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Nadal salva a Copa Davis
Por José Nilton Dalcim
24 de novembro de 2019 às 22:47

O número 1 do mundo jogou um tênis espetacular nas oito vezes que entrou em quadra, foi essencial na conquista do sexto título da Espanha e salvou a primeira edição em que a Copa Davis mudou radicalmente seu formato. Sim, porque ao levar a Espanha até a final, jogando simples e duplas, ele garantiu casa lotada o tempo inteiro nos jogos de seu país, diminuindo a sensação de vazio que se viu nas arquibancadas durante os outros confrontos da semana. O que aconteceria se dessem canadenses contra argentinos ou russos frente britânicos na decisão deste domingo?

Além do mais, Rafa tem aquilo que pode se chamar de ‘espírito de Davis’: extremamente competitivo, vibrante, envolvente. Ganhou tudo na Caixa Mágica: cinco de simples sem perder set ou ter sequer o serviço quebrado, e mais três de duplas, duas delas para marcar viradas diante de Argentina e Grã-Bretanha em jogos duríssimos e de tirar o fôlego. Atinge agora 29 vitórias individuais consecutivas desde 2004.

Sua importância para o time é indiscutível, tendo participado de cinco dos seis títulos conquistados – o único foi justamente o primeiro, em 2000 -, e entrado em quatro finais, a começar por 2004 quando ainda era juvenil. A contusão de 2008 o impediu de ir a Buenos Aires na vitória histórica sobre a Argentina. As outras conquistas vieram em 2009 e 2011, curiosamente em temporadas nas quais Nadal não estava no auge da carreira.

Ficam as dúvidas
No quesito meramente esportivo, que deveria ser o que mais importa, o novo formato da Davis não foi nada ruim. Ainda que alguns nomes mais conhecidos do circuito tenham faltado, três dos Big 4 competiram e houve jogos de nível muito bom, partidas decididas no detalhe, emoção em diversos confrontos. E muito brilho da nova geração, com destaque para Denis Shapovalov, Andrey Rublev e Kyle Edmund.

Mas é claro faltou algo essencial quando se pensa em Davis: a torcida. Andy Murray chegou a convocar ‘britânicos que estivessem em Madri’ pelas redes sociais, dando ingresso, na tentativa de engrossar as vozes na semifinal contra a Espanha. O irmão Jamie pesquisou e divulgou até os preços das passagens aereas. Situação um tanto patética para uma competição que sempre se prezou por lotar estádios nos grandes confrontos.

Existem outros problemas claros a resolver. Para garantir o mínimo de público participante, parece pouco provável que a fase final saia da Europa, já que o Velho Continente reúne a maior parte dos países envolvidos e a curta distância de fronteiras ainda permite a presença de torcedores mais diversos, como vimos em Madri. Os EUA poderiam ser uma opção, ainda que mais cara; a América do Sul traz um complicador evidente e a Austrália, nem pensar.

A se manter o atual calendário – e não há brechas no momento para uma mudança -, o piso sempre será o duro coberto, porque não teria o menor sentido forçar os tenistas a mudar repentinamente para o saibro tão no fim da temporada. Até a Caixa Mágica foi obrigada a evitar a terra. E como o aperto da programação não dá espaço para adiamentos, o teto é sine qua non.

Ou seja, a Davis perde todo seu caráter secular de imprevisibilidade e adaptação. Mas ok, é um detalhe que pode ser relegado num momento em que o tênis está bem padronizado. Claro que as chances de um país de saibro ir longe ficam prejudicadas. E daí?, devem pensar os promotores.

Será inevitável a comparação com a estreante ATP Cup de janeiro, que terá 24 países, portanto seis a mais que a fase final da Davis, e acontecerá em três locais diferentes da Austrália. Porém o sistema será parecido: seis grupos de quatro, todos contra todos, com campeão da chave indo às quartas, tudo em melhor de três sets. A diferença substancial é que valerá pontos para o ranking, servirá de aquecimento para o Australian Open e deve reunir a maior parte dos top 20 do ranking.

E mais
– Roberto Bautista perdeu o pai Joaquin na sexta-feira, mas voltou a Madri no domingo para vencer o primeiro duelo da final. Sua mãe Ester havia falecido no ano passado.
– Feliciano Lopez é o outro integrante do time atual da Espanha a ter disputado quatro finais de Davis.
– O Canadá eliminou Itália, EUA, Austrália e Rússia, repetindo um feito de 106 anos, quando atingiu a final do ‘challenge round’ então pela única vez.
– Os quatro semifinalistas deste ano – Espanha, Canadá, Rússia e Grã-Bretanha – estão garantidoso na fase final de 2020, ao lado dos convidados França e Sérvia.
– Os outros 12 participantes serão definidos no quali de 6 e 7 de março, e o Brasil deu azar: terá de ir à Austrália. Duelos interessantes: Argentina x Colômbia, Áustria x Uruguai, Japão x Equador e Suécia x Chile.
– A Sérvia sofreu dolorosa derrota nas duplas decisivas contra a Rússia nas quartas de final, tendo dois match-points. Isso também marcou o adeus definitivo do ex-top 10 Janko Tipsarevic, que atuou em simples na semana.

