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Vamos todos à avant-première
Por José Nilton Dalcim
18 de maio de 2019 às 18:50

Com sete dias de atraso, Novak Djokovic e Rafael Nadal farão uma significativa avant-première do que se espera para Roland Garros dentro de quatro semanas. O Foro Itálico terá o privilégio de assistir ao 54º capítulo do duelo mais repetido da história do tênis profissional, com pequena vantagem geral do sérvio por 28 a 25, sendo 2 a 2 desde 2016 mas duas seguidas de Nole, incluindo a devastadora final de janeiro no Australian Open.

Os argentinos exigiram o máximo de Djoko. Depois das 3h01 impostas por Juan Martin del Potro, com direito a dois match-points, o baixinho Diego Schwartzman batalhou incansavelmente por 2h30, roubou um tiebreak e obrigou o número 1 a forçar seus golpes do começo ao fim. O que Nole fez com a habitual competência.

Com exceção a algumas deixadinhas, que nem ousou ir, e uma ou outra rebatida em que não estava na posição adequada, Djokovic espanta pela capacidade atlética. O único sinal de alguma limitação veio lá nos primeiros games, em que claramente não forçava o saque. Fora isso, disparou golpes profundos e alternados o tempo todo, chegou em bolas de grande dificuldade e, mesmo na perda dos dois serviços no segundo set, jamais deixou de tomar a iniciativa.

Nadal certamente fez sua melhor exibição sobre o saibro europeu nesta temporada, porque Stefanos Tsitsipas não jogou mal, mas o espanhol sim que adotou uma postura bem mais ofensiva. Logo de início, mostrou acertada opção pelo forehand na paralela, golpe com o qual não apenas fez winners espetaculares como também pegou o grego fora de posição.

Como fizera em Madri, Stef se manteve firme nas trocas de bola, embora desta vez o backhand tenha falhado bem mais e isso dificultou sua sonhada aproximação equilibrada à rede. Quando jogou com o segundo saque, foi colocado na defesa e na correria. Os números explicam com clareza a nova postura de Nadal: 21 winners (sendo 16 de forehand) contra 17 e bem menos erros (17 a 27). Outra postura importante foi a transição à rede: 12 tentativas e 10 pontos.

O canhoto espanhol enfim superou a barreira da semifinal e agora terá oportunidade de um incrível nono troféu em Roma, 14 temporadas depois do primeiro, o que seria ainda mais espetacular em cima de Djokovic. Não poderia haver forma melhor para chegar a Paris com a confiança no topo. Será preciso no entanto dominar os nervos, manter esse padrão ofensivo, usar novamente o forehand na paralela e evitar jogar muito com o segundo serviço. Nada simples.

A chance de Pliskova
Se a chave masculina vive sua ‘final dos sonhos’, o Premier terá uma decisão totalmente fora dos prognósticos entre a tcheca Karolina Pliskova e a britânica Johanna Konta.

Pliskova vinha de atuações discretas no saibro europeu, piso sobre o qual tem dois títulos de seus 11. Se mantiver o favoritismo – venceu 5 de 6 duelos frente a Konta – aparecerá no terceiro lugar do ranking e será a mais bem pontuada de toda a temporada.

Do outro lado da rede, estará uma tenista que não vence um torneio há mais de dois anos – entrou num momento de declínio depois de chegar ao top 10 – mas tem feito um bela semana. Tirou Venus Williams, Sloane Stephens e agora obteve vitória de virada sobre Kiki Bertens, interrompendo o notável momento da holandesa que vinha da semi em Stuttgart e do título de Madri.

Tênis à segunda potência
Por José Nilton Dalcim
17 de maio de 2019 às 21:32

Novak Djokovic venceu nesta sexta-feira um daqueles jogos grandes, que fazem tanta diferença para a carreira e a confiança. O argentino Juan Martin del Potro se saiu muito acima do esperado, porque mostrou um backhand sólido, batido e agressivo, assim como aguentou um batalha fisicamente exigente de 3h, marcada por intensas e qualificadas trocas de bola e emoções constantes. Forçou saque, disparou forehands incríveis, chegou a ter dois match-points no tiebreak.

Nole poderia, é claro, ter perdido, mas no global exibiu um tênis notavelmente consistente, onde se destacaram incríveis devoluções, defesas impossíveis, variações táticas inteligentes e acima de tudo uma enorme vontade de vencer. Faltou talvez buscar mais vezes as paralelas de backhand para desequilibrar Delpo, receita aliás que o argentino adotou com sucesso. Um espetáculo de tirar o fôlego do começo ao fim. O tênis elevado à segunda potência.

A certeza no entanto é que Djokovic saiu de quadra mais fortalecido do que a reação diante de Dominic Thiem e até mesmo do que o título em Madri de uma semana atrás.

– Ao longo de todo o primeiro set, Rafael Nadal encontrou enorme dificuldade para segurar o jogo ousado de Fernando Verdasco. Estava então excessivamente defensivo. Ficou atrás até 1/3 e precisou salvar 0-40 quando estava 4/4. Mas daí em diante tudo mudou. Verdasco perdeu a confiança e Nadal o engoliu, jogando um grande segundo set. Marcou o terceiro 6/0, chega na semi – a quarta seguida na fase de saibro – com seis games perdidos.

– Roger Federer causou a decepção dia, ao desistir com alegada dor na perna direita. Não chega a ser surpreendente. Sem jogar há tanto tempo no saibro, encarou três jogos fisicamente exigentes entre Madri e Roma. A boa notícia é que não perderá o terceiro lugar do ranking e tem grande chance de permanecer no posto ao final de Roland Garros.

