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Os 10 jogos inesquecíveis de Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
3 de julho de 2020 às 17:03

O coronavírus impediu que o mais tradicional e importante torneio de tênis do calendário fosse à quadra. Wimbledon teria começado na segunda-feira a 134ª edição de sua história e a 53ª da Era Profissional.

Como homenagem, listei os 10 jogos inesquecíveis da fase aberta, mas não resisti e inclui mais cinco que tiveram importância inquestionável.

Vamos lá:

1. Rafael Nadal v. Roger Federer, 6/4 6/4 6/7(5) 6/7(8) 9/7 – final de 2008
Cinco vezes campeão e pronto para superar a marca de Bjorn Borg, Federer havia vencido Nadal nas finais dos dois anos anteriores. O duelo foi excepcional em qualidade e drama, com direito a duas paradas por chuva, dois match-points perdidos por Nadal no tiebreak do quarto set e disputado quase sem luz algum no game final, às 21h16 locais, após 4h48 de esforço. Merecidamente, ganhou um livro.

2. Bjorn Borg v. John McEnroe, 1/6 7/5 6/3 6/7(16) 8/6 – final de 1980
Jogo que virou filme, colocou em quadra o contraste de estilo e personalidade. O quarto set protagonizou o tiebreak talvez mais icônico da história, com um 18-16 de 22 minutos. Borg, que já havia perdido dois match-points com saque, teve mais cinco chances ao longo do desempate, evitando seis set-points. Por fim, ergueu o quinto troféu consecutivo e virou lenda.

3. Novak Djokovic v. Roger Federer, 7/6(5) 1/6 7/6(4) 4/6 13/12(3) – final de 2019
Mais longa final do torneio, com 4h57, e primeira a usar o tiebreak no 25º game do set final. Os dois faziam a terceira decisão entre si no Club e Federer teve duas chances de ganhar o nono troféu e o 21º Slam quando sacou com 40-15 no 8/7 do quinto set. Djokovic teve reação espetacular e se tornou o primeiro desde 1948 a ganhar Wimbledon com match-points defendidos.

4. Roger Federer v. Andy Roddick, 5/7 7/6(6) 7/6(5) 3/6 16/14 – final de 2009
Jogo cheio de história, foi então a mais longa final de Slam em games (77) e o mais extenso quinto set em games (30). Durou 4h17 e viu Roddick perdeu um único game de serviço, exatamente o último. Na terceira final entre ambos, Federer chegava ao sexto Wimbledon e batia o recorde com o 15º Slam, sendo assistido na arquibancada por Sampras, Borg e Laver. Roddick teve quatro set-points para abrir 2 sets a 0 e mais tarde desperdiçou 15-40 no 8/8.

5. Andre Agassi v. Goran Ivanisevic, 6/7(8) 6/4 6/4 1/6 6/4 – final de 1992
Inesperadamente, Agassi foi ganhar seu primeiro Slam em Wimbledon, torneio que chegou a evitar por três anos seguidos devido à dificuldade que tinha com o piso. Desta vez, no entanto, chegou à final com vitórias sobre Becker e McEnroe. O canhoto croata também era um estreante em decisões de Slam, tendo vencido Lendl, Edberg e Sampras. Exímio sacador, fez 39 aces na final mas não foi o bastante diante da devolução segura de Agassi.

6. Arthur Ashe v. Jimmy Connors, 6/1 6/1 5/7 6/4 – final de 1975
O clima não era nada amistoso. Duas semanas antes, Connors abrira processo de US$ 5 milhões contra Ashe por críticas a sua ausência na Copa Davis. Rebelde de 22 anos, dez a menos que Ashe, entrou em quadra com o uniforme da Davis como provocação. Era favorito absoluto: atual campeão, não perdeu set até a final e havia vencido Ashe nos três jogos anteriores, todos também finais. Ashe no entanto inovou, abusou de efeitos e curtinhas para se transformar no primeiro homem negro a ganhar Wimbledon.

7. Jimmy Connors v. John McEnroe, 3/6 6/3 6/7(2) 7/6(5) 6/4 – final de 1982
Foi uma edição com muita chuva e acúmulo de jogo nas rodadas decisivas. Connors e McEnroe, que haviam diminuído a rivalidade entre si, eram os dois principais cabeças de chave. Mac era o atual campeão, mas Jimbo vinha do título em Queen’s justamente em cima deles. Em duelo de 4h14, então o mais longo da história do torneio, recuperou o título conquistado oito anos antes e recuperou-se da frustração das derrotas nas finais de 1975, 77 e 78. Fato curioso, cada tenista marcou 173 pontos no jogo.

