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Sempre existe um jeito para Nole
Por José Nilton Dalcim
3 de setembro de 2020 às 00:21

Novak Djokovic se deu ao direito de fazer uma partida fora do padrão habitual, mas nem de longe correu riscos diante do jogo pesado mas sem variação de Kyle Edmund. O sérvio fez lances notáveis e erros sucessivos, perdeu seu primeiro tiebreak em 11 na temporada, chegou a ceder o serviço por duas vezes seguidas no terceiro set, mas sempre encontrou soluções adequadas.

É exagero dizer que o número 1 jogou mal, mas sua própria insatisfação com a produtividade ficou patente em quadra. Reclamou demais, chutou a bolinha, soltou gritos de frustração e urros de motivação. Acredito que dois fatores contribuíram para isso: a consistência do britânico, arrancando sucesso até de seu backhand instável, e a velocidade do piso, já que entrou em ação no meio da tarde, quando a quadra é sempre mais rápida. Precisou de adaptações para as duas coisas e, novamente, achou um caminho.

Reencontrará na sexta-feira o alemão Jan-Lennard Struff, contra quem só perdeu um set em quatro duelos e acabou de demolir nas quartas do Masters jogado lá mesmo em Flushing Meadows. Estará buscando mais números de peso: a 600ª vitória da carreira em 712 jogos sobre a quadra sintética e o melhor início de temporada no piso duro, com 25, o que superaria as 24 do mágico ano de 2011.

Stefanos Tsitsipas fechou o dia e encarou mais um gigante, o pouco conhecido Maxime Cressy, de 2,01m, uma sina que vem desde a semana passada, quando cruzou Anderson, Isner, Opelka e Raonic. O primeiro set foi equilibrado, mas depois o grego conseguiu evoluir nas devoluções e passadas. Agora, finalmente cruzará com um jogador de base, Borna Coric. O croata lutou 4h20 para tirar Juan Ignacio Londero e isso deve influir. Quem vencer, pega Jordan Thompson ou Mikhail Kukushkin. Nada ruim.

No feminino, o destaque foi a queda da cabeça 1. Karolina Pliskova vai continuar na fila por seu Grand Slam em dia em que errou muito. Não surpreende tanto quando se lembra de sua atuação da semana passada ou do histórico sempre apertado contra Carolina Garcia. Em seu oitavo US Open, a francesa finalmente tentará chegar nas oitavas, mas não deve relaxar: Jennifer Brady está em casa e ganhou Lexington há poucos dias.

Naomi Osaka por seu lado atropelou Camila Giorgi, cedendo apenas três games em 70 minutos. O momento mais divertido foi a difícil comunicação no telão do estádio com a mãe. A japonesa será super favorita diante da ainda juvenil Marta Kostanyk, que fez terceira rodada em Melbourne deste ano e tirou nesta semana Anastasija Sevastova e Daria Kasatkina.

A rodada masculina
– Alexander Zverev teve o esperado trabalho contra o bom Brandon Nakashima e anotou 25 pontos em 31 voleios. Pode fazer oitavas pelo terceiro Slam seguido e pela quinta vez nos últimos seis, o que começa a afastar o fantasma. Em janeiro, foi semi em Melbourne. Encara o canhoto Adrian Mannarino com grande chance.
– O ‘trintão’ Ricarda Berankis, hoje treinado por Janko Tipsarevic, concorre às oitavas contra Pablo Carreño e pode ser o oponente de Djokovic.
– Oito norte-americanos foram à quadra e apenas Taylor Frtiz está na terceira rodada, com vitória confortável sobre Gilles Simon. Número 25 do ranking aos 22 anos, ele tentará pela quarta vez chegar nas oitavas de um Slam.
– Fritz faz duelo de nova geração contra Denis Shapovalov, que levou sufoco e marcou virada, com números bem a seu estilo: 62 winners e 57 erros. O canadense ganhou os dois jogos contra Fritz.
– Cameron Norrie passou por dois argentinos salvando 32 de 41 break-points. Seu adversário será o garoto espanhol Alejandro Davidovich – que fechou o primeiro set hoje com um saque por baixo. Nenhum deles foi tão longe num Slam.
– Jogo bem interessante envolverá David Goffin e Filip Krajinovic. O belga fez oitavas no US Open nos últimos três anos, o sérvio não perdeu set até agora.

