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E se…
Por José Nilton Dalcim
12 de setembro de 2019 às 21:05

Achei curiosa a sugestão do internauta mineiro João Ferreira, que observou quantos troféus de Grand Slam escaparam por entre os dedos de Roger Federer ao longo de sua carreira. E me questionou como estaria a contabilidade de conquistas hoje caso o suíço tivesse confirmado aqueles momentos de domínio.

Sem dúvida, foram várias chances de ouro. Mas não é menos verdade que Rafael Nadal também poderia estar numa situação mais privilegiada se não falhasse em momentos cruciais dos Slam.

Como um exercício do famoso “E se…”, resolvi então listar os troféus que provavelmente fugiram de cada um deles, principalmente pela situação do jogo ou do campeonato. Vejamos.

As duras derrotas de Federer
Entre os títulos que não deveria ter perdido, Roger certamente lamenta o do US Open de 2009, quando poderia ter batido o então jovem Juan Martin del Potro até em sets diretos. Ainda liderou por 2 sets a 1, perdendo o quarto no tiebreak. Muita chance. Pior ainda foi o de Wimbledon deste ano, com os fatídicos dois match-points desperdiçados contra Novak Djokovic.

Não fica muito atrás a derrota na final de 2008 em Wimbledon para Nadal no 9/7 do quinto set, embora o espanhol tenha feito 2 sets a 0 e perdido dois tiebreaks em seguida. Em dia de chuva, o jogo terminou quase sem luz.

Talvez muitos ainda considerem chance perdida a decisão de Wimbledon de 2014 para Djokovic, em que o suíço venceu o primeiro set e cometeu um erro incrível no quinto. Ou a final do AusOpen de 2009 diante do próprio Nadal, principalmente porque o espanhol vinha de uma semi muito desgastante e ainda levou mostrou mais físico, batendo Federer no quinto set.

Eu ainda penso que o suíço provavelmente teria levado o AusOpen de 2005 caso não perdesse as inúmeras vantagens contra Marat Safin na semi.

Portanto, Federer certamente poderia ter pelo menos mais três Slam em sua conta.

Os desperdícios de Nadal
Quando avaliamos os Slam onde faltou mais sorte a Nadal, certamente o Australian Open sobra. Acredito que ele perdeu duas finais muito importantes ali: a maratona de 6 horas de 2012 para Djokovic e muito mais ainda o quinto set diante de Federer em 2017, quando teve vantagem de 3/1 e levou a virada.

Aliás, esse vice de 2017 hoje parece ainda mais relevante quando pensamos na contabilidade dos Slam. Federer ganhava então o 18º e deixava Nadal com 14. A inversão do resultado, portanto, teria deixado a briga em 17 a 15 e o espanhol potencialmente teria empatado com o suíço meses depois, já que levou Roland Garros e US Open daquela temporada.

Vejo como não menos árdua a derrota de Rafa na semi de Wimbledon de 2018 para Djoko, já que dificilmente o canhoto perderia do esgotadíssimo Kevin Anderson na decisão.

Vale por fim ressaltar que ele não conseguiu terminar partidas em quatro torneios de Slam, com destaque para a semi do US Open do ano passado, quartas no AusOpen de 2010 e de 2018 e o abandono sem entrar em quadra em Roland Garros de 2016.

Dessa forma, Nadal também poderia somar mais três Slam e hoje estar com 22.

‘Fedal’ dos recordes
Na esteira dessa competição extraordinária pela soberania nos Slam, Federer e Nadal poderão sacramentar dois recordes praticamente seguidos de público no tênis.

A exibição de 7 de fevereiro de 2020 na Cidade do Cabo deverá atingir mais de 50 mil espectadores, deixando muito para trás a marca de 35.681 para a exibição entre Serena Williams e Kim Clijsters, que aconteceu em Bruxelas, em 2010. Nada menos que 48 mil ingressos para o evento na África do Sul foram à venda na semana passada pela Internet e se esgotaram em minutos.

Agora, o Real Madrid quer organizar um outro ‘Fedal’ provavelmente também na próxima temporada. E o jogo aconteceria no estádio Santiago Bernabéu, que tem capacidade para mais de 80 mil pessoas.

Caminho fica ainda mais livre para Djoko
Por José Nilton Dalcim
1 de julho de 2019 às 17:29

Wimbledon não poderia ter começado de forma mais bombástica. Perdeu logo de cara Alexander Zverev, Stef Tsitsipas, Gael Monfils e Grigor Dimitrov, viu a queda de Naomi Osaka e o brilho de uma menina de meros 15 anos.

Não se pode dizer que a derrota de Sascha tenha sido uma real surpresa. Além de viver momento de pouca confiança, ainda encarou logo o ousado canhoto Jiri Vesely, que já esteve duas vezes nas oitavas de Wimbledon e veio embalado do quali. Fez uma exibição rica, desde o saque até o ataque constante e ótima movimentação, arriscando as curtinhas que tanto machucam o alemão.

