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Os melhores do ano
Por José Nilton Dalcim
18 de abril de 2021 às 21:17

Quem diria, a fase europeia de saibro deu largada com o favoritismo natural dos velhos heróis, mas, ao fim de oito dias de interessantes batalhas e consideráveis surpresas, colocou dois nomes da nova geração no topo do ranking da temporada.

O campeão Stefanos Tsitsipas é agora o tenista mais bem pontuado de 2021, 140 pontos à frente do cada vez mais confiante Andrey Rublev. Deixaram para trás o número 1 do ranking tradicional, Novak Djokovic, que aliás não conseguirá recuperar o posto nem mesmo com o eventual título em Belgrado.

Jogador de muitos recursos, a lista de seis troféus do grego inclui agora o Finals de Londres, na quadra dura coberta, e o Masters de Monte Carlo, no saibro lento e úmido. Seus outros títulos são de nível 250, mas ele já fez outras duas decisões em nível Masters, no saibro rápido de Madri e no sintético mediano do Canadá, sem falar dos vices nos 500 de Barcelona,  Acapulco, Dubai, Pequim e Hamburgo. É um currículo respeitável para seus 22 anos.

É bem verdade que a trajetória da semana no Principado foi menos espetacular do que a de Rublev. AInda assim, teve vitórias impecáveis sobre Aslan Karatsev e Cristian Garin, antes de se favorecer do abandono de Alejandro Davidovich e ver Daniel Evans sem pernas.

Seu ligeiro favoritismo sobre Rublev vinha justamente do esforço muito maior que o russo fez para chegar na final, com  batalhas notáveis em cima de Roberto Bautista e Rafael Nadal antes de dois sets também exigentes frente a Casper Ruud.

Confesso que é um tanto frustrante ver o homem que parou Rafa não levar o título, porque talvez fosse o resultado mais justo. Porém, Rublev não teve jogo de cintura para achar uma forma de segurar Tsitsipas. O grego entrou muito firme e agressivo, dando pouco espaço para o conhecidíssimo adversário – duelam desde os tempos de juvenil – disparar seus poderosos golpes de base. Stef sufocou, variou, se antecipou. E o placar mostra de forma cristalina a diferença entre os dois neste domingo.

Gostei também de ver que os dois confirmaram presença em Barcelona, mostra de que não estão acomodados. E podem se cruzar de novo, mas agora na semi. Em Barcelona, o piso é um pouco mais veloz e exigerá adaptações. O grego pode ter maior dificuldade diante de Denis Shapovalov ou Felix Aliassime e Rublev tem no caminho o mesmo Bautista ou Jannik Sinner.

Se mantiverem o alto padrão de Monte Carlo, Tsitsipas e Rublev terão assim chance de desafiar Nadal na decisão. O espanhol buscará o 12º troféu e a recuperação. Vê no seu setor especialistas como Garin, David Goffin, Diego Schwartzman ou Fabio Fognini, o que tende a exigir o máximo de sua competência.

Djokovic, por sua vez, é o dono da casa em Belgrado e sua missão de manter o amplo favoritismo parece bem menos trabalhosa, ainda que tenha Karatsev numa possível semi e veja Matteo Berretini e o amigo Dusan Lajovic do outro lado da chave.

Por um triz
Surpreendente e animadora campanha das meninas brasileiras na repescagem da antiga Fed Cup, agora chamada de Billie Jean King Cup. Elas tiveram de encarar um piso sintético coberto na Polônia, mas gostaram de ver que a quadra não estava tão veloz assim e com isso tiveram excelentes atuações, principalmente se consideramos que Carol Meligeni e Laura Pigossi estavam jogando no saibro. Cada uma venceu um jogo de simples e a definição foi para as duplas, onde entrou a experiência de Luísa Stefani ao lado de Carol. Venceram com autoridade o primeiro set e lutaram ponto a ponto no terceiro, antes de enfim caírem.

