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Digno top 10
Por José Nilton Dalcim
22 de abril de 2022 às 17:55

Duas semanas antes de completar seus 19 anos, Carlos Alcaraz realizará mais um sonho na sua curtíssima carreira e já atingirá o top 10 do ranking nesta segunda-feira, qualquer que sejam seus resultados em Barcelona daqui em diante. Como já disse outras vezes, esse garoto é muito mais do que um vencedor. Ele dá show, encanta a torcida e arranca elogios dos adversários e analistas. Por isso é mais do que bem vindo à elite do tênis masculino.

Sua atuação contra Stefanos Tsitsipas nesta noite foi exuberante. Não fosse a perigosa descontração quando sacava já com 4/1 no segundo set, e ele teria humilhado o número 5 do mundo, que outra vez teve comportamento nada compatível com a qualidade do seu jogo. Quase acertou bolada no espanhol no último ponto do primeiro set e levou correta advertência e punição pela longa ida ao vestiário quando perdia por 0/3 no set decisivo. Teve a desfaçatez de dizer que desconhecia a regra, enquanto o inconformado pai Apostolos era contido no box.

Alcaraz terminou o jogo com um placar cruel na estatística: 41 winners diante de 15. Foi quem tomou a iniciativa o tempo todo, com golpes de base agressivos mesclados com a delicadeza das deixadinhas. Nem se pode dizer que Tsitsipas tenha atuado muito abaixo do seu nível, mas era evidente sua dificuldade com a devolução e a profundidade dos golpes que vinham do outro lado. Ainda assim, lutou muito e conseguiu uma reação incrível no segundo set, ajudado por um excesso de confiança do adversário, que se empolgou com o domínio tão avassalador. Boa lição a se memorizar.

O sábado será muito especial – outra vez – para o tênis da casa. Enquanto Alcaraz enfrentará como claro favorito o australiano Alex de Minaur, que fez duas ótimas partidas nesta quinta-feira, Pablo Carreño sobreviveu a quase seis horas de esforço e reencontrará Diego Schwartzman, a quem venceu de virada nas quartas do ano passado em Barcelona.

Djokovic tenta novo progresso
Com um dia importante de descanso e certamente muito mais confiante após duas viradas seguidas, Novak Djokovic abre as semifinais de Belgrado na tentativa de marcar sua sexta vitória em sete confrontos diante do russo Karen Khachanov. Os dois se cruzaram apenas uma vez no saibro e foi fácil para Nole.

O número 1 outra vez se viu sob pressão, com um set e uma quebra atrás de Miomir Kecmanovic, mas é inegável que ele jogou muito melhor do que diante de Laslo Djere. Apesar do esforço de 3h21 da véspera, se mostrou fisicamente inteiro, sem falar que atuou de forma bem mais agressiva.

Khachanov me surpreendeu em vários aspectos na vitória em dois sets apertados contra Thiago Monteiro. Mexeu-se muito bem, variou com deixadinhas e teve paciência para abrir buracos, explorando é claro o backhand do brasileiro sempre que possível.

A outra semi promete muito. Fabio Fognini tem 5 a 4 sobre Andrey Rublev e 2 a 1 sobre o saibro. O italiano precisa demais de um bom resultado, já que não faz uma final desde o título espetacular em Monte Carlo de 2019. O russo por sua vez ganhou as duas decisões que fez nesta temporada e soma quatro finais sobre o saibro na carreira, com dois títulos.

Ninguém segura Iga
A polonesa Iga Swiatek mudou de piso, mas continua infalível. É bem verdade que o saibro coberto de Stuttgart deixa as condições mais velozes e ajuda na adaptação.

Agora já são 21 vitórias seguidas desde Dubai, em fevereiro, e olha que ela teve match-point nessa derrota de oitavas de final para Jelena Ostapenko. De quebra, ganhou os últimos 26 sets disputados.

Emma Raducanu até que deu trabalho sobre o saibro, seu pior piso, e isso é um bom sinal para a jovem britânica. Teve duas chances de tirar o serviço de Swiatek e de empatar o segundo set.

