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De olho nos velhinhos
Por José Nilton Dalcim
1 de julho de 2018 às 18:15

Até que sejam surpreendidos no torneio em que detêm o domínio mais significante de suas carreiras, a atenção deste Wimbledon estará em cima dos papais Roger Federer e Serena Williams. Aos 36 anos, os dois tentam dar outra prova de sua longevidade no circuito e do estilo mais que perfeito para a quadra de grama.

Mas há evidentes diferenças. Ainda que batido em recente final de Halle, o suíço não perdeu o favoritismo porque se poupou fisicamente nos últimos meses, reservando o máximo de energia para sua grande meta da temporada, que é chegar ao nono troféu no Club. A norte-americana, ao contrário, surge como incógnita. Jogou apenas quatro torneios desde a volta da maternidade e ainda saiu contundida de Roland Garros.

Qual a chance dos velhinhos? Federer tem uma sequência exigente, principalmente com a presença de Marin Cilic, mas se o saque funcionar e as pernas estiverem em dia, será difícil perder em cinco sets. É muito provável que esteja bem mais preocupado com o que vai acontecer do outro lado chave. Será que Rafa Nadal e Novak Djokovic irão mesmo longe? Ou a nova geração vai lhe dar uma boa chance, seja com Alexander Zverev ou Nick Kyrgios? A grama, é sintomático lembrar, dá grande privilégio à experiência.

Serena ganhou condição de cabeça e, mais que isso, uma chave bem favorável. Há poucos nomes de grande gabarito na grama no seu caminho à final. Se tiver a mesma dificuldade de deslocamento que mostrou nas primeiras rodadas de Roland Garros, terá de contar com sua arma essencial: o saque. Porém, é justamente o serviço o golpe mais afetado por sua contusão em Paris, a ponto de sequer ter exercitado o golpe nas últimas semanas. Muitas dúvidas.

Esta é a 132ª edição do mais antigo torneio do calendário, o que deu origem a tudo no tênis. Com aumento geral na premiação de 7,1%, os campeões de simples receberão 2,25 milhões de libras, algo em torno de R$ 11,5 milhões. O mero perdedor de primeira rodada embolsa 39 mil libras, ou R$ 200 mil. Eis por que vale tanto ser um top 100.

O que espera Federer
– Recordista de título no masculino, suíço tenta igualar os nove troféus de Martina Navratilova. Além deles, apenas Nadal e Margaret Court chegaram a tanto num Slam (ambos com 11).
– Pode recuperar a liderança do ranking se ganhar o torneio e Nadal perder antes das oitavas.
– Tenta defender seu título pela quinta vez, algo que ninguém fez. Borg segurou o troféu por quatro (1976-80).
– Se vencer três jogos, supera marca de 174 vitórias de Jimmy Connors sobre grama.
– Amplia recorde e chega a 73 Slam disputados.
– Iguala Connors com 20 participações em Wimbledon, porém consecutivas.
– Pode vencer seu quinto Slam após os 30 anos e superar os quatro de Laver e Rosewall

Outras façanhas
– Nadal tenta se tornar o segundo tenista na história a ganhar Paris e Londres no mesmo ano por três vezes. Borg fez em 1978-79-80, Laver tem dois em 62 e 69.
– Ao entrar em quadra, Feliciano López chegará a 66 Slam consecutivos e se tornará o recordista da Era Profissional
– Djokovic soma 58 vitórias em Wimbledon e pode alcançar as 59 de McEnroe e as 63 de Sampras
– Aos 39 anos e 137 dias, Karlovic é o mais velho na chave masculina. Aos 19 e 91 dias, Shapovalov é o mais jovem.
– Venus, de 38 anos, chega a seu 79º Grand Slam, recorde absoluto na Era Profissional.
– Serena pode superar Navratilova em aproveitamento no torneio. Ela tem 89,58% contra 89,63%. Graf lidera com 91,3%.

Frustração
Andy Murray causou enorme frustração. Na primeira chance que teve de ficar de fora, manteve o nome no sorteio da chave. No dia seguinte, treinou firme e deu entrevista oficial garantindo que jogaria. E menos de 12 horas depois, avisa que está fora. É compreensível que tema o esforço de disputar cinco sets, vindo da cirurgia no quadril e apenas três jogos disputados. Mas é frustrante vê-lo mudar de ideia toda hora. Pelo menos, por ficar de fora dos cabeças, não comprometeu a chave como fez no US Open.

