o retorno ao número 3 do ranking. Mas é preciso muito cuidado com Milos Raonic na segunda-feira, um adversário experiente, com semi no torneio e que gosta de um piso rápido. Não à toa, bateu Zverev em Wimbledon (perdeu pouco antes no saibro de Roma).

O grande jogo do dia acabou ficando para o longo duelo de cinco sets entre Lucas Pouille e o pouco conhecido Alexei Popyrin, 19 anos e muitos recursos. O francês parece em sua melhor forma física em anos, talvez fruto do trabalho com Amélie Mauresmo. Mão ele tem de sobra. Por isso, pode pintar um jogaço contra Borna Coric, que caminha sem holofotes mas mostra um primeiro serviço eficiente e subidas oportunas à rede.

Serena desafia Halep
O torneio feminino, que tem mostrado ótimas partidas e várias surpresas, tem outro grande momento marcado ainda nas oitavas de final: Serena Williams volta a enfrentar uma líder do ranking depois de seis anos, desta vez Simona Halep. As duas jogaram muito bem neste sábado. Serena ganhou 8 dos 9 duelos diretos, e isso pode ser motivação para a romena. Quem passar, será certamente favorita diante de Karolina Pliskova ou Garbiñe Muguruza.

No outro quadrante, Naomi Osaka e Elina Svitolina escaparam por pouco de ampliar a lista de ‘zebras’. A campeã do US Open chegou a estar um set e 1/4 atrás antes de arrasar na série decisiva. A ucraniana começou bem, começou a sentir dor no pescoço e viu Shuai Zhang abrir 3/0 e saque no terceiro set. Na torcida, o namorado Gael Monfils sofreu. As duas terão oitavas de final muito exigentes: Osaka pega Anastasija Sevastova e Svitolina cruza com Madison Keys.

Brasil e as duplas
O tênis brasileiro segue sua tradição de desempenhos notáveis nas chaves de duplas e já colocou Bruno Soares e Marcelo Demoliner nas oitavas de final deste Australian Open.

É bem verdade que o mineiro não esteve num bom dia e a parceria correu riscos frente a um dueto britânico sem muita expressão. O gaúcho, que parece ter encontrado entrosamento com Frederik Nielsen, um campeão de Wimbledon, tenta pela primeira vez as quartas de um Slam.

As oitavas de final
– Nadal e Berdych fazem 24º duelo, mas o primeiro em quatro anos. Placar geral é de 19-4 para espanhol., mas curiosamente a última vitória do tcheco foi justamente em Melbourne-2015.  Se Nadal vencer, terá 20 vitórias ou mais sobre quatro adversários (Ferrer, Djokovic e Federer, os outros).
– Federer reencontra Tsitsipas, 17 anos mais jovem, e tenta ser mais velho quadrifinalista do torneio desde 1977, quando Rosewall tinha 43. Suíço ganhou em dois tiebreaks há três semanas na Hopman. Grego busca quartas inéditas em Slam. É o sexto NextGen que Federer encara em sete jogos na temporada.
– Cilic salvou dois match-points na rodada anterior de intensos altos e baixos, Batista mostrou físico em dia ao tirar Khachanov depois de 10 sets disputados nas primeiras rodadas. Croata tem duas vantagens: 4-1 nos duelos e a pressão sobre espanhol, que jamais passou das oitavas de um Slam em nove tentativas, três delas na Austrália.
– Duelo de estilos entre Dimitrov e Tiafoe, aniversariante do dia. Piso veloz deve ajudar búlgaro, que tenta quartas de Melbourne pelo terceiro ano seguido.  Americano derrotou de virada Anderson e Seppi, dois ótimos tenistas de piso duro, depois de ter perdido todos seus quatro jogos de início de 2019.
– Grande expectativa para Sharapova x Barty e Kvitova x Anisimova. Se russa aposta na força, última esperança australiana tem muito jeito, usando slices e boa variação. Com oito vitórias seguidas na temporada, Kvitova não perdeu sets mas sabe do poder de fogo da adversária de 17 anos, para quem perdeu em Indian Wells-2018. Emoções à vista.
– Do outro lado, Kerber e Stephens são favoritas diante de Collins e Pavlyuchenkova. Cabeça 2 só cedeu 10 games e encara 35ª do ranking. Stephens tem 2-0 sobre russa, que deu trabalho no duelo mais recente.