8. Roger Federer v. Pete Sampras, 7/6(7) 5/7 6/4 6/7(2) 7/5 – oitavas de 2001
Foi o único duelo entre os dois, considerados os maiores campeões sobre a grama da Era Profissional. Suíço tinha então 19 anos e ainda era uma promessa. Enfrentou o dono de sete Wimbledon e 13 Slam, que sonhava com o quinto consecutivo para igualar Borg. A partida foi equilibradíssima do primeiro ao último game, com os dois praticando genuíno saque-voleio, e Federer surpreendeu também pela frieza nos pontos decisivos.

9. Goran Ivanisevic v. Patrick Rafter, 6/3 3/6 6/3 2/6 9/7 – final de 2001
O mau tempo mudou a decisão masculina para a segunda-feira e aí tudo foi diferente em Wimbledon. Cerca de 10 mil ingressos foram vendidos na hora, formando-se filas quilométricas, e o público levou bandeiras à arquibancada. Ivanisevic fazia sua quarta final, mas vinha de sucessão de contusões e queda no ranking. Por isso, precisou de convite para entrar na chave. Na semi, venceu o herói da casa Henman também em cinco sets e não se abalou ao perder três match-points no quinto set.

10. John Isner v. Nicolas Mahut, 6/4 3/6 6/7(7) 7/6(3) 70/68 – 1ª rodada de 2010
Tecnicamente, não empolgou. Porém, os recordes ficarão eternos: 11h05 de duração, 138 games num quinto set de 8 horas, 215 aces e 980 pontos disputados. Apenas três serviços foram quebrados. O jogo levou três dias para se completar, com adiamento de 59/59 no segundo dia.

Menções necessárias:

Pete Sampras v. Patrick Rafter, 6/7(10) 7/6(5) 6/4 6/2, na final de 2000. Mesmo com dor nas costas e tendinite no tornozelo direito, Sampras chegou ao histórico sétimo troféu e ao 13º Slam. Rafter liderou tiebreak do segundo set por 4-1.

Roger Federer v. Marin Cilic, 6/3 6/1 6/4, na final de 2017. Sem perder set, Federer isolou-se de Sampras e Renshaw ao somar o oitavo troféu em Wimbledon e aumentar para 19 os troféus de Slam

Boris Becker v. Kevin Curren, 6/3 6/7(4) 7/6(3) 6/4, final de 1985. Então 20º do mundo, Becker se tornou o mais jovem campeão de Wimbledon aos 17 anos e 227 dias e primeiro não cabeça de chave.

Andy Murray v. Novak Djokovic, 6/4 7/5 6/4, na final de 2013. Derrotado na final anterior, escocês carregava sonho de dar um título masculino em Wimbledon ao tênis britânico depois de 77 anos. Nas quartas, estava dois sets atrás contra Verdasco e virou.

John McEnroe v. Tom Gullikson, 7/6 7/5 6/3, na 1ª rodada de 1981. O eventual campeão disparou contra o juiz a frase mais icônica do tênis, seu famoso “You cannot be serius”. A fúria lhe rendeu multa de 1.500 dólares. Apesar do título de 1981, Big Mac não recebeu o título honorário do Club – que só seria dado em 1982 – porque se recusou a ir ao jantar dos campeões.

O top 10 do carpete na Era Aberta
Por José Nilton Dalcim
13 de maio de 2020 às 12:24

Antes mesmo de avaliar a questão técnica, talvez seja válido dar um pequeno histórico do que foi a quadra de carpete (ou tapete) no circuito profissional. A ideia de usar piso emborrachado, que podia ser transportado e colocado em formato de placas, sobre uma superfície de cimento ou madeira, foi muito popular a partir da década de 1980, não apenas para substituir a grama como superfície veloz, mas também para montar quadras em qualquer tipo de ginásio, como acontecia no Madison Square Garden ou no Royal Albert Hall.

A partir da virada do século 21, no entanto, a crítica sobre o carpete aumentou. A quadra não apenas era veloz demais, sem permitir grande troca de golpes e afugentando o público, mas também causava muitas contusões. Ao ser montado sobre base de cimento, o liso tapete acelerava o quique e deixava a bola muito baixa, bem semelhante ao que acontecia na grama dos velhos tempos. Isso obviamente favorecia os grandes sacadores e quem gostava mais do jogo rápido, de voleios.