Os livros que nunca deveriam ser escritos
Por José Nilton Dalcim
20 de setembro de 2017 às 23:10

Revendo meu longo arquivo de textos publicados aqui no Blog – estão perto de 2.000 -, achei algumas coisas muito divertidas. Algumas valem relembrar e, quem sabe, atualizar. Uma das mais comentadas foi a ‘Worst-sellers: os livros que nunca deveriam ser escritos no tênis’. Vocês se lembram?

Bom, o autor foi um internauta que se denominava “Action Jackson” no Forum MensTennis. Ele sugeriu livros que, se escritos, jamais seriam bem vendidos, verdadeiros ‘worst-sellers’. Uma brincadeira, é claro, que animou os participantes e rendeu centenas de sugestões hilárias.

Separei na época algumas, que considerei espirituosas e divertidas, mantive o texto em inglês para não roubar a força do original, com uma ligeira tradução para quem eventualmente não domina o idioma.

Fica a sugestão para vocês também ampliarem a lista e dar novas ideias de tema e autor. Já inclui certos personagens do tênis atual para ilustrar…

“You can’t read my mind! – The Art of hiding emotions on the tennis court”, por Marat Safin (A arte de esconder emoções). Hoje, quem sabe, poderíamos incluir Fabio Fognini e Nick Kyrgios.

“The Art of Serve and Volley”, por Andre Agassi (A arte do saque-voleio). A Jelena Ostapenko pode escrever o prefácio.

“How to Effectively Return Serve”, por Ivo Karlovic (Como devolver bem). Imbatível.

“Mental Toughness”, por Gaston Gaudio (Força mental). Richard Gasquet assinaria.

“Why I Love Tennis Journalists”, por Marcelo Rios (Por que amo os jornalistas). Quem mais?

“Predictable Tennis”, por Fabrice Santoro (Jogo previsível)

“Claycourt Tennis Made Easy”, por Pete Sampras (Como jogar fácil no saibro)

“How to comb your hair”, por Gustavo Kuerten (Como arrumar os cabelos)

“My Life as a Champion”, por Anna Kournikova (Minha vida de campeã)

“Winning Ugly”, por Roger Federer (Vencendo feio)

“Getting Lucky”, por Monica Seles (Tendo sorte)

“How to Get Him to Marry You”, por Miroslava Vavrinec (Como fazê-lo se casar com você)

“Public Relations Made Easy”, por Lleyton Hewitt (Relações públicas tornam mais fácil)

“Tactical Nous”, por Andy Roddick (Noções táticas)

“Percentage Tennis”, por Fernando Gonzalez (Tênis percentual)

Caminho aberto
Por José Nilton Dalcim
17 de janeiro de 2017 às 11:10

A estreia contra Fernando Verdasco parecia o maior problema de Novak Djokovic até pelo menos as quartas de final do Australian Open. Nem tanto pelo currículo do canhoto espanhol, mas pelo duelo de dias atrás em Doha. Assim, era fundamental ganhar e vislumbrar o bom horizonte que a chave inferior reservou para o hexacampeão.

Djokovic não jogou seu melhor. Nem de longe. Mas houve muito de culpa do próprio Verdasco, que fez um primeiro set medíocre e até mesmo no seu melhor momento se mostrou incrivelmente irregular. Nole se viu atrás do placar quase todo o segundo set e também no tiebreak, porém a inconsistência e insegurança do canhoto espanhol falaram mais alto. Terminou com 56 erros não forçados, o que equivaleu a 49% dos pontos do sérvio na partida.

O importante é que Nole passou a estreia, um momento sempre delicado num Grand Slam, sabendo que poderá evoluir muito a cada rodada. Por isso, o próximo adversário cai como uma luva: Denis Istomin, que certamente ficará lá no fundo de quadra dando o ritmo que Djokovic precisa para ir se soltando. Seu quadrante tem Pablo Carreño ou Kyle Edmund e mais à frente possivelmente Grigor Dimitrov ou Richard Gasquet. Os dois tiraram australianos em jogos que não servem para avaliações.

Para Rafa Nadal, duas boas notícias. A primeira foi sua própria atuação contra o chato Florian Mayer, um tenista que varia demais o ritmo e faz coisas malucas. O espanhol manteve a bola longa e sacou bem até de segundo serviço. Depois, viu Alexander Zverev ficar perto da derrota com intensos altos e baixos diante de Robin Haase. O holandês fez 3/1 no quarto set e cheguei a duvidar que o alemão teria cabeça para reagir, já que vinha ladeira abaixo. Agora, Rafa pega Marcos Baghdatis e Zverev faz jogo de novatos contra Frances Tiafoe.

