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Nadal lidera segunda-feira mágica no AO
Por José Nilton Dalcim
25 de janeiro de 2020 às 12:40

O primeiro Grand Slam do ano ainda está em sua quarta rodada, mas promete uma segunda-feira de exuberante qualidade na chave masculina. Para começo de conversa, confirma-se o choque direto entre Rafael Nadal e Nick Kyrgios e só isso já valeria qualquer ingresso.

O espanhol fez sua melhor partida da semana e talvez de todo o começo de temporada. Como conhece de cor  e salteado o jogo de Pablo Carreño, parceiro de Copa Davis e ATP Cup, impôs seus golpes desde o começo, sem aquela incômoda passividade dos jogos anteriores. Destaque para a força e a precisão de suas paralelas de forehand e excepcional deslocamento para contragolpes, o que deixa claro que ele avançou na confiança e não tem qualquer problema físico. Uma vitória categórica na segunda-feira valerá ouro.

O reecontro com Kyrgios atende à expectativa de todos. Haverá pressão dos dois lados. Rafa terá torcida menor, encara um atacante por excelência e um desafeto costumeiro. Kyrgios carrega o sonho australiano, mudará enfim para a Rod Laver onde evita jogar, tem um tremendo desgaste para se recuperar em 48 horas e encontrará um adversário que o venceu em 4 de 7 duelos.

Nick fez uma batalha física e mental espetacular diante do russo Karen Khachanov, que surpreendeu pela resistência nesses dois aspectos vindo de dois jogos duríssimos. O australiano assombrou por segurar tão bem a cabeça diante de sucessivas frustrações: teve 4/2 no terceiro set para uma vitória fácil, depois match-points nos dois tiebreaks seguintes e abriu 3-0 no supertiebreak. O tempo todo Khachanov foi um gigante.

Os dois dividiram jogadas notáveis e empenho absoluto ao longo da série decisiva sem qualquer break-point até que o russo conseguiu a quebra e teve dois serviços com 8-7, repetindo a história de Federer-Millman da noite anterior. Sempre imprevisível e extremamente habilidoso, o australiano arrancou duas paralelas de backhand de cair o queixo e finalizou o jogo mais longo de sua carreira: 4h26, quase 400 pontos e em que marcou 97 winners!

A segunda-feira no entanto terá muito mais: Daniill Medvedev e Stan Wawrinka prometem um jogo de força bruta, seja no saque ou nas trocas de fundo. O russo tem pequena vantagem no histórico – ganhou os dois confrontos, ambos em Slam e em quatro sets – e vive um momento melhor. Ambos tiveram pouco trabalho neste sábado, já que o australiano Alex Popyrin se arrastou em quadra e John Isner abandonou ainda no segundo set com problema no pé esquerdo. É um jogo em que pode acontecer qualquer coisa.

Dá para esperar lances lindos e malabarismos no reencontro entre Dominic Thiem e Gael Monfils, um duelo de histórico curioso: o austríaco tem 5 a 0 nos jogos efetivamente feitos, sendo dois no piso duro, mas houve três w.o. e em apenas um o francês levou a melhor. Considero Thiem muito favorito. Enfim jogou um tênis de primeira grandeza em Melbourne diante do garoto Taylor Fritz, ainda que tenha perdido um tiebreak, enquanto Monfils passou por Ernests Gulbis num monótono duelo de fundo de quadra e mínimas variações.

E a rodada ainda terá a NextGen com Alexander Zverev e Andrey Rublev. O alemão , acreditem, ainda não perdeu set no torneio e está invicto diante do russo, com três vitórias de 2 a 0. Rublev no entanto está a mil: não perde há 15 partidas – sendo 11 na temporada, com dois títulos. Mostrou muita frieza para virar o jogo contra David Goffin, vencendo os dois tiebreaks. Tanto Sascha como Rublev já fizeram quartas de Slam, mas é a primeira vez que vão à quarta rodada no Australian Open. Se eu tivesse de apostar, iria de Rublev mas seria muito bom um resultado de peso para reanimar Zverev.

Cabeças continuam a cair no feminino
E o torneio feminino desandou de vez. E isso não é má notícia. O complemento da terceira rodada viu mais três cabeças importantes se despedirem cedo: Karolina Pliskova, Elina Svitolina e Belinda Bencic, mas nem por isso perdeu qualidade, já que Simona Halep, Garbine Muguruza e Kiki Bertens mostraram um tênis muito competitivo. E ainda há outra garota nas oitavas, a polonesa Iga Swiatek.

