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Os outros notáveis da história do ranking
Por José Nilton Dalcim
26 de outubro de 2021 às 23:48

Como era previsível, Novak Djokovic nem precisou entrar mais em quadra para garantir o número 1 até o final de 2021, justiça construída por um desempenho quase impecável nos Grand Slam e agora inabalável qualquer que sejam os resultados de Viena, Paris e Finals de Turim.

Isso me motivou a lembrar outros tenistas notáveis que fizeram história desde que o ranking foi criado, em agosto de 1973. Claro que ser o primeiro supera qualquer feito, porque a maioria as fórmulas estipuladas pela ATP visou premiar a regularidade ao longo de 12 meses. Mas muitos nomes de currículo e jogo notáveis ficaram ali perto, e merecem respeito por isso.

O século 21 do tênis masculino tem sido especial por motivos óbvios. Desde maio de 2002, quando Tommy Haas atingiu seu ápice e chegou ao segundo lugar da lista, apenas seis jogadores atingiram a liderança em algum momento: Lleyton Hewitt (então pela segunda vez, já que havia chegado ao topo em 2001), Juan Carlos Ferrero (2003), Andy Roddick (2003), Roger Federer (2004), Rafael Nadal (2008), Novak Djokovic (2011) e Andy Murray (2016).

Antes disso, o tênis profissional já havia tido Ilie Nastase (1973), John Newcombe (1974), Jimmy Connors (1974), Bjorn Borg (1977). John McEnroe (1980), Ivan Lendl (1983), Mats Wilander (1988), Stefan Edberg (1990), Boris Becker (1991), Jim Courier (1992), Pete Sampras (1993), Andre Agassi (1995), Thomas Muster (1996), Marcelo Ríos (1998), Carlos Moyá (1999), Yevgeny Kafelnikov (1999), Patrick Rafter (1999), Marat Safin (2000), Gustavo Kuerten (2000) e Lleyton Hewitt (2001) como ponteiros. O ano em parênteses se refere ao primeiro momento em que o tenista atingiu o topo.

Ou seja, no espaço 29 temporadas desde o início do ranking, apareceram 20 novos líderes. Já nos 20 calendários seguintes, somente sete.

Listas nobres

A relação dos que tiveram como ápice o número 2 é bem pequena, já que Daniil Medvedev tornou-se o 12º. Vamos a ela e perceba que é um bloco de elite, quase todos campeões de Grand Slam. Está assinalado o primeiro momento em que ocorreu:
Manuel Orantes – Agosto de 1973
Ken Rosewall – Abril de 1975
Guillermo Vilas – Abril de 1975
Arthur Ashe – Maio de 1976
Michael Stich – Novembro de 1993
Goran Ivanisevic – Julho de 1994
Michael Chang – Setembro de 1996
Petr Korda – Fevereiro de 1998
Alex Corretja – Fevereiro de 1999
Magnus Norman – Junho de 2000
Tommy Haas – Maio de 2002
Daniil Medvedev – Março de 2021

Já Stefanos Tsitsipas entrou no grupo dos 20 que tiveram o terceiro lugar como o mais alto posto da carreira, e novamente se destacam vários campeões de Slam. Vejamos:
Stan Smith – Agosto de 1973
Tom Okker – Março de 1974
Rod Laver – Agosto de 1974
Brian Gottfried – Junho de 1977
Vitas Gerulaitis – Fevereiro de 1978
Yannick Noah – Julho de 1986
Sergi Bruguera – Agosto de 1994
Guillermo Coria – Maio de 2004
David Nalbandian – Maio de 2006
Ivan Ljubicic – Maio de 2006
Nikolay Davydenko – Novembro de 2006
David Ferrer – Julho de 2013
Stan Wawrinka – Janeiro de 2014
Milos Raonic – Novembro de 2016
Alexander Zverev – Novembro de 2017
Grigor Dimitrov – Novembro de 2017
Marin Cilic – Janeiro de 2018
Juan Martin del Potro – Agosto de 2018
Dominic Thiem – Março de 2020
Stefanos Tsitsipas – Agosto de 2021

Com esses dados, verifica-se outro fato sintomático: desde o momento em que Federer chega ao número 1, em fevereiro de 2004, apenas 14 jogadores que não pertencem ao chamado ‘Big 4’ apareceram em algum momento no top 3 do ranking.

Por fim, deixo um debate: dos que não chegaram ao número 1, quem merecia mais? Minha lista teria Vilas, Ashe, Laver, Wawrinka e Del Potro.

Semi merecida para Nadal
Por José Nilton Dalcim
19 de novembro de 2020 às 20:53

Com três atuações de muito bom nível, seria um tanto injusto que Rafael Nadal ficasse de fora das semis do ATP Finals. Seus desafios no entanto estão longe de terminar. Agora terá pela frente o perigoso Daniil Medvedev, contra quem ganhou num tremendo sufoco há exatos 12 meses na quadra dura coberta da O2.

O saque foi o ponto alto do espanhol no primeiro set, encaixando 76% do primeiro serviço e perdendo apenas dois desses pontos. O índice caiu no outro set, Nadal precisou trabalhar mais cada ponto e, a exemplo do grego, cometeu dupla falta na hora do set-point.

