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Está chegando a hora
Por José Nilton Dalcim
27 de maio de 2022 às 19:07

Falta apenas mais uma rodada para que Novak Djokovic e Rafael Nadal se vejam novamente cara a cara no saibro de Roland Garros. Os dois não se cruzam no circuito justamente desde a vitória de Nole na semi do ano passado em Paris, apesar de terem ficado também no mesmo lado das chaves de Madri e Roma.

Desde que a chave do torneio foi sorteada, há uma semana, a expectativa é de que aconteça o 59º duelo entre eles, hoje uma somatória de incríveis 41 troféus de Grand Slam e de 15 dos últimos 17 títulos em Roland Garros. Para que tudo isso se concretize, Nole precisa marcar a sétima vitória seguida sobre Diego Schwartzman e Rafa tem de ganhar do novo pupilo do Tio Toni, Felix Auger-Aliassime, a quem venceu no saibro rápido de Madri em 2019.

Os dois chegam à terceira rodada sem perder set, o que não é surpresa, dada a fragilidade dos adversários que encontraram nessa trajetória. Nole foi imensamente superior ao ex-top 50 Aljaz Bedene em tudo, do saque às trocas de bola. Cometeu mínimos erros, tirou o máximo do primeiro serviço e evitou o único break-point.

Schwartzman por duas vezes incomodou o sérvio no saibro, uma em 2017 lá mesmo em Paris e outra dois anos depois em Roma. Apesar de toda sua garra e experiência, falta peso a seus golpes. Ele provavelmente vai forçar tudo que pode nos sets iniciais, mas corre o risco de sempre, o de ficar sem energia depois. É o típico jogo que tudo depende de Nole. Se estiver como agora, confiante, forte e solto, vencê-lo fica muito difícil.

Rafa talvez esteja ainda um degrau abaixo do que ele próprio gostaria, e isso ficou patente contra Botic van de Zandschulp ao ceder dois games de serviço. Claro que no saibro isso não é fim do mundo para o canhoto espanhol, que afinal das contas terminou o jogo com 13 erros.

Aliassime, que já fez pré-temporada com Rafa, joga muito mais que o holandês, pode machucar com o primeiro saque e ser bem agressivo com o forehand, mas o espanhol sabe que o backhand canadense é o caminho das pedras e bastará ser paciente. Acredito que Felix tente explorar ao máximo seu jogo de rede.

Toni, aliás, já avisou que não vai ficar no box nem instruir o canadense sobre como vencer o sobrinho, já que isso faz parte do acordo feito com Aliassime em abril do ano passado. A função caberá ao outro treinador, Frederic Fontaigne.

Furacão Carlitos – E ele também vai chegando onde se espera. Carlos Alcaraz foi bem menos instável do que na duríssima partida da quarta-feira e não deu brechas para o norte-americano Sebastian Kordan, vingando-se com sobras da derrota em Monte Carlo.

O garoto deu novamente um show e comprova ser aquele que pratica o tênis mais vistoso do momento. Fez de tudo um pouco, e sempre de forma muito plástica e eficiente. Saque-voleio, contra-ataque fulminante, slice winner… O repertório parece não ter fim. Korda nem jogou mal, buscou ser agressivo como em abril mas o veloz Alcaraz encontrou desta vez resposta para tudo.

Não pode, é claro, menosprezar a experiência e o poder de fogo de Karen Khachanov, a quem nunca enfrentou. O russo pega pesado o tempo todo, saca muito e tira tudo do forehand, mas não gosta de trabalhar pontos e correr mais do que o básico.

Zverev trabalha duro – O interessantíssimo lado superior da chave também coloca Alexander Zverev nas oitavas. Não foi nem de longe o sufoco que teve contra Sebastian Baez, mas Brandon Nakashima exigiu dois tiebreaks e por muito pouco não leva um set. O alemão encara agora outro tenista de base muito forte, o espanhol saído do quali Barnabe Zapata, que fez o segundo jogo seguido em cinco sets e tirou o terceiro norte-americano em sequência, agora o gigante John Isner. Aos 25 anos, tem 1,82m e nunca foi além do 110º lugar.