Os destaques femininos
– Além de Brady, mais quatro americanas avançaram na parte de cima da chave. Duas farão duelo direto (Shelby Rogers e Martin Brendle), Jessica Pegula desafia Petra Kvitova e Ann Li encara Angelique Kerber.
– E o torneio feminino fica ainda mais desfalcado. Cinco cabeças caíram no feminino ao lado de Pliskova e Sevastova, uma lista com Elena Rybakina, Marketa Vondrousova, Alison Riske, Dayana Yastremska e Kristina Mladenovic.
– A derrota de Mladenovic é daquelas para não se esquecer tão cedo: tinha 6/1, 5/1 e saque com 30-30! Dois games depois, no serviço da russa Varvara Gracheva, 102ª do ranking, ainda desperdiçou quatro match-points. Daí perdeu feio no tiebreak e levou ‘pneu’ no set final. Saiu reclamando dos organizadores, da ‘bolha’, oh vida cruel.

Brasil enfim vence
Bruno Soares e Luísa Stefani estrearam com vitória dura em três sets em suas respectivas chaves de dupla, mas Marcelo Melo já está fora. Nesta quinta, Marcelo Demoliner entra em ação.

Djoko confirma, Federer no sufoco
Por José Nilton Dalcim
10 de novembro de 2019 às 22:43

O duelo entre Roger Federer e Dominic Thiem era sem dúvida o grande jogo da primeira rodada dos grupos do Finals, e a vitória justíssima do austríaco coloca o suíço sob grande pressão. A lógica diz que terá de vencer não apenas Matteo Berrettini, o que não é difícil, mas agora o próprio Novak Djokovic. Complicou.

Djokovic atropela Berrettini
Jogo de apenas 64 minutos, que só não foi mais desequilibrado porque o sérvio cedeu uma quebra boba no segundo set. Aliás, se mostrou muito irritado com isso, sinal evidente do quanto está exigente já neste início de Finals.

O histórico – Primeiro duelo entre os dois com um currículo absolutamente desigual no Finals. Enquanto o italiano fez sua estreia, Djokovic tem agora 54-9.

A estatística – Dos 18 erros não forçados no primeiro set de Berrettini, nada menos que 12 foram com sua principal arma, o forehand.

O ponto crucial – Djokovic reuniu dois atributos fenomenais para dominar totalmente a partida. Se de um lado só perdeu oito pontos com o serviço – quatro com o primeiro -, de outro colocou enorme pressão sobre Berrettini ao ser muito consistente nas trocas. Cometeu apenas sete erros não forçados, três deles no primeiro set.

Grande de noite de Thiem
De um lado, um tenista muito sólido no fundo, confiante para soltar o braço na hora do aperto e atento nos contragolpes. Do outro, pernas um tanto lentas, o que pode explicar erros em voleios, smash e forehands fáceis. Pela terceira vez no ano, Dominic Thiem superou Roger Federer. Já não pode ser considerado uma surpresa.

O histórico – Thiem havia mostrado em Indian Wells e Madri que quando seus golpes estão afiados é difícil para Federer ter respostas para seu volume de jogo. Repetiu a dose neste domingo e agora já tem um placar geral nada desprezível de 5 a 2 sobre o suíço, com triunfos no saibro, grama, sintético aberto e coberto.

A estatística – Federer ganhou apenas 12 das 22 investidas à rede, venceu 48% dos pontos com o segundo serviço e encarou o primeiro saque de Thiem em média a 199 km/h.

O ponto crucial – Thiem quebrou antes. logo no game de abertura da partida, permitiu reação mas capitalizou com sucessivos erros quando Federer tentava levar ao tiebreak. O fundamental no entanto foi salvar os três break-points que encarou no segundo set: um no 2/2 e dois quando sacava para fechar no 6/5, todos com sangue frio, primeiro serviço menos forçado mas profundo.

A segunda-feira
Daniil Medvedev entra em quadra às 11h com 5 a 0 nos duelos contra Stefanos Tsitisipas e nos mais variados pisos. Neste ano, já ganhou na lentidão de Monte Carlo e no veloz Xangai. É o favorito natural. Os dois jogam Finals pela primeira vez e devem haver tensão no início.

