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De olho em Kyrgios
Por José Nilton Dalcim
6 de março de 2019 às 01:11

Nick Kyrgios mostrou ao longo da semana passada por que é considerado, com justiça, o nome de maior talento da nova geração. Além de suas jogadas espetaculares, aquele misto tão especial de força e jeito, e da incrível capacidade de improvisação, ingredientes que passam longe dos demais Next Gen, desta vez ele conseguiu segurar a cabeça e mostrar grande preparo atlético.

Foi exigido em quatro partidas de extrema dificuldade física e emocional. Esteve contra a parede diante de adversários de excepcional currículo, como Rafa Nadal e Stan Wawrinka, e aguentou a ira de boa parte do público. Não teve o comportamento que se espera – poderia muito bem ter evitado a cena final do ‘cala boca’ quando acabava de demolir Alexander Zverev -, porém controlou seu pior defeito, quando perde a vontade de jogar nos dias duros.

Pois é esse Kyrgios, que promete mais uma vez criar juízo, que precisamos ficar de olho em Indian Wells. Se a lógica prevalecer, ele deve cruzar com Novak Djokovic logo na terceira rodada e é bom lembrar que o australiano adora jogos importantes e que venceu Nole nos dois duelos oficiais já feitos, em 2017, um deles aliás em Indian Wells.

O sorteio da chave colocou outros desafios para Djokovic. Ele pode pegar o entusiasmado Gael Monfils nas oitavas e o respeitável Zverev na semi. O alemão está num grupo que tem Kevin Anderson, Stefanos Tsitsipas e Milos Raonic.

O lado oposto da chave aponta para um reencontro entre Nadal e Roger Federer. O espanhol pode ter um jogo mais duro diante de Daniil Medvedev e depois encarar John Isner, mas se estiver em forma terá favoritismo sempre. O suíço aguarda Wawrinka antes das quartas, e aí deve ter Kei Nishikori, Marin Cilic ou Denis Shapovalov.

Pensar em Indian Wells e não falar no Big 3 é praticamente impossível. Desde 2004, eles só não venceram duas vezes, atos heróicos de Ivan Ljubicic em 2010 e de Juan Martin del Potro no ano passado. Nesse período, Djokovic e Federer ganharam cinco vezes cada um e Rafa, três.

A chave feminina está recheada de promessa de bons jogos. Para começo de conversa, Naomi Osaka defende o título e automaticamente a liderança do ranking, uma tarefa que se mostra  ainda mais delicada porque Simona Halep pegou uma chave bem interessante, com maior barreira nas quartas diante de Elina Svitolina.

Osaka pode estrear contra Kiki Mladenovic, que a venceu em Dubai semanas atrás, e depois encarar Danielle Collins, especialista no piso e inesperada semi do Australian Open. Sem falar que Belinda Bencic, campeã de Dubai, está no caminho e Petra Kvitova é potencial adversária da semi.

Kvitova antes de tudo aguarda Venus Williams para sua estreia, enquanto Serena Williams tem grande chance de cruzar com a amiga e também mãe Vika Azarenka em plena segunda rodada, reeditando a final de 2016.

E a sensação de Indian Wells é… Venus!
Por José Nilton Dalcim
14 de março de 2018 às 03:08

Falamos tanto da longevidade de Roger Federer e de vários ‘trintões’ que se mantêm tão firmes no circuito que por vezes nos esquecemos dela, Venus Williams. A quatro meses de completar 38 anos, em sua 24ª temporada como profissional, ela continua a esbanjar um invejável vontade de vencer.

A surpresa pela campanha em Indian Wells começa por seu início ruim de temporada, com derrotas na estreia de Sydney e Melbourne. Passa pelo duelo tão emocional contra a irmã Serena ontem, que acima de tudo remontou àquele amargo momento de 2001 em que não entrou em quadra na semifinal e viu Serena ser vaiada no dia seguinte com provocações racistas, motivo pela qual boicotaram o torneio até pouco tempo atrás.

Nesta noite diante de Anastasija Sevastova, 20ª do ranking, Venus demonstrou uma vitalidade exemplar. Mexeu-se incrivelmente bem, lutou por todos os pontos, buscou duas curtinhas difíceis num único game e manteve seu espírito agressivo. Jogou com a mesma seriedade e empenho da véspera diante de Serena. E talvez seja por isso que às vezes nem nos lembremos de que ela está ali há tanto, tanto tempo.

Enquanto isso, a chave masculina apresenta nomes completamente fora dos padrões de um Masters 1000. Vale até dar uma consultada no histórico dessa rapaziada.

Pierre Herbert, por exemplo. É fácil associar seu nome às duplas, já que forma notável parceria com Nicolas Mahut, com quem já ganhou dois Grand Slam. Mas Herbert tem apenas 26 anos. Quem sabe, sua dedicação tão precoce às duplas tenha tirado seu foco. Ele já fez uma final de simples em ATP (2015 em Winston) e figurou no top 70. É orientado por Fabrice Santoro e daí se pode acreditar que ainda haja espaço para ele brilhar nas simples.

