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O top 10 do carpete na Era Aberta
Por José Nilton Dalcim
13 de maio de 2020 às 12:24

Antes mesmo de avaliar a questão técnica, talvez seja válido dar um pequeno histórico do que foi a quadra de carpete (ou tapete) no circuito profissional. A ideia de usar piso emborrachado, que podia ser transportado e colocado em formato de placas, sobre uma superfície de cimento ou madeira, foi muito popular a partir da década de 1980, não apenas para substituir a grama como superfície veloz, mas também para montar quadras em qualquer tipo de ginásio, como acontecia no Madison Square Garden ou no Royal Albert Hall.

A partir da virada do século 21, no entanto, a crítica sobre o carpete aumentou. A quadra não apenas era veloz demais, sem permitir grande troca de golpes e afugentando o público, mas também causava muitas contusões. Ao ser montado sobre base de cimento, o liso tapete acelerava o quique e deixava a bola muito baixa, bem semelhante ao que acontecia na grama dos velhos tempos. Isso obviamente favorecia os grandes sacadores e quem gostava mais do jogo rápido, de voleios.

A ATP já havia determinado a troca do carpete para o sintético no seu Finals a partir de 1997, fez o Masters de Paris mudar em 2007 e eliminou de vez o piso em 2009. Na WTA, a superfície ainda sobreviveu até 2018, com o torneio de Québec e viu o WTA 125 de Taipé ainda ser disputado no carpete no ano passado. Curioso notar que, em nível challenger, ainda existem vários torneios no calendário que utilizam o material.

Dito isso, obviamente o top 10 do carpete terá obrigatoriamente apenas jogadores de um passado mais distante. Não existiram Grand Slam sobre a superfície, mas alguns Masters e vários WCT de peso. Para quem não lembra, o WCT era um circuito paralelo, muito concorrido pela alta premiação, e que por muitos anos não teve seus dados computados na ATP, até que enfim houve um acordo entre as entidades. O WCT tinha o seu Finals, que acontecia em Dallas.

Vamos a ele:

1. John McEnroe
Absoluto. O canhoto conquistou 43 títulos, dentre os quais 3 ATP Finals e 5 WCT Finals. Foram 349 vitórias no piso e apenas 65 derrotas, ou seja, aproveitamento de 84,3%.

2. Ivan Lendl
Fez notável adaptação de estilo para o carpete e não ficou longe de Big Mac. Faturou 32 troféus, sendo 5 ATP Finals (e mais 4 vices) e 2 WCT Finals. Ganhou 258 e perdeu 55 vezes, sucesso de 82,4%.

3. Boris Becker
Outro grande colecionador de títulos de peso: dos 26, ganhou 3 ATP Finals (mais 3 vices), um WCT Finals, uma Grand Slam Cup e cinco Masters. Saldo ficou em 257 vitórias e 63 derrotas (80,3%).

4. Pete Sampras
Não jogou tanto (142 vitórias e 45 derrotas, 75,9% de sucesso). Mas teve grandes títulos. Do total de 15, três foram no ATP Finals (outros dois vieram no piso duro), duas Grand Slam Cup e dois Masters Series.

5. Jimmy Connors
Numericamente, foi quem mais venceu títulos (45) e jogos (393, com 83 derrotas e percentual de 82,6%). A qualidade foi no entanto um pouco inferior: um ATP Finals, 2 WCT Finals e mais 15 WCT.

6. Bjorn Borg
Outro ‘baseliner’ a brilhar: 23 títulos, sendo dois ATP Finals (e um vice) e um WCT Finals (mais 12 WCTs). Totalizou 184 vitórias e apenas 41 derrotas, aproveitamento de 81,8%.

7. Stan Smith
Fez três decisões no ATP Finals (um título) e ganhou um WCT Finals e nove WCTs. Terminou com 18 títulos, 196 vitórias e 80 derrotas (71%).

8. Arthur Ashe
Ganhou um WCT FInals e mais 14 WCTs do seu total de 22 troféus no piso. Foram 276 vitórias em 356 jogos (77,5%).

9. Ilie Nastase
Campeão de um ATP Finals e oito WCTs, totalizou 18 títulos, com 221 vitórias e 104 derrotas (68%).

10. Goran Ivanisevic
Dos 14 troféus, um foi na Grand Slam Cup e dois em Masters. Marca de 182 vitórias e 73 derrotas (71,4%).

Menções honrosas
Ken Rosewall ergueu oito troféus, sendo dois WCT Finals. Stefan Edberg ganhou um ATP Finals entre seus 11 títulos. Rod Laver chegou a 17 conquistas, sendo 10 de nível WCT.

O top 10 da grama na Era Profissional
Por José Nilton Dalcim
4 de maio de 2020 às 19:14

Além da dura tarefa de comparar gerações, o calendário sobre a grama na Era Profissional tem diferentes fases. O piso ainda estava em seu auge em 1968 e por isso nada menos que três dos quatro Grand Slam eram disputados na superfície natural do tênis, o que se seguiu até 1974.

