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Djoko amplia façanhas, Zverev assusta
Por José Nilton Dalcim
3 de setembro de 2021 às 00:51

A excepcional qualidade da devolução, que obrigou o adversário a jogar praticamente todos os pontos depois do seu serviço, foi mais do que suficiente para Novak Djokovic avançar sem desgaste à terceira rodada do US Open.

Por isso, nem mesmo a perda de um serviço no segundo set e a disputa de alguns games mais apertados fez qualquer diferença. O sérvio se mostrou outra vez muito concentrado e irá rever no sábado o ‘freguês’ Kei Nishikori, que precisou sobreviver a maratona 4 horas de cinco sets contra Mackenzie McDonald. A cena do japonês se arrastando pela quadra após suadas trocas contra Nole é bem conhecida.

Com o segundo dos sete passos que precisa para o grande feito, Djokovic também se isola ainda mais dos concorrentes. Agora, é o único a somar ao menos 77 vitórias em cada Slam, que se somam às 79 em Wimbledon, 81 em Paris e 82 em Melbourne.

Nishikori de qualquer forma aumenta sua marca de 27 vitórias em 34 partidas que foram ao quinto set, a maior entre os jogadores em atividade.

É inegável que Alexander Zverev também viveu uma quinta-feira inspiradíssima e atropelou de forma impiedosa o canhoto Albert Ramos, com estatísticas notáveis: 81% de primeiro saque em quadra, com sucesso em 40 de 43 desses pontos, nenhum break-point cedido e 27 a 10 nos winners. Atuação assustadora.

Para ir às oitavas, terá de passar por um surpreendente Jack Sock, o ex-top 10 que hoje é 184º após muitas contusões e perda total de confiança. É a primeira vez que ganha dois jogos seguidos de Slam desde o Australian Open de 2017, período rm que virou grande duplista com quatro troféus de Slam. A vitória sobre Alexander Bublik em cinco sets foi empolgante. E olha que o cazaque disparou 40 aces contra 9.

Pliskova escapa
Mais uma grande noite para o tênis feminino na Arthur Ashe. Karolina Pliskova e Amanda Anisimova fizeram um duelo milimétrico, com golpes espetaculares de lado a lado, nervos no topo, coragem e precisão em momentos de extrema pressão.

Pliskova disparou 24 aces, Anisimova fez 44 winners no total e a decisão no tiebreak viu match-points para os dois lados. A vice-campeã de Wimbledon deste ano e do US Open de 2016 avança para encarar Ajla Tomljanovic certa de que há ainda muitos desafios pela frente nesta dura chave.

Ashleigh Barty desta vez não me agradou. A jovem Clara Tauson é de nível claramente inferior, mas a número 1 não se soltou. Agora reencontra pela quinta vez neste ano a local Shelby Rogers, tendo vencido todas.

Já a campeã olímpica Belinda Bencic fez jogo tranquilo, mas agora começam suas provações: Jessica Pegula e depois Iga Swiatek ou Anett Kontaveit. A polonesa levou um bom susto diante de Fiona Ferro.

Bianca Andreescu sofreu bem menos nesta segunda rodada e é super favorita diante de Greet Minnen, mas depois terá Petra Kvitova ou Maria Sakkari. Ou seja, tudo pode acontecer.

E mais
– Karatsev salvou dois match-points contra Thompson e enfrenta a sensação local Brooksby, que virou contra Fritz, foi duas vezes ao vestiário e gastou um total de 20 minutos por lá. E fez um lance incrível. Quem vencer, deve ser o adversário de Djokovic nas oitavas.
– Aos 37 anos, Seppi perdeu feio o primeiro set e depois se agigantou contra Hurkacz. Boa chance de dar duelo italiano nas oitavas contra Berrettini. O cabeça 6 não pôde vacilar contra Moutet.
– Monfils contra Sinner deve ser melhor duelo da parte de cima da chave nesta terceira rodada. O francês deu show e ganhou até a torcida, mesmo enfrentando Johnson. O italiano quase se enrolou contra o promissor Svajda, americano de 18 anos e 716º do ranking mas de personalidade e bons golpes.
– Setor mais enrolado terá Opelka-Basilashvili e Shapovalov-Harris.
– Dia muito positivo para os duplistas brasileiros, com vitórias de Stefani, Soares, Demoliner e Monteiro. Só mesmo Melo caiu, e duas vezes, incluindo as mistas com a Luísa. E o dia foi de zebras, com quedas de Mektic/Pavic e Krejcikova/Siniakova.
– Estrela em Wimbledon onde fez oitavas, Raducanu ‘furou’ o quali em Nova York e já ganhou duas na chave.
– Kerber venceu jogo atrasado da parte inferior da chave e marcou duelo de campeãs diante de Stephens para esta sexta-feira.