É provável que a presença de Bia Haddad tivesse dado ainda mais volume de jogo ao time brasileiro, que tentava vaga no qualificatório do Grupo Mundial, em fevereiro. Mas a ausência da nossa tenista mais experiente teve seu lado positivo, porque deu espaço para Carol e Pigossi brilharem. Quem acompanhou as partidas pode ver falhas, é claro, mas um incrível espírito de luta e de união. Isso certamente fará muito bem a elas na dura retomada do circuito tradicional, onde ainda tentam furar a faixa de top 200 para aventuras maiores.

P.S.: Peço desculpas pelo atraso na publicação do texto, mas houve instabilidade no servidor até que enfim o texto conseguiu ser publicado.

Bendita Bia
Por José Nilton Dalcim
28 de fevereiro de 2019 às 01:00

Numa fase tão negativa do tênis brasileiro, Bia Haddad Maia continua sendo a nossa maior alegria. Dona de um potencial inegável que apenas os problemas físicos conseguiram arrefecer, a canhota de 1,84m e 22 anos marcou nesta quarta-feira o maior resultado individual do tênis feminino nacional dos últimos 30 anos.

Deu tudo certo para Bia. Furou um qualificatório difícil no fim de semana de calor extremo em Acapulco, aí pegou outra qualificada na estreia e, muito adaptada ao piso veloz e ao clima severo, jogou de forma eficiente e inteligente diante da norte-americana Sloane Stephens, nada menos que número 4 do ranking que pisava sua superfície predileta, a mesma que lhe deu o troféu do US Open de 2017.

A brasileira usou muito bem suas armas de canhota, não se precipitou nem mesmo quando saiu perdendo o saque na partida. Ao contrário, entendeu que precisava alimentar Sloane de erros e soube agredir nos momentos certos. Fez um segundo set irretocável no plano técnico e tático, sem jamais dar espaço ou esperanças à gabaritada adversária.

Foi o primeiro triunfo sobre uma top 10 de Bia, que havia perdido nas seis tentativas anteriores. O último a obter vitória individual sobre tops 5 havia sido Thomaz Bellucci, que tirou Andy Murray, então quarto colocado, na mágica campanha sobre o saibro de Madri de 2011 e há dois anos eliminou Kei Nishikori, 5º, no Rio Open. Porém, mais distante ainda estão os feitos de Dadá Vieira, última tenista nacional a derrotar uma top10 (Conchita Martinez) e uma top 5 (Helena Sukova), ambos em 1989.

É bem provável que Bia se reaproxime das 150 primeiras do ranking com a campanha já feita até aqui, mas ela certamente pertence a um grupo de nível muito mais elevado. Não à toa, já tem um vice de WTA e chegou a 58ª. Com confiança em alta e um segundo semestre inteiro sem pontos a defender em 2019, pode-se esperar ascensão contínua.

O desafio das quartas é diante da chinesa Yafan Wang, 65ª do mundo, que jogou apenas cinco games antes de Monica Puig desistir. Wang é parceira de Laura Pigossi nas quartas de final de duplas. Se passar, Bia enfrentará Donna Vekic ou Johanna Konta e quem sabe decidir contra Vika Azarenka.

– Brasil Open ficou sem brasileiros em simples, mas Thiago Wild teve uma vitória importante na primeira rodada e mostrou novamente qualidade com seus golpes. Claro que precisa de rodagem e o correto é não colocar pressão. O ponto negativo foi a conduta na primeira coletiva. Não ajuda nada se desentender com os jornalistas e alguém precisa dizer isso a ele. Talento nato, Felix Auger-Aliassime voltou a derrotar Pablo Cuevas, com grande terceiro set.

– Roger Federer teve novamente momentos instáveis, mas fez um belíssimo terceiro set diante de Fernando Verdasco, num dia em que o cabeça 1 Kei Nishikori e o atual campeão Roberto Bautista deram adeus. Está ficando cada vez melhor para o suíço. Boa chance de uma semi entre Stefanos Tsitsipas e Gael Monfils.

