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Federer surpreende outra vez
Por José Nilton Dalcim
10 de março de 2021 às 18:51

Não foi uma exibição perfeita, aliás passou um tanto longe disso. Mas o retorno de Roger Federer às quadras, quase 14 meses depois de sua última aparição oficial, me causou agradável surpresa. Sem traços de nervosismo ou ansiedade, encarou o top 30 Daniel Evans com diferentes propostas e usou todo o arsenal que lhe cabe. A vitória saiu dura, apertada. Animador.

A qualidade técnica de Federer não se discute e ele disparou toda a sorte de jogadas espetaculares, do voleio à deixadinha, do ataque inesperado ao backhand milimétrico – um cruzado fechou o primeiro set e um na paralela encerrou o placar -, além de tentar usar ao máximo o primeiro serviço e a segunda bola com seu forehand magnífico, o conhecido ‘plano A’ de seu estilo. Claro que também cometeu erros feios de execução e fez escolhas inapropriadas, totalmente desculpáveis diante da absurda falta de ritmo.

Ajudou muito enfrentar Evans. Se por um lado o britânico é um jogador perigoso por sua velocidade e versatilidade, de outro erra bastante, falha na aplicação tática e pode facilmente perder a cabeça, o que não aconteceu hoje para o bem da divertida partida. Sem falar que foi justamente contra Evans que Federer treinou as duas últimas semanas. O tênis tem coincidências incríveis.

Apesar da admirável exibição desta quarta-feira, é cedo para empolgação. Porque agora precisaremos ver como reagirá seu físico de 39 anos e recente dupla cirurgia no joelho. Menos de 24 horas depois, Federer voltará à quadra para enfrentar Nikoloz Basilashvili, um adversário bem rodado e de forte jogo de base, ex-16º do ranking e dono de três ATPs, que já teve vitórias sobre Del Potro e Zverev.

Contra Evans, Federer se mexeu muito bem, buscou bolas longas, abaixou-se sem dificuldade e não parecia exausto ao final de um equilibrado terceiro set, que eram aspectos a que me ative a observar com maior atenção. O dia seguinte no entanto é sempre a pior parte para qualquer tenista veterano.

E mais
– Federer continua o ‘rei dos tiebreaks’. Mesmo sem ter um saque bombástico, é quem mais venceu (461) e quem tem melhor índice de eficiência (65,4%) em toda Era Profissional.
– Com a volta à quadra, Federer recomeça a contagem interrompida há 405 dias: se entrar em quadra nesta quinta-feira, fará o 1.515º jogo da carreira e ficará a 42 do recorde de Connors.
– Esta foi também sua 1.243ª vitória, encurtando para 31 a distância para ‘Jimbo’.
– A queda para o sexto lugar – que não poderá ser revertida nesta semana nem mesmo com o eventual título em Doha – estacionou Federer com 859 semanas no top 5 do ranking. Mas isso é muito acima de Nadal, que tem 754.
– A marca RF enfim reapareceu no circuito, figurando no calçado que Roger usou hoje. Ele retirou de vez o Nike e exibiu a marca suíça Ons, da qual se tornou acionista.

Paris, toujours Paris
Por José Nilton Dalcim
4 de novembro de 2020 às 20:07

Rafael Nadal começou nervoso, como não poderia deixar de ser. Seu reencontro com a quadra dura, onde pisou pela última vez em março, ainda era diante de um amigo e parceiro de duplas e treinos, o experiente e talentoso Feliciano López. Perdeu o primeiro set, precisou do tiebreak no segundo e por fim jogou mais solto para atingir mais uma façanha, a 1.000ª vitória.

Nadal entra para o restritíssimo clube que tem Jimmy Connors (1.274), Roger Federer (1.242) e Ivan Lendl (1.068) com quatro dígitos de vitórias. Entre todos, o espanhol é quem possui melhor aproveitamento: 83,2% de sucesso, contra 82,1% do suíço, 81,8% de Connors e 81,5% de Lendl. Isso porque Rafa soma 201 derrotas até agora.

O indiscutível ‘rei do saibro’ tem 91,8% de vitórias na terra (445 vitórias e 40 derrotas), mas em números absolutos ele ganhou mais no piso duro (482). No rol de seus triunfos, destaquem-se os 282 em Grand Slam – apenas 39 derrotas -, os 387 em nível Masters, os 100 em Roland Garros e os 21 em cima de um líder do ranking, recorde que aumentou na recente final contra Novak Djokovic.

A caminhada de Rafa para chegar à milésima vitória começou ainda aos 15 anos, quando derrotou o paraguaio Ramon Delgado, então 81º do mundo, no ATP disputado em Mallorca, uma época em que ainda competia no nível future. Logo depois, abandonou os estudos para se dedicar integralmente ao tênis.

Na temporada seguinte, ganhou seu primeiro challenger, furou o quali e venceu duas rodadas nos Masters de Monte Carlo e de Hamburgo, o que lhe deu ranking para entrar diretamente em Wimbledon e surpreender o super-sacador Mario Ancic logo na estreia. Era sua primeira vitória em Grand Slam, ironicamente sobre a grama.

