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Vai começar o desafio para o Nole Slam
Por José Nilton Dalcim
3 de junho de 2019 às 18:58

Quatro rodadas de domínio absoluto, um tênis solto e eficiente que permitiram apenas 31 games a seus adversários. Agora, vem a fase de verdadeiros desafios para Novak Djokovic cravar seu segundo título em Roland Garros e, consequentemente, a nova versão do ‘Nole Slam’. A luta pela história começa por Alexander Zverev, deve passar por Dominic Thiem e, quem sabe, se encerrar contra Rafa Nadal.

Não se deve menosprezar Sascha, um jogador que já derrotou o sérvio em dois jogos de grande tensão. A primeira foi logo no primeiro confronto, na decisão de Roma-17. Demoraram 18 meses para os reencontros e aí o alemão perdeu feio em Xangai e na fase classificatória do ATP Finals. Porém, dias depois, se vingou com uma vitória categórica e outro título em cima de Djoko. Claro que enfrentar o líder do ranking em melhor de cinco sets é muito diferente, e os dois sabem disso.

A vitória desta segunda-feira sobre Fabio Fognini teve méritos, e não foram tão técnicos mas muito mais emocionais. Zverev, que pecou tanto pela cabeça fraca ao longo desta temporada, não se abalou com o primeiro set perdido e foi corajoso sob enorme pressão no final do quarto set. Manteve a frieza mesmo com 12 duplas faltas cometidas, e apesar dessa estatística alarmante ainda terminou o jogo com 70% de aproveitamento do primeiro saque. É dessa postura positiva e arrojada que ele precisa para ao menos ser competitivo na quarta-feira que se prevê chuvosa.

O retorno a Paris, onde ganhou seu Masters há seis meses, parece ter feito bem a Karen Khachanov. Aos 23 anos, marca sua primeira presença em quartas de Slam com uma vitória de respeito em cima de Juan Martin del Potro. O argentino pareceu é verdade um pouco lento, mas a opção tática de abrir muito a quadra com bolas anguladas foi bem explorada pelo russo o tempo todo.

Quem deve ter gostado muito disso foi Dominic Thiem, que jamais ganhou de Delpo em quatro duelos e tem um retrospecto negativo bem menos relevante contra Khachanov, tendo perdido justamente na campanha mágica do russo em Bercy do ano passado. Thiem fez seu jogo mais fácil do torneio até agora diante de um apático Gael Monfils, que muitas vezes ‘queimou’ golpes precocemente. O austríaco economizou energia e jogou a confiança lá em cima, o francês encerrou de forma melancólica a esperança local de ao menos ver um duelo na semi contra Nole.

Halep encara outra prodígio
Simona Halep não teve piedade da garota polonesa Iga Swiatek: 45 minutos e só um game perdido. Aliás, no sábado, só gastou 10 minutos a mais para avançar. Será também o destino de Amanda Anisimova, de 17 anos? Bem, a filha de russos bate pesado na bola e não tem medo de cara feia. Tem um título de WTA e vitórias em cima de Petra Kvitova e Aryna Sabalenka na curtíssima carreira. Tomara que dê bom jogo.

A consistente Madison Keys e a ascedente Ash Barty fazem a outra partida de quartas. Mesmo sem resultados espetaculares, Keys tem sido muito constante nos Slam, tendo atingido a segunda semana em 13 de seus últimos 17 torneios. Já fez três semis, incluindo a do ano passado em Paris, quando aliás tirou a própria Barty no caminho. A australiana nunca havia passado da segunda rodada no saibro francês, mas é inegável que tem o repertório perfeito para ir bem na terra.