Leonardo Mayer, 30 anos, tem um longo currículo em que se incluem dois títulos de ATP e o 21º lugar do ranking em 2015. Com 1,90m e backhand de uma mão, facilmente se adaptou aos pisos mais velozes e esteve a um passo – na verdade, cinco match-points – de eliminar Federer em Xangai de 2014. No seu melhor momento, perdeu metade da temporada de 2016 devido a tendinite no ombro e ainda tenta se recuperar.

O garoto Taylor Fritz tem sido precoce em tudo. Fez final apenas em seu terceiro ATP da carreira (Memphis de 2016) e se casou logo depois, ainda aos 18 anos, tendo um filho, nascido 14 meses atrás. Carrega um gene espetacular, já que sua mãe Kathy May foi top 10. Teve grande carreira juvenil, é treinado por Mardy Fish e ganhou de Marin Cilic 12 meses atrás lá mesmo em Indian Wells. Aos 20 anos e com 1,93m, também foi vítima de longa parada por causa do joelho e por isso deixou o top 100. Voltou nos challengers e já recuperou 40 posições.

Mesmo eliminado nesta noite por Sam Querrey, também vale falar sobre Yuki Bhambri, que saiu do quali. Ele fez parte de um grupo de 40 adolescentes indianos que foi tentar a sorte na academia de Nick Bollettieri, mesma época aliás em que Hyeon Chung, então com 12, chegou lá. Bhambri se destacou logo e, com 16, foi campeão do Orange Bowl e do Australian Open. Em 2015, chegou a 88º do ranking da ATP, mas o tennis-elbow o pegou e o fez cair para além do 500º. Foi jogar futures e hoje se reaproxima do top 100.

Começo preguiçoso
Por José Nilton Dalcim
14 de março de 2016 às 11:26

Um Novak Djokovic irreconhecível, um Rafael Nadal ameaçado, um Andy Murray cauteloso, uma Serena Williams descalibrada. A primeira exibição dos grandes nomes de Indian Wells ao longo de um fim de semana recheado esteve longe de ser agradável. Ao menos, todos avançaram e a perspectiva de dias melhores prevalece.

Nole fez um de seus piores sets recentes, principalmente porque do outro lado da quadra estava não apenas o 149º do ranking, mas alguém que jamais ganhou uma partida de nível ATP. Bjorn Fratangelo teve algum mérito, claro. Repetiu aquela estratégia que tem funcionado contra Djoko, que é manter a bola funda no centro da quadra, sem grande peso. Também arriscou, foi ousado. Mas acima de tudo era Djokovic quem estava devendo muito.

Quem olha o placar final, de 6/1 e 6/2, fica com a impressão que Nole reagiu prontamente, mas não foi o caso. Ele ainda saiu quebrando no terceiro set antes de permitir a reação. Jogou então games longos cheios de falhas e só quando obteve a quebra no quinto game é que Bjorn diminuiu o ímpeto e facilitou as coisas. É de se imaginar que Djokovic vá aumentar a qualidade. Pega agora o ‘freguês’ Philipp Kohlschreiber e depois teria Feli López ou Roberto Bautista.

Embora Nole não tenha dado como desculpa, me parece que o vento na quadra principal – que já havia incomodado Andy Murray – também contribui para o jogo tenso e irregular de Nadal diante do habilidoso Gilles Muller. O duelo de canhotos foi de extremos altos e baixos dos dois lados e um terceiro set totalmente aberto e tenso, decidido na quebra no 10º game.

Rafa diz que jogos assim servirão para lhe dar confiança, o que é difícil de acreditar. Veremos isso contra Fernando Verdasco, que acabou de ganhar dele no Australian Open. Quem passar, aliás, pode ter pela frente a juventude de Alexander Zverev. O garoto deu show diante de Grigor Dimitrov, pode repetir a vitória sobre Gilles Simon de semanas atrás e assim ser uma ameaça concreta a um dos canhotos espanhóis.

Vale destacar ainda a presença de americanos e argentinos na terceira rodada. Sim, argentinos no piso sintético. Leonardo Mayer, Federico Delbonis e Guido Pella buscam oitavas, ainda que enfrentem agora pesos pesados. A armada americana é liderada por John Isner, tendo ainda Jack Sock, Steve Johnson e Sam Querrey. Um dos melhores jogos deve ser de Sock contra Dominic Thiem nesta segunda. A nova geração tem, além de Zverev e Thiem, chance com Coric diante de Berdych e Tomic frente a Raonic.

Para completar o fim de semana preguiçoso, Serena Williams teve uma exibição sofrível no primeiro set. Erro atrás de erro, viu a cazaque Yulia Putintseva sacar duas vezes para fechar a série, sem sucesso. Aí ganhou oito games seguidos. É difícil imaginar Serena fora da final, já que sua chave conta com gente instável como Simona Halep e Petra Kvitova e a amiga Aga Radwanska. Mas se jogar como no domingo…

Por fim, veio a queda absolutamente imprevista de Marcelo Melo e Ivan Dodig logo na estreia e para a parceria de última hora entre Leo Mayer e Juan Martin del Potro. Pelo placar e estilo dos envolvidos, os argentinos devem ter soltado a mão da linha de base. O fraco começo de temporada coloca já em risco o número 1 de Melo. Ele poderá ser superado já em Indian Wells pelo escocês Jamie Murray, desde que, curiosamente, Bruno Soares o ajude a atingir a final do torneio.