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Cabeças rolam para alegria de Nadal
Por José Nilton Dalcim
28 de agosto de 2019 às 00:51

O setor de Rafael Nadal na chave do US Open já parecia muito promissor, mas logo na primeira rodada todos os quatro top 10 que poderiam lhe dar algum trabalho se despediram: Dominic Thiem, Stefanos Tsitisipas, Karen Khachanov e Roberto Bautista. Poucas vezes vi um desastre tão maciço num Slam logo de cara.

É verdade que não se poderia esperar muito de Thiem, que confessou ainda sofrer os efeitos da virose contraída em Montréal e ainda pegou o guerreiro Thomas Fabbiano. Além das cãibras já no quarto set, Tsitsipas encarou o embalado Andrey Rublev. O russo também de 21 anos vem numa crescente e já havia feito quartas no US Open de 2017.

Khachanov e Bautista venceram o set inicial e foram perder lá no quinto. O russo jogou de forma um tanto passiva, talvez acreditando que Vasek Pospisil iria se enterrar em seus 61 erros não forçados. Os dois jogaram de forma medrosa o quinto set, com 40% apenas de primeiro saque para o cabeça 9. Algo parecido ocorreu com Bautista, ao permitir que Mikhail Kukushkin tomasse a iniciativa em todo o set decisivo.

O dia só não foi mais trágico porque Alexander Zverev sobreviveu. Claro, num quinto set. Ao menos, ele está com o saldo positivo de quatro vitórias nesse quesito, tendo também vencido 12 dos 18 jogos em que chegou tão longe. Pega agora Frances Tiafoe, que costuma exigir muito do físico dos adversários.

E com tudo isso, Rafa deve ter ido dormir dando risada. Fez uma estreia tranquila, forçou os golpes na clara tentativa de agir de forma ofensiva. Isso lhe custou 30 erros, mas foi um luxo que pôde se permitir diante de um John Millman acuado no fundo de quadra e sem potência para incomodá-lo. Seu adversário será o ex-prodígio Thanasi Kokkinakis, grande sacador de mobilidade frágil.

Estreias tensas
O feminino também viveu emoções e uma surpresa. Toda atenção para o retorno de Naomi Osaka a seu palco maior e ela sentiu a tensão, muito natural. Quando soltou seu jogo pesadíssimo, ao melhor estilo Serena Williams, mostrou que é forte candidata ao bi.

Outra que entrou nervosa foi Simona Halep, mas a explicação era justificável: duas derrotas seguidas na estreia do torneio. Agora, a tendência é se soltar. Ela aliás se inscreveu na chave de mistas ao lado de Horia Tecau.

A noite terminou mal para a torcida da casa, ao ver Sloane Stephens, campeã dois anos atrás, dominada com autoridade assustadora pela russa de 20 anos Anna Kalinskaya, vinda do qualificatório.

Resumo do dia 2
– Nada menos que 10 dos 32 jogos masculinos foram ao quinto set nesta terça-feira. Na véspera, somaram 7. Curiosamente, apenas dois desses quintos sets foram decididos no tiebreak, regra que o US Open utiliza desde 1970.
– Além dos quatro top 10, caíram também os cabeças 18 (Aliassime) e 30 (Edmund). O duelo canadense diante de Shapovalov foi novamente frustrante, já que Felix não jogou nada.
– A mais amarga derrota coube a Tsonga, que venceu os dois primeiros sets e levou a virada de Sandgren em duelo de 4h.
– Chung, hoje apenas 170 do mundo, encarou o quali e voltou a disputar um Slam. É seu quarto US Open e ele jamais perdeu na estreia. A chave é dura: Verdasco agora e quem sabe Nadal na sequência.
– Sabalenka e Azarenka fizeram um animado encontro bielorrusso. Vika venceu o primeiro set, mas a cabeça 9 reagiu, apesar das 13 duplas altas, e mostrou que hoje é muito mais agressiva: 42 a 17 nos winners.
– Muguruza deu azar ao pegar Riske logo de cara – a americana foi quartas em Wimbledon onde tirou até Barty -, mas o fato é que a confiança da espanhola está lá embaixo. Segundo Slam seguido que nem passa da estreia.
– Vale investigação sobre Carla Suárez, que abandonou após oito games jogados com problema no ombro. Tomic perdeu todo seu prêmio em Wimbledon, e olha que terminou a partida.

Destaques
– Italiano de 30 anos e ‘apenas’ 1,73m, Fabbiano consegue segunda vitória sobre top 10 em Slam consecutivos, tendo superado Tsitsipas em Wimbledon. Atual 87º do ranking, ele venceu todas as 5 partidas que chegaram ao quinto set na carreira, 3 delas em 2019.
– Cercada de enorme expectativa e objeto de discussão nas mídias sociais sobre qual quadra deveria estrear, Coco Gauff superou um primeiro set nervoso e conseguiu notável virada em cima da também talentosa Anastasia Potapova. Se passar por Babos, tem grande chance de desafiar Osaka.

