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Thiem e Medvedev mantêm Finals renovado
Por José Nilton Dalcim
21 de novembro de 2020 às 20:33

Pelo quinto ano consecutivo, o Big 3 não levará o ATP Finals. Depois do sucesso jovem de Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas, desta vez Dominic Thiem e Daniil Medvedev barraram o sonho de Novak Djokovic e Rafael Nadal. Enquanto o sérvio está na fila por um novo troféu desde 2015, o espanhol continua a ver frustrado o sonho de conquistar o único grande torneio que lhe falta.

Para acabar com qualquer discussão, os dois finalistas chegam ao domingo com vitórias sucessivas sobre os dois líderes do ranking. Enquanto Thiem repete a campanha de 2019 e pode coroar uma temporada em que ganhou seu primeiro Grand Slam e foi vice na Austrália, o russo continua invicto e poderá ganhar o Finals com vitórias em cima dos três líderes do ranking.

50 winners
Thiem fez seu segundo jogo espetacular da semana, quase tão bom como a vitória sobre Nadal de terça-feira. Como se esperava, não titubeou ao procurar sempre o ataque e essa postura lhe rendeu 50 winners mas também 39 erros, nada menos que 26 deles com o forehand, que falhou em alguns momentos importantes. Disposto a investir na regularidade, Djokovic fez menos da metade de winners (23) e não ficou tão longe nos erros (27).

Por isso mesmo, Thiem deveria ter completado a vitória em dois sets. Após uma primeira parcial em que raramente se precipitou e foi premiado por uma decisão equivocada do adversário em ir à rede, teve um forehand à disposição para quebrar no quinto game. Djoko então fez seus melhores games de devolução e chegou aos três únicos break-points de toda a partida, dois deles valendo set-point.

O austríaco mostrou cabeça e empurrou ao tiebreak maluco. Teve saque para 3-0, levou virada para 2-4 e depois 4-5. Chegou ao match-point mas nada pôde fazer. Daí em diante vimos uma sucessão incrível de seis pontos perdidos pelo sacador. Em dois deles Thiem teve novos match-points – um desperdiçado com dupla falta -, em outro era set-point. Quanta tensão. Djokovic então manteve a bola funda e por fim levou a um terceiro set em que tudo indicava que Thiem teria dificuldade emocional.

Ledo engano. Continuou sacando bem, permitindo apenas 40-30 por duas vezes ao sérvio, mas também encontrava Djokovic concentrado na missão de não abrir oportunidades, com um único game de serviço mais enrolado. Nenhum break-point e se chega ao tiebreak definitivo. Sólido, Nole faz 4-0 em escolhas erradas de Thiem. Veio então a grande surpresa. O austríaco reagiu com coragem, venceu seis pontos seguidos e finalmente aproveitou o saque para completar a vitória, o que se esperava ter acontecido 70 minutos antes.

Djokovic perde assim a chance do hexa e de igualar outro feito de Roger Federer. Encerra a temporada com 41 vitórias em 46 jogos e três grandes troféus, o que lhe garantiu encerrar pela sexta vez na carreira como líder do ranking. Não dá para reclamar.

Virada russa
A segunda semifinal teve dois jogos bem distintos. O primeiro incluiu um primeiro set em que Nadal passou sufoco no começo mas depois dominou Medvedev com muitas variações de ritmo. A ideia era não deixar o adversário à vontade e manter a bola baixa para tirar o poder de fogo do russo. Mas Medvedev reagiu. Forçou mais o backhand do canhoto e abriu 3/0 e 4/1 com facilidade e quase fez 5/2. Mas não sustentou o momento, permitiu reação e Nadal sacou para a vitória com 5/4.

Aí começou o outro jogo. O espanhol se apressou, perdeu o serviço de zero e reanimou Medvedev, que fez um tiebreak impecável. Nadal escapou de quebra na abertura do terceiro set e era evidente seu desconforto nos games de serviço, em que poucas vezes conseguia simplificar os pontos. Evitou a queda por duas vezes com primeiro saque arriscado, mas por fim cedeu e daí em diante ficou perdido em quadra. Subidas mal calculadas indicavam falta de pernas. Quem diria.

Os números da partida mostram que o vencedor foi muito mais ousado, tal qual a semi anterior. Medvedev fez 42 winners contra 22 e ainda falhou menos (29 a 30).

Foi sua primeira vitória em quatro partidas diante de Nadal, o que deve enchê-lo ainda mais de confiança. E isso vai ser importante, porque o histórico favorece Thiem por 3 a 1, sendo 2 a 1 na quadra dura. Os dois se cruzaram três meses atrás nas quartas do US Open e o austríaco não perdeu set.

Duplas também terão campeões inéditos
Com aposentadoria anunciada para 2021, o canhoto Jurgen Melzer é mais um austríaco em busca de título no Finals. Aos 39 anos e meio, ele e o francês Edouard Roger-Vasselin, de quase 37, aproveitaram a chance lhes dada de última hora e tiraram os cabeças 2 em outro jogo emocionante desta semana.

Com queda de Marcel Granollers e seu parceiro Horacio Zeballos na outra semi, o Finals terá também campeões inéditos de duplas. O holandês Wesley Koolhof e o croata Nikola Mektic, ambos de 31 anos, tentarão por incrível que pareça o primeiro título lado a lado (foram vices no US Open e semi em Roland Garros).

