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Cartas na mesa
Por José Nilton Dalcim
25 de março de 2021 às 22:57

É hora de os principais favoritos começarem a mostrar serviço no Masters 1000 de Miami. Sem a concorrência do Big 3 ou de Dominic Thiem, a oportunidade de dar um novo salto na temporada e na carreira está aberta para Daniil Medvedev, Stefanos Tsitsipas, Alexander Zverev e Andrey Rublev, os quatro nomes da nova geração que subiram à condição de estrelas máximas.

Medvedev não é apenas o principal favorito desse grupo, ainda que o piso sintético de Miami seja bem mais lento devido à enorme umidade, mas também vê uma chance notável de ganhar um terceiro título de peso quase consecutivo e sonhar com uma aproximação definitiva ao número 1. O russo pode somar todos os 1.000 pontos em caso de título e isso o deixaria 1.113 atrás de Novak Djokovic.

Sua caminhada tem alguns obstáculos maiores, mas basicamente não é ruim. Estreia contra o veteraníssimo Yen-Hsun Lu, deve encarar o sacador Reilly Opelka e então cruzar com Daniel Evans ou Dusan Lajovic. Por fim, a mais provável semi seria contra Roberto Bautista, mas pode dar John Isner ou uma surpresa como Lloyd Harris e até Felix Aliassime.

Campeão em Acapulco e fatal número 6 do ranking ao final de Miami, Zverev é o destaque do segundo quadrante, mas me parece menos distante dos concorrentes diretos. No seu caminho, aparece o renovado Nikoloz Basilashvili na terceira rodada e o alemão precisará de firmeza contra Jannik Sinner ou Karen Khachanov. A semi também aponta várias alternativas e eu não descartaria um Taylor Fritz, caso o piso continue lento.

O lado inferior é liderado por Tsitsipas, que tem feito algumas boas campanhas mas não vê título há 13 meses, e me parece interessante o eventual duelo de terceira rodada contra Kei Nishikori. Acho difícil que algum deles perca para Alex de Minaur e portanto o grego poderá cruzar lá na frente com um canadense: Denis Shapovalov ou Milos Raonic.

A quarta vaga para a semifinal tem enorme chance de rever o duelo russo entre Andrey Rublev e Aslan Karatsev. O campeão de Dubai entrou como cabeça 17 e obviamente a pressão será diferente. Sua estreia é contra Mikhail Kukushkin e a sequência promete Sebastian Korda ou Fabio Fognini e depois Diego Schwartzman. Mais uma vez, observem que as condições de Miami são bem diferentes de Melbourne ou Dubai e portanto vai exigir mais paciência na construção dos pontos.

Ver a chave amplia a decepção pelo jogo tão instável que Thiago Wild fez nesta quinta-feira. Depois de duas boas rodadas no quali, em que parecia ter recuperado a confiança e se dizia solto na quadra dura, ele encarou um adversário que claramente é inferior na parte técnica, porém de forma incompreensível só atacou o backhand do colombiano Daniel Galan. Para completar, o índice de primeiro saque e os pontos vencidos com ele foram muito baixos para um piso sintético. Se avançasse, pegaria Alex de Minaur e, quem sabe, Lorenzo Sonego. O sorteio era muito promissor.

Não menos frustrante e amargo foi o abandono de última hora de Thiago Monteiro, que jurou estar recuperado do problema muscular na panturrilha, mas que percebeu – um tanto repentinamente – que era melhor treinar mais, se poupar para o saibro e nem entrar em quadra para encarar Kevin Anderson. Mais duro ainda: o sul-africano, em momento de baixa, caiu para o lucky-loser Damir Dzumhur em dois sets. A quinta-feira, que prometia festa, terminou sem graça.

Longa segunda-feira
Por José Nilton Dalcim
1 de setembro de 2020 às 00:57

Três cabeças no masculino, entre eles o baixinho Diego Schwartzman e o gigante John Isner, se despediram precocemente do US Open. Foram dois dos oito jogos que foram ao quinto set nesta longa segunda-feira que teve mais de 13 horas de disputas. O feminino não viu surpresas significativas, mas 14 dos 32 jogos acabaram no terceiro set, incluindo o de Naomi Osaka.

Vamos a um resumo por ordem da chave masculina, o que facilita uma previsão dos futuros encontros.

Djokovic, fácil – Considerando o pouco tempo de descanso entre as duras últimas rodadas do Masters, o cabeça 1 teve uma estreia a contento. Começou muito bem, com um saque afiadíssimo e um adversário afoito, mas perdeu o foco, viu Dzumhur investir nos slices e passou algum aperto. Depois, concluiu a tarefa com alguns games bem longos e o único senão foi a excessiva irritação que demonstrou, mesmo com tanta vantagem técnica e numérica.

Como era previsto, enfrentará agora Kyle Edmund, a quem venceu em 5 de 6 duelos e só perdeu no saibro. Depois, deve reencontrar Jan-Lennard Struff, alemão amplamente dominado dias atrás. E logo baixo, só restou Pablo Carreño, já que John Isner disparou 52 aces mas caiu no tiebreak do quinto set para Steve Johnson.

