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Quem é quem nas oitavas de final
Por José Nilton Dalcim
4 de julho de 2021 às 15:09

Após o tradicional domingo de descanso – que terminará em 2022 após mais de um século -, Wimbledon tem sua segunda-feira cheia e realiza todos os jogos de oitavas de final nos dois sexos. É sem dúvida uma rodada muito especial e vale um raio-x da situação.

Sete dos top 10 estão ainda na luta na chave masculina, algo muito valioso se considerarmos que dois não jogaram, e apenas três são ‘trintões’ (Novak Djokovic, Roger Federer e Roberto Bautista). Dos 10 classificados com até 25 anos,. o mais jovem é Felix Aliassime, de 20.

Experiência na grama é sempre muito importante. Dez dos classificados atingem as oitavas de Wimbledon pela primeira vez e outros três já chegaram na quarta rodada mas nunca passaram dela (Alexander Zverev, Matteo Berrettini e Karen Khachanov). Além dos campeões Djokovic e Federer, apenas Bautista foi além, com semi em 2019. Hubert Hurkacz e Illya Ivashka fazem suas maiores campanhas em Grand Slam.

Se vencerem, Zverev, Daniil Medvedev e Andrey Rublev terão atingido quartas em todos os quatro Slam, honraria que apenas nove tenistas em atividade possuem.Já Ivashka e Sebastian Korda podem repetir Nick Kyrgios em 2014 ao chegar nas quartas logo em sua primeira participação no torneio.

No feminino, ao contrário, apenas quatro das oito principais cabeças vingaram e quatro não pré-classificadas ainda resistem, sendo Liudimila Samsonova e Emma Raducanu convidadas, fato inédito em Wimbledon na Era Aberta. Além das duas, Viktorija Golunic também atinge oitavas de Slam pela primeira vez.

Angelique Kerber é única que já venceu WImbledon; Ashleigh Barty, Iga Swiatek e Barbora Krejicikova faturaram Paris; Karolina Pliskova e Madison Keys têm vices no US Open.

Masculino
– Djokovic x Garin – No único duelo, na ATP Cup do ano passado, sérvio marcou duplo 6/3. Chileno nunca havia vencido no torneio antes de 2021. Djoko pode atingir 50ª presença em quartas de Slam.
– Medvedev x Hurkacz – Confronto inédito. Russo só ganhou 3 de 9 tiebreaks neste ano e vem de sete vitórias seguidas na grama.
– Zverev x Aliassime – Alemão nunca perdeu set em 3 duelos, mas canadense vem bem na grama em 2021. Aliassime só fez um jogo em 5 sets e perdeu, contra 16-8 de Zverev.
– Rublev x Fucsovics –  Será sétimo embate e o quarto desta temporada. Húngaro ganhou só os dois primeiros, em 2016-17.
– Federer x Lorenzo – Suíço dominou fácil em Roland Garros-19.  Federer joga 220ª partida na grama (191 vitórias) contra 17ª do italiano e pode atingir 18ª quartas em Wimbledon e 58ª nos Slam.
– Berrettini x Ivashka – Italiano ganhou em nível challenger em 2017 e vem do ttulo em Queen’s. É o quinto tenista com mais vitórias em 2021.
– Bautista x Shapovalov – Outro jogo inédito. Espanhol é muito mais rodado na grama (35-15 contra 9-11). Canadense só tem uma vitória sobre top 10.
– Khachanov x Korda –  Primeiro cruzamento. Americano jamais disputou um jogo em 5 sets e faz temporada melhor (21-9 contra 19-14).

Meus palpites para as quartas: Djokovic x Rublev, Korda x Bautista, Berrettini x Zverev e Federer x Medvedev. Mas torço por Shapovalov e Aliassime.

