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Louvável derrota
Por José Nilton Dalcim
5 de março de 2022 às 20:21

A entrada de última hora de Alexander Zverev no já forte time alemão reduziu a chance brasileira de chegar pela primeira vez à fase final da Copa Davis, mas a derrota não foi amarga. Longe disso. Todos os brasileiros que entraram no saibro do Parque Olímpico mostraram tênis competitivo e muita garra. Não fosse a distância técnica tão grande para o número 3 do mundo, poderíamos até ter vencido.

Zverev nem jogou tão bem, mas sua vasta experiência em grandes torneios e principalmente o poderoso saque acabam criando um considerável abismo. Na sexta-feira, Thiago Wild encarou bem as trocas, apesar de ter insistido demais em cruzar o backhand, e suas chances esbarraram quase sempre no serviço do alemão. A devolução ainda é um dos pontos que o paranaense pode melhorar muito.

Já no sábado, Thiago Monteiro não se achou no primeiro set e mostrou certa precipitação para trocar direções, mas depois fez uma segunda parcial muito decente. Seus golpes ficaram consistentes e isso induziu Zverev a erros. Faltou aquela profundidade de bola que Monteiro mostrou contra Matteo Berrettini. Ainda assim, chegou a ter set-point.

O canhoto cearense continua com grande volume de jogo e obteve uma de suas melhores vitórias da carreira sobre Jan-Lennard Struff. Estava sob pressão do empate e viu um adversário muito agressivo a partir do segundo set. A parada de poucos minutos colocou sua cabeça no lugar e ele voltou para a série decisiva com aplicação e precisão. Colocou Struff para correr e usou muito bem o forehand.

Como eram esperadas as duas vitórias de Zverev, a dupla teve aquele enorme peso. Não se pode reclamar da atuação da parceria Bruno Soares e Felipe Meligeni. O mineiro talvez pudesse ter acertado duas ou três devoluções que fariam diferença. Meligeni por seu lado se mostrou uma aposta acertadíssima do capitão Jaime Oncins e foi o melhor jogador em quadra. A mescla com a experiência de Soares deu muito certo.

Perdemos, é verdade, porém numa questão de detalhes num terceiro set bem apertado e num jogo de apenas dois break-points convertidos, um para cada lado. Tim Puetz e Kevin Krawietz são dois excelentes duplistas, marcaram a quinta vitória lado a lado e nunca perderam na Davis (oito para Puetz e sete para Krawietz).

Pena que nunca saberemos como teria sido um quinto jogo entre Wild e Struff. O fato é que caímos de cabeça erguida e que isso sirva de grande motivação para todos os envolvidos. Como sempre, haverá quem diga que o tênis brasileiro não tem nível para estar entre os 16 finalistas, mas eu garanto que este grupo não é jamais inferior a Suécia ou Coreia, que se classificaram. Sorte faz parte do jogo.

Voltaremos a jogar em setembro pelo Grupo Mundial I, o que significa que precisamos ganhar para ter outra chance no qualificatório de 2023. É preciso ainda esperar o fim da repescagem deste fim de semana e o novo ranking, na segunda-feira, para sabermos os possíveis adversários. Isso é decidido em sorteio, assim como quem será o mandante.

Várias potências superaram a rodada deste final de semana e estão garantidas na fase final da Davis, a de grupos, em setembro: Alemanha, Espanha, França, Itália, EUA, Austrália e Argentina. Também jogarão Holanda, Cazaquistão, Bélgica, além das já citadas Coreia e Suécia. Esses países se juntam a Croácia, vice de 2021, e às convidadas Sérvia e Grã-Bretanha. A Rússia, atual campeã, está provisoriamente vetada por conta da invasão à Ucrânia e seu lugar será definido até lá.

As chances de surpreender a Alemanha de novo
Por José Nilton Dalcim
3 de março de 2022 às 21:25

A situação é um tanto semelhante à de 1992, quando também escolhemos o saibro do Rio de Janeiro em meio ao duro verão para encarar um time de largo histórico na Copa Davis e que alinhava um jogador de alto nível, então Boris Becker. O time nacional não era espetacular, mas contava com o experiente Luiz Mattar, o ascendente Jaime Oncins e a dupla confiável de Cássio Motta e Fernando Roese.

Nesta sexta e sábado, voltamos a encarar o favoritismo dos alemães com time que conta com Thiago Monteiro em boa fase e um talento como Thiago Wild para encarar o número 3 do mundo Alexander Zverev e o instável Jan-Lennard Struff. Há também algumas importantes diferenças. Em que pesem os currículos desiguais, Sascha joga muito melhor no saibro do que Becker. E não existem mais os cinco sets, que poderiam ‘fritar’ a cabeça adversária como Nico fez com Becker a ponto de o fazer desistir do dia de jogos decisivos.

Temos chance? Com certeza. Será difícil obviamente ganhar de Zverev e para isso precisaremos contar com um apuro tático excepcional e um dia não muito inspirado do alemão. Diante do excepcional sacador e sem ter devolução de grande eficiência, Wild primeiro e depois Monteiro terão como meta essencial evitar quebras porque a recuperação tenderá a ser bem difícil. Há um buraco a explorar ali no lado direito, especialmente se colocarem Zverev em movimento. E, é claro, chamar Sascha para a frente.