Goffin avança – O gigante Reilly Opelka ainda demonstrou alguma dificuldade com a lesão da semana passada, mas isso não tira o mérito de David Goffin, que há algum tempo está mais confortável na quadra dura. Seu caminho pode cruzar na terceira rodada com o perigoso Filip Krajinovic. O quadrante tem ainda as presenças de Denis Shapovalov e Taylor Fritz, os maiores candidatos às oitavas, com vitórias em quatro sets.

Caminho aberto para Tsitsipas – Um tênis exuberante do grego na estreia diante do canhoto Albert Ramos, um duelo com o pouco conhecido Maxime Cressy e possível duelo de estilos contra Borna Coric. É muito difícil não termos Tsitsipas nas quartas. Dusan Lajovic já se foi e Cristian Garin penou por cinco sets com grande virada.

Grande vitória de Zverev – Estreia das mais difíceis para Alexander Zverev, mas ele mostrou calma e um bom jogo de rede para deter Kevin Anderson, num jogo de detalhes. Agora, precisa de cuidado diante do garoto Brandon Nakashima antes de possível duelo com Adrian Mannarino.

Neste quadrante, destaque para a incrível derrota de Diego Schwartzman para Cameron Norrie. Abriu 2 sets a 0, teve três match-points e perdeu dois games seguidos de serviço no final. O jogo foi um festival de break-points: Diego ofereceu 31 e perdeu 11, Norrie cedeu 27 e permitiu 8 quebras.

Pliskova arrasa, Osaka sua
Dos quatro grandes nomes que foram à quadra nesta segunda-feira pela chave feminina, apenas Naomi Osaka teve trabalho muito além do esperado. Karolina Pliskova, Petra Kvitova e Angelique Kerber fizeram boas estreias.

Destaque para a cabeça 1, que vinha de apresentação muito ruim uma semana atrás no Premier e desta vez se achou: de seus 59 pontos na partida contra Anhelina Kalinina, 26 foram winners.

Osaka por sua vez era uma incógnita, já que abandonou a final de sábado no Premier. Viveu intensos altos e baixos dentro de seu estilo sempre mais forçado e ainda encontrou muita resistência da valente compatriota Misaki Doi, 21 centímetros mais baixa e 72 posições atrás no ranking, que encaixou grandes contragolpes, correu demais e levou o segundo set.

Os 10 jogos inesquecíveis de Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
3 de julho de 2020 às 17:03

O coronavírus impediu que o mais tradicional e importante torneio de tênis do calendário fosse à quadra. Wimbledon teria começado na segunda-feira a 134ª edição de sua história e a 53ª da Era Profissional.

Como homenagem, listei os 10 jogos inesquecíveis da fase aberta, mas não resisti e inclui mais cinco que tiveram importância inquestionável.

Vamos lá:

1. Rafael Nadal v. Roger Federer, 6/4 6/4 6/7(5) 6/7(8) 9/7 – final de 2008
Cinco vezes campeão e pronto para superar a marca de Bjorn Borg, Federer havia vencido Nadal nas finais dos dois anos anteriores. O duelo foi excepcional em qualidade e drama, com direito a duas paradas por chuva, dois match-points perdidos por Nadal no tiebreak do quarto set e disputado quase sem luz algum no game final, às 21h16 locais, após 4h48 de esforço. Merecidamente, ganhou um livro.

2. Bjorn Borg v. John McEnroe, 1/6 7/5 6/3 6/7(16) 8/6 – final de 1980
Jogo que virou filme, colocou em quadra o contraste de estilo e personalidade. O quarto set protagonizou o tiebreak talvez mais icônico da história, com um 18-16 de 22 minutos. Borg, que já havia perdido dois match-points com saque, teve mais cinco chances ao longo do desempate, evitando seis set-points. Por fim, ergueu o quinto troféu consecutivo e virou lenda.

3. Novak Djokovic v. Roger Federer, 7/6(5) 1/6 7/6(4) 4/6 13/12(3) – final de 2019
Mais longa final do torneio, com 4h57, e primeira a usar o tiebreak no 25º game do set final. Os dois faziam a terceira decisão entre si no Club e Federer teve duas chances de ganhar o nono troféu e o 21º Slam quando sacou com 40-15 no 8/7 do quinto set. Djokovic teve reação espetacular e se tornou o primeiro desde 1948 a ganhar Wimbledon com match-points defendidos.

4. Roger Federer v. Andy Roddick, 5/7 7/6(6) 7/6(5) 3/6 16/14 – final de 2009
Jogo cheio de história, foi então a mais longa final de Slam em games (77) e o mais extenso quinto set em games (30). Durou 4h17 e viu Roddick perdeu um único game de serviço, exatamente o último. Na terceira final entre ambos, Federer chegava ao sexto Wimbledon e batia o recorde com o 15º Slam, sendo assistido na arquibancada por Sampras, Borg e Laver. Roddick teve quatro set-points para abrir 2 sets a 0 e mais tarde desperdiçou 15-40 no 8/8.