– Stefanos Tsitsipas, que tem reclamado de cansaço, ganhou então um valioso dia de descanso após a rodada dupla de quinta. Faz segunda semi seguida no saibro europeu. Se for à decisão, vira top 5 e irá superar Nadal no segundo posto do ranking da temporada. Em caso de título, tira Dominic Thiem do quarto posto e, com 3.400, estará com um pé e meio no Finals de Londres.

– Enfim Diego Schwartzman conseguiu vencer Kei Nishikori, uma vitória que o leva a inédita semi de Masters. O primeiro set do jogo foi maluco: o japonês saiu de 1/5 e sacou para empatar. Daí em diante o argentino foi muito sólido. E garantiu que a rodada de dupla de quinta-feira acabou por ser fundamental: “Precisava de uma injeção de confiança e ela veio num dia inspirado”.

– Nadal e Tsitsipas revivem o duelo de uma semana atrás em Madri, vencido inesperadamente pelo grego. O piso do Foro Itálico no entanto é mais lento e deve favorecer o espanhol. Mas Rafa precisa antes de tudo controlar os nervos e a ansiedade de enfim fazer uma final no saibro europeu, evitando uma angustiante quarta semi perdida no seu ‘habitat’.

– Djoko e Dieguito se enfrentam pela terceira vez e relembram o jogo de Roland Garros-2017, em que o argentino chegou a liderar por 2 sets 1, mas então lhe faltaram forças. Talvez seja o elemento que decida outra vez em favor do sérvio, ainda que ele tenha saído da quadra depois da 1h da manhã, irá dormir bem tarde e assim terá pouco tempo de recuperação para o jogo previsto para as 20h locais (15h de Brasília).

– E a festa grega em Roma também está dobrada. Maria Sakkari marcou incrível virada sobre Kiki Mladenovic, dando sequência a uma semana de surpresas, em que tirou Petra Kvitova e Anett Kontaveit. Enfrentará Karolina Pliskova, a quem venceu justamente em Roma do ano passado. A tcheca virou em cima de Vika Azarenka.

– Não tivemos o duelo entre Naomi Osaka e Kiki Bertens. A japonesa sentiu o braço e nem foi à quadra. Campeã em Madri, a holandesa tem favoritismo sobre Johanna Konta e, se vencer, assumirá o segundo lugar do ranking, rebaixando Simona Halep.

Outra final sem o rei do saibro
Por José Nilton Dalcim
11 de maio de 2019 às 21:56

Devido ao longo dia, vamos a tópicos rápidos sobre o que aconteceu hoje nos torneios de Madri.

– O saibro verá sua terceira grande final masculina totalmente diferente, o que contribui para embolar a temporada. E mais: cada Masters 1000 disputado em 2019 terá um campeão diferente, repetindo o ano passado. Antes disso, só em 2004.

– Tsitsipas causou surpresa ainda maior do que Fognini em Monte Carlo ou Thiem em Barcelona, já que é muito menos experiente do que Nadal e sequer havia tirado set do canhoto espanhol. Notável como aguentou as trocas de fundo de quadra. Teve momentos ruins, porém segurou a cabeça e jogou com coragem no terceiro set. Foi 33 vezes à rede e ganhou 24 desses pontos. De seus 32 winners, 21 vieram com o forehand e apenas 5 com o saque.

– Ainda aos 20 anos, o garoto grego tem agora vitórias sobre todo o Big 3, e não foram pouca coisa: Djokovic na quadra dura de Toronto, Federer no sintético veloz do Australian Open e Rafa em pleno saibro. Se conquistar seu primeiro Masters em sua segunda tentativa, chegará ao 6º lugar do ranking.

– Nadal jamais havia chegado a Roma sem um título na temporada de saibro desde sua explosão em 2005. Seu último título de ATP veio em agosto e nesse período só fez uma final, a do Australian Open. Sofreu segunda derrota diante de sua torcida e certamente irá para Roma muito pressionado a mostrar um bom tênis. Ele não disfarçou o nervosismo no começo e no final da partida contra Tsitsipas. Totalizou 31 erros não forçados, 15 deles no terceiro set. Curiosamente, marcou mais pontos na partida (93 a 87).

– Djokovic tem de ser considerado amplo favorito para a final das 13h30 deste domingo. Seu grande mérito na dura partida contra Thiem foi a cabeça. Além de sair atrás nos dois sets, ainda precisou jogar com segundo saque em pontos extremamente delicados, e por duas vezes após punição da arbitragem. Jogou o tempo inteiro em cima da linha, encarando os spins pesadíssimos do austríaco, o que não é tarefa fácil. Busca o tri em Madri e, se vencer, empata de novo com Nadal no total de troféus de Masters (33).

– Deu para perceber em diversos momentos afobação de Thiem para definir pontos muito lá de trás. Também usou deixadinhas em hora muita imprópria. Claro que houve ansiedade e respeito à solidez do sérviio, porém isso geralmente é sinal de falta de pernas. Tanto ele como Schwartzman disputarão título inédito de duplas neste domingo contra Rojer/Tecau.

– Se vencer Tsitsipas, Nole somará 200 vitórias sobre adversários top 10 na carreira. Só Federer tem mais (218), mas o percentual de aproveitamento do sérvio é superior (69% a 65%).

– Bertens ergueu maior troféu da carreira neste sábado em Madri, o segundo de uma ótima temporada, e com isso será quarta do mundo, muito perto da contundida Kerber. Foi a primeira a ganhar o torneio sem perder set, e olha que enfrentou também Kvitova e Stephens.

– Halep, que saiu com 3/1 mas falhou demais nos games de serviço, perdeu o tri e a chance de recuperar a ponta do ranking. Haverá pequena chance em Roma, desde que ganhe o torneio (defende o vice) e a japonesa caia logo (foi 2ª rodada em 2018).