A número 1 será favorita diante de Liudmula Samsonova e seria bem interessante ver uma final diante de Paula Badosa, que me parece a saibrista com maiores condições de encarar a polonesa nesta temporada de terra batida.

Djokovic abraça a sorte
Por José Nilton Dalcim
20 de abril de 2022 às 18:49

Sorte raramente é um fator decisivo num jogo de tênis, ainda mais em nível profissional, mas não há dúvida que o acaso pode dar uma grande ajuda. Quem duvida, basta assistir ao que aconteceu na estreia de Novak Djokovic no caseiro ATP de Belgrado nesta terça-feira.

O número 1 do mundo estava outra vez muito aquém de sua capacidade. Não se achava de jeito nenhum. Lento, impreciso, outra vez muito defensivo, largou diversas vezes o ponto. Pouca coisa funcionava, entre elas o saque. Laslo Djere, um autêntico saibrista, tirava proveito de tudo, incluindo devoluções ofensivas.

A situação estava tão estranha que Djere chegou a ter 6/2, 4/3 e 40-15. Teve então um forehand extremamente fácil, bola lenta, alta, pertinho da rede e o adversário lá do outro lado, indefeso. E ele errou, para alegria do público. Perdeu mais três pontos, permitiu o empate e isso despertou Djokovic.

Mesmo sem ainda mostrar um tênis de real grandeza, Nole começou a acreditar. Mexeu-se melhor, passou a chegar em bolas bem difíceis, enfim comandou alguns pontos e conseguiu levar para o terceiro set. É bem verdade que chegou a dar um segundo saque a incríveis 104 km/h nesse tiebreak.

Achou pouco? Então saiba que tudo se repetiu no finzinho da partida. O terceiro set, mais bem jogado pelos dois jogadores, viu oportunidades para os dois lados. Se Djoko já estava num nível muito superior principalmente de confiança, Djere conseguia arrancar winners notáveis sob pressão. Tudo acabou em novo tiebreak. Djere saiu atrás, mas reagiu e quebrou no sétimo ponto, tendo 4-3, fatídicos 4-3, e ainda por cima com direito a dois serviços.

Saque agressivo cruzado e a bola sobrou de novo, tão fácil, alta e lenta, e o forehand na quadra vazia ficou no meio da rede! Claro que daí em diante Djere passou a errar tudo e Djokovic suspirou aliviado, depois de 3h24 de muito esforço.

Se jogar outra vez nesse padrão tão abaixo de seu potencial, será difícil para Nole superar o garotão Miomir Kecmanovic, mesmo que outra vez o público esteja totalmente do seu lado. Evidente que existirá um grande peso sobre Kecmanovic por reencontrar na mesma Belgrado o grande ídolo nacional e pessoal. Ele aliás foi um dos que insistentemente apoiou Djokovic no caso Australian Open, a quem dedicou cada vitória.

Quem sabe, a sorte esteja mesmo desta vez do lado de Djokovic.

Monteiro se acha no saibro sérvio
O tênis é mesmo um esporte maluco. Thiago Monteiro não conseguiu se soltar nos primeiros torneios de saibro que jogou na Europa, mesmo atuando em nível challenger, e chegou às pressas em Belgrado. Perdeu na semi de Madri no sábado, só pôde viajar no dia seguinte para a Sérvia e entrou em quadra poucas horas depois de desembarcar. Aí furou o quali com duas vitórias difíceis em três sets e obteve vaga para seu oitavo ATP da temporada.

E aí, superando todo o cansaço, mudança de clima e de fuso, ele engatou mais duas vitórias na chave principal, com direito a grande atuação nesta quarta-feira diante do cabeça 8 e também local Filip Krajinovic. 45º do ranking, que se viu perdido no piso lento e não escondeu suas frustrações.

O canhoto cearense está assim nas quartas de final de ATP pela terceira vez neste ano, repetindo Adelaide e Santiago. E poderá enfim voltar ao top 100 caso consiga derrotar o russo Karen Khachanov, ex-top 10 que agora é 26º do mundo. Só que os organizadores não quiseram colaborar com o brasileiro e o colocaram para jogar pelo quinto dia consecutivo no torneio – e o sétimo se considerarmos as duas rodadas de Madri.

