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Djoko confirma, Federer no sufoco
Por José Nilton Dalcim
10 de novembro de 2019 às 22:43

O duelo entre Roger Federer e Dominic Thiem era sem dúvida o grande jogo da primeira rodada dos grupos do Finals, e a vitória justíssima do austríaco coloca o suíço sob grande pressão. A lógica diz que terá de vencer não apenas Matteo Berrettini, o que não é difícil, mas agora o próprio Novak Djokovic. Complicou.

Djokovic atropela Berrettini
Jogo de apenas 64 minutos, que só não foi mais desequilibrado porque o sérvio cedeu uma quebra boba no segundo set. Aliás, se mostrou muito irritado com isso, sinal evidente do quanto está exigente já neste início de Finals.

O histórico – Primeiro duelo entre os dois com um currículo absolutamente desigual no Finals. Enquanto o italiano fez sua estreia, Djokovic tem agora 54-9.

A estatística – Dos 18 erros não forçados no primeiro set de Berrettini, nada menos que 12 foram com sua principal arma, o forehand.

O ponto crucial – Djokovic reuniu dois atributos fenomenais para dominar totalmente a partida. Se de um lado só perdeu oito pontos com o serviço – quatro com o primeiro -, de outro colocou enorme pressão sobre Berrettini ao ser muito consistente nas trocas. Cometeu apenas sete erros não forçados, três deles no primeiro set.

Grande de noite de Thiem
De um lado, um tenista muito sólido no fundo, confiante para soltar o braço na hora do aperto e atento nos contragolpes. Do outro, pernas um tanto lentas, o que pode explicar erros em voleios, smash e forehands fáceis. Pela terceira vez no ano, Dominic Thiem superou Roger Federer. Já não pode ser considerado uma surpresa.

O histórico – Thiem havia mostrado em Indian Wells e Madri que quando seus golpes estão afiados é difícil para Federer ter respostas para seu volume de jogo. Repetiu a dose neste domingo e agora já tem um placar geral nada desprezível de 5 a 2 sobre o suíço, com triunfos no saibro, grama, sintético aberto e coberto.

A estatística – Federer ganhou apenas 12 das 22 investidas à rede, venceu 48% dos pontos com o segundo serviço e encarou o primeiro saque de Thiem em média a 199 km/h.

O ponto crucial – Thiem quebrou antes. logo no game de abertura da partida, permitiu reação mas capitalizou com sucessivos erros quando Federer tentava levar ao tiebreak. O fundamental no entanto foi salvar os três break-points que encarou no segundo set: um no 2/2 e dois quando sacava para fechar no 6/5, todos com sangue frio, primeiro serviço menos forçado mas profundo.

A segunda-feira
Daniil Medvedev entra em quadra às 11h com 5 a 0 nos duelos contra Stefanos Tsitisipas e nos mais variados pisos. Neste ano, já ganhou na lentidão de Monte Carlo e no veloz Xangai. É o favorito natural. Os dois jogam Finals pela primeira vez e devem haver tensão no início.

Rafael Nadal também tem 5 a 0 sobre Alexander Zverev, mas obviamente existe a dúvida sobre seu estado físico. Pelos treinos, mexeu um pouco no movimento do saque e isso pode ser um problema, porque nada pior para um tenista do que desviar a atenção tática para pensar na execução. Zverev pode se aproveitar disso se atacar com coragem o serviço do espanhol.

E mais
– Em sua sétima participação no Finals, Marcelo Melo e o parceiro polonês Lukasz Kubot iniciaram com vitória suada em cima de Ivan Dodig (com quem foi vice em 2014) e Filip Polasek. Eles enfrentam aogra Raven Klaasen/Michael Venus, que também venceram neste domingo.
– No Twitter, Melo não escondeu o desapontamento por seu jogo não ter sido transmitido pelo Sportv. Aliás, o canal não mostrou também a estreia de Djokovic.
– Mesmo jogando em casa, a Austrália vai continuar na fila por títulos na Fed Cup, que não conquista desde 1974. A festa foi francesa em Perth, com uma inesperada vitória de Kiki Mladenovic diante da número 1 Ash Barty e depois com grande desempenho nas duplas ao lado de Caroline Garcia. É apenas o terceiro troféu da França, repetindo 1997 e 2003.
– A partir da próxima temporada, a Fed Cup muda outra vez de formato e segue o padrão da nova Copa Davis, com fase final de 12 participantes. O Brasil jogará o quali de fevereiro contra a Alemanha em casa.
– Thiago Wild ficou perto de ganhar do espanhol Jaume Munar, que era 52 do mundo poucos meses atrás, mas cansou mentalmente a partir do tiebreak e não reagiu mais na semi de Montevidéu. De qualquer forma, termina a temporada com evolução de quase 250 posições, devendo aparecer nesta segunda-feira no 215º.
– Embora seja um torneio tão modificado que às vezes dificulta comparações, não resta menor dúvida que o garoto italiano Jannik Sinner tem futuro certo entre os tops do ranking e as vitórias sobre Alex de Minaur e Frances Tiafoe no Next Gen Finals apenas reforçaram isso.

