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Feijão enfim volta à Copa Davis
Por José Nilton Dalcim
10 de fevereiro de 2015 às 11:24

Acabou a polêmica. João Souza, o Feijão, vivendo sua melhor forma técnica e física, está de volta ao time brasileiro da Copa Davis. O anúncio oficial só deve vir na próxima semana, mas isso certamente será uma grande motivação para ele na estreia desta tarde no Brasil Open, onde enfrenta o perigoso espanhol Pablo Carreño, e também no Rio Open, em que seu convite para a chave principal está garantido.

Mais do que toda a controvérsia gerada no ano passado, quando o capitão João Zwetsch chamou Rogério Silva e Guilherme Clezar para disputar a segunda vaga de simples que muitos achavam pertencer a Feijão por seu bom momento em nível challenger, o que importa agora é que o grupo precisa entrar em harmonia para a difícil missão de encarar a Argentina no saibro lento de Buenos Aires.

Se Feijão já merecia ser lembrado em setembro contra a Espanha, sua escalação agora é mais do que necessária. Ele fez um começo de temporada animador no piso sintético, fazendo exibições muito consistentes contra Andreas Seppi – que dias depois eliminaria Roger Federer – e os top 100 Ivan Dodig e Malek Jaziri, sem falar na vitória sobre Roger-Vasselin.

Claro que ele será o mais frágil participante do duelo contra os argentinos, supondo que Daniel Orsanic vá optar entre Leo Mayer, Federico Delbonis e Juan Mónaco para os jogos de simples. A dupla provavelmente ficará com Mónaco e Maximo González, que aliás estão atuando juntos no Ibirapuera. Não é um grupo espetacular, mas de respeito sobre um quadra lenta, bola pesada e público irritante.

Com nossa dupla mineira e Thomaz Bellucci, dá para ganhar pelo menos dois pontos. O terceiro é mais difícil, porém longe de ser impossível até mesmo para Feijão. Ele já ganhou de Delbonis no saibro, perdeu uma há muito tempo para Mónaco e foi superado em quatro apertadíssimos jogos por Mayer. Ou seja, os adversários sabem que ele um jogador perigoso, e isso é muito valioso.

Bellucci retorna ao Ibirapuera de tantas lembranças, boas e ruins, e tem de jogar bem se quiser passar pelo eslovaco Martin Klizan como fez no ano passado. A chave é dura, mas ele tem uma curiosa oportunidade de fazer uma prévia da Davis contra Mayer nas quartas de final, caso o argentino supere Albert Ramos em sua estreia. Aliás, Feijão tem a mesma chance, já que poderá cruzar com Bellucci nas oitavas de quinta-feira.

A ausência já esperada de Feliciano López no topo da chave abriu um buraco imenso e colocou o favoritismo sobre o também espanhol e canhoto Fernando Verdasco. O ex-top 10 e semifinalista do Australian Open de 2009 vale ingresso. Tem um jogo vistoso, golpes poderosos e versáteis. Poderia ter ficado muito mais tempo na elite se a cabeça ajudasse.

Lance curioso aconteceu lá nas quadras externas de saibro. O romeno Adrian Ungur perdeu sua partida decisiva do qualificatório no ginásio 2, pegou as raquetes e foi lá para fora imediatamente treinar dezenas de saques. Bom exemplo de inconformismo e determinação.

Bellucci volta a jogar como top 30 na hora certa
Por José Nilton Dalcim
14 de setembro de 2014 às 23:04

A maior chance de o Brasil surpreender a Espanha neste final de semana de Copa Davis residia no tênis de Thomaz Bellucci. E ele recuperou o nível de top 30, que ocupou por praticamente três temporadas, na hora certa. Depois de conseguir uma reação notável na sexta-feira, em que seu forte foi manter a cabeça fria, nosso número 1 fez uma grande exibição contra o 15º do mundo Roberto Bautista, disparando nada menos que 61 winners para delírio de um público fiel e participante, que não o abandonou um segundo sequer.

Belllucci sacou muitas vezes perto dos 210 km/h, fez voleios arriscados e em momentos delicados que fizeram lembrar o xará e genial Thomaz Koch. Arriscou devoluções precisas de saque, usou muito bem a paralela de backhand que tantas vezes o tem deixado na mão. Teve altos e baixos, verdade, porque é impossível manter tamanha intensidade por três horas a fio diante de responsabilidade tão grande. Fez todo mundo sofrer e torcer, ao melhor estilo Bellucci, porém arrancou aces diante de break-points fundamentais, descobriu ângulos perfeitos no contrapé do espanhol, usou sutiliza nas deixadinhas, chegou em bolas difíceis, jamais se desesperou ao ver o adversário abrir vantagem nos sets iniciais ou ameaçar nos sets seguintes. Não mostrou qualquer sinal do desgaste da sexta-feira.

Bautista, ao contrário, sentiu a pressão, como era previsível. Começou bem, mas assim que Bellucci achou o ritmo correto e passou a ser ofensivo, deixou o espanhol com poucas opções. Tremeu claramente em momentos cruciais da partida, reclamou até do capitão brasileiro e deve ter deixado Carlos Moyá lamentando os desfalques que enfrentou. Ninguém me tira a impressão de que os espanhóis menosprezaram o confronto, acreditando que não precisavam do melhor para vencer. O amigo jornalista Otávio Maia me lembrava: existem 12 espanhóis na frente de Bellucci no ranking desta semana.