Nos outros jogos, Milos Raonic e Gael Monfils foram muito bem, Dominic Thiem começou mal mas reagiu e David Goffin quase tropeça na juventude e saque poderoso de Reilly Opelka. Quem não sobreviveu aos erros foi Feliciano López, dominado pelo poder defensivo de Fabio Fognini.

No feminino, Serena Williams poderia ter saído melhor de quadra. Ficou sempre à frente nos sets, mas no primeiro perdeu um serviço e viu empate até 4/4. Daí disparou com o costumeiro estilo vigoroso, porém teve dificuldade inesperada para concluir a partida contra Belinda Bencic. Pode ter sido apenas um natural surto de ansiedade. Enfrentará agora a canhota Lucie Safarova, que perdeu todos os nove duelos. Karolina Pliskova praticamente treinou, Dominika Cibulkova e Johanna Konta venceram mas sem grande brilho.

Grande Rogerinho
E Rogério Silva, a caminho de seus 33 anos, lavou a alma do tênis brasileiro. Depois de ganhar apenas três games nos dois primeiros sets diante de um garotão com maior potência em todos os golpes, ele jamais desistiu. Primeiro, jogou mais perto da linha, pegou bola na subida e encurtou o tempo de Jared Donaldson. Depois, ao sentir que havia abalado a confiança do rapaz, forçou as trocas e usou muito bem as paralelas de backhand. Achou um caminho.

Esta foi apenas sua quarta vitória em Grand Slam e a primeira que não aconteceu no US Open. De qualquer forma, curioso que todas tenha sido na quadra dura. O páreo agora é ainda mais dificil: o experiente Gilles Simon, que adora jogo longo, para quem Rogerinho perdeu em Roland Garros do ano passado. Mesmo tendo caído no ranking, o francês venceu recentemente Sock, Bautista, Benneteau e Garcia-López no sintético. É favorito, mas de Rogerinho podemos esperar tudo, especialmente luta.

Façanhas e recordes
Foi um dia de interessantes façanhas no Australian Open. A maior, claro, pertenceu a Ivo Karlovic. A um mês de chegar ao 38º aniversário, sobreviveu 5h15 e marcou o set mais longo do torneio (22/20) e o recorde de aces no AusOpen (75). Fez dueto com outro ‘dinossauro’: Radek Stepanek, de 38, passou à segunda rodada vindo do quali.

Entre as meninas, a canhota Lucie Safarova anotou mais uma incrível virada na carreira e esta foi bem especial, depois de salvar nove match-points. Essa tcheca adora emoções fortes. Aos 34, Mirjana Lucic voltou a ganhar em Melbourne exatos 19 anos depois.

Alívio australiano
A torcida tem bons motivos para comemorar. E não é apenas porque cinco australianos superaram a estreia, mas principalmente porque vários são boas esperanças, como Alex de Minaur, Jordan Thompson e Andrew Whittington, sem falar nos explosivos Nick Kyrgios e Bernard Tomic. No feminino, Jaimee Fourlis avançou com seus 17 anos e se juntou a Ashleigh Barty, de 20, e a ‘importada’ Daria Gavrilova, de 22.

Quarta-feira
Com interessantes duelos de geração, o terceiro dia do Australian Open vê algo diferente: dos 16 jogos masculinos, oito serão inéditos no circuito. Entre eles, Murray-Rublev, Federer-Rubin, Querrey-De Minaur e Sock-Khachanov. Também nunca aconteceram Cilic-Evans e Tsonga-Lajovic.

Nishikori jogará pela sétima vez contra Chardy, tem 4-2 nos duelos e será preciso ver sua recuperação após os cinco sets da estreia. A se observar também o reencontro de Kyrgios-Seppi em Melbourne. Em 2015, o australiano saiu de dois sets abaixo e foi vencer 8-6 no quinto.

A programação feminina é bem menos empolgante, mesmo com Kerber em quadra. Será legal torcer para Bouchard e Vandeweghe vencerem e fazerem duelo para ver quem irá encarar a cabeça 1 em seguida. Kuznetsova encara a juventude de Fourlis. Vale conferir a batalha de golpes agressivos de Puig e Barthel.