Modo de economia
Por José Nilton Dalcim
31 de agosto de 2016 às 00:18

Para quem saiu do Rio e de Cincinnati com cara de esgotado, Andy Murray tinha mesmo de levar a sério sua estreia no US Open. Sem brincadeiras, aproveitando as oportunidades de quebra e com um saque bem calibrado, passou com tranquilidade pelo encardido Lukas Rosol, um adversário que gosta de colocar pressão e variar o ritmo.

Faltou ao escocês, a meu ver, a disposição de ir mais à rede e evitar o desgaste de correr tanto atrás da bola nos contra-ataques de fundo de quadra. Ele tentou apenas 12 voleios, ainda que tenha vencido 10 desses pontos. É pouco para sua qualidade. Agora, enfrentará o veterano espanhol Marcel Granollers, que tem um pouco de Rosol no quesito ofensividade e boa mão.

As vitórias de Stan Wawrinka e Juan Martin del Potro também foram em sets diretos, mas nos dois casos achei que ambos poderiam ter sacado bem melhor. Isso facilitaria para definir com maior rapidez os pontos, pouparia o físico e evitaria riscos. De qualquer forma, os dois também entraram no ‘modo econômico’ e jogaram o suficiente. A diferença é que Wawrinka enfrentará um desconhecido Alessandro Giannessi, enquanto Delpo vai encarar o cabeça 19 da casa Steve Johnson.

Dos 64 jogos masculinos de primeira rodada, 18 foram ao quinto set e desses sete marcaram viradas de 2 sets abaixo. A maioria dos analistas acredita que o piso um pouco mais veloz em Flushing Meadows é o responsável por esse maior equilíbrio tão precoce. Gostei.

Destaques
Que estreia diferente de Serena Williams. Há muito tempo não a via tão tranquila, consciente e concentrada numa primeira rodada de Grand Slam. Nada de gritos, exageros na força ou jogadas mirabolantes. Foi é claro agressiva, pressionou nas devoluções e sacou com notável eficiência, porém tudo de forma tão absurdamente natural que não deu espaço para a boa canhota Ekaterina Makarova se aventurar.

A rodada feminina teria sido trivial, com vitórias fáceis de Aga Radwanska, Simona Halep e Karolina Pliskova, não fossem os altos e baixos de Venus Williams, que só foi ganhar no terceiro set. Mas ela tinha seus motivos: nesta terça-feira, passou a ser a profissional com maior número de Grand Slam disputados (72), à frente de Amy Frazier (71) e Fabrice Santoro (70).

E o que dizer da ‘bicicleta’ que Teliana Pereira levou em 46 minutos? Claro que é um resultado frustrante para a brasileira, que vive um momento sem confiança recheado de derrotas fulminantes. Curioso lembrar que no ano passado ela deu sufoco na eventual campeã, Flavia Pennetta. É evidente que terá de repensar calendário agora que o ranking desabou – deve sair do top 150 após o US Open – e remar tudo de novo. Tomara que a velha garra ainda esteja lá.

Drops
– Janko Tipsarevic eliminou Sam Querrey e de certa forma vingou o amigo Novak Djokovic. Não sei se é um recorde, mas Tipsarevic já se retirou 18 vezes em meio a uma partida em sua carreira, sendo seis delas de Grand Slam. Retorna após séria contusões no pé e joelho, tendo entrado com ranking protegido uma vez que ocupa o 250º posto.
– Damir Dzumhur despachou o intragável Bernard Tomic em quatro sets. O bósnio de 24 anos nunca havia vencido no US Open em quatro tentativas (dois qualis e duas chaves principais). Tomic falou barbaridade para um espectador e espera-se punição da ATP.
– Dominic Thiem não está convencendo. Ele machucou o quadril em Toronto e pulou fora de Los Cabos. Parece desanimado e errático. Escapou hoje no quinto set.
– Jared Donaldson não mereceu aposta da USTA, ficou sem convite mas passou o quali e causou a maior surpresa do torneio até agora ao tirar o cabeça 12 David Goffin. O garoto de 19 anos e 1,88m é pouco badalado. O belga, nosso adversário na Copa Davis dentro de 19 dias, nunca brilhou mesmo em Nova York, barrado nas terceiras rodadas dos dois últimos anos.