Está chegando a hora
Por José Nilton Dalcim
4 de junho de 2017 às 19:09

Enquanto Rafael Nadal deu outra mostra de seu excepcional momento e domínio do saibro, Novak Djokovic superou sua instabilidade e mais um adversário determinado a aproveitar a chance. Como a vida muda. Dois anos atrás, víamos exatamente o oposto. Um soberano e absoluto, o outro a esgrimar com seus fantasmas. Agora, só falta mais um degrau para os dois se reencontrarem, outra vez por caminhos diferentes.

Rafa entrará nas quartas de final como superfavorito diante de Pablo Carreño, um especialista na terra com golpes sólidos mas altos e baixos emocionais. Neste domingo, Nadal atropelou Roberto Bautista como se do outro lado da quadra estivesse um top 100. Carreño ao contrário precisou de um esforço gigantesco de 4h21 para derrotar Milos Raonic no melhor jogo do torneio até agora, repleto de grandes lances, alternâncias e tensão até o último game. É possível Carreño dar trabalho a Rafa, desde que jogue um estágio acima e ainda encontre um compatriota menos inspirado. Chance pequena, claro.

Para Djoko, só se espera um desafio ainda maior: Dominic Thiem. O sérvio já vinha de um jogo exigente contra Diego Schwartzman e aí encarou um primeiro set duríssimo frente Albert Ramos – canhoto que basicamente joga no estilo de Nadal – em que alternou erros bobos com grandes lances. Só se liberou depois de vencer o tiebreak e aí sim pudemos ver um digno campeão. A diferença de intensidade, tal qual havia acontecido contra Diego, foi gritante.

Mas Thiem está em outro patamar. Sua bola tem muito mais peso, a começar com um saque que raramente é inferior a 200 km/h. O austríaco coloca pressão, usa muito bem as paralelas e é preciso fugir de seu forehand matador. Claro que Djokovic é o maior candidato, mas precisará iniciar o jogo melhor do que vem fazendo porque terá pela frente um adversário que acaba de derrotar o próprio Nadal e está totalmente descansado, sem ter perdido um único set até aqui. Expectativa de uma batalha fenomenal na terça-feira.

A chave feminina também teve uma notícia e tanto: Roland Garros obrigatoriamente verá uma campeã inédita depois que Garbiñe Muguruza tropeçou na sua irregularidade e fez a festa de Kiki Mladenovic. Sua adversária será Timea Bacsinszky, de jogo variado mas pouca potência, que virou diante de uma desgastada Venus Williams.

E dentro desse quadro, surge uma enorme oportunidade para Carol Wozniacki voltar a uma final de Grand Slam – fez duas no US Open -, já que é de longe a mais experiente entre as quatro. Sem falar que faz sua melhor temporada dos últimos três anos. A próxima barreira é a garota Jelena Ostapenko, belos golpes de base e nervos no lugar. Não pode ser menosprezada.

Últimas vagas
No complemento dos jogos de sábado, ainda pela terceira rodada, destaque para a nova surpresa do russo Karen Khachanov, de 21 anos e um pesado jogo de base. Depois de tirar Tomas Berdych com um festival de winners, ele conseguiu a proeza de derrotar John Isner levando dois de três tiebreaks. É para tirar o sono de Andy Murray, seu próximo adversário.

Gael Monfils levou sorte com o abandono de Richard Gasquet, principalmente porque evitou um desgaste enorme de uma partida que pintava para cinco sets e muitas horas. Poupou esforço para a batalha contra Stan Wawrinka. Por fim, Kei Nishikori amargou um ‘pneu’ e só foi tirar o valente Hyeong Chung num duro quinto set.

