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Rublev tem quarto melhor rendimento do ano
Por José Nilton Dalcim
2 de novembro de 2020 às 11:11

Ainda considero o grego Stefanos Tsitsipas como o mais completo da nova geração no momento, mas é inegável que o russo Andrey Rublev deu um salto de eficiência e credibilidade nesta encurtada temporada de 2020, onde empatou com Novak Djokovic ao somar sua 39ª vitória e assumiu a liderança nos títulos conquistados, com 5, ainda que nenhum deles tenha sido maior do que um ATP 500.

Aliás, se o ranking da temporada – aquele que soma pontos desde janeiro e serve como base para o Finals – estivesse funcionando, Rublev seria o quarto melhor. Ele soma até agora 3.035 pontos (900 nos Slam, 55 nos Masters, 1.580 nos 500 e mais 500 nos 250), bem acima de Roger Federer, Daniil Medvedev, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev.

O destaque na campanha vitoriosa no forte ATP 500 austríaco foi não ter perdido um único game de serviço e isso mostra dois aspectos que melhoraram muito em seu jogo: o trabalho com o primeiro saque e a devolução. Isso explica por que ele tem feito campanhas de respeito tanto em piso bem velozes, como US Open, Petersburgo e Viena, assim como nos bem mais lentos, como Hamburgo e Roland Garros.

O russo ainda não deixou de ser muito agressivo, tentando definir os pontos com golpes muito pesados lá da base. Por vezes, exagera na pressa e compromete a precisão. Mas também é fácil perceber que tem trabalhado nas transições à rede. Na final contra Lorenzo Sonego, ganhou todos os 13 lances que buscou junto à rede.

Sem descanso, o rapaz de 23 anos já estreia nesta terça-feira em Paris e em seguida vai debutar no Finals de Londres. Com o atual sistema de ranking em vigor, é difícil que consiga chegar ao top 5, já que começa a semana quase 800 pontos atrás de Tsitsipas e Zverev – os pontos do Finals de 2019 serão retirados na próxima segunda-feira – a 2.100 de Medvedev.

Quem mais pontuou em 2020
Pelo mais variados motivos, os principais tenistas do ranking tiveram diferentes calendários neste tumultuado 2020, mas isso não nos impede de verificar a pontuação real de cada um nos torneios efetivamente disputados.

Feitas as contas, Djokovic tem uma folgadíssima liderança, com 6.455 pontos. O segundo lugar é de Thiem, com 3.815, acima de Nadal e seus 3.440. Vale destacar que o congelamento do ranking ajuda três dos atuais top 10. Daniil Medvedev fez apenas 1.525 e Roger Federer, 720, mas mesmo com um único torneio o suíço ainda somou mais que Matteo Berrettini, com meros 585.

Veja como se saíram os 10 primeiros do ranking atual em 2020 até agora:
1. Novak Djokovic – 6.455 pontos
2. Dominic Thiem – 3.815
3. Rafael Nadal – 3.440
4. Andrey Rublev – 3.035
5. Alexander Zverev – 2.655
6. Stefanos Tsitsipas – 2.285
7. Diego Schwartzman – 2.030
8. Daniil Medvedev – 1.525
9. Roger Federer – 720
10. Matteo Berrettini – 585

Incredible Lorenzo
Por José Nilton Dalcim
30 de outubro de 2020 às 18:37

Tenista que habitualmente passa despercebido em qualquer sorteio de chave, o italiano Lorenzo Sonego se tornou a maior ‘zebra’ da temporada, ao impor um placar humilhante em cima do todo poderoso número 1 do mundo. Ao ganhar apenas três games do número 42 do ranking, Novak Djokovic sofreu sua pior derrota em nível ATP em 15 anos.

Os números da partida não são menos chocantes. Corajoso e determinado, usando sua combinação predileta de saque e forehand, Sonego disparou 26 winners contra apenas sete do sérvio. E ainda errou muito menos, com 12 diante de 25. Salvou todos os seis break-points que encarou e ganhou 80% dos pontos em que acertou seu forte primeiro serviço.