Quartas de final, parte 1
– Federer tem 22-3 no placar geral, mas as 3 derrotas para Stan foram no saibro, incluindo as quartas de Paris de 2015, justamente o último jogo de Roger no torneio até 2019. Roger jogou 7h10 no torneio até aqui, Wawrinka lutou por 12h27.
– O máximo que Nishikori conseguiu no saibro contra Nadal foi tirar um set em quatro jogos. O placar geral é de 10-2. Será o quarto duelo em Slam e em todos Rafa fez 3 sets a 0. Espanhol gastou 4h15 a menos em quadra do que seu adversário nestas quatro primeiras rodadas.
– Stephens e Konta se cruzam pela terceira vez na temporada, e a vice de Paris perdeu as duas, incluindo recentes oitavas de Roma. Konta tenta repetir semi britânica de Jo Durie em Paris-1983.
– Martic lidera na quantidade de vitórias no saibro na temporada (15-1) e Vondrousova é a tenista que mais ganhou jogos no circuito feminino desde o AusOpen, além de tem o melhor índice de devolução de saque na temporada.

Novidades no ranking
– Khachanov será o novo integrante do top 10 e há grande chance de Fognini finalmente chegar lá também. O italiano só será barrado se Wawrinka for campeão de Paris.
– Caso se cruzem na semi, Nadal e Federer também estarão colocando em disputa o número 2 do ranking.
– Zverev, Nishikori e Thiem duelam pelo quarto lugar, com vantagem do alemão no momento. Tsitsipas sonha com o inédito quinto posto.
– Barty já tem a sexta colocação garantida.

Boas notícias
– Bruno Soares está na semifinal de mistas ao lado da americana Nicole Melichar, com quem também fez semi em Melbourne.
– Andy Murray confirmou seu retorno ás quadras para as duplas de Queen’s, ao lado do amigo Feliciano López. Ele afirma que não sentiu mais dores no quadril e que fará um teste.

A hora da verdade
Por José Nilton Dalcim
1 de junho de 2019 às 19:07

Chegou a hora da verdade na chave masculina de Roland Garros. Pelo menos para seis jogadores. Dominic Thiem contra Gael Monfils, Alexander Zverev frente Fabio Fognini e Stefanos Tsitsipas diante de Stan Wawrinka. Quem vai dar um passo adiante no sonho de desafiar o Big 3 nas rodadas decisivas?

Zverev continua brigando contra seus fantasmas e precisou de mais cinco sets diante do tênis super variado de Dusan Lajovic. Misturar efeitos, chamar o adversário para a frente ou acelerar nas paralelas é algo que Fognini se mostra verdadeiro mestre. Mas como estará o italiano de fôlego?

Este é um duelo excepcionalmente interessante porque parece muito provável que o vencedor tenha de encarar Novak Djokovic nas quartas. E aí não basta apenas confiança, mas também físico e ousadia. Nole mostrou novamente o tamanho de sua solidez diante do quali Salvatore Caruso, que aguentou o quanto pôde o ritmo alucinante das trocas de bola. Tirou oito games, o que é de se aplaudir. Nole sacou extremamente bem nos momentos delicados.

Thiem e Monfils não tem prognóstico, ainda que o austríaco lidere por 4 a 0 o histórico, dois no saibro. É um duelo curioso também pelo fato de três confrontos não terem acontecido por contusão (duas do francês). Existe o fator torcida e minha impressão de que Thiem joga um pouco pressionado por resultado. Me agrada ver Monfils bem mais agressivo, soltando o forehand, e acredito que ele venha com uma nova proposta para acabar com o pequeno tabu.

Autêntico duelo de gerações, Stan e Stef tiveram de completar seus jogos suspensos neste sábado. O grego teve uma evidente queda de intensidade, alternou demais e não teria sido surpresa uma derrota no quinto set diante de Filip Krajinovic. Já o suíço quase ressuscitou Grigor Dimitrov quando tinha tudo nas mãos. Acredito que a experiência jogue a favor de Wawrinka se o placar seguir apertado, exatamente como aconteceu diante do búlgaro.

Juan Martin del Potro continua correndo por fora. Não vi sequelas no problema do joelho no atropelamento em cima de Jordan Thompson e o coloco como favorito para marcar sua quarta vitória em cima de Karen Khachanov.