Em pelo menos nove temporadas de sua carreira, Nadal venceu no mínimo 60 jogos. Seu recorde pessoal veio em 2008, com 82. Não menos incrível é sua marca de 95,2% de sucesso após vencer o primeiro set – ou seja, levou apenas 45 viradas.

Quatro jogadores foram batidos mais de 20 vezes pelo canhoto espanhol: Djokovic (27), David Ferrer (26), Federer (24) e Tomas Berdych (20), mas o maior ‘freguês’ talvez seja Richard Gasquet, que perdeu todas as 16 tentativas.

Em mais um ano em que Paris lhe dá tantos feitos históricos, talvez seja enfim a vez de conquistar o Masters de Bercy. Livre do nervosismo de estreia, é favoritíssimo contra Jordan Thompson, pode reencontrar Pablo Carreño e fazer semi diante da nova geração, seja Alexander Zverev ou Andrey Rublev ou quem sabe apareça Stan Wawrinka.

Do outro lado da chave, Diego Schwartzman encara Alejandro Fokina e pode cravar vaga no Finals se bater depois Daniil Medvedev ou Alex de Minaur. Com a queda de Stefanos Tsitsipas na estreia para Ugo Humbert, qualquer coisa pode acontecer num setor que tem ainda Milos Raonic e Marin Cilic.

Outro dia histórico para Nadal
Por José Nilton Dalcim
18 de outubro de 2020 às 23:21

Oito dias depois da inacreditável 13ª conquista em Roland Garros, que permitiu o empate por 20 nos troféus de Grand Slam, o espanhol Rafael Nadal terá mais um momento histórico a comemorar nesta segunda-feira.

Ele vai igualar uma marca de Jimmy Connors que perdurava por 32 anos e parecia muito difícil de ser alcançada. Ao se manter continuamente no top 10 desde a ascensão em 2005, Rafa totaliza 788 semanas consecutivas nessa faixa tão prestigiada do tênis, o mesmo que o norte-americano atingiu entre 1973 e 1988.

E obviamente Nadal irá  abrir boa margem, já que ocupa o segundo posto no momento com grande vantagem sobre o atual número 11. Enquanto o espanhol soma 9.850 pontos devido ao congelamento dos resultados de 2019, Gael Monfils tem 2.860. Ou seja, somente uma fase muito ruim interromperia a sequência de Rafa, e ainda assim após Wimbledon.

O terceiro colocado nessa lista é Roger Federer, com 734 semanas seguidas no top 10, entre 2002 e 2016. Muito atrás aparecem Ivan Lendl, com suas 619, e Pete Sampras, com 565.

No total de semanas no top 10, Nadal ainda precisará de mais 29 para atingir 817 e alcançar o segundo lugar de Connors. O recorde de Federer ainda é difícil de ser igualado: 917 e contando.

Maior no top 4
E não é só. Nadal igualará nesta segunda-feira outra marca de Connors e atingirá as mesmas 669 semanas no top 4 do ranking. Os dois estarão também atrás das 803 de Federer, que ainda se mantém apesar da longa parada.

No ano passado, o canhoto espanhol assumiu a que era até então a única categoria que liderava entre as grandes façanhas do ranking: ele superou Federer no total de semanas no top 2. Hoje, ele já tem 557 contra 528 do suíço e ainda vê Novak Djokovic bem distante, com 435.

Vale por fim considerar que Rafa mira, e com grande chance, desempatar de Federer em número de temporadas encerradas entre os dois primeiros lugares. Ambos totalizam 11, mas Nadal concorre para permanecer na vice-liderança em 2020. A única ameaça é Dominic Thiem, que aparece 725 pontos atrás.

A briga pelo Finals
Sem o chamado ‘ranking da temporada’, a ATP decidiu que os oito mais bem colocados do ranking tradicional terão direito a competir no Finals de Londres, que prossegue marcado para a segunda quinzena de novembro, na despedida da arena O2.

Como Federer abriu mão da vaga, na verdade a lista se estenderá até o nono colocado. Seis no entanto já estão garantidos: Djokovic, Nadal, Thiem, Stefanos Tsitsipas, Daniil Medvedev e Alexander Zverev, que aliás repetirão a presença de 2019.

Restam portanto dois, e o russo Andrey Rublev deu um importante passo para isso neste domingo, ao faturar seu quarto título da temporada, o segundo de nível 500 em 30 dias. Isso o levou para o oitavo lugar e abriu 354 pontos de vantagem sobre Matteo Berrettini, o 10º do momento. Entre eles, está Diego Schwartzman, apenas 105 à frente do italiano. Portanto, o russo e o argentino podem debutar no Finals e serem as novidades.

Não se pode tirar da briga Gael Monfils, Denis Shapovalov ou Roberto Bautista. E é claro que campanhas espetaculares em Antuérpia, Viena e Paris poderiam ascender David Goffin, Pablo Carreño ou Fabio Fognini.

Aliás, das três finais do fim de semana, duas foram dominadas pelos novatos. O mais velho era justamente Zverev, 23 anos, campeão em Colônia em cima de Felix Aliassime, de 20, que amargou o sexto vice. Rublev fará 23 na terça-feira, mesma idade do finalista Borna Coric. Um bom cenário.