Com o US Open adotando o har-tru em 1975,  dessa temporada até 1987 ainda havia dois Slam sobre a grama. Por fim, o Australian Open migrou para o sintético em 1988. Mas o peso do torneio australiano ao longo de sua trajetória sobre a grama também precisa ser um tanto relativizado, já que raramente atraia os melhores do mundo devido à distância.

Outra dificuldade óbvia é o fato de a grama jamais ter tido um Masters 1000. Dessa forma, o torneio de maior importância fora dos Slam sempre foi o do Queen’s Club, preparatório para Wimbledon, apenas muito recentemente elevado à condição de 500. E ainda há de se considerar que a grama dos últimos 15 anos é bem menos veloz do que foi até a década de 1990.

Por fim, observem que, ao contrário de muitos analistas, conquistas de duplas em Slam recebem atenção e podem provocar pequenas polêmicas. Vamos ao meu top 10 da grama:

1. Roger Federer
Sem discussão. Fez 12 finais em Wimbledon, conquistando oito delas, cinco consecutivas, período em que ficou 40 jogos invicto. Outros 10 troféus em Halle lhe dão mais dois recordes: 19 títulos no piso e 187 vitórias. Eficiência é de 87,4% (27 derrotas).

2. Pete Sampras
Outro gênio da grama ao mais puro estilo saque-voleio, norte-americano fez sete finais em Wimbledon e ganhou todas. Soma mais três troféus na grama, onde tem 101 vitórias e apenas 20 derrotas (83,5% de sucesso).

3. Bjorn Borg
Mudando radicalmente seu estilo mais afeito à base, atingiu incríveis seis finais consecutivas em Wimbledon e ganhou cinco delas, mantendo ainda o recorde de 41 jogos invictos. Tem mais dois troféus na grama, com 83,8% de vitórias (67-13).

4. John Newcombe
Mesmo ao retirar seus feitos como amador, ainda foi gigante, com cinco Slam na grama, sendo dois em Wimbledon, dois na Austrália e um nos EUA, num total de 7 finais. Ainda ganhou 9 troféus de duplas, 4 em Wimbledon. Tem quarta maior marca de vitórias (150).

5. Novak Djokovic
Fenômeno sobre a grama, sérvio foi outro que mostrou notável adaptação. Fez seis finais em Wimbledon e ergueu cinco troféus, além de ter dois vices em Queen’s e outro em Halle. Com isso, já soma 95 vitórias e apenas 18 derrotas no piso (84,1%).

6. John McEnroe
Talvez o maior canhoto da Era Profissional no piso, fez cinco finais seguidas em Wimbledon e levou três, com mais sete em Queen´s, onde foi tetra. Recorde de 121 vitórias e 20 derrotas (85,8%). Além disso, ganhou cinco troféus de duplas em Wimbledon.

7. Jimmy Connors
Canhoto de backhand de duas mãos e raquete de metal, ganhou os três Slam da grama em 1974 e venceu mais um Wimbledon oito anos depois. Tem mais cinco vices, sendo quatro em Wimbledon, onde ganhou uma dupla. Chegou a 185 vitórias e 38 derrotas (83%).

8. Rod Laver
Mais um canhoto, australiano de 1,73m teve pouco tempo no tênis profissional. Em 1969, foi o primeiro a ganhar os três Slam da grama (e Roland Garros no meio deles). Tem mais um título de simples e outro de duplas em Wimbledon. Somou 87 vitórias em 103 jogos (84,5%).

9. Stefan Edberg
Outro grande representante do autêntico saque-voleio, sueco fez três finais seguidas em Wimbledon, venceu duas, e ganhou duas vezes na Austrália, onde também venceu dupla. Bi em Queen´s, terminou com 99 vitórias e 27 derrotas (78,6%).

10. Boris Becker
Surpreendeu ao ganhar o primeiro de três Wimbledon aos 17 anos, é considerado o pai do tênis-força. Chegou a quatro finais seguidas de Wimbledon de um total de sete e ganhou Queen’s quatro vezes, totalizando 7 troféus no piso. Venceu 116 de 141 jogos (82,3%).

Menções honrosas
Andy Murray é bi de Wimbledon e campeão olímpico na grama, além de faturar Queen’s por cinco vezes. Rafael Nadal foi outro ‘baseliner’ autêntico a brilhar na grama, com cinco finais em Wimbledon e dois troféus. Arthur Ashe, primeiro homem negro a ganhar um Slam, venceu uma vez em WImbledon, EUA e Austrália num total de cinco finais. Ken Rosewall ganhou duas vezes em Melbourne e outra em Nova York e tem quarta marca de vitórias na grama (151).

Domingo dos números 1. E de esperança.
Por José Nilton Dalcim
3 de novembro de 2019 às 23:53

Era um domingo para se ficar atento aos dois líderes do ranking, que tinham tarefas e favoritismos muito distintos, além de missões importantíssimas. E também de torcer pelo garoto Thiago Wild em seu primeiro momento importante da carreira. Nenhum deles decepcionou.

