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Esforço nacionalista
Por José Nilton Dalcim
6 de março de 2016 às 22:31

As vitórias importantes neste final de semana certamente obrigarão Novak Djokovic e Andy Murray a disputar as quartas de final da Copa Davis em julho, logo depois de Wimbledon, sobrecarregando ainda mais o calendário de ambos no começo do segundo semestre. Mas não tem jeito. Sâo peças fundamentais de seus países e tudo indica que o confronto direto entre eles deverá decidir o vencedor.

Murray se vestiu mesmo com o espírito de Davis. Fez uma batalha incrível contra Kei Nishikori, com empenho máximo de ambos, e assim chegou à 10ª vitória seguida no Grupo Mundial, um feito e tanto. Para mostrar o quanto o time depende dele, foi o quarto confronto seguido em que ele precisou entrar em quadra todos os dias e vencer tudo.

Nole também foi para o sacrifício e jogou 13 sets no fim de semana em Belgrado. Virou o jogo fundamental contra Mikhail Kukushkin na base da raça. Djokovic teve altos e baixos no saque nos primeiros dois sets, com duplas faltas complicadas, mas depois encontrou o ritmo do saque e passou a jogar cada vez melhor. Viktor Troicki manteve o favoritismo e relembrou os tempos de heroísmo de 2010.

Itália receberá a Argentina em outro duelo muito interessante. Mesmo sem Fabio Fognini, o saibro serviu perfeitamente contra o frágil time reserva suíço. É bem provável que repitam o piso em julho, já que existe o risco de os argentinos se reforçarem com Juan Martin del Potro, que prefere muito mais a quadra dura.

Na parte inferior da chave, República Tcheca levou um susto ao ver Tomas Berdych abandonar por lesão na coxa direita – vira dúvida para Indian Wells – e precisou contar com Lukas Rosol para ganhar o quinto ponto, arrasando o garoto Alexander Zverev. Agora, irão receber a sempre forte e versátil França, que passeou diante do desfalcado Canadá. Não vejo favoritos.

Por fim, os Estados Unidos superaram a Austrália em plena quadra de grama com grande destaque para John Isner e terão o direito de receber a Croácia de Marin Cilic e Borna Coric. Talvez seja o duelo menos interessante porém um dos mais imprevisíveis, já que todos os envolvidos vêm mostrando incríveis altos e baixos nos últimos meses.

O Brasil por sua vez apenas viu confirmar o amplo favoritismo do Equador sobre Barbados e assim se prepara para receber o time dos fracos Emilio Gomez e Ivan Endara. Houve notícia de que os jogos poderiam ser em Ilhabela, no litoral paulista, mas o Rio é candidato mais forte. O vencedor vai para a repescagem de setembro. Somos hiperfavorito. Já o Chile receberá a Colômbia na condição de ‘zebra’.

Outros confrontos dignos de nota foram o da vitória da Áustria sobre Portugal fora de casa e na quadra dura, com três pontos de Dominic Thiem, os fáceis 5 a 0 da Rússia sobre a Suécia (com tenistas totalmente desconhecidos). Jarkko Nieminem voltou da aposentadoria para ajudar a Finlândia a vencer o Zimbábue. No zonal 2 americano, Pablo Cuevas não foi e o Uruguai perdeu do Peru e está ameaçado de cair para a quarta divisão.

Meio cheio, meio vazio
Por José Nilton Dalcim
26 de outubro de 2015 às 22:36

Os otimistas dirão que foi uma vitória como nos velhos tempos, na base da garra, do não-desistir-nunca, da força mental. Os pessimistas irão alegar que foi mais uma demonstração de fragilidade técnica e emocional diante de um adversário que faz uma temporada digna de seu atual ranking.

Fico no meio do caminho. Rafael Nadal sofreu novamente com aquele tipo de adversário muito ofensivo, de saque poderoso e mínimo ritmo de jogo. Deveria ter perdido em dois sets, mas aí Lukas Rosol mostrou por que é 92º do ranking e fez tudo errado na hora de fechar o jogo. Os dois trocaram farpas ao longo da série decisiva, o tcheco provocativo como sempre, e aí foi a vez de Rafa desperdiçar larga vantagem e entrar num tremendo buraco no tiebreak. Reagiu de novo, e isso necessariamente passa por acreditar em si mesmo, que é a característica mais relevante que o espanhol perdeu ao longo desta temporada.

A chave de Nadal é extremamente difícil na Basileia, e isso pode ser ruim ou muito bom. Agora vem Grigor Dimitrov ou Sergyi Stakhovsky, depois quem sabe Marin Cilic nas quartas e Stan Wawrinka na semi, Roger Federer na final. Há Grand Slam e Masters 1000 mais fácil do que isso. Porém, o espanhol precisa de grandes vitórias para reerguer a cabeça, então parece mais lógico comemorar do que lamentar.

Melo e o número 1
Marcelo Melo inteligentemente abriu mão do ATP 500 da Basileia, onde seria cabeça 1 ao lado do tradicional parceiro Ivan Dodig, e optou por descansar e se preparar melhor para Paris e Londres. Nenhum dos irmãos Bryan estará em ação nesta semana e assim poderemos calcular como será o ranking da próxima segunda-feira, quando cairão os pontos de Paris do ano passado.

Melo aparecerá com 8.390 pontos – não perde nada de Paris e ainda pode colocar os 90 do 19º melhor resultado do momento -, enquanto os gêmeos norte-americanos terão 7.540, perdendo os 1.000 de Paris e entrando com 50 da Copa Davis.

E sabem o que isso significa? Que Melo terá grande chance de chegar a Londres ainda como 1. Para tirar essa distância, os Bryan precisam ganhar de qualquer jeito Paris e ainda torcer para que Melo não chegue na semi e some 360 pontos (na verdade, precisa de 190 mas as quartas dão 180).

A chance de Melo terminar a temporada como líder também é grande, porque os Bryan defendem o título e 1.300 pontos em Londres (o máximo que podem fazer são mais 200, caso ganhem de forma invicta). Melo foi vice com Dodig e portanto terá de repetir 800. Para completar, vale lembrar que os pontos do Finals são descontados antes de o torneio começar.