Apesar do resultado excepcional que se obteve no Ibirapuera, é saudável também relativizar as coisas. O Brasil não virou potência, nem chegou ao mesmo nível da Espanha. Estamos anos-luz atrás deles em todos os sentidos e principalmente no trabalho de base. Ganhamos este duelo da Davis graças à competência individual de cada jogador, ao bom trabalho tático-psicológico do capitão João Zwetsch, da excelente recuperação física que se deu aos tenistas. Acima de tudo, da união do grupo, onde existem amizades pessoais, apoio coletivo, torcida sincera. Seremos o integrante do Grupo Mundial com tenistas de mais baixo ranking de simples, atrás até mesmo do Cazaquistão, mas esse time merece estar na elite pelo espírito de luta e dedicação que sempre demonstra.

Na quinta-feira, saberemos o adversário de 2015, com boas chances de jogar novamente em casa em março, quem sabe diante de Suíça, República Tcheca, Itália ou Estados Unidos. Quem sabe, Sérvia. Se tivermos de jogar lá, na França, Argentina, Canadá ou na mesma Sérvia (haveria sorteio de mando), as chances caem enormemente, porque ainda dependemos do saibro, do público e mais ainda do surgimento de um número 2 mais próximo do nível de Bellucci. Como não se faz mágica no esporte de alto rendimento, isso teremos de esperar. Ou torcer, como de hábito.

Esperanças e cautelas
Por José Nilton Dalcim
23 de setembro de 2013 às 20:17

O torcedor mais afoito e otimista certamente vibrou com os ótimos resultados do domingo, em que Teliana Pereira conquistou seu quarto torneio da temporada e marcou a volta para o top 100 na próxima segunda-feira, assim como Guilherme Clezar ganhou novo challenger vencendo de forma categórica uma fila de argentinos, destros e canhotos. Mas é preciso cautela.

Apesar de seus bons resultados e da reentrada na lista das 100, Teliana tem desafios pela frente. Antes de mais nada, existem pontos importantes a ser defendidos nesta reta final de temporada, o que pode ser empecilho para ela se manter nessa prestigiada faixa de ranking e principalmente para garantir o lugar no Australian Open.

Teliana ainda terá de repetir 124 pontos, frutos de dois títulos em outubro e novembro do ano passado e mais uma semi. Portanto, como ainda tem outros quatro torneios a jogar em 2013, terá de se sair bem em todos eles, já que sua distância para a número 100 não será muito maior do que 20 pontos na lista que sairá na próxima segunda-feira.

Embora seja legal ser a cabeça 1 e somar títulos, os torneios de US$ 25 mil poderiam ser deixados de lado pela pernambucana nesta sua fase. O título desta semana valeu 50 pontos. Venus Williams fez 70 só por ter vencido a primeira rodada de Tóquio.

A distorção é grande no ranking feminino. Comparando com a ATP, o vencedor de um challenger de US$ 35 mil ganha 80 pontos e isso são quase duas vitórias em um Masters 1000 ou num ATP 500. Bem mais relevante.

Claro que pesa muito no calendário da brasileira o fato de ela preferir sempre jogar no saibro, até mesmo por conta dos problemas no joelho, que sofre mais no piso duro. Mas a realidade do calendário vai exigir essa transição. Para finalizar seu calendário de 2013, ela se arriscará na quadra sintética de Linz e Luxemburgo, dois torneios WTA de US$ 235 mil.

Clezar não é um fenômeno, mas justifica novamente toda a aposta de que continuará evoluindo em todos os quesitos. É relevante, em termos de tênis brasileiro, um garoto de 20 anos que já tem dois troféus de challengers em pisos distintos. A seu favor, também a presença muito constante na faixa dos top 200 e o fato de treinar com o competente João Zwetsch, o técnico que dirigiu Flávio Saretta e Thomaz Bellucci em seus melhores momentos.

Em nível internacional, no entanto, vê-se o quanto é preciso ter calma. Se é fato que hoje Clezar é um dos 10 jogadores com até 21 anos mais bem classificados no ranking, também deve se considerar que Bernard Tomic, Jack Sock e Jiri Vesely, com idade semelhante, estão entre os 90 e possuem currículo bem mais vasto.

A meta de terminar a temporada na faixa dos 150 é sonho cada vez mais palpável. Com 286 pontos na lista de hoje, ele tem basicamente 50 a defender, porém possui torneios bem favoráveis a disputar, a começar por mais três challengers no Brasil. Quem sabe, até uma esticada a outros bons torneios na Colômbia, Argentina e Uruguai.

Aliás, observe-se que Clezar é o brasileiro que mais entrou em campeonatos nos úlltimos 12 meses, com 27, apenas um atrás de Thomaz Bellucci. Me parece positivo, porque está dentro da média dos top 100, ou seja, um calendário equilibrado ao longo do ano.

Por falar em Bellucci, confirma-se a demissão do técnico argentino Daniel Orsanic. Nem vou entrar no mérito da questão, porque o relacionamento entre treinador-jogador é algo tão íntimo e intenso que alguém de fora poderá cometer um grave erro de avaliação caso não tenha conhecimento de todos os fatos. Contra Bellucci pesa apenas seu amplo histórico de troca de treinadores, ainda que o bom moço Orsanic tenha durado mais do que a média.

Fica a nítida impressão que Bellucci vai mesmo dar sua temporada por encerrada devido à nova contusão e, se isso se confirmar, deve terminar o ano na cada do 150º posto, longe do Australian Open e dependendo de convite até para Viña del Mar, Rio e São Paulo. Quem sabe não seja o momento certo para se redimir da dispensa que fez com Zwetsch. Afinal, ele e Clezar estarão com rankings e metas muito parecidas para 2014.