Fernandez e Anisimova decidem – A canhota Leylah Fernandez enfim brilha no saibro. Cheia de recursos e dona de deixadinha preciosa, a canadense lutou quase três horas para tirar Belinda Bencic numa partida de ótimo nível. Desde a final do US Open, Leylah raramente brilhou e esta pode ser uma grande chance.

Num contraste de estilos, terá pela frente Amanda Anisimova, com seus golpes sempre muito fortes mas instabilidade emocional à toda prova. A norte-americana levou alguma sorte hoje, porque viu Karolina Muchova torcer o tornozelo logo depois de ganhar o primeiro set.

Quem vencer, pegará nas quartas Martina Trevisan ou Aliaksandra Sasnovich. A bielorrussa tirou a segunda cabeça em três jogos, Angie Kerber, vindo da vitória sobre Emma Raducanu.

Vaga muito aberta – O outro lugar nas semifinais da parte inferior da chave está bem mais aberto. Jil Teichman continua em boa fase, tirou Vika Azarenka num jogo eletrizante de três horas e decidido no match-tiebreak, e enfrentará pela primeira vez Sloane Stephens, que tem final em Paris. Sem prognósticos.

Apesar dos tenros 18 anos, Coco Gauff se candidata pela segunda vez seguida às quartas, depois de dominar Kaia Kanepi sem sustos. Sua adversária será Elise Mertens, que repete as oitavas de 2018. A norte-americana ganhou o único duelo anterior, mas na grama. Vai precisar de muito mais paciência desta vez.

Ficha corrida de Nadal assusta
Por José Nilton Dalcim
21 de agosto de 2021 às 00:16

O terceiro grande nome do tênis masculino anunciou nesta sexta-feira o que já se esperava: tal qual Roger Federer e Dominic Thiem, Rafael Nadal antecipou o fim da temporada. O motivo foi a persistente contusão no pé esquerdo, que o afetou pela primeira vez em 2004, antes mesmo que conquistasse seu primeiro troféu de ATP em Sopot. Em suas palavras, Rafa tentará um “tratamento diferente”, o que pode indicar um procedimento cirúrgico. Ele jamais admitiu ter feito uma operação, ainda que haja poucas dúvidas de que precisou disso na longa parada de 2012 para 2013.

Com a ajuda da mídia espanhola e de alguns bons currículos, tracei abaixo uma ‘ficha corrida’ de seus extensos problemas físicos ao longo da carreira. Vejamos um resumo:

2003: Não pôde jogar em Roland Garros devido a fissura no cotovelo direito após cair num treino. Voltou em Wimbledon.
2004: Ficou afastado de toda a temporada de saibro ao sofrer fratura por estresse no pé esquerdo, apontada em Estoril. Ficou fora também de Wimbledon.
2005: Tendinite em Madri e inflamação outra vez no pé esquerdo o tirou de Paris e do Finals. No total, foram quatro meses afastado, perdendo o Australian Open.
2006: Único problema foi dor no ombro durante a fase de grama, mas sem comprometer participação em Wimbledon.
2007: Abandonou Cincinnati com dor no braço esquerdo, porém competiu no US Open.
2008: Em Paris, tendinite no joelho direito o fez desistir de novo do Finals.
2009: Após a primeira derrota em Roland Garros, não foi a Queen´s e a Wimbledon novamente com tendinite nos joelhos, ficando afastado dois meses.
2010: O joelho direito também interrompeu sua campanha no Australian Open, desistindo nas quartas.
2011: Inflamação nos tendões fibulares foi um problema, mas não chegou a comprometer seu calendário.
2012: Sofre então a lesão mais grave durante Wimbledon: ruptura do tendão patelar no joelho esquerdo. Por isso, perde as Olimpíadas de Londres e todos os demais torneios da temporada, incluindo o Australian Open de 2013. Foram sete meses fora.
2014: Nadal se afasta logo depois da derrota em Wimbledon com problema no punho direito e fica três meses em tratamento. Retorna na Ásia, mas não consegue jogar Bercy e o Finals devido a apendicite.
2016: Nadal surpreendente e desiste de jogar a terceira rodada de Roland Garros devido novamente a lesão no punho. Consegue volta a tempo de disputar Jogos do Rio, mas a contusão volta em outubro.
2017: Faz sua melhor temporada em dois anos, mas sente o joelho direito e abandona Paris e o Finals no meio.
2018: Desiste nas quartas do Australian Open devido ao ilíaco e se afasta por dois meses. Na semi do US Open, a tendinite do joelho direito reaparece. Também ficou de fora de Bercy e do Finals, mas agora devido a ruptura no abdômen.
2019: Desistiu no meio de Indian Wells com dor no joelho direito. Depois do título no US Open, voltou a sentir o punho esquerdo, mas conseguiu  se recuperar para ganhar a Davis e terminar como número 1. Antes disso, sentiu o abdômen em Paris.
2021: Saiu de Melbourne com problema nas costas, o que o fez saltar o calendário até o saibro. Após queda em Roland Garros, afastou-se com o velho problema no pé esquerdo. Voltou em Washington, porém só fez dois jogos.