Mas a derrota do grego estava totalmente fora do prognóstico. Pior ainda: Tsitsipas não jogou mal, embora pudesse ter ido um pouco mais à rede para cortar o jogo de base tão sólido do adversário. O fato é que o italiano Thomas Fabbiano espancou a bola. E olhem só: além de estar com 30 anos, mede apenas 1,73m, teoricamente inadequado para a grama. Que fase incrível vive o tênis italiano.

A lista de grandes nomes a deixar a chave masculina incluiu Gael Monfils e Grigor Dimitrov, ainda que o francês fosse dúvida até o último momento e acabou mesmo por abandonar no quinto set depois de vencer os dois primeiros. Já o búlgaro levou incrível virada do garoto francês Corentin Moutet, outro ‘baseliner’ de ofício.

Quem deve estar achando tudo muito divertido é Novak Djokovic. O tetracampeão até perdeu dois games de serviço, um em cada abertura dos primeiros sets, mas cresceu pouco a pouco e fez um set final bem solto e respeitável diante de Philipp Kohlschreiber.

No seu caminho agora só existe um cabeça de chave até as oitavas: Felix Auger-Aliassime, que acaba de ganhar seu primeiro jogo num Grand Slam.

O outro quadrante ficou bem mais dentro da normalidade, com vitórias firmes de Kevin Anderson, Milos Raonic e Feliciano López, avanços de Karen Khachanov e Benoit Paire, atuação soberba de Stan Wawrinka. O suíço, que não passa da segunda partida em Wimbledon desde 2015, contratou Dani Vallverdu para ajudar Magnus Norman neste fase de grama e se mostrou bem à vontade diante de Ruben Bemelmans.

Momento histórico
Mais jovem tenista a superar o quali de Wimbledon, Cori Gauff tem menos idade do que muitos dos pegadores de bola em quadra. Na estreia, encarou um ídolo de infância, que já fazia sucesso no circuito dez anos antes de ela sequer ter nascido. Nada pareceu incomodar a menina de 15 anos diante de Venus Williams, de 39 e cinco troféus no currículo. Não é nada fácil despontar para o sucesso sobre a grama, e isso só indica que Cori parece ter tudo para uma carreira de destaque. E breve.

A chave feminina também viu a queda de três das 16 principais cabeças logo de início. Favas contadas, Naomi Osaka reencontrou Yulia Putintseva e não se achou em quadra, como aconteceu em Birmingham dias atrás. Com raras exibições decentes desde o Australian Open, a japonesa deixou a entrevista oficial repentinamente, porque estava a um passo de cair em prantos.

Karolina Pliskova, Simona Halep e Elina Svitolina venceram em sets diretos, a derrota de Aryna Sabalenka para Magdalena Rybarikova está longe de ser surpresa. E cuidado com Sofia Kenin, candidata a herdar todo o quadrante de Osaka.

Quadra Central
Para quem não viu ou não leu, sugiro a notícia que fiz sobre a história da legendária Quadra Central.

Sorteio quase perfeito para Djokovic
Por José Nilton Dalcim
28 de junho de 2019 às 13:47

Wimbledon formou suas chaves de simples nesta sexta-feira e provavelmente agradou muito o sérvio Novak Djokovic. Além de não ver adversários de real currículo na grama até ao menos a semi, ainda poderá assistir de camarote a um novo ‘Fedal’. Só ficaria melhor mesmo se ele pudesse trocar Stefanos Tsitsipas ou Alexander Zverev por Dominic Thiem ou Kei Nishikori, mas nada é perfeito. Duro mesmo ficou a parte superior da chave feminina. Vamos a uma análise:

Poucas ameaças a Djokovic
O líder do ranking pode ter um curioso ‘mix’ entre veteranos e novatos em sua trajetória rumo ao quinto título, mas a rigor há poucos jogadores com extenso currículo na grama a ameaçá-lo. Philipp Kohlschreiber já jogou bem no piso, mas desde que fez quartas no torneio em 2012 ele só ganhou três partidas no Club e leva sonoros 10-2 no histórico. Ainda assim, é uma estreia que necessita atenção.

Não há barreiras até as oitavas, quando a lógica diz que Gael Monfils ou Felix Auger-Aliassime seriam os adversários. O francês é totalmente imprevisível, até porque no ano passado se mostrou mais ofensivo e fez oitavas. O garoto canadense vem de dois bons torneios na grama e já cansou de mostrar qualidade, mas Vasek Pospisil logo de cara e talvez Grigor Dimitrov depois serão testes duros. O garoto não deu sorte, definitivamente.

Fico na expectativa para ver o desempenho de Stefanos Tsitsipas numa superfície em que teoricamente pode ir muito longe. Sua sequência prevê o sacador Ivo Karlovic, o ‘baseliner’ Kyle Edmund e talvez o renovado David Goffin, que se mostrou bem versátil em Halle e ganhou respeito. Mas ele também tem seus problemas, com Jeremy Chardy e Daniil Medvedev no horizonte.