Está faltando top 10
Por José Nilton Dalcim
28 de abril de 2013 às 20:35

Amigo antigo e fervoroso seguidor do circuito masculino me cutucou neste domingo, logo após a previsível vitória de Rafael Nadal sobre Nicolás Almagro, e decidi ver se ele tinha alguma razão ao afirmar que o top 10 de hoje se limita a oito tenistas. O resto não merece, ou não faz nada de espetacular para estar ali.

Procurei ser cauteloso e talvez discorde de Richard Gasquet. Ainda que ele não tenha cumprido tudo o que se esperava dele, é um jogador com títulos no sintético (4), no saibro (2), na grama (2) e até no carpete (1), sendo dois deles nesta temporada. Foi às oitavas em sete dos últimos oito Slam, ainda que sua única semi tenha acontecido em Wimbledon de 2007.

Mas daí para baixo… Dá realmente para ficar preocupado. O sérvio Janko Tipsarevic construiu seus pontos em torneios pequenos e alguma regularidade nos maiores. Possui recordes positivos nos três pisos ao longo da carreira. Porém sua fase atual é péssima e só mesmo a incompetência dos concorrentes diretos o ajuda a se manter no posto.

Isso inclui os instáveis Marin Cilic e Nicolás Almagro, o ainda limitado Milos Raonic, o velho Tommy Haas e o eternamente contudido Kei Nishikori. Para Gilles Simon falta força, para Stan Wawrinka falta cabeça. Andreas Seppi e Juan Mónaco… não dá para levar a sério, muito menos Sam Querrey.

Almagro é um azarado. Fez todas as 20 finais na carreira no saibro, onde ganhou 12 vezes, mas esse é justamente o piso do rei Nadal, sem falar em David Ferrer. Aí sobra pouco. Fez só uma semi de Masters, nunca passou das quartas em Slam. E provavelmente nem vá. Cilic já teve melhores dias, até se recuperou nos últimos 12 meses e ninguém duvida de seu potencial interessante, que no entanto raramente se confirma.

Na ala dos contundidos, que poderiam lutar pelo posto, acho que o ‘desfalque’ real é Mardy Fish, que já ganhou 24 vezes de adversários top 10 e totaliza 20 finais na carreira. Nenhum de seus seis títulos é expressivo, mas ele já fez decisões em três diferentes Masters e brilhou em todos os pisos, do saibro à grama.

Gael Monfils talvez também pudesse estar por ali, mas convenhamos que o francês é mais esforçado do que talentoso. Tem tão somente quatro títulos de ATP 250, três semi de Masters (dois vices em Paris) e quatro quartas de Slam (uma semi). John Isner soma dois troféus a mais, mas todos de nível 250, fez uma isolada final de Masters e ainda exibe um currículo sem brilho nos Slam.

Entre os que já foram top 10, mas vivem hoje um clima de aposentadoria, a lista é grande e inclui do decadente Fernando Verdasco aos veteranos Lleyton Hewitt, James Blake, Nikolay Davydenko e Radek Stepanek. Não dá para esperar quase nada de realmente grande desse valoroso grupo no tênis de hoje.

A conclusão me parece óbvia: há oito tenistas em atividade com técnica e físico de primeiríssima linha e só mesmo Ferrer, Tomas Berdych, Juan Martin del Potro e Jo-Wilfried Tsonga podem encarar o Quarteto Fantástico com pelo menos 30% de chance na maciça maioria dos torneios e dos pisos. Sem mudanças a curto ou nem mesmo a médio prazos.

Campeões – Maria Sharapova começou muito bem sua dura tarefa de defender três títulos e muitos pontos no saibro europeu, que não era seu forte até o ano passado. A russa me pareceu estar com pernas mais fortes e com a necessária paciência que tal quadra exige. A vitória sobre Na Li foi incontestável e vai ajudar muito na confiança daqui para a frente, quando Vika Azarenka deve voltar ao circuito e Serena Williams sempre é uma ameaça.

E Bruno Soares chegou ao terceiro título da temporada e o 13º da carreira. Com isso, voltará a ocupar o 14º posto do ranking, igualando sua melhor marca pessoal. Mais importante ainda, ele o austríaco Alexander Peya passam a ser a terceira parceria mais bem pontuada da temporada, com 1.560 pontos, apenas 200 atrás de Granollers/López.

A tão sonhada vaga para o Finals de Londres pode muito bem ser garantida nos próximos dois Masters e em Paris, já que o saibro tem se mostrado um ótimo piso para a dupla.