50 anos do Finals
Preocupada em entrar no importante e incipiente mercado chinês, a ATP aceitou sediar o Finals por quatro anos na City Arena coberta de Xangai, estádio para 15 mil pessoas e um público mais convidado do que pagante. A edição de 2005 marcou a despedida definitiva do piso de carpete e viu a espetacular conquista de David Nalbandian em cima de Roger Federer, saindo de dois sets atrás. O suíço retomou a soberania nos dois Finals seguintes, que foram os últimos com decisões em cinco sets. Em 2008, o jovem Novak Djokovic completou uma temporada de grande ascensão e ergueu seu primeiro troféu.

Novo passo para Delpo, mais dúvidas para Rafa
Por José Nilton Dalcim
24 de outubro de 2016 às 11:32

Juan Martin del Potro subiu mais um degrau na sua recuperação. Menos de oito meses após a sofrida volta às quadras, ele conquistou o ATP de Estocolmo sem perder um único set e com apenas dois serviços quebrados na semana, ambos na semi diante de Grigor Dimitrov. Arrancou para o 42º posto e é novamente o melhor argentino da lista, o que pode ser crucial na decisão da Copa Davis diante da Croácia.

Desde que retornou às quadras, na metade de fevereiro, Delpo disputou 12 torneios, mas apenas 11 valeram pontos porque o vice dos Jogos do Rio não foi considerado (do contrário, seria hoje o 26º). Nessa campanha, ganhou 28 de seus 39 jogos, perdendo apenas duas vezes na primeira rodada. Tem um título, um vice, duas semis e as quartas no US Open. O mais impressionante no entanto é que derrotou cinco top 10, seleta lista que inclui Djokovic, Murray e Wawrinka, e mais cinco na faixa dos top 20.

O realmente promissor, no entanto, vem no aspecto técnico. Em Estocolmo, diante de sacadores como Ivo Karlovic e Jack Sock, ou mesmo para encarar os slices de Dimitrov, Delpo já mostrou muito mais confiança  na execução do backhand batido. Ainda não teve tanta força e peso como outrora, mas esteve fundo nas trocas e rasante nas passadas. Com a evolução notável do slice, o primeiro saque afiadíssimo e a coragem de ir muito mais à rede, Delpo monta um cenário no mínimo interessante para 2017.

“Quando estiver 100%, serei perigoso”, sentenciou após encerrar o jejum de 33 meses de títulos, outra grande emoção na sua temporada. Disso, sinceramente, eu não tenho a menor dúvida. O ideal mesmo é que consiga chegar à faixa dos 32 primeiros para virar cabeça já no Australian Open. Ele disputa nesta semana Basileia, com estreia diante de Robin Hasse e possível reencontro com David Goffin nas oitavas, e aguarda convite para competir em Paris.

O caso Nadal
A decisão de Rafael Nadal de encerrar a temporada e sequer lutar pela vaga no Finals de Londres, que nem estava tão difícil assim, levou a imprensa espanhola a cutucar Toni, o tio-treinador.

Para a agência de notícias EFE, ele foi enigmático: “Sei o que está acontecendo com ele, mas não sei se me interessa divulgar”. Depois, disse que não é uma questão física ou técnica, mas ‘a soma de vários fatores’. Para ele, a contusão no punho durante Roland Garros foi um baque emocional e Rafa ‘não voltou a se recuperar totalmente’.

Dias mais tarde, falando para a RTVE, Toni admitiu que foi um erro enorme Rafa ter ido à Índia disputar a repescagem da Copa Davis. “A volta nos Jogos do Rio foi até melhor do que esperávamos, ainda que tenha havido um esforço maior do que o previsto. A falha foi ter jogado a Davis, o momento ideal era descansar”.

O próprio Rafa falou a Movistar Plus neste fim de semana em que foi ver o Real Madrid e voltou a afirmar que o problema no momento é físico. “Mentalmente estou bem, mas tenho jogado com dor há muito tempo e preciso parar. Não consigo usar tudo do meu forehand”, argumentou.

Esta será a quarta vez que Rafa não vai a Londres, repetindo 2008, 2012 e 2014, sempre por contusão. Com a ausência de Roger Federer, será o primeiro Finals sem ao menos uma das duas megaestrelas desde 2001.

Detalhes
– Os irmãos Elias, 20 anos, e Mikael, 18, conquistaram inesperadamente as duplas de Estocolmo. Os Ymer tiveram uma campanha incrível, salvando três match-points na estreia, e superaram parcerias muito experientes. Mikael volta às quadras após quase um ano de afastamento por contusão no quadril.
– Com os títulos de Del Potro e dos Ymer, Estocolmo é o primeiro torneio desde Newport de 10 anos atrás a ter campeões de simples e duplas que não figuravam como cabeças de chave.
– Os garotos suecos têm agora uma dura missão: enfrentar Israel fora de casa neste final de semana e evitar que a Suécia caia para a terceira divisão da Copa Davis.
– Ao avançar à final de Moscou, o austríaco Jurgen Melzer se igualou a Radek Stepanek como únicos tenistas em atividade com pelo menos 300 vitórias tanto em simples como em duplas.
– Em entrevista ao New York Times, Chris Evert diz duvidar que Serena permanecerá no circuito por muito mais tempo. “O corpo está sofrendo, o rendimento caiu e me pergunto se ela ainda pode se envolver emocionalmente com o tênis”.