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Invicto, Monteiro tenta nova façanha
Por José Nilton Dalcim
1 de outubro de 2020 às 17:20

Seis sets vencidos e nenhum perdido num Grand Slam tão difícil e sob condições diferenciadas são nova demonstração que Thiago Monteiro vive uma temporada de evidente progresso técnico. Depois de tirar o 33 do mundo, o canhoto cearense teve uma atuação muito semelhante diante de Marcos Giron, ou seja, um primeiro set apertado e vencido no detalhe e depois domínio gradativo do jogo até um terceiro set absoluto.

Ou seja, ‘Ceará’ está não apenas com físico em dia, mas também confiante e focado. E o primeiro saque tem feito diferença. Chegou a acertar 83% no set inicial e terminou com média de ótimos 79%, acima dos já bons 68% da estreia. O forehand agressivo permite que busque a definição e já soma 62 winners no torneio.

Caso consiga superar o húngaro Marton Fucsovics, aquele que tirou Daniil Medvedev na estreia jogando muito bem, Thiago será o primeiro brasileiro nas oitavas de um Grand Slam em exatos 10 anos, ou seja, desde Thomaz Bellucci em Roland Garros de 2010. Mas não devemos esperar facilidade.

Dois anos mais velho, Fucsovics chegou a 31 do mundo no ano passado e disputou duas vezes as oitavas do Australian Open, além de ter ido à terceira do recente US Open. É bem versátil. Campeão juvenil de Wimbledon – e depois número 1 da categoria – somou títulos de challenger no saibro antes de ganhar também na terra seu único ATP até agora, em Genebra-2018. Além de Medvedev, bateu Stan Wawrinka e Grigor Dimitrov, quando ambos eram top 3, e também já venceu Berrettini, Goffin, Khachanov, Shapovalov e Fognini.

A vitória no sábado pode levar Monteiro a seu melhor ranking da carreira, bem perto do 65º posto. Com o descongelamento gradual do ranking a partir de janeiro, é garantia de disputar todos os grandes torneios pelo menos até o final de março.

Financeiramente, também ajudará. Thiago já garantiu o prêmio bruto de 126 mil euros, que poderá ser de 189 mil com a vaga nas oitavas. Mas é bom lembrar que a retenção na fonte na França nunca é inferior a 30% e que o treinador ainda pega outros 10%. De qualquer forma, nada desprezível.

Quem vencer, enfrentará nas oitavas Andrey Rublev ou Kevin Anderson, de estilos e experiências completamente distintas. O garoto russo, que faturou em Hamburgo seu terceiro troféu do ano, já disputou nove sets e se mostrou irritadiço na vitória sobre Alejandro Fokina. O grandão sul-africano é um jogador sempre agradável de se ver. Tirou seguidamente os sérvios Laslo Djere e Dusan Lajovic e tentará chegar pela quinta vez nas oitavas de Paris.

