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Maratona não afeta favoritos
Por José Nilton Dalcim
30 de junho de 2016 às 20:33

A tempestade provocada pelo preocupante atraso de jogos em Wimbledon parece ter passado. A menos que o mau tempo seja insuperável nos próximos dois dias, o torneio está salvo até as oitavas de final começarem. E, convenhamos, é a partir daí que qualquer Grand Slam esquenta para valer.

A sorte foi grande. Nomes importantes que estavam com grande atraso na programação completaram nesta quinta-feira seus jogos de estreia ou de segunda rodada sem esforço monumental. Casos de John Isner, que ainda estreava, ou de Kei Nishikori, Milos Raonic, Richard Gasquet, Marin Cilic e Bernard Tomic. Todos terão de estar novamente em quadra hoje para partidas muito mais difíceis.

Ainda assim é duro. Imaginem que, se Isner, Gasquet ou Jiri Vesely vencerem, terão de jogar de novo no sábado para tentar a vaga nas oitavas. Por enquanto, ninguém reclamou demais. Claro que entre os perdedores houve queixa, como Gilles Simon, que prometeu até processar o árbitro por ser forçado a jogar numa quadra que considerava lisa demais.

Para os britânicos, o que importa é que Andy Murray deu show, está na terceira rodada sem grande desgaste e terá o descanso normal para exercer no sábado seu amplo favoritismo diante de John Millman. Foi mesmo uma ótima atuação de Murray. Depois de sair atrás por 1/3, encurralou Yen Hsun-Lu e despachou todo seu rico arsenal: voleio cruzadinho, deixadas perfeitas, passadas na corrida, aces. E uma enorme vontade de correr atrás das bolas mais difíceis.

A grande surpresa ficou para Jiri Vesely, aquele que derrotou Novak Djokovic em Monte Carlo. Canhoto de golpes muito potentes, fez um duelo cheio de belos lances contra o então favorito Dominic Thiem, em partida de apenas uma quebra de serviço para cada lado e três tiebreaks sucessivos. Não à toa, Vesely ganhou o jogo com apenas três pontos a mais que o adversário (126 a 123). Aos 22 anos, o tcheco não é comumente citado entre os grandes potenciais da nova geração, mas já foi 35º do ranking e agora está bem perto de uma inédita presença em oitavas de Slam.

Na parte de cima, que deveria ter jogado ontem, valeu ver Grigor Dimitrov mais confiante e usando golpes bem apropriados para a grama, assim como preocuparam os altos e baixos de Kei Nishikori, que não se sente à vontade no piso natural do tênis. Todos estão no setor de Federer, e o suíço agradece. Raonic voltou a ter um primeiro set apertado e não empolgou em suas duas primeiras exibições.

Adiós, Garbiñe
Chacoalhada grande mesmo viveu a chave feminina, com a queda tão precoce de Garbiñe Muguruza. A campeã de Roland Garros e finalista de Wimbledon jogou muito mal, abrindo um buraco interessante que pode beneficiar Venus Williams, Lucie Safarova ou Sabine Lisicki.

Com problemas no punho – mais uma -, Belinda Bencic nem completou a segunda partida. A nota positiva cabe a Eugénie Bouchard, que passou por dois desafios e vai encarar Dominica Cibulkova. Quem ganhar, deve pegar Aga Radwanska, que bateu na trave e sofreu até 9/7 no terceiro set.

Sexta-feira
– Dois campeões de Slam não se cruzavam na segunda rodada de Wimbledon há oito anos. Daí os organizadores promoveram Wawrinka x Del Potro para abrir a Central e deslocaram Djokovic x Querrey para a Quadra 1.
– Nole tentará a 31ª vitória seguida de Slam, o que igualará o feito de Rod Laver na década de 60. Querrey ganhou 1 dos 9 duelos contra o sérvio, em Paris-Bercy de 2012.
– Federer fecha a Central contra outro britânico, Danel Evans, 91º do mundo. Nos últimos 47 Slam que disputou, o suíço só perdeu duas vezes antes das oitavas de final (Wimbledon-2013 e Austrália-2015).
– Olhos abertos, Nishikori, com esse Kuznetsov. O russo de 25 anos, campeão juvenil de Wimbledon em 2009, foi oitavas na Austrália e vem de vitórias sobre Cuevas e Muller.
– Kyrgios e Brown entram em quadra às 7h, mas quem puder deve tentar assistir. Dois jogadores habilitados para acrobacias, muito agressivos, adoram divertir o público. Aos 31 anos e 85º do ranking, Brown sequer tem treinador atualmente.

Gigante tcheco chacoalha Monte Carlo
Por José Nilton Dalcim
13 de abril de 2016 às 19:17

Até esta quarta-feira, o tcheco Jiri Vesely era apenas um canhoto de estilo moderno, ex-número 1 juvenil que demorou quatro temporadas como profissional para atingir o 35º lugar do ranking e ganhar seu único ATP. Com seu 1,98m, disputou somente seis Grand Slam e nunca passou de uma terceira rodada.

Confesso que jamais esperava que Vesely desse trabalho a Novak Djokovic, porque em todos seus jogos que vi faltavam dois quesitos essenciais: consistência na base e controle emocional. Ele tem um belo saque, é verdade, ainda mais de canhoto. No geral, lembra um tanto Federico Delbonis, incluindo os altos e baixos.

O tcheco surpreendeu todo mundo em pleno saibro. Claro que o número 1 não jogou seu melhor, mas há de se destacar que Vesely entrou em quadra com uma opção tática definida que se mostraria eficiente e inesperada: alternou o ritmo do backhand, exagerou nas deixadinhas e mesclou com maestria bolas no centro cheias de efeito e golpes rasantes cruzados. O mais notável foi jamais ter perdido a cabeça. Eu estava ansioso para vê-lo sacar para o jogo. E o fez com enorme confiança e aplicação tática.