Alguns aspectos merecem destaque. Conseguiu ser muito consistente até mesmo com o backhand, seu ponto fraco, e utilizou recursos interessantes e inteligentes, como deixadinhas de forehand – um golpe que costuma disparar com força – e o saque sobre o corpo, que tirou muito o ângulo do adversário. O forehand esteve notável, principalmente no chamado ‘inside-in’, aquele golpe difícil em que se foge do backhand e se arrisca na paralela. Djokovic jogou melhor como devolvedor do que com o saque, pareceu acreditar que bastaria ter paciência para tirar a confiança do italiano e no final me pareceu quase desinteressado.

Em boletim, a ATP observou que Djokovic não perdia por placar tão elástico desde que foi superado por Marat Safin no Australian Open de 2005, por 6/0, 6/2 e 6/1. Mas então o sérvio era um adolescente saído do quali e encarou justamente aquele que seria o campeão, então me parece justo dizer que foi a mais dura derrota desde que entrou na elite do tênis. E não vamos esquecer que, há três semanas, Nole também acabou atropelado por Rafael Nadal em Paris.

Mas quem é esse Sonego, com cara de garoto? Ele na verdade tem 25 anos e se diz um especialista em saibro, ainda que seu único título de ATP tenha acontecido na grama de Antalya. Três semanas atrás, fez oitavas em Roland Garros. Jamais havia vencido um top 10 – seu maior resultado foi diante de Karen Khachanov, então 12º, na lentidão de Monte Carlo – e entrou na chave de Viena de última hora. Ele perdeu no quali para Aljaz Bedene e a desistência de Diego Schwartzman lhe deu nova chance. Djokovic aliás tinha 12-0 contra lucky-losers na carreira.

Enquanto Nole vê adiado o inevitável anúncio de que terminará a temporada como número 1, Sonego enfrentará o britânico Daniel Evans neste sábado. E convenhamos que qualquer coisa pode acontecer neste fim de semana, depois que Andrey Rublev atropelou Dominic Thiem no segundo set, logo após Kevin Anderson fazer uma bela exibição e barrar o nervosinho Daniil Medvedev.

E mais
– Rublev ganhou 17 de seus últimos 18 jogos em quatro torneios. Sacou muito contra Thiem: 11 aces e só perdeu quatro pontos quando usou o primeiro serviço.
– Antes de atingir quartas no Rio Open deste ano, Sonego vinha de 10 derrotas consecutivas. Já se garantiu como 35º.
– Aos 34 e apenas 111º do mundo, Anderson fez segunda cirurgia no joelho direito em fevereiro e joga com ranking protegido. Ele foi campeão de Viena, há dois anos.
– Roberto Bautista não se recuperou e desistiu de Paris, deixando a briga pelo Finals. Matteo Berrettini confirmou que joga, mas terá de ir ao menos à semi para ter chance.
– Zverev também jogará Paris. A saber como estará sua cabeça com a chegada do filho e com acusações de agressão de duas ex-namoradas.

Número 1 continua sem brilho
Por José Nilton Dalcim
19 de abril de 2019 às 18:38

Perder faz parte do tênis e todo mundo sabe que há dias em que as coisas simplesmente não funcionam. Mas os frequentes tropeços do número 1 Novak Djokovic vão além do infortúnio. Falta mesmo qualidade.

Com exceção a alguns grandes momentos aqui ou ali, o fato é que Djokovic não jogou um tênis de seu excepcional nível nos três Masters que disputou desde a conquista do Australian Open. Sofreu contra Bjorn Fratangelo antes de ser dominado por Philipp Kohlschreiber em Indian Wells; perdeu set de Federico Delbonis e caiu depois para Roberto Bautista. E no reencontro com o alemão em Monte Carlo, passou apuros.

Coincidência ou não, na semana anterior à volta ao saibro europeu, ele descansava na República Dominicana, onde treinou sua adaptação ao lentíssimo piso de Mônaco sobre uma quadra de har-tru. Publicou até um vídeo onde brincava de jogar na chuva. Ao que parece sua preparação foi, digamos, descontraída.

