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Domingo dos números 1. E de esperança.
Por José Nilton Dalcim
3 de novembro de 2019 às 23:53

Era um domingo para se ficar atento aos dois líderes do ranking, que tinham tarefas e favoritismos muito distintos, além de missões importantíssimas. E também de torcer pelo garoto Thiago Wild em seu primeiro momento importante da carreira. Nenhum deles decepcionou.

Djokovic dá aula
Todo mundo sabe que Djokovic deu algumas escorregadas diante dos membros da nova geração nas últimas temporadas, mas nesta semana em Paris ele mostrou aos garotos quem manda. Depois de atropelar Stefanos Tsitsipas, deu mínimas oportunidades ao canhoto Denis Shapovalov e conquistou o penta em Bercy e o 34º troféu de nível Masters em perder um único set na semana.

Ele próprio reconheceu mais tarde que sacou com incrível qualidade na final deste domingo – 71% de acerto do primeiro saque e 81% desses pontos vencidos – e lá do fundo de quadra colocou pressão o tempo todo. Shapovalov começou muito nervoso e só teve um break-point, quando já estava uma quebra atrás no segundo set, que mal teve chance de jogar.

Resta ainda a tarefa no Finals de Londres, onde inegavelmente entrará outra vez como favorito, mas já é fácil atestar a temporada de enorme gabarito de Nole. De seus cinco títulos, dois foram em Grand Slam e dois em Masters. Aliás, se tivesse vencido apenas Melbourne e Madri, os 3 mil pontos já o teriam classificado ao Finals em maio! E se ele contasse somente os 6 mil pontos dos quatro grandes troféus, seria o terceiro do mundo. Para completar, fecha com um título em cada superfície: dura, saibro, grama e sintético coberto. Já é também o quinto maior vencedor do tênis profissional, igualando-se aos 77 de John McEnroe, sete atrás de Rafael Nadal.

E por falar no espanhol, Djokovic vai atrás agora de recuperar a liderança do ranking, perdida temporariamente nesta segunda-feira. Caso Rafa não jogue em Londres – e a chance disso acontecer é grande -, ele vai precisar de pelo menos três vitórias: duas na fase de grupo (400 pontos) e outra na semi (mais 400) para recuperar a desvantagem de 640 do momento. Se o espanhol entrar, Djoko precisará ser campeão com no máximo uma derrota desde que Nadal pare até a semi.

Barty acaba com tabu
O número 1 já estava garantido desde que venceu a primeira partida em Shenzhen, mas Ashleigh Barty levou um susto na segunda rodada, manteve a cabeça no lugar e também chegou ao título neste domingo com certa folga em cima de Elina Svitolina. Diferentemente de Djoko, no entanto, a australiana entrou em quadra com uma pulga e tanto atrás da orelha, pois havia perdido todos os cinco duelos anteriores.

Ela revelou ter feito pequenos ajustes táticos, principalmente o uso maior do forehand, e conseguiu enfim superar a ucraniana. Precisou de sangue frio, tanto para salvar o fundamental break-point no 4/4 do primeiro set, como para reverter vantagem de Svitolina no começo de um segundo set de sucessivas alternâncias. Desfecho magnífico para uma temporada em que explodiu em Miami, surpreendeu com a conquista no saibro de Roland Garros, chegou e brigou pela liderança desde junho e atingiu seu primeiro Finals. De quebra, embolsou o maior prêmio do tênis (US$ 4,42 milhões).

Sua tarefa no entanto ainda não está completa. Barty aceitou a convocação para a final da Fed Cup no próximo final de semana em Perth, contra a França de Caroline Garcia e Kiki Mladenovic, e tentará ajudar a Austrália a erguer seu primeiro troféu na competição desde o longínquo ano de 1974.

Wild amadurece
Enfim, as coisas se encaixaram com maior clareza e Thiago Wild pôde mostrar todo seu potencial no saibro de Guayaquil. Venceu seis partidas com apenas um set perdido, o que incluiu superar os top 100 Thiago Monteiro e Hugo Dellien e o ex-80 Jozef Kovalik. Mais do que isso, jogou sempre de forma agressiva, impondo-se em quadra. Vale registrar que o triunfo sobre Monteiro, campeão em Lima poucos dias antes, foram em dois tiebreaks, um sinal importante de seu maior controle emocional.

Wild conquista seu primeiro challenger na 25ª tentativa da curta carreira e no 20º torneio desse nível da temporada. Aos 19 anos e sete meses, é o segundo mais jovem brasileiro a ganhar um challenger, superado por Jaime Oncins, vencedor em Lins aos 19 anos e dois meses e com apenas 16 torneios até então disputados. Nomes como Guga Kuerten, Flávio Saretta e Thomaz Bellucci foram campeões de challenger pela primeira vez depois dos 20 anos.

