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A velha guarda impõe respeito
Por José Nilton Dalcim
29 de março de 2019 às 23:18

Nos dois duelos entre nova e velha gerações que marcaram as semifinais de Miami, prevaleceu a experiência. Roger Federer, que tem a idade somada dos garotos canadenses, fez outra exibição magnífica, com destaque para seu apuro tático, e John Isner mostrou frieza e confiança num jogo em que poderia ter perdido em dois sets.

A expectativa de um confronto de alta qualidade entre Federer e o canhoto Denis Shapovalov precisou aguardar a metade do segundo set, quando então eles dividiram jogadas espetaculares. O canadense começou tenso, não conseguiu sair do ataque incessante sobre seu backhand e isso se refletiu na instabilidade do serviço.

Mesmo com saque abaixo do ideal – 40% no primeiro set e 49% no total da partida -, Federer foi soberano e outra vez anotou um número ínfimo de erros não forçados: 8 diante de 29. A rigor, só permitiu um 15-40 a Shapovalov, num crucial segundo game do segundo set. O tempo todo se mostrou paciente, aplicadíssimo na ideia de atacar o backhand. Foi oportuno junto à rede e moveu-se muito bem tanto na defesa como no ataque. Flutuou pela quadra como se fosse ele quem tivesse 19 anos. Que show.

Apesar de Isner ter cravado 72% do primeiro saque e somado 20 aces, Felix Auger-Aliassime teve uma enorme chance de causar outra maciça surpresa em Miami. Muito firme na base e aproveitando as raras oportunidades de contragolpear, quebrou duas vezes o serviço do norte-americano – o que por si só já é um feito – e sacou para fechar os dois sets, com 5/4 e depois com 5/3. Veio então o fantasma que mais o atormenta: a dupla falta. Pareceu duvidar um pouco, e isso foi o bastante para Isner agarrar a oportunidade e ganhar os dois tiebreaks. A partida teve apenas sete lances com pelo menos 9 trocas de bola, o que deixa clara a falta de ritmo que Isner impõe.

Shapovalov sai como novo e mais jovem integrante do top 20 do ranking masculino, Felix avança para o 33º e se torna o único tenista de 18 anos entre os 180 primeiros classificados. No ranking da temporada, ou seja desde janeiro, Aliassime é 12º, dois postos à frente do amigo. Se não ganharem mais um único jogo em 2019, ainda deverão terminar entre os 70 mais bem pontuados.

Saques e tiebreaks
Federer ganhou cinco dos sete duelos contra Isner, mas eles não se cruzam desde a vitória do americano nas oitavas de Paris de 2015. E é inegável que o gigante evoluiu muito desde então. Ainda que o saque seja a pedra fundamental, ele voleia melhor, é mais paciente no fundo e até o backhand ficou menos frágil. Todo mundo olha obviamente para o bombástico primeiro serviço, mas ele tem um dos melhores segundos saques que já vi.

Desses encontros entre os dois, apenas um não viu tiebreak e, no geral, cada tenista venceu quatro desempates. Por isso mesmo, o tiebreak desta vez poderá ter influência menor a favor do norte-americano. Entre tenistas que disputaram aos menos 300 na carreira, Federer é disparado o mais eficiente (65%), enquanto Isner é o décimo (60%). Numericamente, o suíço é quem mais venceu tiebreaks na Era Profissional (439), seguido por Isner (agora 411). Em Miami, o suíço não jogou um sequer, Isner foi a nove e levou todos.

Os finalistas também estão entre os cinco tenistas em toda a Era Profissional com melhor aproveitamento nos games de serviço: Isner é o segundo, com 91,7% (atrás de Ivo Karlovic) e Federer está em quinto, com 88,8% (perde para Milos Raonic e Andy Roddick).

O maior título
O sábado verá a maior conquista da carreira, seja para a ex-número 1 do mundo Karolina Pliskova ou para a ascendente Ashleigh Barty. Pode ser outro jogo em que a experiência seja decisiva. Aos 27 anos, a tcheca fará a 24ª final em busca do 13º troféu, enquanto a australiana é três anos mais jovem e soma apenas três títulos.

O histórico entre eles está empatado por 2 a 2, se considerado o torneio menor disputado em 2012 na grama de Nottingham. Desde que Barty voltou ao circuito, em maio de 2016, perdeu dois dos três, mas os placares sempre foram muito apertados, com quatro tiebreaks em sete parciais totais.

Será antes de tudo uma guerra de estilos. Pliskova depende muito do primeiro saque para sair mandando nos pontos, tem um forehand instável e um segundo saque atacável. Barty mexe melhor a bola com efeitos variados e isso parece essencial para tirar a tcheca de cima da linha e fazê-la bater em movimento. Se conseguir, terá uma chance real.

Faltou pouco para Melo
Uma bela partida de duplas marcou a queda de Marcelo Melo e seu parceiro polonês Lukasz Kubot nas semifinais de Miami, diante dos atuais campeões Bob e Mike Bryan. Houve chance para todos, mas é muito doloroso perder uma oportunidade dessas com dupla falta no match-point.

O lance foi até curioso, porque Kubot demorou um século para dar o saque, era evidente seu esforço para soltar a musculatura e aí a bola parou na rede. Paciência. Melo fez lances excelentes e parece enfim totalmente recuperado.