Mas a chave está mesmo em Monteiro ganhar do Struff no segundo jogo desta sexta-feira. Os dois se conhecem e o canhoto cearense ganhou dois dos três duelos sobre o saibro. Ex-top 30, Struff está num momento ruim. Só venceu um de seus seis jogos nesta temporada, fez uma única semifinal de ATP nos últimos oito meses mas não pode ser nem de longe menosprezado. Em Roland Garros do ano passado, como exemplo, bateu Carlos Alcaraz em sets diretos.

Se conseguirmos chegar empatados no domingo, a dupla será fundamental e aí fica a maior dúvida. O capitão Jaime Oncins ousou, substituiu Marcelo Melo por Felipe Meligeni, que vem do título em Santiago ao lado de Rafael Matos, e aí será preciso ver qual o entrosamento que será obtido com Bruno Soares, o vice do Rio Open 12 dias atrás. Por enquanto, a Alemanha escalou os especialistas Tim Puetz e Kevin Krawietz, mas não ficarei surpreso se Zverev entrar de última hora.

Torcida não ganha jogo, mas será bem legal ver o Parque Olímpico cheio para motivar da forma correta o Brasil. A vitória vale um lugar de muito prestígio – e ótima premiação – na fase de grupos da Final da Davis, em setembro, quando provavelmente os confrontos serão sobre piso sintético coberto.

Nos demais 11 classificatórios deste fim de semana, espera-se vitórias sem sustos de França sobre Equador, Espanha contra Romênia, EUA frente a Colômbia, Argentina contra os tchecos e Austrália sobre os húngaros. Emoções maiores podem pintar nos duelos Finlândia-Bélgica, Holanda-Canadá, Eslováquia-Itália e Noruega-Cazaquistão. Sem grandes estrelas, Suécia joga em casa contra o Japão e a Coreia encara a Áustria.

Os top 50 que ainda buscam seu primeiro ATP
Por José Nilton Dalcim
23 de janeiro de 2021 às 11:30

Regularidade é o fator essencial para um tenista se sustentar numa classificação alta no ranking internacional. Mas é possível manter uma boa carreira sem ao menos ganhar um título de nível ATP?

No momento em que a temporada 2021 começa, o tênis masculino possui cinco jogadores entre os 50 melhores do mundo que ainda não chegaram lá, como mostra interessante levantamento de Lorenzo Ciotti no Tennis World.

O caso mais relevante é o ainda garoto Felix Aliassime, de 20 anos. O 21º do ranking que já figurou no 17º posto perdeu todas as seis finais de ATP que disputou sem jamais ganhar um set. Três delas foram no ano passado (Roterdã, Marselha e Colonha) e outras três, em 2019 (Rio, Lyon e Stuttgart), o que curiosamente inclui saibro, grama e sintético.

Pela ordem de ranking, aparece depois o sérvio Filip Krajinovic, 31º, que aos 28 anos teve três chances e não cacifou. Sua primeira final foi no Masters de Paris de 2017 e as outras vieram em Budapeste e Estocolmo de 2019. Outro jogador de inegável talento, Krajinovic já foi 26º do mundo.

Já ‘trintão’, Daniel Evans está em 33º e deve ser cabeça no Australian Open. Jogador versátil e cheio de toques, foi vice em Sydney-2017 e Delray Beach-2019, quando chegou a ter três match-points. Recorde-se que o número 1 britânico do momento crescia no circuito em 2017 quando foi flagrado no antidoping por cocaína e acabou suspenso por 12 meses.

Ainda mais curiosa é a situação do alemão Jan-Lennard Struff, 37º hoje e que já figurou no 29º. Dono de um tênis vistoso, ele já passou da casa dos 30 anos e jamais disputou sequer uma final. Fez seis semis na carreira, nenhuma em 2020.

Por fim, o promissor e irreverente Alexander Bublik, de 23 anos e agora 45º do ranking, tem mostrado claro progresso técnico e deixou de ser um jogador limitado a grande saque. Fez duas finais em 2019, em Newport e em Chengdu, onde ficou muito perto da conquista, e já começou 2021 com o vice em Antalya, mas se contundiu ainda no segundo game.

Quem vai acabar com o jejum antes? Façam suas apostas.

Vale comentar
– Cinco vezes finalista, Murray ficará pela terceira vez em quatro anos sem disputar o Australian Open. É um desfalque, ainda que suas chances não fossem significativas. Ele pegou Covid pouco antes de embarcar e não se recuperou com tempo hábil para cumprir a quarentena obrigatória.
– A confirmação da contaminação da espanhola Paula Badosa e seu treinador enterra o discurso contrário às rígidas medidas de segurança adotadas na chegada dos estrangeiros a Melbourne. Os dois fazem parte do extenso grupo colocado em total isolamento. O que teria acontecido se assim não fosse?
– Sobre o esquema cauteloso adotado pela Tennis Australia, recomendo a leitura da entrevista de Milos Raonic
– Ficaram bem interessante as chaves da ATP Cup. Djokovic deverá enfrentar Shapovalov e Zverev, Nadal pode ter pela frente Tsitsipas e De Minaur, Thiem se testará contra Berrettini e Monfils e Medvedev jogará contra Schwartzman e Nishikori. Nada mau para uma pré-temporada tão longa.