A única justificativa é que Djoko também jogará nesta quinta contra Kecmanovic – entram às 11h de Brasília, exatamente antes de Monteiro – e como todos estão no lado superior da chave haveria maior equilíbrio. São jogos na verdade adiantados das quartas, já que normalmente a quinta-feira deveria ter apenas o complemento das oitavas. Enfim, vamos para o jogo, que será na gelada noite sérvia, o que não é bom para o estilo forçado e de bolas retas de Khachanov.

Confusão à vista
O All England Club, proprietário e organizador de Wimbledon, reafirmou que irá vetar a inscrição de tenistas russos e bielorrussos. Isso retiraria da chave os tops 10 Daniil Medvedev, Andrey Rublev e Aryna Sabalenka. Como era de se esperar, ATP e WTA reagiram imediatamente e protestaram contra a medida, tomada de forma unilateral, ou seja, sem consulta às duas entidades ou à Federação Internacional, a quem os Grand Slam são subordinados.

Há cheiro de confusão das grandes no ar. Wimbledon já viveu o maior boicote da história do tênis em 1973, quando a ITF impediu que Nikki Pilic disputasse o torneio por ele não ter jogado a Copa Davis e isso gerou a retirada de 81 jogadores da chave.

Título olímpico ratifica qualidade de Zverev
Por José Nilton Dalcim
1 de agosto de 2021 às 14:30

É bem verdade que ainda lhe falte um troféu de Grand Slam, mas o alemão Alexander Zverev ratifica com sua medalha de ouro deste domingo em Tóquio a condição de maior nome da nova geração do tênis.

Aos 24 anos, sua coleção de 16 títulos e nove finais no circuito tem qualidade. Estão ali também o ATP Finals, uma conquista maiúscula em cima de Roger Federer e Novak Djokovic, quatro Masters 1000 em diferentes pisos e 500 de respeito em Acapulco e Washington. A lista de finais não é menos imponente: US Open e mais quatro Masters.

Também já atingiu o terceiro lugar do ranking, um feito notável na Era do Big 4. No entanto sempre estamos cobrando dele algo a mais. Zverev ainda oscila emocionalmente, poderia ter um forehand mais contundente e o jogo de rede só agora começa a se destacar. Com 1,98m. parece menos preguiçoso em se mexer para a frente e isso o colocou pelo menos nas oitavas de final de seus 7 últimos Slam, período em que fez também três semis.

A campanha olímpica não foi espetacular, mas bater de virada o todo-poderoso número 1 liquida discussões. Manteve o alto padrão numa final sem graça contra Karen Khachanov, que fez muito pouco como devolvedor – 5 de 31 pontos – e levou uma surra nos winners (7 a 27). Nem Boris Becker ou Michael Stich conseguiram ouro em simples para a Alemanha – venceram nas duplas – e assim Sascha repete Steffi Graf.

O ouro ficou em mãos corretas e Zverev pode muito bem se candidatar ao bi dentro de três anos em Paris. Porém, muito antes disso, espera-se que Tóquio seja um empurrão importante para a quadra veloz de Cincinnati e do US Open que vêm pela frente. Quem sabe, enfim, não tenha chegado a sua hora.

Nas duplas feminina, Barbora Krejicikova e Katerina Siniakova mantiveram o favoritismo e vingaram Marketa Vondrousova, ao tirar o segundo ouro de Belinda Bencic, que fez parceria com Vikorija Golubic. A República Tcheca nunca havia chegado ao título olímpico desde que passou a competir como país independente, tendo na conta apenas o ouro de 1988 de Miloslav Mecir, que na verdade é eslovaco.

Por fim, as mistas ficaram com Anastasia Pavlyuchenkova e Andrey Rublev, uma certa surpresa já que o russo não é habitual participante em chaves de dupla no circuito, ainda que tenha conquistado seu primeiro ATP em março com Aslan Karatsetv. Eles derrotaram justamente Karatsev e a parceira Elena Vesnina, com uma interessante curiosidade: é a terceira decisão seguida que Vesnina perde match-points, repetindo Wimbledon e a disputa do bronze do sábado.