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Ficha corrida de Nadal assusta
Por José Nilton Dalcim
21 de agosto de 2021 às 00:16

O terceiro grande nome do tênis masculino anunciou nesta sexta-feira o que já se esperava: tal qual Roger Federer e Dominic Thiem, Rafael Nadal antecipou o fim da temporada. O motivo foi a persistente contusão no pé esquerdo, que o afetou pela primeira vez em 2004, antes mesmo que conquistasse seu primeiro troféu de ATP em Sopot. Em suas palavras, Rafa tentará um “tratamento diferente”, o que pode indicar um procedimento cirúrgico. Ele jamais admitiu ter feito uma operação, ainda que haja poucas dúvidas de que precisou disso na longa parada de 2012 para 2013.

Com a ajuda da mídia espanhola e de alguns bons currículos, tracei abaixo uma ‘ficha corrida’ de seus extensos problemas físicos ao longo da carreira. Vejamos um resumo:

2003: Não pôde jogar em Roland Garros devido a fissura no cotovelo direito após cair num treino. Voltou em Wimbledon.
2004: Ficou afastado de toda a temporada de saibro ao sofrer fratura por estresse no pé esquerdo, apontada em Estoril. Ficou fora também de Wimbledon.
2005: Tendinite em Madri e inflamação outra vez no pé esquerdo o tirou de Paris e do Finals. No total, foram quatro meses afastado, perdendo o Australian Open.
2006: Único problema foi dor no ombro durante a fase de grama, mas sem comprometer participação em Wimbledon.
2007: Abandonou Cincinnati com dor no braço esquerdo, porém competiu no US Open.
2008: Em Paris, tendinite no joelho direito o fez desistir de novo do Finals.
2009: Após a primeira derrota em Roland Garros, não foi a Queen´s e a Wimbledon novamente com tendinite nos joelhos, ficando afastado dois meses.
2010: O joelho direito também interrompeu sua campanha no Australian Open, desistindo nas quartas.
2011: Inflamação nos tendões fibulares foi um problema, mas não chegou a comprometer seu calendário.
2012: Sofre então a lesão mais grave durante Wimbledon: ruptura do tendão patelar no joelho esquerdo. Por isso, perde as Olimpíadas de Londres e todos os demais torneios da temporada, incluindo o Australian Open de 2013. Foram sete meses fora.
2014: Nadal se afasta logo depois da derrota em Wimbledon com problema no punho direito e fica três meses em tratamento. Retorna na Ásia, mas não consegue jogar Bercy e o Finals devido a apendicite.
2016: Nadal surpreendente e desiste de jogar a terceira rodada de Roland Garros devido novamente a lesão no punho. Consegue volta a tempo de disputar Jogos do Rio, mas a contusão volta em outubro.
2017: Faz sua melhor temporada em dois anos, mas sente o joelho direito e abandona Paris e o Finals no meio.
2018: Desiste nas quartas do Australian Open devido ao ilíaco e se afasta por dois meses. Na semi do US Open, a tendinite do joelho direito reaparece. Também ficou de fora de Bercy e do Finals, mas agora devido a ruptura no abdômen.
2019: Desistiu no meio de Indian Wells com dor no joelho direito. Depois do título no US Open, voltou a sentir o punho esquerdo, mas conseguiu  se recuperar para ganhar a Davis e terminar como número 1. Antes disso, sentiu o abdômen em Paris.
2021: Saiu de Melbourne com problema nas costas, o que o fez saltar o calendário até o saibro. Após queda em Roland Garros, afastou-se com o velho problema no pé esquerdo. Voltou em Washington, porém só fez dois jogos.

Rafa deixará de defender 2.760 pontos e seu total deverá cair para 5.055, o que é mais do suficiente para mantê-lo na faixa dos 10 primeiros do ranking até janeiro.

Favoritos firmes em Cincinnati
Todos os quatro principais cabeças de chave estão nas semifinais masculinas de Cincinnati, algo que não acontecia no mais importante preparatório do US Open desde 2009. A melhor atuação da sexta-feira foi de longe de Daniil Medvedev, que atropelou Pablo Carreño e reencontrará o amigo e ‘freguês’ Andrey Rublev, sobre quem tem 5 a 0 em jogos oficiais e nenhum set perdido. Rublev teve trabalho com Benoit Paire, num jogo divertido.

Alexander Zverev também teve placar fácil contra Casper Ruud, mas chegou a estar em desvantagem de 1/3 no segundo set, embalando depois cinco games seguidos. O alemão está muito confiante e isso facilita segurar a cabeça na hora do aperto. Fará o nono duelo contra Stefanos Tsitsipas e o grego tem histórico de 6 a 2, embora Sascha tenha interrompido série de cinco derrotas em Acapulco antes de voltar a perder em Roland Garros em cinco bons sets.

Tsitsipas fez o jogo mais interessante do dia. Dominou o primeiro set contra Felix Aliassime com enorme autoridade, mas o canadense sacou melhor depois, o que aliás o salvou de dois match-points no 10º game. Aí inesperadamente.o cabeça 2 sentiu, fez dois games instáveis e foi precisou do terceiro set. Recuperou a soberania mesmo com apenas 55% de primeiro saque em quadra.

Luísa e Gabi jogam muito
O momento de Luísa Stefani é espetacular. Com entrosamento cada vez melhor ao lado de Gabriela Dabrowski, aliado a jogo de rede apuradíssimo e saque eficiente, atinge a terceira final seguida nos preparatórios para o US Open, sobe mais dois degraus no ranking e tenta faturar o segundo WTA 1000 em 14 dias. A nova vitória foi gigante, em cima de Krejcikova/Siniakova, campeãs de Roland Garros e dos Jogos de Tóquio. Vale lembrar que na véspera bateram as números 2 da temporada, Aoyama/Shibahara.

As adversárias são Samantha Stosur e Shuai Zhang, que atuam pouco juntas, mas o currículo da australiana é notável: ex-número 1 da especialidade, ganhou três dos quatro Slam e no outro fez três finais, somando 26 títulos de duplas. Muito respeitável.

Já em simples, os quatro jogos foram um tanto sem graça. Totalmente recuperada na parte física, Ashleigh Barty sobrou em quadra e atropelou Krejcikova. Volta a enfrentar Angelique Kerber, repetindo a semi de Wimbledon, depois que a alemã viu Petra Kvitova abandonar. Outra surpresa notável aprontou a também canhota Jil Teichman. Responsável pela saída de Naomi Osaka, fez o que quis em cima da compatriota e campeã olímpica Belinda Bencic.

Jil tem um estilo interessante, em que consegue enrolar bem o topspin ou então disparar bolas definitivas. Sempre divertido ver jogadoras com armas diferentes. Ela encara Karolina Pliskova, que também não completou sua partida, já que Paula Badosa sentiu desconforto na mão.