Halep teve pequenos altos e baixos no segundo set, mas gostei de sua maior variação de bolas. Encara Elise Mertens, contra quem tem 2-1 nos duelos, e pegaria então Swiatek ou Anett Kontaveit nas quartas. A estoniana atropelou Bencic em 49 minutos com o dobro de pontos e só um game perdido.

Anastasia Pavlyuchenkova fez um jogo feio contra Pliskova e espera-se duelo de fundo contra Angelique Kerber, que viveu dia irregular. Bem mais promissor é Bertens e Muguruza, duas tenistas que gostam de bater na bola. A espanhola chegou a Melbourne cheia de dúvidas e pode voltar às quartas do AO depois de três anos. Apesar da ascensão em 2019, Bertens não passou da 3ª rodada nos cinco últimos Slam.

Stefani mira o top 50
Destaque também para a segunda vitória de Luisa Stefani na chave de duplas, ao lado da norte-americana, o que coloca a paulista de 22 anos muito perto do top 50 da especialidade.

A última vez que uma brasileira chegou nas quartas de um Slam em duplas foi com o dueto Patrícia Medrado-Cláudia Monteiro, em Wimbledon de 1982. A mesma Monteiro foi vice de mistas em Roland Garros desse mesmo ano, ao lado de Cássio Motta.

Mas não vai ser fácil, já que as adversárias de Stefani deste domingo serão Gabriela Dabrowski e Jelena Ostepenko, cabeças 6.

Tristeza inexplicável
A nota lamentável do sábado veio com a divulgação pela Federação Internacional do banimento definitivo de João ‘Feijão’ Souza do tênis profissional, considerado culpado de diversas infrações no arranjo de jogos tanto em nível challenger como future. Para agravar a situação, a ITF teria detectado nas suas investigações, que vêm desde abril do ano passado, que Feijão destruiu provas – não teria entregue o celular para averiguação – e incitou outros tenistas a fraudar placares, resultando também em pesada multa de US$ 200 mil.

Acompanhei toda a carreira de Feijão, desde juvenil, e ele se destacou pelo espírito de luta, jogos longos e muita entrega. Marcou o recorde de um jogo de Davis e por isso fica ainda mais maluco entender como alguém que se mata 7 horas para tentar vencer uma partida que não vale um centavo possa ter depois se envolvido com a máfia das apostas.

Vale lembrar que há poucos meses Gabriel Mattos também foi banido do esporte por motivos semelhantes. E, dizem por aí, há mais 10 brasileiros sendo investigados pela ITF.

Monfils bagunça Toronto
Por José Nilton Dalcim
30 de julho de 2016 às 00:17

O script parecia muito bem desenhado e o Masters de Toronto caminhava para as semifinais ideais, com os quatro principais cabeças de chave classificados e o tão sonhado duelo entre o melhor do mundo e o dono da casa. Mas aí Gael Monfils resolveu acabar com a festa.

Mesclando um excelente saque, grandes golpes da base, agressividade e contragolpe, o francês parou Milos Raonic em dois sets. Só não foi mais surpreendente porque Gael vem do título de Washington no domingo, seu maior troféu da carreira, que foi também o fim de um jejum e da sina de vice. O problema agora é encarar 12 anos sem vitória sobre Novak Djokovic, cruel 11 a 1 no placar.

Depois de tanto apanhar, finalmente Tomas Berdych mostrou alguma modificação tática contra Djokovic e tentou jogar com muito mais spin dos dois lados, mostrando até uma terminação pouco usual para seu forehand. Não se pode dizer que funcionou porque na hora de definir pontos ele errou muito, porém ao menos teve uma chance clara de ganhar o primeiro set, quando abriu 6-3 no tiebreak e ainda teve dois saques a favor.

Ainda que tenha apresentado alguns altos e baixos, com aproveitamento fraco do primeiro serviço, Djoko é muito mais jogador e assim soube administrar a partida o tempo todo. Falhou é verdade quando teve 5/4 e saque no primeiro set, permitiu alguns break-points bobos, fez cinco duplas faltas, mas nada que realmente comprometesse outra semifinal na temporada.

Muito interessante também deve ser o duelo entre Stan Wawrinka e Kei Nishikori, que curiosamente tem ocorrido bem pouco no circuito. O suíço ganhou duas vezes em 2012, quando o japonês ainda era promessa, e Nishikori venceu em cinco sets espetaculares nas quartas do US Open de 2014. No mais recente, o suíço fez 3 a 0 em Melbourne de 2015.