– E Nadal perdeu três match-points, um deles com o saque, num duelo de 3h03 contra Nick Kyrgios. O australiano pode ter dezenas de defeitos, mas é um tenista espetacular. Fez coisas incríveis o tempo todo, mesclando agressividade e criatividade. Pena para Rafa, que jogou muito melhor do que na estreia e talvez só tenha pecado mesmo pela falta de iniciativa no primeiro tiebreak.

Site vende ingresso para final do Rio a R$ 3 mil
Por José Nilton Dalcim
18 de fevereiro de 2014 às 00:38

Oficialmente, os ingressos para as três rodadas finais do Rio Open, de sexta a domingo, estão esgotados para venda nas bilheterias do Jockey Club ou do site oficial. Mas é fácil encontrar entradas em outros sites da Internet especializados nessa comercialização. Os preços, no entanto, são muito mais altos e podem ultrapassar a casa dos R$ 3 mil.

O site Ticket Sports Show afirma ter ingressos para essas três rodadas decisivas. Para a sexta, quartas de final masculinas e femininas, custam R$ 300, mas sobem para R$ 800 (lateral) e R$ 1.250 (fundo) para as semifinais de sábado e chegam a R$ 1.000 para os jogos decisivos do domingo. Ou seja, três ou até quatro vezes de sobretaxa.

O Viagogo, tradicional nesse comércio e com atuação em eventos esportivos no mundo todo, só tem disponível ingressos para o domingo, no fundo de quadra, e pede R$ 1.717. O mais caro de todos é o Ticket Bis, que anuncia entradas entre R$ 1.104 a 1.994 para as quartas de final; de R$ 1.518 a 2.760 no sábado; e R$ 1.242 até R$ 6.210 (dois ingressos) para o domingo.

Sufoco – Thomaz Bellucci salvou o dia dos brasileiros de simples, mas a rigor não foi muito além do esperado. Talvez João Souza, o Feijão, pudesse também ter vencido o quali Facundo Bagnis, mas são tenistas de ranking muito próximos. Quem viu o jogo, certamente temeu pela sorte de Bellucci, que perdeu o primeiro set e estava uma quebra abaixo no segundo. Mas ele reagiu. Usou mais algumas variações, como deixadinha, voleios e slices, ainda que se mostrasse apressado em pontos importantes. Dá para ganhar de Juan Mónaco e Horacio Zeballos, que não andam lá essas coisas. Guilherme Clezar não fez nada contra o sólido Federico Delbonis.

Laura Pigossi e Bia Haddad não ganharam set, mostrando grande distância para as tenistas mais bem colocadas. Para a destra, faltam pernas e bolas mais pesadas; para a canhota, melhor deslocamento pela quadra. Terça-feira é dia de torcer para Teliana Pereira e Paula Gonçalves.

Bola dentro – O começo da transmissão do Sportv da belo estádio montado no Jockey foi terrível. Não se via a bola num saibro muito claro e cheio de manchas. Houve depois um ajuste de luminosidade e ficou perfeito.

Boa fora – Maior destaque do tênis brasileiro de 2013, Bruno Soares teve de estrear no pequeno estádio secundário, onde se apertaram 1.200 pessoas e muitas ficaram de fora. A explicação do diretor do torneio, Luiz Procópio Carvalho, é que a programação da quadra principal obedeceu contratos de tevê internacional. O público do primeiro dia, diga-se, não foi animador, mas prevê-se casa cheia a partir de agora.

Ele mudou! – Se alguém acha que Thomaz Bellucci continua o mesmo, sou obrigado a discordar. Ele mudou sim: agora não coloca a segunda bola no bolso e prefere pedir para o boleiro caso precise dar o segundo saque, ao estilo Serena Williams. Tomara que funcione tão bem quanto.