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Quartas surpreendentes
Por José Nilton Dalcim
15 de agosto de 2015 às 03:10

Me enganei muito com a expectativa das quartas de final de Montréal. Pelo adiantado da hora, vou resumir cada jogo.

Chardy x Isner – Foi o jogo mais emocionante do dia. Apesar de serem dois jogadores dispostos ao risco, muitos pontos bem disputados, equilíbrio absoluto e indefinição total até o últiimo lance. Chardy mereceu por ter mantido os nervos no lugar, sem afobação e acreditando sempre.

Djokovic x Gulbis – Notável exibição de Gulbis. Paciente, preciso, sem falar demais. Parecia saber exatamente o que fazer, mesmo quando Djoko abriu vantagem no primeiro set. Até mereceu ganhar, porque afinal vinha do quali e precisava de um resultado de peso para reerguer a carreira. Mas não conseguiu, e aí de novo o sérvio mostrou como sabe jogar um set decisivo, com um tênis exuberante.

Nishikori x Nadal – Duelo aguardado, acabou decepcionante. Nishikori montou corretamente o plano tático em cima do segundo saque do espanhol e isso rendeu frutos. Lembrou muito o jogo de Madri, em que ele comandava os pontos e não dava espaço ao tênis defensivo do espanhol até se contundir. Rafa ao menos lutou muito no segundo set mesmo perdendo por 1/4 e teve bons momentos.

Murray x Tsonga – O escocês foi muito bem no jogo defensivo e conseguiu as quebras necessárias para vencer em apenas dois sets e economizar sono, já que ambos saíram da quadra à 1h30 local. Murray foi bem aplicado. Sacou bem a maior parte do tempo – só permitiu um break-point -, trabalhou no contra-ataque no seu melhor estilo e teve paciência para esperar o momento certo de quebrar. Está agora a apenas uma vitória do número 2 do ranking.

As semifinais
– Em nove duelos contra Djokovic, Chardy não ganhou um único dos 19 sets disputados. Portanto, só mesmo um dia iluminado para lhe dar qualquer chance diante do número 1 do ranking. A única saída é ser muito agressivo e contar com altos e baixos do adversário.
– Apesar de Murray ter 5 a 1 no placar geral, com vitória neste ano no saibro de Madri, me parece um jogo muito aberto. Nishikori desta vez terá de ter mais paciência no ataque de fundo, porque Murray é bem perigoso e está sacando melhor do que Nadal, mas os dois se plantam muito longe da rede e então só se pode prever longas batalhas da base, correria e, tomara, emoção.

Maluco e preocupante
Por José Nilton Dalcim
14 de maio de 2014 às 19:11

A derrota de Roger Federer na estreia do Masters 1000 de Roma poderia ter sido absolutamente normal. O suíço, vindo da emoção da paternidade dos gêmeos, provavelmente com pouco treino desde a final de Monte Carlo, deveria sentir a falta de ritmo, que fica sempre mais prejudicada com o forte vento que voltou a soprar no Fóro Itálico durante boa parte do dia.

Mas não. Ele jogou um folgado primeiro set, claro que beneficiado pelo desempenho ruim do francês Jeremy Chardy, e daí em diante perdeu consistência, com raros lances de brilhantismo. Deveria ter perdido quando o francês, agora confiante e disparando belos golpes de fundo, abriu 4/2. Aí reagiu, ajudado até por um erro do juiz, virou para 5/4 mas não evitou o tiebreak com o corajoso adversário jogando bem.

Chardy fez novos 4-2 no tiebreak, antes de permitir a virada. Federer deveria então ter ganhado o jogo, porque abriu 6-5 e teve match-point que parecia evidente e cristalino, ao deslocar o adversário, contando ainda com o vento segurando a bola. Mas Chardy fez uma passada espetacular e ganhou três pontos seguidos. Estabeleceu a justiça, porque ao longo dos dois últimos sets ele foi bem mais jogador.