Rafa deixará de defender 2.760 pontos e seu total deverá cair para 5.055, o que é mais do suficiente para mantê-lo na faixa dos 10 primeiros do ranking até janeiro.

Favoritos firmes em Cincinnati
Todos os quatro principais cabeças de chave estão nas semifinais masculinas de Cincinnati, algo que não acontecia no mais importante preparatório do US Open desde 2009. A melhor atuação da sexta-feira foi de longe de Daniil Medvedev, que atropelou Pablo Carreño e reencontrará o amigo e ‘freguês’ Andrey Rublev, sobre quem tem 5 a 0 em jogos oficiais e nenhum set perdido. Rublev teve trabalho com Benoit Paire, num jogo divertido.

Alexander Zverev também teve placar fácil contra Casper Ruud, mas chegou a estar em desvantagem de 1/3 no segundo set, embalando depois cinco games seguidos. O alemão está muito confiante e isso facilita segurar a cabeça na hora do aperto. Fará o nono duelo contra Stefanos Tsitsipas e o grego tem histórico de 6 a 2, embora Sascha tenha interrompido série de cinco derrotas em Acapulco antes de voltar a perder em Roland Garros em cinco bons sets.

Tsitsipas fez o jogo mais interessante do dia. Dominou o primeiro set contra Felix Aliassime com enorme autoridade, mas o canadense sacou melhor depois, o que aliás o salvou de dois match-points no 10º game. Aí inesperadamente.o cabeça 2 sentiu, fez dois games instáveis e foi precisou do terceiro set. Recuperou a soberania mesmo com apenas 55% de primeiro saque em quadra.

Luísa e Gabi jogam muito
O momento de Luísa Stefani é espetacular. Com entrosamento cada vez melhor ao lado de Gabriela Dabrowski, aliado a jogo de rede apuradíssimo e saque eficiente, atinge a terceira final seguida nos preparatórios para o US Open, sobe mais dois degraus no ranking e tenta faturar o segundo WTA 1000 em 14 dias. A nova vitória foi gigante, em cima de Krejcikova/Siniakova, campeãs de Roland Garros e dos Jogos de Tóquio. Vale lembrar que na véspera bateram as números 2 da temporada, Aoyama/Shibahara.

As adversárias são Samantha Stosur e Shuai Zhang, que atuam pouco juntas, mas o currículo da australiana é notável: ex-número 1 da especialidade, ganhou três dos quatro Slam e no outro fez três finais, somando 26 títulos de duplas. Muito respeitável.

Já em simples, os quatro jogos foram um tanto sem graça. Totalmente recuperada na parte física, Ashleigh Barty sobrou em quadra e atropelou Krejcikova. Volta a enfrentar Angelique Kerber, repetindo a semi de Wimbledon, depois que a alemã viu Petra Kvitova abandonar. Outra surpresa notável aprontou a também canhota Jil Teichman. Responsável pela saída de Naomi Osaka, fez o que quis em cima da compatriota e campeã olímpica Belinda Bencic.

Jil tem um estilo interessante, em que consegue enrolar bem o topspin ou então disparar bolas definitivas. Sempre divertido ver jogadoras com armas diferentes. Ela encara Karolina Pliskova, que também não completou sua partida, já que Paula Badosa sentiu desconforto na mão.