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Missão impossível para Nadal
Por José Nilton Dalcim
17 de junho de 2020 às 20:34

Após a confirmação de Cincinnati e US Open numa realização conjunta e consecutiva em Flushing Meadows, a ATP soltou nesta quarta-feira o esboço do calendário que pretende realizar a partir de 14 de agosto, quando se imagina ser possível enfim retomar o circuito internacional.

E a missão não poderia ser mais difícil para Rafael Nadal. Se quiser defender 5.360 de seus 9.850 pontos atuais, o canhoto espanhol terá de entrar em quadra por pelo menos seis semanas consecutivas e em dois pisos diferentes.

Olhem só a montanha a escalar: 2000 pontos no US Open, 360 em Madri, 1000 em Roma e 2000 em Roland Garros, ou seja, defender três dos quatro títulos. Claro que ele pode trocar Madri por Cincinnati, torneio que não disputou no ano passado. Isso permitiria que entrasse em melhor ritmo no Grand Slam, ainda que seja sempre um risco ao joelho. E em última hipótese, arriscar jogar Madri caso não se saia tão bem no US Open.

Além do desgaste físico e emocional que tal maratona proporciona, Nadal terá mínimas chances de se manter próximo ao número 1 Novak Djokovic. Quando o ranking foi congelado, ele estava a entusiasmantes 370 pontos.

Nessa mesma sequência insana do novo calendário, o sérvio defende 360 pontos em Cincinnati, 180 no US Open, 1000 em Madri, 600 em Roma e 720 em Roland Garros, num total de 2.860, ou seja 2.500 a menos que Rafa. Se considerarmos sua excelência sobre a quadra dura, é muito provável que some muitos pontos no US Open e aí saltar Madri parece muito lógico, até porque o saibro espanhol é muito diferente do que verá em Roma e em Paris.

Ainda não se sabe o que acontecerá após Roland Garros. Oficialmente, a ATP não descartou a fase asiática mas, com Roland Garros terminando dia 11 de outubro, teria de haver no mínimo duas semanas para uma aventura a Pequim e Xangai (Tóquio está fora). E isso apertaria a realização de Paris-Bercy e o Finals de Londres em novembro, já que a ATP não quer de forma alguma avançar sobre dezembro.

De qualquer forma, a chance de Nadal ainda somar pontos para uma eventual briga pela liderança é escassa. Ele marcou 720 pontos e poderia somar 2.740 se ganhasse Xangai, Paris e Finals, o que convenhamos não é nada fácil Nesses três torneios, Djokovic defenderia 1.380, já que ganhou Bercy.

Especula-se, claro, se Nadal e Djokovic iriam mesmo a Nova York, já que não se manifestaram confortáveis com a forma com que a pandemia abalou a metrópole. Particularmente, acho difícil eles saltarem um Slam nesta altura de suas carreiras e de suas metas, tão próximas, se igualar ou apertar o recorde de Roger Federer.

O espanhol, é claro, pode se dar ao luxo de apostar todas suas fichas no saibro europeu e saltar o US Open para economia de joelhos e sustos. Djoko, ao contrário, é menos favorito na terra e muito mais candidato em Flushing Meadows.

Uma coisa não se pode negar: um Slam sem o Big 3 jamais seria o mesmo.

P.S. 1: Como se imaginou ontem quando o US Open cancelou o qualificatório, a chave principal terá agora 120 nomes diretamente pelo ranking e, como ele não poderá se mexer até o começo de Washington, o paranaense Thiago Wild terá vaga direta e jogará seu primeiro Grand Slam. O mesmo que conquistou como juvenil em 2018. Thiago Monteiro também está garantido.

P.S. 2: O calendário anunciado pela ATP fará com que Washington comece numa sexta-feira e Cincinnati, num sábado, com final na sexta seguinte. Novos tempos.

Decisão do calendário 2019 é adiada
Por José Nilton Dalcim
4 de dezembro de 2017 às 18:50

A reunião entre ATP, dirigente de torneios e representante dos jogadores, que aconteceu durante o Finals de Londres, no meio de novembro, não deu em nada.

A entidade apresentou uma proposta de mudanças e adaptações no calendário para 2019, quando se esperam modificações importantes, mas os promotores não gostaram das sugestões, que consideraram ‘quadradas’, se recusaram a colocar em votação e uma nova rodada de estudos e negociação deve acontecer agora no Australian Open.

Segundo um dirigente brasileiro presente no encontro, a maior queixa foi da falta de detalhes por parte da ATP na proposta apresentada. Sabe-se que há muita gente pleiteando mudanças, seja de datas ou de piso, como é o caso do Rio Open e de Buenos Aires, que fazem parte da perna sul-americana do saibro e querem a quadra dura para tentar atrair nomes de maior peso para seus torneios.