Com isso, vamos ver os destaques da rodada desta segunda-feira, que completa as oitavas de final nos dois sexos:

– Murray busca a 650ª vitória da carreira e a 7ª presença (4ª seguida) nas quartas do torneio diante de Khachanov, que pode ser o primeiro desde Nadal em 2005 a ir tão longe logo em sua primeira participação em Paris.
– Wawrinka só perdeu 1 de 9 duelos contra franceses em Roland Garros (Tsonga, em 2012). Se Monfils avançar, igualará Leconte e Noah como o tenista da casa com mais quartas disputadas (5). O placar dos duelos está 2 a 2, mas não se cruzam desde 2011 e jamais o fizeram no saibro.
– Cilic tem uma meta especial, já que Roland Garros é o único Slam onde não chegou ao menos nas quartas na carreira. Ganhou 5 dos 6 confrontos contra Anderson, mas única derrota foi no saibro de Roma-2013. Nenhum sul-africano fez quartas em Paris na Era Aberta.
– Nishikori vem de três vitórias seguidas sobre Verdasco, incluindo a de cinco sets em Roland Garros do ano passado. Espanhol é o tenista em atividade com mais quinto set disputado (23), cinco deles virando de 0-2. Se vencer, será o tenista que mais vezes tentou até atingir as quartas de Paris (14 vezes).
– Halep x Suárez é a grande promessa da rodada feminina, duas jogadoras experientes e com histórico em Slam. O placar mostra 6 a 5 para a romena, porém a espanhola ganhou todas as 4 no saibro.
– Também imprevisível o duelo francês de Garcia e Cornet, que fizeram um único confronto oficial sete anos atrás. Pliskova ao contrário tem amplo favoritismo contra Cepede e Svitolina, sobre Martic.

Sucesso nas duplas
No pior de seus pisos, Bruno Soares e o escocês Jamie Murray continuam firmes e chegam às quartas de final de Roland Garros como os cabeças mais altos. Aliás, cinco das oito parcerias nem são cabeças.

Não é impossível termos uma semifinal entre Bruno e Rogerinho Silva, mas a tarefa do mineiro é bem menos difícil do que a do paulista, já que pega Santiago Gonzalez/Donald Young. Cabe a Rogerinho e Paolo Lorenzi encarar Fernando Verdasco/Nenad Zimonjic. Talvez, a melhor coisa fosse Verdasco vencer Nishikori, ir às quartas de simples e esquecer a dupla. Torçamos.

E Marcelo Demoliner consegue seu primeiro grande resultado em Slam, ao atingir as quartas nas mistas ao lado da boa duplista Maria Jose Martinez, que já foi 4ª do mundo. Neste domingo, a dupla do gaúcho tirou os campeões do Australian Open salvando match-points. A próxima missão não é fácil: Anna-Lena Groenefeld e Robert Farah.

Cabeça de Nole passa no teste
Por José Nilton Dalcim
2 de junho de 2017 às 20:30

A terceira rodada de Roland Garros foi um duro teste para Novak Djokovic, não resta dúvida. E nem tanto no aspecto técnico-tático, mas para seus nervos e determinação. Vento, chuva, árbitro e um adversário lutador ao extremo. Fosse um jogo em três sets, Nole estaria eliminado. Mas cinco sets são um universo totalmente à parte, que ressalta ainda mais a experiência e o físico de cada um.

Diego Schwartzman fez um esforço enorme para se manter competitivo e aos poucos a intensidade foi caindo, caindo… Enquanto Nole manteve o padrão e deu a impressão que jogaria mais um set facilmente.

Quebrou raquete, reclamou, esbravejou mas acima de tudo queria ganhar. Terá de ficar preparado para outra batalha de paciência contra o canhoto Albert Ramos, sobre quem ganhou todos os nove sets disputados. O espanhol suou e usou a regularidade para calar a torcida por Lucas Pouille.

Aproxima-se o duelo de Djoko com Dominic Thiem e o austríaco vem embalado, nenhum set perdido e ainda um adversário veterano pela frente, o canhoto Horacio Zeballos, que se favoreceu do infortúnio de David Goffin. O belga se enrolou na lona, torceu o pé e saiu carregado da quadra ainda no décimo game. Outra cena triste para Roland Garros.