Para a história
– Na segunda-feira pós-US Open, Nadal somará a 750ª semana consecutiva dentro do top 10. Estará então 39 atrás do recordista Jimmy Connors.

Nadal joga pela liderança
Por José Nilton Dalcim
9 de agosto de 2019 às 23:59

Apesar da atuação um tanto irregular desta sexta-feira, Rafael Nadal pode atingir a primeira meta da semana em Montréal: se avançar à decisão de domingo, irá recuperar a liderança do ranking da temporada.

O espanhol atingiria 6.825 pontos e deixaria para trás Novak Djokovic, que tem 6.735. Caso confirme o título, soma mais 400 pontos e se distancia. Com uma chave bem propícia em Cincinnati na semana que vem, o espanhol tem todo o direito de sonhar.

Mas não gostei do Rafa desta noite contra o ‘baleado’ Fabio Fognini. Jogou um primeiro set muito abaixo do seu padrão, reagiu bem mas já era evidente a movimentação ruim do italiano, que pediu atendimento para a problemática perna direita e nada adiantou. Claro que o vento forte é atenuante.

Nadal terá de esperar para saber quem enfrentará na noite deste sábado, já que Roberto Bautista e Gael Monfils jogaram apenas dois pontos antes de a chuva cair forte. Se for uma partida equilibrada como se espera, Rafa agradecerá muito.

A outra vaga na final será russa e valerá o oitavo lugar do próximo ranking. Daniil Medvedev e Karen Khachanon, ambos de 23 anos, vivem momentos diferentes. Enquanto Medvedev faz uma temporada sólida e surpreendente, com grande desempenho até no saibro, Khachanov tinha sobre si grande expectativa mas fez cinco meses decepcionantes e só começou a reagir em Roland Garros. Faz sua primeira semi de 2019.

Os dois tiveram jogos muito fáceis nesta sexta-feira. com destaque para a surra de 56 minutos que Medvedev deu em Dominic Thiem. Já Khachanov dominou amplamente o ainda perdido Alexander Zverev. Dono de estilos semelhantes mas postura distinta em quadra, imagino Medvedev com ligeiro favoritismo para chegar a sua primeira final de Masters.

Serena ‘carimba’ o 1 de Osaka
Antes mesmo de entrar em quadra para reencontrar a ídolo Serena Williams, Naomi Osaka já sabia que será novamente a líder do ranking na segunda-feira, já que Karolina Pliskova pouco antes havia se tornado a nova vítima de Bianca Andreescu. Mas quem se mostrou motivada foi Serena. O forte vento e uma evidente tensão não permitiram um grande jogo, uma pena. Serena ainda viu Simona Halep abandonar e assim tem uma enorme chance de enfim voltar aos títulos. Não ergue um troféu desde o AusOpen de 2017.

Murray vai se testar
Grande notícia: Cincinnati vai ter o Big 4. O escocês Andy Murray confirmou presença e me parece ter escolhido o torneio certo: piso veloz, jogo rápido. Não será fácil, porque pegou Richard Gasquet – o francês jogou muito motivado em Montréal – e se passar terá Dominic Thiem, porém também não é o pior dos mundos. Acompanhei o desempenho de Murray nas duplas e o que vi me deixa otimista: ele está jogando firme, solto, ótima movimentação e golpes afiados.

Djoko x Federer de novo?
Há muitas dificuldades para Novak Djokovic reencontrar Roger Federer na semi de Cincinnati. O sérvio tem ótimos sacadores no caminho – Querrey ou Herbert, Isner e Khachanov -. enquanto o suíço deve pegar jovens como Berrettini, Tsitsipas ou Medvedev. Seria muito interessante se repetissem a final de 2018 e a de Wimbledon de semanas atrás. Já imaginaram o clima? Nadal tirou a sorte grande e não tem qualquer grande barreira no caminho, podendo encarar Bautista ou Cilic na semi.

Nishikori preocupa
Nem começou a fase da quadra dura e Kei Nishikori já está com problemas físicos. Após derrota para Gasquet, ele abandonou as duplas e confessou: “O cotovelo está doendo demais. Já tentei de tudo para tratá-lo, mas continua incomodando”. Nishikori está na chave de Nadal em Cincinnati.

Khachanov reclama
O russo não ficou nada satisfeito com o comportamento da torcida canadense durante o duelo contra Felix Aliassime. “Fique maluco com o público. Tudo bem torcerem para o cara da casa, quisera eu ter isso na Rússia. Mas gritar durante os pontos é um desrespeito. Ao menos, me deu uma energia a mais”.