Rafael Nadal também tem 5 a 0 sobre Alexander Zverev, mas obviamente existe a dúvida sobre seu estado físico. Pelos treinos, mexeu um pouco no movimento do saque e isso pode ser um problema, porque nada pior para um tenista do que desviar a atenção tática para pensar na execução. Zverev pode se aproveitar disso se atacar com coragem o serviço do espanhol.

E mais
– Em sua sétima participação no Finals, Marcelo Melo e o parceiro polonês Lukasz Kubot iniciaram com vitória suada em cima de Ivan Dodig (com quem foi vice em 2014) e Filip Polasek. Eles enfrentam aogra Raven Klaasen/Michael Venus, que também venceram neste domingo.
– No Twitter, Melo não escondeu o desapontamento por seu jogo não ter sido transmitido pelo Sportv. Aliás, o canal não mostrou também a estreia de Djokovic.
– Mesmo jogando em casa, a Austrália vai continuar na fila por títulos na Fed Cup, que não conquista desde 1974. A festa foi francesa em Perth, com uma inesperada vitória de Kiki Mladenovic diante da número 1 Ash Barty e depois com grande desempenho nas duplas ao lado de Caroline Garcia. É apenas o terceiro troféu da França, repetindo 1997 e 2003.
– A partir da próxima temporada, a Fed Cup muda outra vez de formato e segue o padrão da nova Copa Davis, com fase final de 12 participantes. O Brasil jogará o quali de fevereiro contra a Alemanha em casa.
– Thiago Wild ficou perto de ganhar do espanhol Jaume Munar, que era 52 do mundo poucos meses atrás, mas cansou mentalmente a partir do tiebreak e não reagiu mais na semi de Montevidéu. De qualquer forma, termina a temporada com evolução de quase 250 posições, devendo aparecer nesta segunda-feira no 215º.
– Embora seja um torneio tão modificado que às vezes dificulta comparações, não resta menor dúvida que o garoto italiano Jannik Sinner tem futuro certo entre os tops do ranking e as vitórias sobre Alex de Minaur e Frances Tiafoe no Next Gen Finals apenas reforçaram isso.

Está chegando a hora
Por José Nilton Dalcim
4 de junho de 2017 às 19:09

Enquanto Rafael Nadal deu outra mostra de seu excepcional momento e domínio do saibro, Novak Djokovic superou sua instabilidade e mais um adversário determinado a aproveitar a chance. Como a vida muda. Dois anos atrás, víamos exatamente o oposto. Um soberano e absoluto, o outro a esgrimar com seus fantasmas. Agora, só falta mais um degrau para os dois se reencontrarem, outra vez por caminhos diferentes.

Rafa entrará nas quartas de final como superfavorito diante de Pablo Carreño, um especialista na terra com golpes sólidos mas altos e baixos emocionais. Neste domingo, Nadal atropelou Roberto Bautista como se do outro lado da quadra estivesse um top 100. Carreño ao contrário precisou de um esforço gigantesco de 4h21 para derrotar Milos Raonic no melhor jogo do torneio até agora, repleto de grandes lances, alternâncias e tensão até o último game. É possível Carreño dar trabalho a Rafa, desde que jogue um estágio acima e ainda encontre um compatriota menos inspirado. Chance pequena, claro.

Para Djoko, só se espera um desafio ainda maior: Dominic Thiem. O sérvio já vinha de um jogo exigente contra Diego Schwartzman e aí encarou um primeiro set duríssimo frente Albert Ramos – canhoto que basicamente joga no estilo de Nadal – em que alternou erros bobos com grandes lances. Só se liberou depois de vencer o tiebreak e aí sim pudemos ver um digno campeão. A diferença de intensidade, tal qual havia acontecido contra Diego, foi gritante.

Mas Thiem está em outro patamar. Sua bola tem muito mais peso, a começar com um saque que raramente é inferior a 200 km/h. O austríaco coloca pressão, usa muito bem as paralelas e é preciso fugir de seu forehand matador. Claro que Djokovic é o maior candidato, mas precisará iniciar o jogo melhor do que vem fazendo porque terá pela frente um adversário que acaba de derrotar o próprio Nadal e está totalmente descansado, sem ter perdido um único set até aqui. Expectativa de uma batalha fenomenal na terça-feira.