Enquanto isso, Rafa Nadal dá exibições. Fez sua mais fácil partida em toda a história do torneio, um único game perdido. Vá lá que Nikoloz Basilashvili não mostrou qualquer arma e ganhou mais pontos em erros do adversário do que por seus próprios méritos.

Rafa pode ter agora dois compatriotas antes da semi. Roberto Bautista é o próximo, um tenista regular e brigador, mas sem os grandes golpes necessários para superar a ‘parede’. Pablo Carreño viria em seguida. Ele anulou Grigor Dimitrov e tem chances diante de Milos Raonic, que mal jogou diante de Garcia-López. Para ser sincero, o saque do canadense me parece ser o único com capacidade de dar algum trabalho a Nadal neste momento de notável inspiração.

Na chave feminina, as únicas surpresas foram as dificuldades com que Sveta Kuznetsova e Kiki Mladenovic tiveram em suas partidas. A francesa ficou bem perto da derrota para Shelby Rogers. Drama atrás de drama.

Continuo achando que Kuznetsova é a maior candidata à vaga na final nesse lado da chave, apesar da presença de Garbine Muguruza e da deliciosa forma com que Venus Williams se diverte em quadra. Mantém o estilo superagressivo, faça chuva, faça sol, sob os olhares da irmã Serena.

Ranking alert
– A partir de agora, qualquer rodada a mais que Nadal alcance sobre Djokovic significa para o sérvio a perda do número 2. Wawrinka só entra na briga se chegar na semi.
– Apesar da decepcionante derrota, Zverev tem tudo para se manter no top 10. Risco apenas se Monfils for à final ou um campeão muito inesperado, como Carreño ou Bautista.
– Bellucci pode sair como 56º; Rogerinho, de 71º; e Monteiro, 94º.
– Mais uma vitória e Rogerinho será top 100 também de duplas, feito inédito para ele.
– Apenas dois dos top 12 de duplas estão de pé: Bruno e Jamie.
– Bia por enquanto avança para 96º, seu recorde pessoal.

Oitavas a concluir
– Murray ganhou 6 de 9 duelos contra Delpo, mas perdeu 2 dos últimos 3. A tradição mostra jogos duros. Dúvida devido a estiramento, Delpo tenta voltar às oitavas de Paris após 5 anos.
– Wawrinka tem 5-1 nos confrontos contra Fognini e 4-1 no saibro. Paris sempre foi o melhor Slam do italiano, que fez quartas em 2011.
– As únicas duas vitórias de López sobre Cilic vieram exatamente no saibro. Croata busca 100º triunfo no piso e repetir melhor campanha em Paris. Canhoto de 35 anos, espanhol só fez oitavas no torneio de 2004, quando perdeu para Guga Kuerten.
– Diferença de Nishikori no duelo asiático contra Chung é de 65-4 em vitórias de Slam e 323-35 em nível ATP. Mas japonês está com problema nas costas e preocupa.
– Monfils e Gasquet prometem equilíbrio total. Em 14 duelos, 7-6 para Gael. Só se cruzaram uma vez no saibro, em Barcelona de 2011. Imprevisível. Quem vencer, será última esperança francesa na chave.
– Duelo de geração entre Isner (32 anos) e Khachanov (21). O russo ganhou mais jogos este ano no saibro (9 a 7) e Isner no geral (14 a 12). Khachanov tem recorde negativo em tiebreaks em 2017 (6 de 20).
– Verdasco venceu Cuevas em Roland Garros de 2014 em jogo intenso e virada de 2 a 0. Último uruguaio nas oitavas foi Filippini, em 1999. Espanhol já chegou na quarta rodada cinco vezes.
– Fato curioso, tanto Edmund como Anderson nasceram em Johanesburgo. Britânico não perdeu sets ainda. Ex-top 10, sul-africano já passou por duas cirurgias, no ombro e tornozelo.
– Apenas dois dos oito duelos femininos envolvem confronto direto entre cabeças de chave: Halep x Kasatkina, possivelmente o melhor jogo do dia, e Vesnina x Suárez, em que a espanhola ganhou todos os três anteriores.
– Favoritismo para Pliskova e Svitolina. E atenção nas francesas: Cornet desafia Radwanska, contra quem tem terríveis 1 a 7 nos duelos, e Garcia pega Hsieh.