Grandes semifinais, mas dois amplos favoritos
Por José Nilton Dalcim
6 de junho de 2019 às 18:18

Roland Garros viverá uma sexta-feira para lá de especial. Pela primeira vez em oito anos, terá todos os quatro principais cabeças na semifinal masculina, reunindo nada menos do que 52 títulos de Grand Slam e os três melhores jogadores da história.

Mais divertido ainda, Novak Djokovic e Rafael Nadal têm enorme chance de se manter ainda mais vivos na perseguição ao recorde de 20 troféus de Roger Federer. O sérvio pode ir a 16, o espanhol mira o 18º. E o suíço, é claro, colocaria uma pá de cal nesse sonho se cometesse a façanha de ganhar o Aberto francês uma década depois.

O austríaco Dominic Thiem é o ‘patinho feio’ nessa briga de gigantes, já que só tem uma final de Slam até hoje. A seu favor, está a juventude: aos 25 anos, possui sete a menos que seu adversário desta sexta-feira e 12 atrás do mais idoso. Mas a questão física não parece ser o item mais relevante.

Djokovic e Thiem superaram com rapidez seus jogos adiados da quarta-feira e entrarão para o duelo direto em pé de igualdade. Impossível não dar o favoritismo ao sérvio, que lidera o histórico por 6 a 2. A rigor, as derrotas para o austríaco aconteceram numa momento de baixa em sua carreira, em Paris de 2017 e em Monte Carlo do ano passado. Desde então, se cruzaram apenas no saibro veloz de Madri há coisa de um mês, onde Djoko venceu por um placar bem apertado e diversos sustos.

O sérvio precisa antes de tudo evitar o começo ruim que viveu nesta quinta-feira diante de Alexander Zverev. Foi quebrado num game tenebroso, o seu pior até aqui no torneio, e só mesmo a fragilidade emocional do alemão evitou a perda do primeiro set. Até então, Sascha se mostrava aplicado e muito focado. De repente, virou um top 100 e levou uma surra. Vale observar que Thiem teve uma atuação notável diante de Karen Khachanov, saindo de quadra com apenas 11 erros. Portanto, me parece importante Djoko se impor desde o início e não deixar o austríaco animado, porque o poder de fogo dele é inegável e proporcional à confiança que for adquirindo.

Nadal e Federer geram enorme expectativa, mas me parece existir apenas uma chance de o suíço sonhar com a vitória: atuar de forma iluminada ou o espanhol jogar abaixo do que vem mostrando. Se estiver ventando forte como diz a previsão, a dificuldade aumentará ainda mais, já que o suíço tende a perder a precisão do saque, de seus golpes retos de ataque e da segurança nos voleios. Por isso, ele detesta vento. Para ser ao menos competitivo, Federer precisa manter Nadal na defensiva, mirar a linha e encurtar seu tempo de reação. Quando for à rede, máxima atenção às paralelas de forehand, que o espanhol voltou a executar com perfeição.

A lógica aponta para vitórias de Nadal e Djokovic, talvez até mesmo em sets diretos, contra seus adversários de backhand simples. Qualquer coisa fora disso, será surpresa. Vale lembrar que a última vez que Roland Garros viu uma final entre dois backhands de uma mão foi a de Guga Kuerten e Alex Corretja, em 2001.

Uma nova campeã de Slam
O sábado também será muito especial para a chave feminina, e aí o motivo é radicalmente diferente: todas as quatro postulantes ao título jamais fizeram sequer final de Grand Slam e há uma clara predominância da nova geração: Amanda Anisimova, de 17 anos, enfrentará Ash Barty, de 23, enquanto Marketa Vondrousova, de 19, duela com a única experiente da turma, Johanna Konta, de 28. Também em contraste com o masculino, três delas não figuram no momento sequer entre as top 25.

Porém, não vejo motivo para se achar que os jogos decisivos serão de qualidade baixa ou menos emocionantes, já que são todas tenistas que gostam de um jogo mais agressivo. Anisimova deu um verdadeiro show de ousadia e competência diante da atual campeã Simona Halep, sem tomar conhecimento do currículo adversário. A norte-americana de pais russos esteve no Brasil em 2017 para se testar no saibro, maravilhou todo mundo no juvenil e ganhou seu primeiro título profissional em Curitiba, ainda aos 15. Era evidente que ali havia um enorme potencial. Se ela e Barty dominarem os nervos, deve ser um jogo espetacular, porque a australiana tem mão de sobra, faz o que quer com a bola e pode enlouquecer Anisimova com essa variação.

Se Konta se candidata a erguer o primeiro título britânico em Paris após quatro décadas, Vondrousova tenta entrar no rol curtíssimo das canhotas que conquistaram Roland Garros. Por conta da chuva de quarta-feira, os dois jogos semifinais acontecerão simultaneamente e fora da Chatrier, e ainda por cima no primeiro horário do sábado (11h locais, 6h de Brasília). Tenta-se preservar alguma equidade para a final de sábado, mas é de se lamentar.