A quinta em poucas palavras
– Como se esperava, Novak Djokovic passeou de novo e chegou ao histórico 70º triunfo em Roland Garros. Agora, só ele e Federer possuem ao menos 70 vitórias em cada Slam. Em sua semana de nível challenger, encara agora o colombiano Daniel Galan, que perdeu no quali e entrou de ‘lucky-loser’.
– As oitavas prometem ser bem mais trabalhosas, seja Cristian Garin ou Karen Khachanov. Agora são cinco sul-americanos na 3ª fase, somando-se Schwartzman e Coria.
– Bautista e Carreño farão imprevisível duelo espanhol, o nono no total. São 4 vitórias para cada lado e 1 a 1 no saibro. O sobrevivente deve enfrentar Berrettini, que viu Struff ser surpreendido pelo quali Altmaier, que não tem nada de excepcional.
– Tsitsipas se recuperou bem e atropelou um irreconhecível Cuevas. Tem ótima chance contra Bedene e aguarda Dimitrov ou Carballes. O espanhol venceu jogo maluco de 5h contra Shapovalov, que não soube vencer tendo sacado duas vezes para a vitória. Mereceu ser eliminado.
– E Ostapenko atropelou a cabeça 2 Pliskova, com placar de 27 a 9 nos winners! Encara a espanhola Badosa, que tirou a instável Stephens.
– Tudo indica que a letã cruzará com Kvitova nas quartas. A canhota está se virando no piso lento, mas tem de tomar cuidado com a leve e defensiva Leylah Fernandez, de 17 anos.
– Kenin não vê cabeças a sua frente nas duas próximas rodadas, mas não anda jogando bem. Cuidado com a local Fiona Ferro.
– Depois do sofrimento de estreia, Muguruza resolveu rápido contra a irmã gêmea Pliskova, deve passar por Collins e cruzar com Sabalenko ou Jabeur. Continuo achando a campeã de 2016 como a mais cotada para estar na final.
– Thiem-Ruud é a melhor promessa da sexta-feira, seguida por Zverev-Cecchinato. Nadal pega o cansado Travaglia e é aposta certa, assim como Schwartzman, Wawrinka e Sinner.
– Halep enfrenta a mesma Anisimova que a tirou das quartas em 2019 e Svitolina joga contra Alexandrova pela primeira vez.

Monteiro tenta romper jejum brasileiro
Por José Nilton Dalcim
29 de setembro de 2020 às 19:50

Com um tênis sólido e agressivo na medida certa, Thiago Monteiro enfim marcou sua terceira vitória em torneios de Grand Slam, repetindo a segunda rodada de Roland Garros de três anos atrás. Foi claramente superior ao número 33 do mundo, o georgiano Nikoloz Basilashvili, cometendo apenas 18 erros em três sets.

Caso mantenha o padrão e confirme o favoritismo sobre o norte-americano Marcos Giron na quinta-feira, o canhoto cearense repetirá Thomaz Bellucci, que foi o último brasileiro a atingir ao menos a terceira rodada de um Grand Slam, na campanha do US Open de 2015. Bellucci ganhou também dois jogos em Roland Garros de 2011. Faz tempo.

Thiago vem mostrando progressos técnicos desde janeiro, quando fez apresentações competitivas em quadras sintéticas velozes. O saque claramente melhorou na potência e na eficiência, o forehand ficou mais agressivo e ele se aventura mais na rede, embora ainda não seja um habitat natural. Na vitória sobre Basilashvili, acertou 68% do primeiro serviço e ganhou 78% desses pontos, algo notável num piso tão lento. E com o segundo saque teve 71% de sucesso.

Giron, que tem idade e altura semelhantes ao brasileiro, precisou de cinco sets e 4h22 para vencer o convidado Quentin Halys. Campeão universitário norte-americano, seu histórico médico é mais extenso do que o de títulos. No espaço de três meses, operou os dois lados do quadril em 2016, tendo raspado seus ossos para tirar cartilagens. Fez um retorno lento, ganhou dois challengers na quadra dura e um mês atrás entrou enfim para o top 100. No saibro, opta por jogar muito atrás da linha, sempre no contragolpe. Deixadinhas, bolas anguladas seguidas de transição à rede são alternativas que Monteiro precisa treinar.

Com a queda de Daniil Medvedev, uma eventual terceira rodada será diante de quem passar entre Marton Fucsovics e Albert Ramos. Não é fácil, mas dá sim para sonhar com um duelo de oitavas contra o russo Andrey Rublev, que é o nome mais forte do quadrante agora.

Djoko passeia, garotada sofre
Como era previsto, o sueco Mikael Ymer mal serviu de bom treino para Novak Djokovic. Assustado, o ex-pupilo de Robin Soderling suou para ganhar cinco games e ao menos fez um dos lances mais espetaculares destes primeiros dias, ao dar passada com ‘grand-willy’ (veja o show aqui).