Big 3 em crise
Por José Nilton Dalcim
5 de agosto de 2021 às 23:13

Novak Djokovic teve uma passagem amarga pelos Jogos Olímpicos de Tóquio, tanto no resultado como no comportamento. Rafael Nadal não mostrou grandes qualidades nos dois jogos que fez em Washington ao retornar à quadra após dois meses de inatividade. Roger Federer não vai a Toronto nem a Cincinnati, sinal indicativo de que também ficará fora do US Open. O poderoso Big 3 está em crise.

Nas cinco horas que ficou em quadra na festiva passagem inédita pela capital norte-americana, Rafa deixou mais perguntas do que respostas. Atuações irregulares eram naturalmente esperadas, mas ele não mostrou nada empolgante exceto seu excepcional espírito de luta.

O saque continua a ser o ponto baixo e, num piso um tanto veloz, isso compromete muito. Foram poucos os momentos em que conseguiu ser agressivo. Seu primeiro set contra Jack Sock talvez tenha sido onde o forehand mais funcionou. Depois,vieram tremendas oscilações, algo um tanto inconcebível diante de um jogador tão limitado como o ex-top 10.

O espanhol acusou ainda dores no pé, mas isso não parece ter sido o problema contra Lloyd Harris. O sul-africano jogou bem, foi ousado e sacou muito em momentos importantes do terceiro set, em que tudo parecia a favor de Nadal. O game final no entanto reviveu o fantasma do saque falho e pouco contundente, que permitiu ao valente adversário entrar nos pontos com bolas profundas.

Deslocado pela primeira vez para fora do top 3 desde maio de 2017 – perde 500 pontos de Toronto em calendário antecipado em uma semana -, Nadal será o cabeça 2 no Masters canadense. que costuma ter um piso sintético menos rápido. Ele com certeza sabe que precisa melhorar em todos os aspectos, porque o US Open está ali bem pertinho.

Duro presente de 40 anos
A três dias de completar seu 40º aniversário, Roger Federer deu uma notícia muito ruim para o tênis e a seus fãs. Não disputará qualquer dos Masters 1000 sobre quadra dura, em Toronto ou Cincinnati, o que compromete decisivamente sua presença no US Open.

O motivo é também preocupante: o incômodo no joelho, que teria sentido ao longo da curtíssima temporada de grama, não lhe dá condições de jogar. Não se sabe exatamente sobre qual dos joelhos Federer se refere, mas ele já operou os dois por duas vezes, embora a recente complicação no direito, ocorrida em 2020, seja sem dúvida um indicativo temeroso.

Depois de 14 meses de inatividade, Roger disputou apenas cinco torneios desde março e venceu muito pouco. Perdeu jogos bobos em Doha e Genebra, chegou na terceira rodada de Roland Garros porém fez um esforço tão grande que o levou ao abandono, fez uma exibição horrível na derrota em Halle e apenas se salvou com as quartas de Wimbledon, ainda que a imagem final tenha sido uma queda física e técnica acentuada que o levou a um impensável ‘pneu’ na grama sagrada.

É difícil ser otimista. Contusões no joelho são por si só um grave problema para qualquer tenista, mas pior ainda para alguém com tantos anos de circuito e numa faixa etária elevada. Sem falar que daqui até abril o circuito basicamente acontece no piso sintético, que costuma penalizar esse tipo de lesão.

Sascha brilha, diverte e cala críticos
Por José Nilton Dalcim
18 de novembro de 2018 às 22:29

Alexander Zverev divide corações. Considerado o maior expoente da nova geração, acrescenta a sua coleção de grandes títulos o ATP Finals, quinto maior torneio da temporada, ao derrotar em sequência, e sem perder set, dois adversários que somam 11 troféus na competição e estão na lista dos melhores de todos os tempos.

Mas Sascha ainda não vingou num Grand Slam, irrita com seu comportamento por vezes juvenil, reclama demais dentro e fora da quadra, quebra raquetes e, dizem, tem sério problema com a disciplina, talvez o mais importante atributo de um tenista profissional.

Com um tênis de primeira linha e atitude exemplar, Zverev calou seus críticos num final de semana mágico. Ganhou de Roger Federer indo à rede, superou Novak Djokovic no fundo de quadra. Parece surreal. Lembremos ainda que barrou Marin Cilic em dois tiebreaks e foi de uma frieza cirúrgica no jogo que valia a semi diante de John Isner.