Domingo cheio
A abertura das oitavas de final terá os outros três jogos da parte de baixo, onde estão Wawrinka e Tsitsipas. Quem vencer, tem tudo para encarar Roger Federer, favorito diante de Leonardo Mayer. Percebam que é um quadrante todo formado por tenistas com backhand de uma mão e assim provável adversário de Rafael Nadal na semi.

O espanhol enfrenta Juan Ignacio Londero, autêntico saibrista e portanto um paciente construtor de pontos com bom forehand. Como todo tenista que nunca enfrentou o topspin de canhoto de Rafa, deve penar no primeiro set. Um placar desastroso e ele tenderá a ficar completamente perdido em quadra.

Bem interessante pode ser a contraposição de estilos entre Kei Nishikori e Benoit Paire. O japonês me pareceu esgotado ao final da batalha com Laslo Djere e não sei se jogar só no contragolpe contra o habilidosíssimo Paire será uma boa ideia, com toda a torcida gritando ‘gol’. Para economizar pernas e prender o francês no fundo, talvez seja ideal Nishikori atacar primeiro, até mesmo indo à rede. O backhand na paralela em cima do fraco forehand do adversário é conduta óbvia.

Chave abre para Halep
O favoritismo de Simona Halep para o bicampeonato só aumenta. Não há mais Petra Kvitova, nem Serena Williams ou Naomi Osaka. Mais significativo ainda, a romena fez seu melhor jogo da semana e agora seu quadrante só tem novatas: enfrenta Iga Swiatek e, se mantiver o favoritismo, depois Amanda Anisimova ou Aliona Bolsova.

Claro que não se pode desprezar Ashleigh Barty ou Madison Keys, as cabeças que restam no outro quadrante. Osaka voltou a jogar mal e desta vez não teve remédio diante de uma animada Katerina Siniakova. E a falta de movimentação de Serena não conseguiu superar a atuação firme de Sofia Kenin, que aprofundou a bola, usou curtas e sacou bem.

Agora, Siniakova enfrenta a experiência maior de Keys e Kenin experimenta o estilo variado de Barty. Não descartem mais surpresas.

A rodada de domingo, que abre as oitavas, tem Muguruza x Stephens, as mais gabaritadas a tentar a vaga na final, mas também Vekic x Konta e as duas sensações da sexta-feira: Sevastova e Martic que têm como marca o arrojo.

Maré mansa
Por José Nilton Dalcim
30 de maio de 2019 às 19:53

Enquanto liquida adversários rapidamente e vive sua maré mansa, Novak Djokovic observa seus possíveis concorrentes a encarar turbilhões, em batalhas contra o físico ou a cabeça. Juan Martin del Potro deu grande susto ao travar o joelho e parece estar mais comprometido do que nunca. Claro que ainda dá para ganhar, a meia força, de Jordan Thompson e até mesmo de Karen Khachanov, porém fica difícil acreditar em muito mais que isso.

Dominic Thiem só se desgasta. Quase viu seu duelo contra o cazaque Alexander Bublik, um tenista praticamente limitado a forçar saque, ir para um perigoso quinto set. Alexander Zverev enfim ganhou um jogo por 3 a 0 – o primeiro em seus últimos seis no torneio – não antes de perder o serviço bobamente para um frágil Mikael Ymer. E apesar de todo o talento, Fabio Fognini parece sem o físico necessário para qualquer jogo realmente exigente.

Quem está sobrando nessa turma toda é Gael Monfils. Se tivesse que apostar em alguém para ir até a semi contra Nole, neste momento seria ele, porque parece bem menos motivado a dar espetáculo e muito mais a ganhar jogos. Está com postura agressiva e preocupado em não ficar desnecessariamente em quadra. Mas apesar de tudo, é impossível prever se uma daquelas dores repentinas irá acabar com seu embalo.

Djoko? Tranquilo. Oito games perdidos hoje, repetindo a estreia. Dá a nítida impressão de estar experimentando coisas. Curtas seguidas na paralela, forehand bem angulado. Com um saque afiado, devoluções agressivas e velocidade incrível de reação, está pronto para pegar o anônimo Salvatore Caruso e ver o que acontece entre Borna Coric e Jan-Lennard Struff.