Djokovic dá aula
Todo mundo sabe que Djokovic deu algumas escorregadas diante dos membros da nova geração nas últimas temporadas, mas nesta semana em Paris ele mostrou aos garotos quem manda. Depois de atropelar Stefanos Tsitsipas, deu mínimas oportunidades ao canhoto Denis Shapovalov e conquistou o penta em Bercy e o 34º troféu de nível Masters em perder um único set na semana.

Ele próprio reconheceu mais tarde que sacou com incrível qualidade na final deste domingo – 71% de acerto do primeiro saque e 81% desses pontos vencidos – e lá do fundo de quadra colocou pressão o tempo todo. Shapovalov começou muito nervoso e só teve um break-point, quando já estava uma quebra atrás no segundo set, que mal teve chance de jogar.

Resta ainda a tarefa no Finals de Londres, onde inegavelmente entrará outra vez como favorito, mas já é fácil atestar a temporada de enorme gabarito de Nole. De seus cinco títulos, dois foram em Grand Slam e dois em Masters. Aliás, se tivesse vencido apenas Melbourne e Madri, os 3 mil pontos já o teriam classificado ao Finals em maio! E se ele contasse somente os 6 mil pontos dos quatro grandes troféus, seria o terceiro do mundo. Para completar, fecha com um título em cada superfície: dura, saibro, grama e sintético coberto. Já é também o quinto maior vencedor do tênis profissional, igualando-se aos 77 de John McEnroe, sete atrás de Rafael Nadal.

E por falar no espanhol, Djokovic vai atrás agora de recuperar a liderança do ranking, perdida temporariamente nesta segunda-feira. Caso Rafa não jogue em Londres – e a chance disso acontecer é grande -, ele vai precisar de pelo menos três vitórias: duas na fase de grupo (400 pontos) e outra na semi (mais 400) para recuperar a desvantagem de 640 do momento. Se o espanhol entrar, Djoko precisará ser campeão com no máximo uma derrota desde que Nadal pare até a semi.

Barty acaba com tabu
O número 1 já estava garantido desde que venceu a primeira partida em Shenzhen, mas Ashleigh Barty levou um susto na segunda rodada, manteve a cabeça no lugar e também chegou ao título neste domingo com certa folga em cima de Elina Svitolina. Diferentemente de Djoko, no entanto, a australiana entrou em quadra com uma pulga e tanto atrás da orelha, pois havia perdido todos os cinco duelos anteriores.

Ela revelou ter feito pequenos ajustes táticos, principalmente o uso maior do forehand, e conseguiu enfim superar a ucraniana. Precisou de sangue frio, tanto para salvar o fundamental break-point no 4/4 do primeiro set, como para reverter vantagem de Svitolina no começo de um segundo set de sucessivas alternâncias. Desfecho magnífico para uma temporada em que explodiu em Miami, surpreendeu com a conquista no saibro de Roland Garros, chegou e brigou pela liderança desde junho e atingiu seu primeiro Finals. De quebra, embolsou o maior prêmio do tênis (US$ 4,42 milhões).

Sua tarefa no entanto ainda não está completa. Barty aceitou a convocação para a final da Fed Cup no próximo final de semana em Perth, contra a França de Caroline Garcia e Kiki Mladenovic, e tentará ajudar a Austrália a erguer seu primeiro troféu na competição desde o longínquo ano de 1974.

Wild amadurece
Enfim, as coisas se encaixaram com maior clareza e Thiago Wild pôde mostrar todo seu potencial no saibro de Guayaquil. Venceu seis partidas com apenas um set perdido, o que incluiu superar os top 100 Thiago Monteiro e Hugo Dellien e o ex-80 Jozef Kovalik. Mais do que isso, jogou sempre de forma agressiva, impondo-se em quadra. Vale registrar que o triunfo sobre Monteiro, campeão em Lima poucos dias antes, foram em dois tiebreaks, um sinal importante de seu maior controle emocional.

Wild conquista seu primeiro challenger na 25ª tentativa da curta carreira e no 20º torneio desse nível da temporada. Aos 19 anos e sete meses, é o segundo mais jovem brasileiro a ganhar um challenger, superado por Jaime Oncins, vencedor em Lins aos 19 anos e dois meses e com apenas 16 torneios até então disputados. Nomes como Guga Kuerten, Flávio Saretta e Thomaz Bellucci foram campeões de challenger pela primeira vez depois dos 20 anos.

Aliás, o paranaense também havia eliminado em Lima o então 73º do ranking, o italiano Marco Cecchinato, semifinalista de Roland Garros no ano passado. É um conjunto de resultados que só pode fazer com que a confiança no seu tênis apenas cresça. Nesta segunda-feira, ele saltará do 311º posto para o 235º, ficará apenas atrás de Monteiro e João Menezes.

Com esse quadro, o tênis brasileiro já garante Monteiro diretamente na chave do Australian Open e as presenças do campeão pan-americano e de Wild no quali. E com otimismo, uma vez que esses dois nomes da nossa nova geração gostam muito de jogar no piso sintético.