Esta é sua terceira real temporada entre os tops. Virou top 100 pouco depois de completar 18 anos, período em que se recusou a ficar nos challengers e se arriscou o tempo todo em qualis de ATP e Masters. Pensou grande, como tem de ser para alguém com seu talento.

A chegada de Ivan Lendl pode ter iniciado a transformação que tanto se cobra dele. O homem que mudou a vida de Andy Murray chegou pedindo maior rigor no trabalho físico. Sascha ganhou rapidamente massa muscular e vimos na final deste domingo o quanto isso fez diferença.

Lendl também é excepcional estrategista e provavelmente vai tentar tornar o forehand do alemão mais potente e eficiente, tudo muito semelhante ao que adicionou a Murray. Claro que Andy de então tinha mais pernas e versatilidade, mas faltava acreditar em si mesmo. Zverev precisa dar esse salto nos Slam.

A semana de Zverev deixa claro que ele está amadurecendo. Superou o amigo e ídolo Federer num jogo em que teve de lidar com o público e mostrar ousadia tática, encarou o embalado número 1 do mundo quatro dias depois de levar uma surra decidido a aguentar inúmeras trocas de bola sem perder a cabeça. Deixou escapar uma vantagem no começo do segundo set, mas jamais se apavorou. E fechou a cerimônia de premiação com um animado e divertido discurso. Ganhou bônus.

Nole, é verdade, foi caindo de produção a partir do final do primeiro set. Perdeu-se com seus erros e falta de potência do forehand, fez três voleios pavorosos e sofreu três quebras seguidas e uma quarta para perder o jogo. Muito para quem não havia cedido o saque até então. Houve uma queda física e a evidência disso foram a pressa para dar dropshot ou a busca do saque-voleio. De qualquer forma, Djokovic não tem do que reclamar de seu segundo semestre de ouro.

E mais
– Zverev é o mais jovem campeão de um Finals desde o próprio Djokovic, que tinha os mesmos 21 anos quando venceu a edição de 2008. A diferença, claro, é que naquela altura Djoko já havia conquistado um Grand Slam.

– Sascha é o terceiro alemão a conquistar o Finals. Boris Becker foi tricampeão em 1988, 1992 e 1995, enquanto Michael Stich triunfou em 1993.

– Com os 1.300 pontos que somou em Londres, Zverev termina a segunda temporada consecutiva na quarta posição. Está apenas 35 atrás de Federer.

– Em sua sétima final, Djokovic ficou com o vice no ATP Finals apenas pela segunda vez na carreira, repetindo o que aconteceu em 2016, quando perdeu a decisão para o britânico Andy Murray.

– Nole fecha a temporada com 9.045 pontos, mais de 1.500 de vantagem sobre Rafa Nadal, e tem apenas 200 pontos a defender até começar a temporada de saibro, em abril. Mas o espanhol também tem pouco: 360.

Mike, de novo
Para comprovar que é mesmo o maior duplista da história, Mike Bryan conquistou o Finals pela quinta vez na carreira em sete finais disputadas. O fato inusitado é que desde junho ele trocou de lado na quadra, passou a atuar do lado direito da dupla e ainda assim se entrosou tão bem com Jack Sock a ponto de vencerem os três mais importantes troféus desde então, ou seja Wimbledon, US Open e o Finals.

Mike tem 40 anos e acumula 121 títulos na carreira. Não tem a menor intenção de parar. Ao contrário, aguarda a recuperação do irmão canhoto Bob, que colocou prótese no quadril e tenta retornar em janeiro. Mike detém os recordes de mais títulos (112) e mais Slam (18), é mais velho número 1 e quem passou mais tempo na liderança (chegará a 474). Único a disputar 17 vezes o Finals – curiosamente, também se classificou com Bob em sexto lugar -, chegou a 42 vitórias. A maior coleção de títulos no entanto cabe a John McEnroe e Peter Fleming, com sete.

Sock, claro, é também um duplista de respeito. Há quatro anos, surpreendeu com o título de Wimbledon ao lado de Vasek Pospisil. Nesta temporada, com atuações sofríveis em simples, dedicou-se mais às duplas e venceu seu segundo Masters em Indian Wells  (ao lado do mesmo John Isner com quem ganhou Xangai no ano passado). Também foi campeão com o desconhecido Jackson Withron e com Nick Kyrgios. Vai terminar como número 2 do mundo.