Aliás, o paranaense também havia eliminado em Lima o então 73º do ranking, o italiano Marco Cecchinato, semifinalista de Roland Garros no ano passado. É um conjunto de resultados que só pode fazer com que a confiança no seu tênis apenas cresça. Nesta segunda-feira, ele saltará do 311º posto para o 235º, ficará apenas atrás de Monteiro e João Menezes.

Com esse quadro, o tênis brasileiro já garante Monteiro diretamente na chave do Australian Open e as presenças do campeão pan-americano e de Wild no quali. E com otimismo, uma vez que esses dois nomes da nossa nova geração gostam muito de jogar no piso sintético.

Todos atrás de Djokovic
Por José Nilton Dalcim
31 de dezembro de 2018 às 19:42

Seus grandes adversários convivem com incertezas físicas, a nova geração ainda é mais ameaça do que realidade. E com isso Novak Djokovic começa 2019 como o grande candidato a fazer outra temporada histórica, recheada de títulos de peso e quem sabe sem sequer ver sua liderança no ranking sob risco.

Djokovic tem de ser temido em todas as situações, sejam torneios longos como os Grand Slam ou nos exigentes Masters. E qualquer que seja o piso. Especialista na quadra dura, adapta-se com notável facilidade ao saibro ou à grama. É certamente o jogador que chega mais perto de Rafael Nadal na terra europeia, o grande adversário de Roger Federer nas superfícies velozes. Curioso notar que todas suas derrotas de 2018 foram para a nova geração.

Nole iniciou a temporada 2019 no amistoso de Abu Dhabi e fez duas ótimas partidas, com elogios ao tênis cada vez mais maduro de Kevin Anderson. Vai agora a Doha e isso deve ser o suficiente para colocá-lo em condições perfeitas para o Australian Open. O número 1 pode muito bem navegar todo o primeiro semestre em mar calmo, e aumentar muito sua vantagem no ranking. Sabiamente, no entanto, anunciou um calendário enxuto e 90% focado nos grandes títulos.

Assim, sugiro ficarmos atentos aos vários feitos que Djokovic poderá alcançar ao longo de 2019:

Grand Slam
– Mais um troféu o isolará em terceiro lugar na lista histórica de títulos. Mais três, empatará com Nadal. Mais quatro, só ficará atrás de Federer.
– Com 23 finais de Slam, disputa diretamente com Nadal (24) pelo segundo lugar na lista histórica.
– Está a uma partida do 300º jogo de Slam. Apenas Federer chegou a tanto (393).
– Tem pequena chance de superar Nadal em aproveitamento de vitórias em Slam (86,29 contra 87,3%) e assumir o segundo lugar.
– Está com 14 vitórias seguidas de Slam e tenta superar o próprio recorde de 30.
– Pode se tornar o maior campeão do Australian Open (tem 6, empatado com Federer).
– Será o único a ganhar ao menos duas vezes cada Slam se vencer Paris (Nadal concorre ao feito na Austrália e Federer, em Paris).
– Pode igualar os cinco títulos de Borg em Wimbledon.
– Concorre com Nadal pelo quarto troféu no US Open, o que igualaria McEnroe no segundo lugar.
– Tenta o recorde de 9 finais no US Open (empata no momento com Lendl e Sampras).
– Precisa de três vitórias em Roland Garros para superar Federer (65) e se isolar como segundo maior vencedor.
– Com mais quatro vitórias no US Open, subirá para quarto na lista. Iguala Lendl (73) e supera Sampras (71).

Geral
– Tenta igualar os seis troféus de Federer no ATP Finals.
– Disputa com Nadal o recorde de títulos de Masters 1000 (tem 32 contra 33)
– Se liderar o ranking de ponta a ponta em 2019, chegará a 285 semanas e ficará apenas uma atrás de Sampras (286).
– Tenta quebrar seu recorde de mais velho a figurar no número 1 ao final de uma temporada (31 anos e 7 meses)

Especial 20 anos: Os maiores tenistas de todos os tempos
Por José Nilton Dalcim
21 de outubro de 2018 às 23:53

O Blog do Tênis encerra neste domingo a série de análises especiais que fez para comemorar os 20 anos do site TenisBrasil e, obviamente, deixou para o encerramento o sempre polêmico tema sobre quem seriam os melhores tenistas de todos os tempos.

Como sempre frisei, é difícil e muitas vezes injusto misturar as fases amadora e profissional, porém até mesmo comparar os 10 primeiros anos do tênis aberto com as temporadas seguintes é perigoso. Afinal, eventos como o Finals, os Masters e mais recentemente as Olimpíadas ganharam relevância que certamente favorece as gerações mais jovens.

Ainda assim, me arrisquei a listar os 20 melhores da história, procurando somente comparar jogadores que tenham vivido épocas próximas. À exceção de Laver, que teve passagem pelo tênis amador, o top 10 da minha lista é estritamente profissional.