Uma partida maluca. Se não chega a ser um desastre para o suíço – ninguém em sã consciência deve dar grande favoritismo a ele no saibro europeu -, pode atrapalhar muito sua preparação para Roland Garros. Em primeiro lugar, não vai ter ritmo de competição, passando os próximos 14 dias só na quadra de treino. Depois, e ainda pior, corre sério risco de perder a condição de cabeça 4 em Paris, superado por David Ferrer, e aí vai ter que contar com a sorte para evitar Rafa Nadal ou Novak Djokovic antes da semifinal.

O outro destaque do dia, claro, foi a inesperada dificuldade que Nadal encontrou para superar Gilles Simon. No fundo, o espanhol deveria ter vencido em dois sets bem mais tranquilos. Duas vezes, quebrou antes no primeiro set e permitiu reação. No segundo set, abriu 3/0. No terceiro, fez 2/0 antes do empate no quarto game e um break-point abaixo. Deu pequenas vaciladas, mas nunca teve a vitória sob real risco. Ruim foi ter que jogar 3h18, sem descanso daqui para a frente se continuar vencendo.

É preciso elogiar a conduta do francês, que saiu totalmente do seu estilo e atacou freneticamente, correndo riscos. Se soubesse alguma coisa de voleio, poderia ter alongado ainda mais o bom duelo. Pena que Simon não jogue sempre assim, seria um tenista mais agradável de se ver.

Por incrível que pareça, a organização de Roma deu uma tremenda mancada e pode prejudicar Nadal, o atual campeão. Programou sua partida para as 16 horas locais, sendo que ele deixou a quadra às 23h, sem falar em entrevista, massagem, alimentação. Ele vai dormir lá pelas 3 da manhã, enquanto Nole, que jogou na terça, fechará a rodada noturna. Falha imperdoável.

Federer continua sua provação em Melbourne
Por José Nilton Dalcim
19 de janeiro de 2013 às 12:07

Quando o sorteio saiu, todo mundo achou que Andy Murray tinha a chave mais dura no Australian Open de 2013. Mas agora ficou bem claro que Roger Federer terá de superar uma autêntica provação se quiser chegar à final do torneio daqui a uma semana.

O suíço já precisou jogar um tênis bem redondinho contra Nikolay Davydenko, ainda na segunda rodada, e foi exigido para valer por dois sets contra o animado Bernard Tomic, que chegou a ter 5-2 no tiebreak com um golpes e frieza de gente grande. E agora vem o saque devastador de Milos Raonic, que foi bem até no fundo de quadra contra Philipp Kohlschreiber, com direito a segundo serviço a 212 km/h.

E a lógica ainda aponta para Federer duelos contra Jo-Wilfried Tsonga nas quartas e o próprio Murray na semi. Não dá para ficar mais difícil. Porém, somente os incautos podem duvidar da capacidade do suíço, que mostrou muita perna e paciência para se defender dos constantes ataques do destemido australiano, aproveitando as pequenas aberturas que teve. Ressalte-se que, apesar de ter convertido apenas três dos 16 break-points na partida, o mérito de escapar do perigo quase sempre coube a Tomic.

Murray, ao contrário, tem seu trabalho cada vez mais facilitado. Contra Ricardas Berankis, chegou a ter 2/4 no segundo set e falhou para fechar a partida no 5/4 do terceiro, porém a diferença técnica era enorme. Agora, pega um arrasado Gilles Simon, que sobreviveu ao sofrível duelo francês contra Gael Monfils. Foram quase cinco horas de trocas de bola monótonas e inócuas, com dois tenistas se arrastando em quadra com problemas físicos. Capaz de Simon nem entrar novamente em quadra.

Mas o tênis francês está em evidência em Melbourne. Além do confronto marcado entre Tsonga e Richard Gasquet por vaga nas quartas, Jeremy Chardy, 36º do mundo, é a ‘zebra’ até aqui. Enfrentou um Juan Martin del Potro que só tinha perdido 13 games nas primeiras rodadas e o havia arrasado em Cincinnati meses atrás. Mas contou com horrível atuação do argentino no primeiro set e a partir daí arriscou tudo: 78 winners e 64 erros não-forçados. Mereceu. Seu adversário? O italiano Andreas Seppi, 21º do mundo, que jogou mais cinco sets e tirou Marin Cilic.

