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Semifinais de peso
Por José Nilton Dalcim
26 de abril de 2019 às 17:57

A reedição da final de Roland Garros de 2018 entre Rafa Nadal e Dominic Thiem já seria suficiente para dar todo o gabarito possível às semifinais do ATP 500 de Barcelona deste sábado. Mas a programação será ainda melhor, com o bicampeão Kei Nishikori e o ascendente Daniil Medvedev, este fazendo sua segunda inesperada campanha sobre o saibro em poucos dias.

Nadal fez uma excelente exibição diante de Jan-Lennard Struff, porque foi pressionado o tempo todo e precisou de todas suas armas para brecar o valente alemão. No seu melhor estilo, cometeu apenas oito erros em 24 games, mas também anotou 19 winners. Thiem brilhou menos, teve altos e baixos no primeiro set, perdeu serviço e demorou para se impor ao também canhoto Guido Pella.

Assim como na semana passada, Nadal está novamente a dois jogos de fazer ainda mais história e se tornar o único profissional com 12 troféus num mesmo torneio. Ele aliás jamais perdeu um título em Barcelona depois de chegar na semifinal.

Thiem é um daqueles raríssimos adversários a ter vencido Nadal ao menos três vezes no saibro e o único a ter cometido tal façanha nas duas últimas temporadas (Roma em 2017 e Madri no ano passado). No placar geral, perdeu outras oito vezes, incluindo a final de Roland Garros de 2018. O duelo mais recente foi aquele jogaço nas quartas do US Open.

Vejo o duelo com relevância dobrada. É o tipo de vitória que Rafa precisa neste momento para superar os resquícios de trauma de Monte Carlo e ter a volta total da confiança. Ao contrário, uma nova derrota na semi, e agora em casa, seria um fardo duro de carregar. E encheria a bola de Thiem, um adversário sempre muito perigoso quando está com a cabeça boa.

Kei brilha de novo
O terceiro grande semifinalista deste sábado é Kei Nishikori, que nos últimos anos conseguiu adaptar muito bem para o saibro seu estilo mais apropriado aos pisos duros. Como se mexe muito bem, chega bem fácil nas bolas e isso permite continuar pegando tudo na subida, imprimindo um ritmo sufocante ao adversário.

Se passar por Daniil Medvedev, fará sua quarta final em Barcelona nos últimos seis anos, tendo sido bicampeão em 2014 e 2015 e vice em 2016. O japonês tem outros dois resultados de peso na terra: a final de Madri em 2014 e a de Monte Carlo, no ano passado.

Medvedev é portanto o ‘patinho feio’ da rodada. O russo superou um confronto duro diante do agressivo Nicolas Jarry, mas se valeu não apenas do evidente cansaço do chileno – 17 sets jogados desde sábado  – como também de seu poderoso jogo de base.

Ele contou que o piso estava muito seco e, com o vento forte, controlar a bola se tornou um desafio e tanto. Mas esta é justamente a sua maior qualidade e não será nada surpreendente se vermos Nishikori indo ainda mais à rede para diminuir seu tempo de reação.

E mais
– Naomi Osaka conseguiu uma virada incrível em Stuttgart, perdendo por 1/5 no terceiro set para Donna Vekic. Atenuou a atuação instável, com 32 winners e 45 erros. Enfrentará agora Anett Kontaveit, que viu Vika Azarenka sacar para o jogo, falhar e depois abandonar no terceiro set com dores no ombro.
– A outra vaga na final está entre Petra Kvitova e Kiki Bertens, um duelo entre sacadoras. A canhota tcheca busca a quarta final da temporada e lidera o ranking do ano.
 – Campeão do Rio, o sérvio Laslo Djere está na semi de Budapeste e com isso é agora o 16º do ranking da temporada. Enfrenta o italiano Matteo Berrettini, dono de um belo primeiro saque.
– A outra semi tem dois tenistas que sonham com seu primeiro ATP: Filip Krajinovic e Pierre Herbert.
– Má notícia: Thomaz Bellucci ficará pelo menos duas semanas sem competir por conta da torção de tornozelo, com pequena chance de voltar no challenger de Lisboa, uma semana antes do quali de Paris.

Rio adere à renovação
Por José Nilton Dalcim
24 de fevereiro de 2019 às 21:38

A final totalmente inesperada entre Laslo Djere, sérvio de 23 anos, e Felix Auger-Aliassime, revelação canadense que chama a atenção do tênis desde os 14 anos, colocou o Rio Open na rota cada vez mais inevitável da renovação do circuito masculino.

O lugar deles na decisão do Jockey Club foi mais do que merecido. Djere não tomou conhecimento do top 10 Dominic Thiem e Aliassime atropelou Fabio Fognini, ambos logo na estreia. O sérvio chamou menos a atenção ao longo da semana, já que Felix ganhou direito de jogar nas rodadas noturnas do estádio e fez grandes exibições sobre Jaume Munar e Pablo Cuevas. Vestiu a camisa da seleção brasileira e ganhou logo a simpatia da torcida.

Djere no entanto também tem muita qualidade sobre o saibro, onde se destaca a capacidade de explorar paralelas dos dois lados com grande precisão e oportunismo. É bem verdade que o duelo deste domingo não foi um grande espetáculo, já que os erros vieram em quantidade muito grande. Aliassime cometeu nada menos do que 47.