A reunião também ratificou a ideia, já divulgada na imprensa italiana, que é fazer com que os torneios conjuntos de ATP e WTA em Madri e em Roma adotem o mesmo formato de Indian Wells e Miami, ou seja, sejam disputados ao longo de 10 dias. Isso no entanto causará um aperto ainda maior no calendário do saibro europeu. Vale lembrar que recentemente foi acrescentada uma semana na temporada de grama, o que forçou Wimbledon a começar uma semana mais tarde.

A possibilidade de um novo calendário para 2019 está aberta porque terminará o prazo de 10 anos desde a última reforma, corrida em 2008 para a temporada seguinte. Com isso, os descontentes correram à porta da ATP na intenção de puxar a sardinha para seu lado. O diretor do Masters 1000 de Paris, Guy Forget, declarou há poucos dias que gostaria de mudar o evento para fevereiro e assim fugir da proximidade com o Finals, o que geralmente enfraquece o torneio de Bercy.

Como nos velhos tempos
Por José Nilton Dalcim
3 de maio de 2016 às 18:31

O sorteio da chave parecia ingrato para Juan Martin del Potro. Necessitando tanto de vitórias, ritmo e confiança, pouco poderia ser tão ruim quanto enfrentar logo na primeira rodada o garotão Dominic Thiem, no auge de seus 22 anos, ascensão contínua e ainda por cima especialista em saibro. O austríaco era juvenil quando Delpo ganhou o US Open, talvez nem se lembre direito disso.

Del Potro surpreendeu, e olha que nem soltou o backhand. Evitou os slices, é verdade, preferindo bater mais na bola, porém sem exagero e jamais buscando winners. O que lembrou o Delpo dos velhos tempos foi seu extraordinário forehand, capaz de colocar o adversário na defensiva de qualquer ponto da quadra. O argentino também sacou muito bem e se mexeu a contento no saibro mais veloz.

Ao final, deixou-se cair na cadeira e chorou, como se tivesse ganhado o título. Até o árbitro Mohamed Lahyani o cumprimentou com um tremendo sorriso. O circuito todo comemorou este outro duro degrau que Delpo subiu, feliz com a recompensa por tanto esforço e persistência.

Aliás, esta terça-feira mostrou o quanto o circuito é difícil para a maioria dos mortais. Dos cinco finalistas do fim de semana, quatro perderam na estreia de Madri e aí estamos incluindo os campeões Philipp Kohlschreiber e Nicolás Almagro e os vices Grigor Dimitrov e Thiem. Só se salvou mesmo Pablo Carreño, mas ele ganhou do próprio búlgaro.

Entre os grandes nomes, Rafa Nadal estreou com facilidade acima da esperada, já que eu acreditava que Andrey Kuznetsov pudesse fazer um pouco mais. O espanhol está voando em quadra e deve superar Lucas Pouille ou Sam Querrey, ainda que o francês seja ousado e criativo. Quem esperava Nadal x Federer, poderá ser recompensado com Nadal x Delpo, desde que o argentino tire Jack Sock e depois João Sousa ou Marcel Granollers. Se jogar como hoje, passa.

Andy Murray ficou devendo, para variar. Perdeu set para Radek Stepanek com irritação e falatório. Não resta dúvida que defender o título será um peso. Ele aguarda agora Carreño e Gilles Simon e ainda está no quadrante de David Ferrer e Tomas Berdych. Então é bem economizar mau humor e energia.

E a quarta-feira nos reserva nada menos que um Stan Wawrinka x Nick Kyrgios, jogo que por si só já é bem interessante pelos estilos e potencial de cada um, e ganhou agora aquele sabor de rivalidade depois da confusão armada pelo australiano em Toronto. Vale lembrar que Stan não pode sofrer uma derrota precoce sob o risco de ver a aproximação definitiva de Nadal no ranking. A rodada ainda exige atenção para Kei Nishikori x Fabio Fognini e Novak Djokovic x Borna Coric.

Como não falei sobre Thomaz Bellucci ontem, aproveito para ressaltar duas coisas. A primeira, óbvia, foi que a derrota para Milos Raonic era previsível e lógica, mas que ainda assim o brasileiro teve 3-2 e dois saques a favor no tiebreak, o que seria positivo não fosse a terrível fase. Para compensar, ele e o argentino Leonardo Mayer conseguiram uma espetacular vitória na dupla em cima dos colombianos Cabal e Farah, com direito a salvar dois match-points. Quem sabe, seja a injeção de ânimo que acorde Bellucci.