A luta pela outra vaga na semi também envolve juventude e experiência. O vice Kevin Anderson é nome forte, mas só fez dois jogos desde Miami e já pega de cara Pierre Herbert, tendo ainda Nicolas Jarry e possível oitavas contra Milos Raonic, se não aparecer contusão no caminho do canadense. O outro forte candidato é Alexander Zverev. Em seu quinto Wimbledon, ainda não passou de oitavas e, em momento instável, pegar o canhoto Jiri Vesely na estreia pode ser um pesadelo. Há chance ainda de cruzar com Benoit Paire na terceira e então ter Karen Khachanov ou Roberto Bautista nas oitavas, mas não duvido nada de uma surpresa nesse setor: Feliciano López.

Vida dura para Rafa
Duas derrotas nas exibições de Hurlingham foram o preparativo de Rafael Nadal na fase competitiva para Wimbledon e, para complicar, o sorteio sugere trabalho duro, desde é claro que Nick Kyrgios jogue sério. O terceiro adversário pode ser Denis Shapovalov, Jo-Wilfried Tsonga ou Bernard Tomic, mas qualquer um merece máximo empenho. Para as oitavas, Marin Cilic surge como obstáculo e parece difícil que o vice de 2017 não some três vitórias até tranquilas.

O eventual duelo Nadal-Cilic vale muito porque parece praticamente impossível que um deles não avance à semi. O quadrante adjacente não tem um único especialista na grama: Dominic Thiem, Laslo Djere, Gilles Simon ou Fabio Fognini. Aliás, o austríaco se poupou desde Roland Garros, depende muito de boa chave para sonhar num piso tão veloz e vai estrear logo contra Sam Querrey. É bem provável que o vencedor desse jogo embale para as quartas, ainda que Simon tenha feito uma semana incrível em Queen’s.

Federer tem boa primeira semana
Os grandes tenistas costumam dizer que é importante economizar energia e pegar confiança na primeira semana de um Slam. E foi exatamente isso o que ficou reservado para o octacampeão Roger Federer. Lloyd Harris, Noah Rubin e quem sabe Richard Gasquet são a caminhada natural até as oitavas diante de Borna Coric ou do ousado Jan-Lennard Struff, um tenista que só venceu três jogos em Wimbledon em seis edições mas tem estilo para dar muita dor de cabeça na grama.

Se mantiver o favoritismo, Federer terá um adversário imprevisível nas quartas. Claro que Kei Nishikori e John Isner são os mais cotados e o gigante americano, a grande ameaça, mas Isner não joga desde Miami. Entre eles, aparece Matteo Berrettini, que parece estar em ritmo perfeito e poderia surgir como novidade, apesar de jogar apenas seu segundo Wimbledon.

Diante da perspectiva de um novo ‘Fedal’, vale lembrar que os dois nunca mais se cruzaram no Club desde a série de três finais seguidas, entre 2006 e 2008.

Grupo da morte no feminino
Não me lembro de ter visto uma quadrante tão incrivelmente equilibrado num Grand Slam como este de cima da chave feminina de Wimbledon. A nova número 1 Ash Barty e quatro campeãs do torneio lutam nessa faixa por uma vaga na semi. Notável. Estão aí a atual detentora do título Angie Kerber, que pode cruzar com Maria Sharapova na terceira fase e com Serena Williams nas oitavas. Já Garbine Muguruza tem chance de encarar Barty na terceira rodada e olha que a australiana ainda vê Sveta Kuznetsova, dona de dois troféus de Slam, numa possível segunda partida.

Quer dizer então que a campeã sairá desse apertado setor? Nada disso. Porque nessa parte de cima também ficaram outra vencedora de Wimbledon, Petra Kvitova, e a embaladíssima Kiki Bertens. É bem verdade que Kvitova ainda é dúvida para entrar em quadra e há no seu setor pelo menos três nomes a atrapalhá-la: Amanda Anisimova e depois Sloane Stephens ou Johanna Konta.

O outro lado da chave ficou obviamente mais fraco, mas não menos interessante. Naomi Osaka reencontra Yulia Putintseva, para quem perdeu em Birmingham, e pegaria na terceira fase Sofia Kenin, a campeã de Mallorca. A outra vaga nas quartas pode ser de Simona Halep, mas a estreia é um alerta diante de Aliaksandra Sasnovich, que surpreendeu Kvitova na primeira rodada do ano passado, sem falar em Vika Azarenka na terceira. Ainda estão por ali Madison Keys, Aryna Sabalenka… e Venus Williams.

Dureza para Thiago e Bia
Depois de grandes campanhas no quali, faltou sorte para Thiago Monteiro e Bia Haddad, que poderiam ter adversários menos gabaritados na estreia e assim repetir a campanha de 2017, quando o casal avançou uma rodada na grama sagrada. O cearense faz duelo inédito contra Kei Nishikori e sua importante vantagem é que o japonês não joga nada desde Paris.

Já Bia revê Garbine Muguruza, campeã de 2017 e vice de 2015, um desafio e tanto. No único duelo, fez apenas dois games em Cincinnati. No entanto, Muguruza não anda aquelas coisas no quesito confiança e a brasileira fez ótimas partidas em Ilkley e no quali. Resta torcer muito.

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