Mas deve-se dar desconto ao lado emocional do momento. Djere perdeu recentemente os pais e  não estava inteiro – logo de cara pediu atendimento para a coxa esquerda -, enquanto o canadense pareceu ter dificuldade no controle da ansiedade, o que não é novidade para quem o acompanha com frequência.

Apesar do desgaste, os dois estarão terça-feira no Brasil Open e já são atração. Agora 37º do mundo, Djere pega um quali italiano e depois o cabeça 2 Jaziri. E pode até reencontrar Aliassime nas quartas. O canadense sobe para 59º e estreia diante de Pablo Cuevas na terça-feira. Imperdível.

O retrato da renovação
Em apenas oito semanas de temporada 2019, o circuito masculino já tem seis tenistas que conquistaram seu primeiro troféu de nível ATP, e três deles da Next Gen: Alex de Minaur (Sydney), com 19; Reilly Opelka (Nova York), de 21; e agora Djere. A lista inclui ainda Tennys Sandgren (Auckland), Juan Ignacio Londero (Córdoba) e Radu Albot (Delray).

Com isso, a chance de superar os 13 debutantes de 2018 é grande. Esse montante igualou a marca de 2004, quando Rafael Nadal, Tomas Berdych, Robin Soderling e Feliciano López erguiam seus primeiros troféus.

Além dos três campeões, mais três outros nomes da nova geração também fizeram suas primeiras finais em 2019: Cameron Norrie, Brayden Schnur e Aliassime.

Mais destaques
– Belinda Bencic conquistou Dubai em grande estilo. Assim como havia feito quatro anos atrás no Canadá, derrotou quatro top 10 para levantar o título. A ex-número 7 irá avançar ao 23º posto do ranking, mas nunca é demais lembrar: tem ainda 21 anos!
– Stefanos Tsitsipas aumenta as façanhas da Next Gen, ao erguer seu segundo troféu de nível ATP, desta vez em Marselha. Está agora a apenas 130 pontos do top 10 Marin Cilic. A façanha fica para Indian Wells ou Miami, torneios que juntos o grego tem apenas 35 pontos a defender.
– Roger Federer estreia às 12h desta segunda-feira contra o ‘freguês’ Philipp Kohlschreiber. Dubai, sua segunda casa, parece lugar perfeito para o 100º troféu. A chave está boa.
– Rafa Nadal por sua vez encabeça Acapulco e, se estiver em forma, deve ir firme até as quartas, quando há chance de um confronto interessante contra Stan Wawrinka. Do outro lado, está Sascha Zverev.

Festa, alívio e frustração
Por José Nilton Dalcim
23 de fevereiro de 2019 às 00:38

Thomaz Bellucci e Rogerinho Silva viveram sentimentos antagônicos nesta sexta-feira no Rio e levantaram polêmica das boas. Conseguiram outra ótima atuação, avançaram inesperadamente à final do Rio Open sem serem especialistas de duplas, contando com um apoio maciço da torcida na quadra 1.

Mas ao mesmo tempo, eles ficaram de fora do qualificatório do Brasil Open, que também começa neste sábado no Ibirapuera. E aí sobraram críticas à organização do ATP 250 paulistano por ter dado com antecipação convite para o uruguaio Pablo Cuevas, tricampeão do torneio, que se esqueceu de fazer a inscrição e foi jogado para o quali. Não fosse o convite, seria ele o prejudicado com a campanha do Rio e talvez se abrisse vaga para Bellucci ou Rogerinho.

“É triste ver isso”, lamentou Thomaz. “Onde está o apoio quando mais precisamos?”, queixou-se Rogerinho. “Era momento de apoiar o tênis brasileiro”. O Brasil Open deu os outros dois convites ao jovem Thiago Wild e ao número 1 nacional Thiago Monteiro, e reservou vaga na chave de duplas para Bellucci e Rogerinho. Vale destacar que Bellucci não sabia o que era disputar um título desde o vice de simples em Houston de 2017.

As semifinais de simples deste sábado terão Aljaz Bedene e Laslo Djere, e pelo sofrimento físico do esloveno parece que o sérvio de 23 anos tem uma chance incrível de disputar inédita final de ATP (Bedene soma três vices).

A sensação do Jockey Club, no entanto, é o garoto Felix Auger-Aliassime, com um tênis maravilhosamente agressivo, desde a base até a transição à rede, além de um saque muito pesado. É certo que por vezes exagera na força e na ousadia, porém pode-se colocar tudo na conta de seus 18 anos.

Dominou o espanhol Jaume Munar, que é muito mais afeito ao saibro do que ele, e terá delicioso desafio diante da experiência de Cuevas, 14 anos mais velho, quatro vezes campeão no saibro brasileiro, uma delas no Rio. O bom de tudo é que o uruguaio gosta de bater na bola e exibe um admirável backhand de uma mão.

No campo das polêmicas, sobram também reclamações sobre o salgado preço dos ingressos do Rio Open. Para as semifinais e final, sai por R$ 440 na arquibancada o valor cheio (há promoções de alguns patrocinadores que reduzem até 30%).

Com a queda dos favoritos, não seria o caso de redução?, me indagam. É um problema complexo. Em primeiro lugar, acho o valor excessivo para o mercado brasileiro. Mas não dá para reduzir no meio do caminho, porque seria uma tremenda injustiça com aqueles que compraram a entrada antes.

O fato é que, mesmo com poucos brasileiros e favoritos, a arquibancada até encheu nesta sexta-feira e é bem provável que isso se repita no sábado e domingo.