O número 1 do mundo sentiu a fragilidade, observou um adversário postado muito atrás da linha e optou por exercitar deixadinhas, uma arma que já utilizou muito bem em Roma. Fez algumas com precisão cirúrgica, outras errou feio, mas também deu para experimentar o forehand mais reto. Enfrentará agora o mesmo Ricardas Berankis que superou sem sustos em Cincinnati semanas atrás.

Bem ao contrário, Stefanos Tsitsipas e Andrey Rublev fizeram um tremendo esforço para virar de dois sets abaixo. Como se esperava, os finalistas de Hamburgo teriam pouco tempo para adaptação e descanso. Rublev esteve bem perto da eliminação, já que Sam Querrey abriu 4/1, 5/2 e sacou com 5/3 para a vitória. Seu rendimento foi caindo no saibro lento e o russo sobreviveu. Curiosamente, muitos aces no jogo: 29 de Querrey contra 23.

O grande mérito do grego foi não perder a cabeça após um começo torto e diante do especialista Jaume Munar. Não correu tanto risco de perder, mas precisou de juízo quando o espanhol recuperou uma quebra e virou para 4/3 no quarto set. O canhoto Denis Shapovalov se juntou aos ‘next gen’ tendo trabalho contra Gilles Simon e novamente exibiu um jogo de rede de encher os olhos.

Na próxima rodada, mais dificuldades. Tsitsipas reencontra Pablo Cuevas que exigiu dois sets duros na semana passada; Rublev encara o explosivo Alejandro Fokina e Shapovalov, o saibrista Roberto Carballes. Vale conferir todos eles.

Feminino: sofrimento no barro
O piso que faz a bola quicar baixo mas facilita muito o jogo defensivo continua a trazer dores de cabeça para as meninas mais agressivas. Karolina Pliskova e Sofia Kenin precisaram de três sets em suas estreias, enquanto Alison Riske e Jennifer Brady se despediram logo. As vitórias mais tranquilas couberam a Aryna Sabalenka e Elena Rybakina.

Tenista que gosta de viver perigosamente, Jelena Ostapenko chamou a atenção com seus 46 winners em apenas 15 games. Um rolo compressor. E olha que ainda cometeu oito duplas faltas. A campeã de 2017, que havia parado na estreia nas duas edições seguintes, agora é a adversária de Karolina Pliskova. Tirem as crianças da sala.

Saiba mais
– Mais seis derrotas nesta terça e assim não há franceses na parte de cima da chave, e talvez a maior decepção seja Ugo Humbert. Também caíram Simon e Richard Gasquet. No lado interior, restam quatro e o mais renomado é Benoit Paire.
– Entre as histórias do dia, a falha da juíza que tirou o set-point de Kiki Mladenovic quando a francesa liderava com folga (clique aqui e veja como a bola quicou duas vezes). Aliás, outros 5/1 que Kiki deixa escapar, como aconteceu na terrível derrota do US Open.
– Clara Tauson, dinamarquesa de 17 anos, saiu do quali, tirou Brady num emocionante terceiro set e ganhou muitos elogios nas mídias sociais, entre eles de Brad Gilbert.
– Oito norte-americanos estão na segunda rodada de Roland Garros, a maior marca desde 1996. Entre eles, Mackenzie tem a missão impossível contra Nadal e o ex-top 10 Sock encara Thiem. A única garantia é duelo de Isner x Korda.
– Já a Itália bateu seu recorde na Era Aberta com seis representantes. Sinner e Cecchinato têm as melhores chances nesta quarta-feira. Berrettini, que atropelou Vasek Pospisil, é o nome forte em cima.

Testes para Zverev e Osaka
Por José Nilton Dalcim
28 de maio de 2019 às 18:17

Alexander Zverev e Naomi Osaka são sem dúvida os jogadores da nova geração de maior sucesso, obtendo conquistas relevantes e atingindo posições nobres no ranking quando mal saíram da adolescência. Os dois também têm em comum o fato de não aceitar que o tênis seja a única prioridade de suas vidas, o que, como tudo na vida, tem o lado bom e o lado ruim.