O britânico e cabeça 3 agradece demais.

Feminino – A pressão por manter o título e a liderança do ranking somada ao desprendimento das adversárias têm dificultado a vida de Victoria Azarenka em Melbourne. Passou grande sufoco diante de Jamie Hampton, que mesmo com dor no ombro e cãibras anotou 41 winners e exigiu empenho máximo. Os altos e baixos de Vika podem inspirar Elena Vesnina, russa que vem jogando direitinho. Serena Williams também levou um susto, ao tomar 0/3 de Ayumi Morita no segundo set, mas o saque é um diferencial absoluto: anotou outro 207 km/h e perdeu apenas quatro pontos com o primeiro serviço.

No duelo da nova geração, deu Sloane Stephens, 19 anos, que diz não ter jogado seu melhor contra Laura Robson apesar dos 22 winners em dois sets. O curioso foi ter jogado contra a torcida: “Me senti como se estivesse na Itália enfrentando uma italiana”, comparou. Ela tem chance contra Bojana Jovanovski. No mesmo quadrante, estão duas que tentam renascer: Carol Wozniacki e Svet Kuznetsova.

Só temos um – E Thomaz Bellucci, quem diria, saiu de maior decepção para última esperança brasileira nas chaves profissionais do Australian Open, depois que ele e o francês Benoit Paire surpreenderam Bruno Soares e o austríano Alexander Peya. É apenas a segunda vez na carreira que Bellucci disputará as oitavas de final de um Grand Slam. A outra foi nas simples de Roland Garros de 2010. O jogo contra Qureshi/Rojer deve passar ao vivo na ESPN por volta das 23h30.

Domingo – As oitavas de final de um Slam deveriam ser promessa de equilíbrio e imprevisibilidade, mas ao menos para os jogos de domingo isso deverá acontecer bem pouco. Com 11 a 2 nos confrontos diretos, Novak Djokovic buscará sua 15ª presença consecutivas nas quartas de final de Grand Slam, o que será a terceira maior marca depois de Roger Federer e Jimmy Connors. O adversário é Stan Wawrinka, que ganhou duas vezes de Nole, mas em 2006! Outro favorito é Tomas Berdych: ele venceu todos os quatro duelos que fez nos últimos 12 meses contra Kevin Anderson.

O melhor do dia promete ser David Ferrer x Kei Nishikori, principalmente porque o japonês tem 2-1 nos duelos diretos e tenta repetir as quartas do ano passado. Então deveremos ter dois tenistas bem dispostos em quadra. Janko Tipsarevic e Nicolás Almagro também deveriam fazer partida longa, mas é difícil imaginar que o sérvio ainda tenha fôlego depois de dois jogos seguidos em cinco sets. Aliás, ele tem 17-8 em quinto sets na carreira, um número e tanto.

O feminino pode ter um bom jogo entre Agnieszka Radwanska e Ana Ivanovic, já que a polonesa parece ser a única das top 4 contra quem Aninha ainda tem chance de vencer. Maria Sharapova é superfavorita e outra russa, Ekaterina Makarova, surge como candidata a surpresa diante de Angelique Kerber. O jogo entre as erráticas Na Li e Julia Goerges não me empolga em nada.

Saiba mais
A derrota de Bernard Tomic encerra a participação australiana no Open, incluindo também a chave feminina, e aumenta a frustração daquela que já foi a segunda maior potência do tênis. No torneio caseiro, o último campeão ainda é Mark Edmondson, em 1976, quando poucos jogadores de ponta iam a Melbourne. Desde então, Pat Cash chegou às finais de 1987-88 e Lleyton Hewitt, na de 2005. O jejum em Grand Slam também aumenta: o último troféu foi aquele de Hewitt em Wimbledon de 2002. No feminino, uma australiana não vence desde Chris O’Neil, em 1978, mas ao menos Sam Stosur faturou o US Open de dois anos atrás.