Fiasco brasileiro. E o show de Nadal.
Por José Nilton Dalcim
8 de abril de 2018 às 09:25

Atualizado às 20h32

Desta vez, o Brasil sequer irá disputar a repescagem para o Grupo Mundial da Copa Davis, batido na segunda rodada do Zonal Americano pela irregular equipe da Colômbia, para quem jamais havíamos perdido em oito duelos ao longo da história.

Desde que saímos da terceira divisão, em 2005, jamais deixamos de superar o Zonal e atingir ao menos a repescagem. É bem verdade que passamos por ela apenas duas vezes desde então, em 2012 e 2014, mas para o tamanho do nosso currículo no tênis internacional, estar no playoff é o mínimo que se espera.

O fato inegável é que a derrota em Barranquilla reflete com triste precisão o momento que vivemos no tênis masculino, sem qualquer nome no top 100. A situação é tão desalentadora que é difícil até mesmo lamentar a ausência de Rogerinho Silva e Thomaz Bellucci no time da Davis.

Nosso atual número 1, aos 33 anos, acaba de ser batido por dois adversários de ranking incrivelmente baixo (Evan Song, 448º, e Carlos Gomez, 356º) e Bellucci não reage sequer em nível challenger, às portas de deixar o top 200, sua mais baixa classificação desde 2007. Um ranking digno do que está jogando.

Perdemos em Barranquilla basicamente para um valente colombiano de 21 anos, Daniel Galan, que mostrou sangue frio e bons recursos em cima de Thiago Monteiro e Guilherme Clezar. Ah, se tivéssemos hoje um garoto tão promissor… Clezar, que era a alternativa mais lógica dentro do que o capitão João Zwetsch tinha a colocar em quadra, não consegue recuperar seu melhor tênis nem mesmo com a ajuda de Larri Passos. Mantém um estilo previsível e pouco criativo.

O canhoto cearense por seu lado foi à batalha com seis derrotas seguidas no circuito desde a semi em Quito e causou a segunda decepção seguida na Davis, onde carrega peso evidente nos ombros. Não se pode crucificar João Pedro Sorgi, que perdeu o ponto decisivo mas fez bom papel, e devemos elogiar a excepcional atuação de Marcelo Demoliner ao lado de Marcelo Melo, no único momento realmente memorável da passagem nacional pela quadra dura colombiana.

E vocês viram? Barranquilla tem um centro de tênis, com estádio e tudo, e nós…

O grande Nadal está de volta
Rafael Nadal mostrou como foi acertada sua decisão de retornar às quadras nesta Copa Davis diante da Alemanha. Depois de saltar Acapulco, Indian Wells e Miami para cuidar corretamente do problema na coxa, o número 1 mostrou-se à vontade ao pisar novamente o saibro e deu um show, esmagando o backhand de uma mão de Philipp Kohlschreiber e atropelando Alexander Zverev, que escapou de um grande vexame.

Rafa não poderia aliás estar em local mais indicado: a arena de touros de Valência, onde cedeu apenas 17 games com um jogo variado, a tradicional garra e excelente deslocamento. Recordista agora da Davis com 23 vitórias seguidas – sua última derrota foi nas duplas de 2005! -, ele parece completamente pronto para sua longa, exigente e tão aguardada temporada do saibro europeu.

Emoções e surpresas
David Ferrer deu a grande emoção do fim de semana, ao lutar por quase cinco horas e derrotar Philipp Kohlschreiber num quinto jogo nervoso e intenso em Valência. A Espanha mantém a invencibilidade dentro de casa que vem desde a derrota para o Brasil, em 1999 (que saudades…), e fará semifinal na França. Os atuais campeões derrotaram a Itália em pleno saibro, com destaque para o fim de semana inspirado de Lucas Pouille.

Croácia e Estados Unidos duelam na outra semi e venceram em casa. Marin Cilic fez dois dos três pontos sobre o Cazaquistão, mas Borna Coric decepcionou. No piso duro, John Isner e Sam Querrey bateram a desfalcada Bélgica e agora jogarão fora de casa, entre 14 e 16 de setembro.

Nos zonais, Argentina e Chile fizeram confronto de tirar o fôlego diante de 4.500 ruidosos torcedores. Apesar da derrota, Nicolas Jarry e Christian Garin foram muito bem. Na Europa, inesperada queda da Rússia em Moscou, mesmo com três top 50, diante de uma frágil Áustria. Também vão à repescagem suecos, tchecos e bósnios. Na Ásia, venceram Índia e Uzbequistão.