5. Andre Agassi v. Goran Ivanisevic, 6/7(8) 6/4 6/4 1/6 6/4 – final de 1992
Inesperadamente, Agassi foi ganhar seu primeiro Slam em Wimbledon, torneio que chegou a evitar por três anos seguidos devido à dificuldade que tinha com o piso. Desta vez, no entanto, chegou à final com vitórias sobre Becker e McEnroe. O canhoto croata também era um estreante em decisões de Slam, tendo vencido Lendl, Edberg e Sampras. Exímio sacador, fez 39 aces na final mas não foi o bastante diante da devolução segura de Agassi.

6. Arthur Ashe v. Jimmy Connors, 6/1 6/1 5/7 6/4 – final de 1975
O clima não era nada amistoso. Duas semanas antes, Connors abrira processo de US$ 5 milhões contra Ashe por críticas a sua ausência na Copa Davis. Rebelde de 22 anos, dez a menos que Ashe, entrou em quadra com o uniforme da Davis como provocação. Era favorito absoluto: atual campeão, não perdeu set até a final e havia vencido Ashe nos três jogos anteriores, todos também finais. Ashe no entanto inovou, abusou de efeitos e curtinhas para se transformar no primeiro homem negro a ganhar Wimbledon.

7. Jimmy Connors v. John McEnroe, 3/6 6/3 6/7(2) 7/6(5) 6/4 – final de 1982
Foi uma edição com muita chuva e acúmulo de jogo nas rodadas decisivas. Connors e McEnroe, que haviam diminuído a rivalidade entre si, eram os dois principais cabeças de chave. Mac era o atual campeão, mas Jimbo vinha do título em Queen’s justamente em cima deles. Em duelo de 4h14, então o mais longo da história do torneio, recuperou o título conquistado oito anos antes e recuperou-se da frustração das derrotas nas finais de 1975, 77 e 78. Fato curioso, cada tenista marcou 173 pontos no jogo.

8. Roger Federer v. Pete Sampras, 7/6(7) 5/7 6/4 6/7(2) 7/5 – oitavas de 2001
Foi o único duelo entre os dois, considerados os maiores campeões sobre a grama da Era Profissional. Suíço tinha então 19 anos e ainda era uma promessa. Enfrentou o dono de sete Wimbledon e 13 Slam, que sonhava com o quinto consecutivo para igualar Borg. A partida foi equilibradíssima do primeiro ao último game, com os dois praticando genuíno saque-voleio, e Federer surpreendeu também pela frieza nos pontos decisivos.

9. Goran Ivanisevic v. Patrick Rafter, 6/3 3/6 6/3 2/6 9/7 – final de 2001
O mau tempo mudou a decisão masculina para a segunda-feira e aí tudo foi diferente em Wimbledon. Cerca de 10 mil ingressos foram vendidos na hora, formando-se filas quilométricas, e o público levou bandeiras à arquibancada. Ivanisevic fazia sua quarta final, mas vinha de sucessão de contusões e queda no ranking. Por isso, precisou de convite para entrar na chave. Na semi, venceu o herói da casa Henman também em cinco sets e não se abalou ao perder três match-points no quinto set.

10. John Isner v. Nicolas Mahut, 6/4 3/6 6/7(7) 7/6(3) 70/68 – 1ª rodada de 2010
Tecnicamente, não empolgou. Porém, os recordes ficarão eternos: 11h05 de duração, 138 games num quinto set de 8 horas, 215 aces e 980 pontos disputados. Apenas três serviços foram quebrados. O jogo levou três dias para se completar, com adiamento de 59/59 no segundo dia.

Menções necessárias:

Pete Sampras v. Patrick Rafter, 6/7(10) 7/6(5) 6/4 6/2, na final de 2000. Mesmo com dor nas costas e tendinite no tornozelo direito, Sampras chegou ao histórico sétimo troféu e ao 13º Slam. Rafter liderou tiebreak do segundo set por 4-1.

Roger Federer v. Marin Cilic, 6/3 6/1 6/4, na final de 2017. Sem perder set, Federer isolou-se de Sampras e Renshaw ao somar o oitavo troféu em Wimbledon e aumentar para 19 os troféus de Slam

Boris Becker v. Kevin Curren, 6/3 6/7(4) 7/6(3) 6/4, final de 1985. Então 20º do mundo, Becker se tornou o mais jovem campeão de Wimbledon aos 17 anos e 227 dias e primeiro não cabeça de chave.

Andy Murray v. Novak Djokovic, 6/4 7/5 6/4, na final de 2013. Derrotado na final anterior, escocês carregava sonho de dar um título masculino em Wimbledon ao tênis britânico depois de 77 anos. Nas quartas, estava dois sets atrás contra Verdasco e virou.

John McEnroe v. Tom Gullikson, 7/6 7/5 6/3, na 1ª rodada de 1981. O eventual campeão disparou contra o juiz a frase mais icônica do tênis, seu famoso “You cannot be serius”. A fúria lhe rendeu multa de 1.500 dólares. Apesar do título de 1981, Big Mac não recebeu o título honorário do Club – que só seria dado em 1982 – porque se recusou a ir ao jantar dos campeões.