O que muda após essa derrota tão precoce do grande favorito? Para Djokovic, praticamente nada. Ele terá tempo de sobra em Madri e em Roma para recuperar a hegemonia. Para o circuito, no entanto, serve de alento, principalmente porque seu algoz é um dos talentos da nova geração. Mostra ao mesmo tempo a todos que, com enorme fidelidade tática e empenho, é sim possível competir com Nole. Ganhar ou perder faz parte do jogo, porém há um caminho concreto.

Fico a imaginar a injeção de ânimo que a queda de Djokovic deve ter significado para Rafa Nadal, Stan Wawrinka e até mesmo Roger Federer. Daí as oitavas de final desta quinta-feira merecerem toda a atenção. Nadal teve um adversário fraco na estreia e agora mede forças com Dominic Thiem. Tomara que o austríaco esteja recuperado do calo no pé que lhe custou até agora duas rodadas estranhas. Stan foi bem contra o experiente Philipp Kohlschreiber e
é favorito contra Gilles Simon. Quem ganhar destes jogos, duelam nas quartas. Uau!

Esse lado inferior da chave viu a despedida do atual vice Tomas Berdych contra o quali Damir Dzumhur, bósnio de 23 anos e meros 1,75m que é brigão. Ele pega agora Milos Raonic – o canadense escapou por pouco de Pablo Cuevas – e merece cuidado. O vencedor vai encarar Andy Murray ou Benoit Paire. Está bem aberto, ainda que eu ache que o escocês tenha mais gabarito para ir à semi.

Vesely enfrentará Gael Monfils e isso reforça o favoritismo de David Goffin para esse buraco aberto na chave. Ainda que o belga tenha sofrido demais para tirar Fernando Verdasco, virando o primeiro set e indo ao tiebreak do terceiro. Goffin tem uma chance de ouro para começar a temporada de saibro com o pé direito e apagar a impressão ruim do ano passado.

Gostei demais de ver outro novo nome, Lucas Pouille, virar em cima de Richard Gasquet e desafiar Jo-Wilfried Tsonga. Aos 22 anos, Pouille gosta de definir os pontos lá na frente sem desprezar um belo jogo de base. Faz umas loucuras, porém inegavelmente atrai a atenção.

É nesse meio que está Federer. Antes disso o suíço precisa manter o pequeno tabu contra Roberto Bautista, a quem ganhou quatro vezes mas nenhuma no saibro. Ainda mais lento como Monte Carlo.

Os velhinhos estão arrasando
Por José Nilton Dalcim
24 de fevereiro de 2015 às 16:05

Você já pode, e deve, confiar em quem tem mais de 30 anos. O início da temporada 2015 tem sido um assombro. Dos 15 torneios de primeira linha disputados no circuito masculino, nada menos que sete foram vencidos pelos ‘trintões’, e seis em cima de adversários, digamos, novos.

Há medalhões, como Roger Federer e David Ferrer, mas também vimos o sucesso de Ivo Karlovic, pertinho dos 36, e até de Victor Estrella, que se tornou o mais velho tenista a ganhar seu primeiro ATP, aos 34. A lista de campeões tem ainda Guillermo Garcia-López e Gilles Simon. O suíço Stan Wawrinka ganhou dois títulos mas ainda está fora. Por pouco. Completará 30 anos em pouco mais de um mês. Pablo Cuevas acabou de fazer 29.

O top 20 do ranking, aliás, também está cheio dos veteranos, com Federer, Ferrer, Feliciano López, Simon e Tommy Robredo. Com possibilidade de incluir rapidamente Wawrinka, Tomas Berdych, Jo-Wilfried Tsonga e John Isner, que estão com 29 anos e fazem aniversário nos próximos meses. Ou seja, quase 50%.

E se olharmos um pouquinho mais atrás, entre os top 30, aparecem Karlovic, Cuevas, Philipp Kohlschreiber, Garcia-López e Julien Benneteau. Querendo entrar lá, nosso conhecido Fernando Verdasco.

Isso certamente explica a dificuldade que a nova geração encontra no tênis de hoje, já que precisa dividir espaço com adversários fisicamente em ótima forma e com a relevante experiência no bolso do calção.

Incrível que os únicos tenistas abaixo dos 25 anos a figurar hoje em todo o top 20 sejam o canadense Milos Raonic, 24, e o búlgaro Grigor Dimitrov, 23. O belga David Goffin, hoje 21º do mundo, tem também 24. Por isso, todo mundo olha com tanta atenção para Nick Kyrgios, 19, um oásis entre os 40 mais bem pontuados.

Aqui e ali, é possível vermos alguns garotos tentando sucesso. Bernard Tomic, que passa longe de um novato, fez seguidas quartas de final em 2015, Dominic Thiem entra nos ATPs mas dificilmente ganha duas rodadas seguidas. Borna Coric está todo prestigiado, porém não embala. Thanasi Kokkinakis e Alexander Zverev têm furado qualis e ameaçado vitórias. Nem chegaram ao top 100. A tarefa é dura.

Um nome interessante, pouco lembrado, é o tcheco Jiri Vesely. Foi até agora o mais jovem campeão da temporada, ao faturar o pequeno ATP de Auckland aos 21 anos. Com isso, o canhoto de 1,98m já beliscou o 39º posto e deve permanecer algum tempo entre os 50, o que lhe dará chance de sair cabeça de chave em alguns torneios e tentar novas aventuras.