A eficiência com o saque desabou para 54% num terceiro set marcado logo de cara por três quebras consecutivas. Mas aí o espanhol já era bem mais consistente que o adversário. Mexia-se com leveza, o que permitia usar o forehand e evitar bolas curtas. A estatística simplifica a análise: Nadal, tido como mais defensivo, marcou 32 a 24 nos winners. Tsitsipas, que precisava encurtar os pontos, errou 21 vezes contra meros 13.

O Finals está assim com 75% de chance de ter um novo campeão, como vem acontecendo continuamente desde 2016, já que o vencedor do grupo 2 em Londres foi Dominic Thiem. O austríaco sofreu a primeira derrota da semana contra um Andrey Rublev calibrado – foram apenas nove erros, algo notável para seu estilo socador -, mas me pareceu que Thiem não se empenhou tanto.

Os únicos que podem repetir o título são os que lutarão pela vaga derradeira, em duelo marcado para as 11h de sexta-feira: Novak Djokovic leva natural favoritismo sobre Alexander Zverev, o que se reforça pelo fato de os dois terem mostrado grande instabilidade nas rodadas anteriores. O alemão não possui a paciência de Medvedev para aguentar a pancadaria da base, então espera-se que vá para o risco. Se estiver num bom dia, o jogo ficará interessante.

Bruno perto da semi
A chance de Bruno Soares e o croata Mate Pavic passarem à semi é grande. Segundo os cálculos da ATP, uma vitória em sets diretos sobre Peers/Venus é o que basta. Se perderem um set, terão de torcer para Granollers/Zeballos tirar um set de Melzer/Vasselin. E mesmo perdendo Soares/Pavic ainda não estarão diretamente eliminados, desde que ganhem ao menos um set e Granollers/Zeballos terminem invictos.

A quinta-feira também reservou novidade para os dois maiores duplistas brasileiros. Bruno anunciou que irá retomar a parceria com Jamie Murray em 2021 porque Pavic o surpreendeu após Paris, rompeu a dupla com o intuito de treinar para os Jogos Olímpicos com Mektic. Já Marcelo Melo ganhou enfim em Londres e isso marcou a despedida emocionada do vitorioso dueto de quatro anos que fez com o polonês Lukasz Kubot. Não houve uma justificativa oficial, mas a temporada fraca pode explicar. Acredita-se que Melo jogará agora ao lado de Jean-Julien Rojer.

Koolhof/Ketic terminaram em primeiro no grupo 2, seguidos por Ram/Salisbury. De todos os postulantes ao título, o único que já foi campeão de um Finals é Granollers, enquanto Ram e Venus fizeram finais.

50 anos de Finals
Encerrado o contrato com os promotores alemães, o ATP Finals foi negociado com empresa portuguesa, que queria aproveitar o momento de Guga Kuerten e por pouco o torneio de 2000 não aconteceu em São Paulo. Esbarrou no velho problema da falta de um local decente. Ainda se tentou convencer o governo paulista a bancar uma arena na USP, mas não vingou. A solução foi aproveitar a estrutura do recém-inaugurado Parque das Nações de Lisboa, que usou um piso sintético lento e assistiu à histórica conquista de Guga, que se tornava assim o segundo sul-americano a vencer o Finals. As edições seguintes aconteceram em Sydney e Xangai, ambas vencidas pelo jovem Lleyton Hewitt.

O último C´mon
Por José Nilton Dalcim
21 de janeiro de 2016 às 13:45

Duas coisas ficarão registradas na história quando se pensar em Lleyton Hewitt. A primeira, é claro, a garra e a vibração com seu “c´mon” que já virou até grife. A outra, menos percebida, foi a mudança que ele trouxe ao tênis masculino no começo do século 21, ao consagrar o jogo de base como fórmula mágica do sucesso até sobre pisos velozes. Foi assim, sem um golpe bombástico, que ele ganhou o US Open e o Finals em 2001 e depois Wimbledon de 2002, feitos que o deixaram 75 semanas seguidas na liderança do ranking. Aliás, foi Hewitt o sucessor de Guga Kuerten na ponta do ranking.

Claro que depois disso seu jogo foi envelhecendo com rapidez, principalmente quando chegou Roger Federer, depois Rafael Nadal, ambos impondo estilos opostos mas em que a força, a habilidade e o físico tinham desempenho significativos. Ficou para trás em todos os quesitos, ainda resistiu por mais alguns anos. Dezenas de contusões e frustrações depois, encerra a carreira com 30 troféus, um bi na Copa Davis e muito respeito dos adversários e do público, que aos poucos o compreendeu e o admirou mais.

Sua missão agora será importante e difícil: arrumar o jogo e principalmente a cabeça da nova geração do tênis australiano, onde sobra talento e falta juízo. Ninguém mais apropriado, já que ele foi o mais jovem profissional a atingir o número 1, então aos 20 anos e nove meses, e sabe muito bem o quão duro foi lidar com cobrança e expectativa.