Na entrevista oficial, considerou a derrota para Daniil Medvedev normal, admitiu desconforto com o vento e com as bolas baixas do russo. Acha que tem muito tempo ainda para chegar bem a Roland Garros, seu objetivo principal. Lembremos que Madri serve de pouquíssimo parâmetro devido à altitude e eventual teto coberto – o sucesso ajudaria mais na confiança – e a adaptação final tem de acontecer em Roma, aí sim um saibro mais próximo a Paris, porém onde se treina pouco porque se joga todo dia.

Rafa Nadal, por questões óbvias, levou muito mais a sério sua preparação para a fase de saibro, o grande ganha-pão de sua temporada. E isso se reflete claramente na quadra. É bem verdade que o saque ainda não engrenou, o que explica a brecha que abriu para o valente Guido Pella dar aquele susto todo do primeiro set. Porém, a atitude, o empenho, a busca por soluções, o preparo físico estão tão afiados que Roland Garros poderia começar amanhã para o espanhol.

Rafa é experiente e inteligente o bastante para não menosprezar Fabio Fognini. Suas três derrotas diante do habilidosíssimo italiano foram em 2015, duas sobre o saibro e a terceira naquela virada histórica do US Open. Depois disso, mesmo o espanhol tendo sofrido altos e baixos físicos e emocionais, ganhou todos os seis duelos. Em Roma do ano passado, perdeu o primeiro set e depois atropelou Fognini.

A virada sobre Borna Coric deste sábado repetiu o script que estamos tanto acostumados. Frio e desinteressado, ele demora para engatar. E se o adversário afrouxa, seu tênis tão rico de repente faz diferença. O garoto croata teve 6/1 e 2/0, e deixou o leão acordar. Mesmo com o braço direito enfaixado – uma real preocupação para a semi deste sábado -, Fognini ganhou 12 dos 15 games seguintes, escapando de quatro break-points com coragem e apoio do público.

Medvedev não é um saibrista e reconhece sua própria surpresa com a ótima campanha na lentidão de Monte Carlo. Na véspera já havia feito uma partida complicada diante de Stefanos Tsitsipas. A ventania do sábado era um prenúncio de horas difíceis para Djokovic, que fez um primeiro set pavoroso, com 21 erros não forçados. Achou finalmente um caminho com as curtinhas que o russo detesta, porém Medvedev se mostrou notavelmente sólido no terceiro set, aguentando trocas com movimentação perfeita.

Tal qual Fognini, os recorrentes pedidos de atendimento para aliviar dores nas duas coxas ao longo de todo o terceiro set deixam dúvida sobre o estado físico do russo para reencontrar Dusan Lajovic. Como se esperava, o sérvio de 28 anos fez valer a experiência em cima do bom Lorenzo Sonego e continua mesclando muito bem o jogo, ataque e defesa, força e jeito. Quem diria, o backhand de uma mão sobrevive em Monte Carlo.

E mais
– Outra vez Nadal errou mais do que o adversário no saibro: 31 a 28. O primeiro saque evoluiu em relação aos outros jogos (66%), mas o índice de pontos vencidos com ele foi baixo: 58%.
– Coric cometeu um único erro não forçado no set inicial contra Fognini. Mas depois se perdeu e terminou com 28.
– Medvedev não foi para a quadra e assim Marcelo Demoliner parou nas quartas de duplas. O gaúcho anda mesmo sem sorte. Bruno Soares avançou ao lado de Jamie Murray e os dois são favoritos para o título. Até houve, nenhum duplista brasileiro foi campeão no torneio. Soares chegou a duas finais e Melo, a uma.
– Lajovic já garantiu o melhor ranking da carreira, ao subir 16 postos e ir ao 32º. Chegará ao 24º se atingir a final. Pella será um inédito top 30, já que avança provisoriamente ao 27º.
– Enfim, um jogo fácil para Thomaz Bellucci. Com a semi em Túnis, terá seu melhor ranking em 12 meses, com o 212º posto. Se ganhar do português João Domingues, irá a 201. Sua última final aconteceu no ATP 250 de Houston, em abril de 2017.