Em todos os casos, valem estas importantes observações:
– Considero Djokovic muito perto de superar Nadal. Ainda que tenha menor quantidade de Slam, seu largo histórico no Finals e a soma superior de semanas na liderança são fortes indicadores. A favor de Nadal pesou um aspecto talvez subjetivo, porém para mim decisivo: o espanhol precisou de adaptação muito maior em seu estilo para ganhar fora do saibro.
– Os resultados da fase amadora são importantes, porém é preciso sempre ter em mente que os tenistas efetivamente melhores de cada época não competiam porque haviam se profissionalizado e eram impedidos de participar do circuito tradicional.
– Borg tem relevância não apenas pelas conquistas espetaculares e números expressivos em carreira táo curta, mas também por elevar o tênis a um outro patamar de popularidade.
– Alguns jogadores, como McEnroe e Edberg, tiveram avaliações valorizadas pelo excepcional desempenho em duplas.
– Um dos 10 Slam de Bill Tilden foi vencido quando o campeão de Wimbledon só disputava a final.
– Don Budge fechou Slam em 1938, mas sua grande fase nos torneios tradicionais se limitou a duas temporadas, uma vez que se profissionalizou em seguida.
– Na maioria dos casos, não são considerados apenas números de títulos ou posição de ranking, mas também a importância histórica.

Eis então meus 20 melhores tenistas de todos os tempos:

1. Roger Federer
Além da técnica e plasticidade incomparáveis, lidera por larga margem dois quesitos essenciais: quantidade de Slam e de semanas na liderança. A destacar as 10 finais e 23 semis seguidas de Slam.

2. Rafael Nadal
Introduziu uma forma de jogar completamente fora do padrão, domina o saibro e se adaptou de forma notável para ganhar fora dele. Seus recordes sobre o saibro dificilmente serão batidos.

3. Novak Djokovic
Possui dois feitos espetaculares – os quatro Slam ao mesmo tempo e a conquista de todos os Masters -, além do longo período como nº 1. De seus 14 Slam, 3 foram em finais contra Federer e outros 3 diante de Nadal.

4. Rod Laver
Fechou duas vezes o Slam, a mais importante delas em 1969. Mesmo já veterano, faturou 52 títulos de primeira linha como profissional.

5. Pete Sampras
Seu recorde de 14 troféus de Slam durou até 2009. Possui ainda a segunda maior quantidade de semanas como líder do ranking.

6. Bjorn Borg
Outro a criar um estilo próprio, ganhou três vezes Roland Garros e Wimbledon seguidamente quando os dois pisos eram totalmente distintos.

7. Ivan Lendl
Terceiro a liderar mais o ranking, ganhou oito Slam e foi pioneiro em metodologias de aprimoramento físico. De seus 94 títulos, 5 foram no Finals.

8. John McEnroe
Está entre os cinco maiores colecionadores de títulos tanto em simples como em duplas, sendo único a liderar os dois rankings ao mesmo tempo.

9. Jimmy Connors
Carreira de 21 temporadas que lhe deu o recorde ainda absoluto de 109 títulos, sendo oito de Slam, e 1.256 vitórias. Passou 15 anos seguidos no top 10.

10. Andre Agassi
Símbolo do marketing no tênis, venceu todos os Slam e passou mais de 100 semanas como número 1. É um dos 10 maiores colecionadores de troféus.

11. Roy Emerson
Ganhou 12 Slam de simples e 16 de duplas. Foi ao menos bi de simples e tri de duplas em cada um dos quatro torneios.

12. Stefan Edberg
Liderou os rankings de simples e duplas e disputou final de todos os Slam, vencendo 6 de simples e 3 de duplas.

13. Fred Perry
Conquistou todos os Slam na carreira (total de oito), com ao menos duas finais em cada um deles.

14. John Newcombe
Dez finais e sete títulos de simples em três diferentes Slam (com 5 como profissional) e mais 17 de duplas.

15. Ken Rosewall
Fez 16 finais de Slam e venceu 8, faltando apenas Wimbledon. Metade disso foi como profissional 4.

16. Mats Wilander
Sete troféus em três Slam diferentes, mas ficou pouco tempo como número 1 (20 semanas)

17. Henri Cochet
Dez finais e sete títulos em três Slam diferentes, mais cinco de duplas

18. René Lacoste
Campanha muito semelhante a Cochet, porém com duas duplas a menos. Criou a famosa grife.

19. Boris Becker
Venceu primeiro Slam aos 17 anos, mas nunca brilhou no saibro. Venceu seis Slam e liderou ranking apenas 12 semanas.

20. Bill Tilden
Fez 10 finais nos EUA, com sete títulos, e venceu mais três Wimbledon. Dois vices na França.