A rodada
Enquanto isso, Andy Murray e Stan Wawrinka economizam energia. O escocês só perdeu 11 games nos dois primeiros jogos, têm favoritismo amplo e natural contra João Sousa e depois pegaria Bernard Tomic, que não inspira confiança. Talvez só tenha trabalho se John Isner viver aqueles dias de saque afiadíssimo. A outra opção seria David Ferrer.

Wawrinka pegou dois veteranos e tem ficado um pouco mais em quadra, mas é difícil imaginar que perca sets de Lukas Rosol. Tem sido interessante para ele ficar meio à sombra. Não se fala muito do suíço em Melbourne. O teste real deve vir nas oitavas, seja Milos Raonic, seja Viktor Troicki. Esse é um jogo perigoso para o canadense, que sofreu diante da solidez de Tommy Robredo nos três sets.

E Fernando Verdasco? Não durou uma única rodada, batido por Dudi Sela de virada. E o que o israelense fez de especial? Jogou de forma inteligente. Baixou a bola, variou os cantos o tempo todo, sempre que foi possível completou o ponto na rede. Verdasco cometeu 63 erros, mais do dobro do adversário, e me pareceu bem sem pernas no quarto set. O nome forte desse setor é Gael Monfils, mas não descarto Andrey Kuznetsov, jogador pouco espetacular mas muito regular.

Já o lado inferior da chave feminina parece nas mãos de quem vencer o duelo de oitavas entre Vika Azarenka e Garbine Muguruza. Que sorteio injusto. Pelo que mostraram e pelo histórico, a bielo-russa é a grande candidata, porque seu jogo é perfeito para a quadra dura. Aliás, a ascendente Muguruza já brilhou no saibro de Paris e na grama de Wimbledon, só lhe faltando mesmo uma campanha de peso no sintético. Na Austrália, parou nos dois últimos anos justamente nas oitavas.

Outra novidade do top 10 feminino no ano passado, a tcheca Karolina Pliskova, 23 anos e 1,85m, tem grande chance de marcar seu maior resultado de Grand Slam. Nunca passou da terceira rodada e agora é a cabeça mais alta do seu quadrante. Joga num estilo Petra Kvitova (mas é destra), gostoso de se ver.

Seca continua
O tênis brasileiro não combina mesmo com o Australian Open. Em toda a Era Profissional, apenas três brasileiros atingiram a terceira rodada: Marcos Hocevar, em 1983, ainda na grama; Jaime Oncins em 1991, já no sintético; e Guga, num longínquo 2004.

A atuação de Thomaz Bellucci nesta madrugada foi sofrível. Eu até esperava que tivesse dificuldade com os slices rasantes de Steve Johnson, mas o desempenho no saque esteve muito abaixo. Saiu com quebras precoces nos três sets, e aí jogou atrás do placar e com pouca confiança.

Só resta se preparar para o saibro. A notícia ruim é que Bellucci nem será cabeça de chave no Rio Open, a menos que alguma das oito estrelas previstas não venha ou o paulista vá muito bem em Quito.

Números
– Isner completa dois jogos com média de 74% de acerto do poderoso primeiro saque. O mais incrível é que ele também lidera em pontos vencidos com o segundo serviço: 72%.
– Azarenka só perdeu quatro pontos depois de colocar o primeiro saque em quadra em suas duas partidas. Isso dá 91% de aproveitamento.
– Adversário de Monfils, Stephane Robert é quem melhor devolveu primeiro saque até aqui, com 77 pontos.
– Jogadores de estilo agressivo, Isner e Granollers fizeram o ponto mais disputado do torneio até agora, com 42 trocas. Metade foi de slices cruzados. O público se divertiu.
– Feliciano López foi 108 vezes à rede (ganhou 64, alguns maravilhosos) e anotou 42 aces na maratona diante do também canhoto Guido Pella. Partida teve 405 pontos jogados e demorou 4h31. Mais: López jogou ainda 75 minutos de dupla e também avançou. Ele tem 34 aninhos.

Sexta-feira
– Federer pode se tornar primeiro homem na história a atingir 300 vitórias de Grand Slam na partida contra Dimitrov. Apenas Martina Navratilova venceu mais, com 306.
– Djokovic tenta 12ª vitória sobre Seppi, mas o italiano não precisa se desesperar. Marin Cilic tem retrospecto ainda pior: 14-0 no momento.
– Kyrgios enfrenta Berdych pela primeira vez. O australiano não parece estar tão seguro de si. Ele também jogou duplas e se inscreveu nas mistas, o que não costuma acontecer com quem acredita numa grande campanha de simples.
– Adversário de Nishikori, Garcia-López já surpreendeu duas vezes num Slam: tirou Moyá da Austrália em 2005 e Wawrinka de Paris em 2014.
– Delbonis é bom candidato à zebra do dia. Já ganhou 2 dos 3 duelos contra Gilles Simon. O argentino só não embala nos Slam: quatro vitórias apenas.
– Duelo do futuro do tênis, Goffin e Thiem se cruzarão já pela sexta vez. O belga ganhou todas as quatro em 2014 e o austríaco, as duas do ano passado (uma foi por abandono). Goffin, 25, é três anos mais velho, mas Thiem já tem um ATP a mais (3-2).