O sonho do top 10
Há uma luta particular entre Karen Khachanov, Fognini, Delpo, Coric e um pouco mais distante Monfils por vagas no top 10 do ranking após Roland Garros. Como Del Potro defende a semi, no momento Khachanov ocupa o inédito posto, com vantagem de meros 15 pontos para Fognini e a 90 do argentino. Coric está 185 atrás e Monfils teria de ir pelo menos à final para recuperar o posto que já foi seu.

Façanhas
A ATP divulgou interessante estatística, mostrando que desde 2015 os oito primeiros cabeças de chave em Roland Garros não perderam qualquer uma das 80 partidas feitas entre primeira e segunda rodadas.

Já o tênis sérvio faz história e, pela primeira vez, coloca quatro representantes na terceira rodada de um mesmo Grand Slam: Djokovic, Lajovic, Djere e Krajinovic.

Como número 1
Naomi Osaka obteve uma vitória de autêntica líder do ranking em cima de Vika Azarenka, buscando outro resultado que parecia perdido, quando a bielorrussa tinha um set, 4/2 e break-point. Só que, ao contrário da estreia, as duas jogaram num nível bem alto, forçando sempre, mesmo quando estavam no buraco. Osaka anotou 52 winners e Vika, 35.

Simona Halep deu susto. Não pelo resultado em si, já que jamais correu perigo de derrota, mas pelos 44 erros não forçados, os seis games de saque perdidos e o desperdício de 9 dos 17 breaks colecionados. Isso contra a 87ª do ranking.

Serena Williams, por sua vez, levou rapidamente um duelo em que a diferença de força era brutal. Boa surpresa veio da juvenil Amanda Anisimova em cima da irregular Aryna Sabalenka e a armada americana ainda terá Sofia Kenin, adversária da própria Serena.

Esperança diminui
Não haverá francesas sequer na terceira rodada depois da queda frustrante e de virada de Caroline Garcia para a quali russa Anna Blinkova.

O masculino respira com o duelo marcado entre Monfils e o garoto Antoine Hoang, protagnosta de bela vitória em cima de Fernando Verdasco. A falta de luz adiou o final do jogo de Lucas Pouille, mas ele está em situação ruim diante de Martin Klizan.

Na parte inferior, aparecem mais três da casa: o veterano Nicolas Mahut, o cansado Benoit Paire e o pouco experiente Corentin Moutet. Mas como ter esperança no quadrante de Rafa Nadal?

A sexta-feira
– Nadal e Federer têm uma missão em comum: se atingirem pela 14ª vez as oitavas de Roland Garros, subirão juntos ao primeiro lugar da lista em todos os tempos.
– A tarefa do espanhol é mais dura: 3-1 nos duelos diretos diante de um especialista no piso. Todas as vitórias do espanhol foram no saibro. Federer encara garoto de 20 anos que tem exatas 340 vitórias a menos… só em Grand Slam.
– Inegável o favoritismo de Tsitsipas e Wawrinka diante de Krajinovic e Dimitrov, já que o sérvio e o búlgaro fizeram seus dois jogos iniciais em cinco sets. Aliás, Stan e Dimitrov completarão o quadro de Slam, já que faltava apenas se enfrentarem em Paris. O suíço venceu todas as outras três.
– Mahut tenta feito: se vencer Mayer e for às oitavas, será o tenista que mais vezes jogou o torneio (17) até enfim chegar na quarta rodada.
– Muguruza-Svitolina é o duelo do dia no feminino. A ucraniana tem 5-3, sendo 3 seguidos. Única vitória da espanhola no saibro foi em 2012.
– Pliskova busca oitavo triunfo seguido e revê Martic, que tem 3 vitórias num passando distante. A tcheca ganhou em Miami deste ano.

Desafio Roland Garros: participe, divirta-se e concorra a ótimos prêmios!