Promovido de coadjuvante a cabeça 2 pelas ausências de Murray, Federer e Nadal, Wawrinka fez três boas exibições em Toronto e atropelou Kevin Anderson, um dos adversários que menos gosta de enfrentar. Nishikori está sobre seu piso ideal, onde seu estilo mais rende, porém se atrapalhou com as alternâncias de ritmo de Grigor Dimitrov. Nem ele, nem Stan chegou até agora a uma final no Canadá.

Muito animador também ver Marcelo Melo e Bruno Soares, com seus parceiros estrangeiros, atingirem a semifinal de duplas faltando tão pouco para o sonho olímpico. Venceram dois jogos exigentes e isso dá confiança.

Por falar em brasileiros, Thomaz Bellucci e João Souza estão na semifinal do challenger de Biela, sobre o saibro. Se para o nosso número 1 é quase obrigação ir bem, para Feijão já são duas vitórias sobre top 100 na semana, uma com direito a show em cima de Paolo Lorenzi, que acabou de ganhar seu ATP 250. Tomara que isso sirva para ele retomar o caminho certo.

Paula evita o desastre total
Por José Nilton Dalcim
17 de fevereiro de 2016 às 00:38

Todo mundo sabia que os jogos seriam duros e nem o calor ou o apoio da torcida seriam suficientes se nossos tenistas não jogassem em nível adequado. Deu no que deu. Teliana Pereira oscilou demais, Thomaz Bellucci repetiu o velho script de desperdiçar um mar de chances, João Souza foi dominado por um especialista no saibro e felizmente tivemos um dia de competência e serenidade de Paula Gonçalves.

Escapou por pouco o desastre total, mas o gosto de frustração é grande. Esperava-se que Teliana fosse longe. Ela era a mais bem classificada entre as inscritas, já tem experiência de dois troféus de WTA e não seria razoável sentir tanta pressão. O fato é que nossa número 1 não começou bem a temporada, com atuações fracas. Ela própria acha que jogou melhor no Rio, o que não é necessariamente um grande predicado. Pela segunda vez seguida, deixa o Jockey logo na estreia.

Bellucci certamente encarava uma estreia chata, diante de um ALexandr Dolgopolov que tem um estilo que ele não gosta. Ritmo variado, saque difícil de ler, bolas malucas… Ainda assim, não pode reclamar de oportunidades. Virou o primeiro set jogando bem, conseguiu reagir no outro depois de tomar comprimido para o estômago – não quis revelar o que sentia – e ainda abriu 2/0 no terceiro. Torcida apoiando. Levou seis games seguidos, nos quais só fez mais quatro pontos com o próprio saque. Desconectou e de novo sai na primeira rodada do Rio Open.

Paula, é fato, pegou uma adversária interessante e conhecida. O importante é que fez tudo direitinho. Esperou a hora certa para atacar, jamais pareceu apressada ou ansiosa. É a surpresa nacional do torneio, já que não apenas veio do qualificatório de simples como também está nas quartas de duplas, que é seu objetivo maior da temporada. Talvez por isso mesmo esteja jogando tão solta. Agora pega a cabeça 2, a sueca Johanna Larson.

Por fim, Feijão prossegue seu calvário. A confiança não consegue voltar, e aí vemos que falta fez vencer o jogo contra Feliciano López em Quito, o que poderia mudar sua temporada. Chegou a abrir 3/1 contra Diego Schwarztman no Jockey Club, mas daí em diante ganhou apenas mais dois games. Resta torcer por melhores dias em São Paulo.

Entre os grandes nomes, Rafa Nadal sofreu mais com a chuva do que com Pablo Carreño e agora tem interessante duelo contra Nico Almagro, que continua a ser um ‘freguês’ mas pode dificultar. David Ferrer também sofreu para se adaptar ao saibro carioca e levou susto tendo de salvar set-points contra o jovem chileno Nicolas Jarry.

Dominic Thiem ganhou ares mesmo de estrela. Sua quadra estava abarrotada de gente interessada em ver o campeão de Buenos Aires. Jogou de forma sólida, mas sua chave é perigosa, com Diego Schwartzman nas oitavas e provável duelo com Ferrer nas quartas.

E lá fora, destaques para a volta triunfante de Juan Martin del Potro, agora cheio de slices no seu backhand. Ganhou bonito de um adversário sem grande currículo. Já em Marselha, outra vitória do alemão Alexander Zverev, que vai se firmando entre os grandes.