Mas há uma diferença sintomática. Enquanto Osaka já tem dois troféus de Slam e lidera o ranking desde janeiro, Zverev ainda precisa mostrar resultados. Esperava-se que o notável título do Finals sobre Rgoer Federer e Novak Djokovic lhe tirasse a carga pesada dos ombros, mas o que temos visto em 2019 é um jogador perdido no plano tático, sem grande progresso técnico e com lacunas enormes de confiança, mesmo tendo atrás de si Ivan Lendl.

Naomi e Sascha tiveram estreias complicadas em Roland Garros. A japonesa levou um ‘pneu’ – ganhou 9 pontos no set – e ficou a dois lances de uma surpreendente eliminação diante da número 90 Anna Schmiedlova antes de enfim esquentar e fazer um terceiro set decente. Zverev não correu tanto risco de eliminação, mas logo de início sofre o desgaste de 4h08 de esforço, com direito a raquete arrebentada e 73 erros, dos quais 14 duplas faltas. Lembremos que no ano passado ele até chegou nas quartas de Paris, mas ficou sem pernas após três jogos seguidos no quinto set. Para sua sorte, vem agora o inexperiente sueco Mikael Ymer.

O saibro nunca foi o piso predileto de Osaka e a pressão maior sobre ela pode ser a defesa de uma liderança frequentemente ameaçada nas últimas semanas. Na próxima rodada, terá de mostrar serviço diante de Vika Azarenka num duelo que promete tirar o fôlego. A bielorrussa despachou Jelena Ostapenko em mais uma exibição incrivelmente irregular da campeã de 2017, com direito a 33 winers e 60 erros. Aliás, fez 17 duplas faltas, quase o total de todas as 19 falhas de Azarenka na partida. Dado curioso mostra que Ostapenko só ganhou sete partidas em cinco participações em Roland Garros, exatamente as sete do título. A vida da letã continua um tudo ou nada.

E mais
– Considerados coadjuvantes por conta do físico incerto, Juan Martin del Potro e Fabio Fognini perderam sets na estreia mas achei que jogaram bem na maior parte do tempo. Delpo tem tudo para economizar energia: agora vem Nishioka, depois Karlovic ou Thompson e quem sabe Khachanov ou Pouille. A trajetória do italiano promete mais dureza, com Delbonis, talvez Bautista e aí Zverev.
– E o exército francês aumentou para 13, somando-se Monfils, Pouille, Mannarino e três novatos (Hoang, Barrere e Benchetrit), mas duvido que a metade disso avance. Gael permanece como melhor aposta. O feminino ficou restrito a Garcia, Mladenovic e à garota Parry.
– Halep iniciou a defesa do título com altos e baixos, mas a tendência é que evolua. Com a saída de Kvitova, a vaga na semi ficou muito mais fácil.
– Monteiro poderia ter jogado melhor diante de Lajovic, ainda que o sérvio tenha mostrado uma boa diferença técnica. Faltou ‘punch’. Bruno e Jamie fizeram uma despedida melancólica, sinal que era mesmo hora de mudar. Melo e Kubot avançaram e Demoliner ainda vai estrear.

A quarta-feira
– Nadal e Federer jogam em estádios separados, com chance de se misturarem nos horários, mas pegam alemães sem curriculo. O melhor do dia pode ser Nishikori-Tsonga, Wawrinka-Garin ou Cilic-Dimitrov.
– Não acredito muito em Tsonga, acho Garin perigoso e gostaria de ver Dimitrov reagir, agora que contratou Stepanek para trabalhar junto a Agassi, repetindo o dueto dos tempos de Nole.
– Pliskova e Bertens tem amplo favoritismo e tomara que Svitolina e Muguruza confirmem para fazer o duelo direto de terceira rodada. Mladenovic-Martic pode dar grandes emoções, Stephens precisa entrar firme diante de Sorribes.