A ATP já havia determinado a troca do carpete para o sintético no seu Finals a partir de 1997, fez o Masters de Paris mudar em 2007 e eliminou de vez o piso em 2009. Na WTA, a superfície ainda sobreviveu até 2018, com o torneio de Québec e viu o WTA 125 de Taipé ainda ser disputado no carpete no ano passado. Curioso notar que, em nível challenger, ainda existem vários torneios no calendário que utilizam o material.

Dito isso, obviamente o top 10 do carpete terá obrigatoriamente apenas jogadores de um passado mais distante. Não existiram Grand Slam sobre a superfície, mas alguns Masters e vários WCT de peso. Para quem não lembra, o WCT era um circuito paralelo, muito concorrido pela alta premiação, e que por muitos anos não teve seus dados computados na ATP, até que enfim houve um acordo entre as entidades. O WCT tinha o seu Finals, que acontecia em Dallas.

Vamos a ele:

1. John McEnroe
Absoluto. O canhoto conquistou 43 títulos, dentre os quais 3 ATP Finals e 5 WCT Finals. Foram 349 vitórias no piso e apenas 65 derrotas, ou seja, aproveitamento de 84,3%.

2. Ivan Lendl
Fez notável adaptação de estilo para o carpete e não ficou longe de Big Mac. Faturou 32 troféus, sendo 5 ATP Finals (e mais 4 vices) e 2 WCT Finals. Ganhou 258 e perdeu 55 vezes, sucesso de 82,4%.

3. Boris Becker
Outro grande colecionador de títulos de peso: dos 26, ganhou 3 ATP Finals (mais 3 vices), um WCT Finals, uma Grand Slam Cup e cinco Masters. Saldo ficou em 257 vitórias e 63 derrotas (80,3%).

4. Pete Sampras
Não jogou tanto (142 vitórias e 45 derrotas, 75,9% de sucesso). Mas teve grandes títulos. Do total de 15, três foram no ATP Finals (outros dois vieram no piso duro), duas Grand Slam Cup e dois Masters Series.

5. Jimmy Connors
Numericamente, foi quem mais venceu títulos (45) e jogos (393, com 83 derrotas e percentual de 82,6%). A qualidade foi no entanto um pouco inferior: um ATP Finals, 2 WCT Finals e mais 15 WCT.

6. Bjorn Borg
Outro ‘baseliner’ a brilhar: 23 títulos, sendo dois ATP Finals (e um vice) e um WCT Finals (mais 12 WCTs). Totalizou 184 vitórias e apenas 41 derrotas, aproveitamento de 81,8%.

7. Stan Smith
Fez três decisões no ATP Finals (um título) e ganhou um WCT Finals e nove WCTs. Terminou com 18 títulos, 196 vitórias e 80 derrotas (71%).

8. Arthur Ashe
Ganhou um WCT FInals e mais 14 WCTs do seu total de 22 troféus no piso. Foram 276 vitórias em 356 jogos (77,5%).

9. Ilie Nastase
Campeão de um ATP Finals e oito WCTs, totalizou 18 títulos, com 221 vitórias e 104 derrotas (68%).

10. Goran Ivanisevic
Dos 14 troféus, um foi na Grand Slam Cup e dois em Masters. Marca de 182 vitórias e 73 derrotas (71,4%).

Menções honrosas
Ken Rosewall ergueu oito troféus, sendo dois WCT Finals. Stefan Edberg ganhou um ATP Finals entre seus 11 títulos. Rod Laver chegou a 17 conquistas, sendo 10 de nível WCT.

O top 10 da grama na Era Profissional
Por José Nilton Dalcim
4 de maio de 2020 às 19:14

Além da dura tarefa de comparar gerações, o calendário sobre a grama na Era Profissional tem diferentes fases. O piso ainda estava em seu auge em 1968 e por isso nada menos que três dos quatro Grand Slam eram disputados na superfície natural do tênis, o que se seguiu até 1974.

Com o US Open adotando o har-tru em 1975,  dessa temporada até 1987 ainda havia dois Slam sobre a grama. Por fim, o Australian Open migrou para o sintético em 1988. Mas o peso do torneio australiano ao longo de sua trajetória sobre a grama também precisa ser um tanto relativizado, já que raramente atraia os melhores do mundo devido à distância.