A chave feminina também teve uma notícia e tanto: Roland Garros obrigatoriamente verá uma campeã inédita depois que Garbiñe Muguruza tropeçou na sua irregularidade e fez a festa de Kiki Mladenovic. Sua adversária será Timea Bacsinszky, de jogo variado mas pouca potência, que virou diante de uma desgastada Venus Williams.

E dentro desse quadro, surge uma enorme oportunidade para Carol Wozniacki voltar a uma final de Grand Slam – fez duas no US Open -, já que é de longe a mais experiente entre as quatro. Sem falar que faz sua melhor temporada dos últimos três anos. A próxima barreira é a garota Jelena Ostapenko, belos golpes de base e nervos no lugar. Não pode ser menosprezada.

Últimas vagas
No complemento dos jogos de sábado, ainda pela terceira rodada, destaque para a nova surpresa do russo Karen Khachanov, de 21 anos e um pesado jogo de base. Depois de tirar Tomas Berdych com um festival de winners, ele conseguiu a proeza de derrotar John Isner levando dois de três tiebreaks. É para tirar o sono de Andy Murray, seu próximo adversário.

Gael Monfils levou sorte com o abandono de Richard Gasquet, principalmente porque evitou um desgaste enorme de uma partida que pintava para cinco sets e muitas horas. Poupou esforço para a batalha contra Stan Wawrinka. Por fim, Kei Nishikori amargou um ‘pneu’ e só foi tirar o valente Hyeong Chung num duro quinto set.

Com isso, vamos ver os destaques da rodada desta segunda-feira, que completa as oitavas de final nos dois sexos:

– Murray busca a 650ª vitória da carreira e a 7ª presença (4ª seguida) nas quartas do torneio diante de Khachanov, que pode ser o primeiro desde Nadal em 2005 a ir tão longe logo em sua primeira participação em Paris.
– Wawrinka só perdeu 1 de 9 duelos contra franceses em Roland Garros (Tsonga, em 2012). Se Monfils avançar, igualará Leconte e Noah como o tenista da casa com mais quartas disputadas (5). O placar dos duelos está 2 a 2, mas não se cruzam desde 2011 e jamais o fizeram no saibro.
– Cilic tem uma meta especial, já que Roland Garros é o único Slam onde não chegou ao menos nas quartas na carreira. Ganhou 5 dos 6 confrontos contra Anderson, mas única derrota foi no saibro de Roma-2013. Nenhum sul-africano fez quartas em Paris na Era Aberta.
– Nishikori vem de três vitórias seguidas sobre Verdasco, incluindo a de cinco sets em Roland Garros do ano passado. Espanhol é o tenista em atividade com mais quinto set disputado (23), cinco deles virando de 0-2. Se vencer, será o tenista que mais vezes tentou até atingir as quartas de Paris (14 vezes).
– Halep x Suárez é a grande promessa da rodada feminina, duas jogadoras experientes e com histórico em Slam. O placar mostra 6 a 5 para a romena, porém a espanhola ganhou todas as 4 no saibro.
– Também imprevisível o duelo francês de Garcia e Cornet, que fizeram um único confronto oficial sete anos atrás. Pliskova ao contrário tem amplo favoritismo contra Cepede e Svitolina, sobre Martic.

Sucesso nas duplas
No pior de seus pisos, Bruno Soares e o escocês Jamie Murray continuam firmes e chegam às quartas de final de Roland Garros como os cabeças mais altos. Aliás, cinco das oito parcerias nem são cabeças.

Não é impossível termos uma semifinal entre Bruno e Rogerinho Silva, mas a tarefa do mineiro é bem menos difícil do que a do paulista, já que pega Santiago Gonzalez/Donald Young. Cabe a Rogerinho e Paolo Lorenzi encarar Fernando Verdasco/Nenad Zimonjic. Talvez, a melhor coisa fosse Verdasco vencer Nishikori, ir às quartas de simples e esquecer a dupla. Torçamos.

E Marcelo Demoliner consegue seu primeiro grande resultado em Slam, ao atingir as quartas nas mistas ao lado da boa duplista Maria Jose Martinez, que já foi 4ª do mundo. Neste domingo, a dupla do gaúcho tirou os campeões do Australian Open salvando match-points. A próxima missão não é fácil: Anna-Lena Groenefeld e Robert Farah.