Outra dificuldade óbvia é o fato de a grama jamais ter tido um Masters 1000. Dessa forma, o torneio de maior importância fora dos Slam sempre foi o do Queen’s Club, preparatório para Wimbledon, apenas muito recentemente elevado à condição de 500. E ainda há de se considerar que a grama dos últimos 15 anos é bem menos veloz do que foi até a década de 1990.

Por fim, observem que, ao contrário de muitos analistas, conquistas de duplas em Slam recebem atenção e podem provocar pequenas polêmicas. Vamos ao meu top 10 da grama:

1. Roger Federer
Sem discussão. Fez 12 finais em Wimbledon, conquistando oito delas, cinco consecutivas, período em que ficou 40 jogos invicto. Outros 10 troféus em Halle lhe dão mais dois recordes: 19 títulos no piso e 187 vitórias. Eficiência é de 87,4% (27 derrotas).

2. Pete Sampras
Outro gênio da grama ao mais puro estilo saque-voleio, norte-americano fez sete finais em Wimbledon e ganhou todas. Soma mais três troféus na grama, onde tem 101 vitórias e apenas 20 derrotas (83,5% de sucesso).

3. Bjorn Borg
Mudando radicalmente seu estilo mais afeito à base, atingiu incríveis seis finais consecutivas em Wimbledon e ganhou cinco delas, mantendo ainda o recorde de 41 jogos invictos. Tem mais dois troféus na grama, com 83,8% de vitórias (67-13).

4. John Newcombe
Mesmo ao retirar seus feitos como amador, ainda foi gigante, com cinco Slam na grama, sendo dois em Wimbledon, dois na Austrália e um nos EUA, num total de 7 finais. Ainda ganhou 9 troféus de duplas, 4 em Wimbledon. Tem quarta maior marca de vitórias (150).

5. Novak Djokovic
Fenômeno sobre a grama, sérvio foi outro que mostrou notável adaptação. Fez seis finais em Wimbledon e ergueu cinco troféus, além de ter dois vices em Queen’s e outro em Halle. Com isso, já soma 95 vitórias e apenas 18 derrotas no piso (84,1%).

6. John McEnroe
Talvez o maior canhoto da Era Profissional no piso, fez cinco finais seguidas em Wimbledon e levou três, com mais sete em Queen´s, onde foi tetra. Recorde de 121 vitórias e 20 derrotas (85,8%). Além disso, ganhou cinco troféus de duplas em Wimbledon.

7. Jimmy Connors
Canhoto de backhand de duas mãos e raquete de metal, ganhou os três Slam da grama em 1974 e venceu mais um Wimbledon oito anos depois. Tem mais cinco vices, sendo quatro em Wimbledon, onde ganhou uma dupla. Chegou a 185 vitórias e 38 derrotas (83%).

8. Rod Laver
Mais um canhoto, australiano de 1,73m teve pouco tempo no tênis profissional. Em 1969, foi o primeiro a ganhar os três Slam da grama (e Roland Garros no meio deles). Tem mais um título de simples e outro de duplas em Wimbledon. Somou 87 vitórias em 103 jogos (84,5%).

9. Stefan Edberg
Outro grande representante do autêntico saque-voleio, sueco fez três finais seguidas em Wimbledon, venceu duas, e ganhou duas vezes na Austrália, onde também venceu dupla. Bi em Queen´s, terminou com 99 vitórias e 27 derrotas (78,6%).

10. Boris Becker
Surpreendeu ao ganhar o primeiro de três Wimbledon aos 17 anos, é considerado o pai do tênis-força. Chegou a quatro finais seguidas de Wimbledon de um total de sete e ganhou Queen’s quatro vezes, totalizando 7 troféus no piso. Venceu 116 de 141 jogos (82,3%).

Menções honrosas
Andy Murray é bi de Wimbledon e campeão olímpico na grama, além de faturar Queen’s por cinco vezes. Rafael Nadal foi outro ‘baseliner’ autêntico a brilhar na grama, com cinco finais em Wimbledon e dois troféus. Arthur Ashe, primeiro homem negro a ganhar um Slam, venceu uma vez em WImbledon, EUA e Austrália num total de cinco finais. Ken Rosewall ganhou duas vezes em Melbourne e outra em Nova York e tem quarta marca de vitórias na grama (151).