Feminino
– Barty x Krejcikova – Nunca se enfrentaram. Tenistas que mudam muito o ritmo do jogo e são as últimas a vencer Paris.
– Rybakina x Sabalenka – Partida entre duas jogadoras que batem firme na bola. Bielorrussa ganhou os dois duelos
– Swiatek x Jabeur – Ótimo desafio para a polonesa, que venceu único encontro anterior com virada notável.
– Pliskova x Samsonova – Wimbledon é único Slam em que Pliskova não fez quartas ainda. Samsonova venceu últimos 10 jogos na grama.
– Badosa x Muchova – Espanhola sofreu na 3ª rodada, Muchova tenta repetir quartas de 2019.
– Gauff x Kerber – Duelo inédito. Americana tem 5-4 quando enfrentou campeãs de Slam e alemã vem de dois jogos em três sets.
– Keys x Golubic – Cada uma venceu um confronto. Suíça nunca foi tão longe num Slam, Keys joga oitavas pela 15ª vez.
– Raducanu x Tomljanovic – Sensação britânica terá torcida a favor contra a experiência da australiana.

Meus palpites para as quartas: Barty x Tomljanovic, Muchova x Kerber, Samsonova x Keys e Swiatek x Sabalenka. Mas torço por Gauff e Raducanu.

Traiçoeira grama
Por José Nilton Dalcim
28 de junho de 2021 às 18:01

Por mais que um tenista treine, jogar sobre a grama nas primeiras rodadas sempre é um desafio. O piso começa impecável, mas ao mesmo tempo liso, escorregadio, o que exige adaptações constantes. Até mesmo multicampeões como Novak Djokovic e Petra Kvitova demoram para achar o equilíbrio e por vezes isso custa caro.

Os menos rodados sofrem para entender que é preciso fechar ângulos, ficando perto da linha e correndo em diagonal, assim como tentar usar as bolas mais retas e recorrer a bate-prontos. O deslocamento também precisa ser leve e a antecipação é essencial. Na soma de tudo, fica mais fácil entender como Stefanos Tsitsipas não ganhou set de Frances Tiafoe e por que vários nomes fortes sofreram logo de cara.

Djoko iniciou a defesa do título com pequeno susto, mas era evidente que o garoto canhoto Jack Draper não manteria a consistência. O sérvio achou a devolução, explorou o forehand menos eficiente do adversário e acima de tudo passou a sacar com enorme qualidade. Anotou 25 aces, com um game perfeito de 46 segundos, e acertou 78% do primeiro saque (mais de 80% dos dois sets finais e apenas quatro pontos perdidos após o set inicial). Fez aliás voleios muito exigentes após o saque e terminou com 17 pontos em 22 subidas. Reencontrará Kevin Anderson na quarta-feira, um finalista de Wimbledon que merece respeito mas que não está em ritmo, a ponto de suar muito contra o saibrista Marcelo Barríos.

Tsitsipas foi uma tremenda decepção. Jogou de forma incrivelmente passiva, dando espaço para Tiafoe atacar. À medida que ganhou confiança, o norte-americano de golpes pesados passou a fazer devoluções e contragolpes espetaculares e abocanhou com justiça toda a simpatia do público. Ficou a nítida impressão que o grego não fez a transição correta do saibro para a grama, não apenas técnica como também mental. Em seu quarto Wimbledon, o dono de jogo versátil e completo caiu na primeira rodada pela terceira vez.

Stef pode aproveitar o tempo livre e se inspirar em Andy Murray. Mesmo longe de seus melhores dias, o escocês mostrou no retorno à Central como se joga na grama. Com exceção à reta final da partida, funcionou tudo. Saque, slices, curtas, passos curtos, o essencial bate-pronto e a transição à rede. Depois de fazer 5/0 no terceiro set e ficar tão perto da vitória, vieram os nervos e Murray também mostrou o pior dos erros: esperou Nikoloz Basilashvili errar e isso raramente dá certo nesse piso tão traiçoeiro.

A rodada masculina viu também as quedas dos jovens Jannik Sinner e Alejandro Fokina, o que nem é tão inesperado em termos de grama, mas também a derrota do super-sacador Reilly Opelka para aquele Dominik Koepfer que deu sufoco em Roger Federer no saibro de Paris. O norte-americano disparou 19 aces, mas não salvou um único dos três break-points e jamais ameaçou o serviço adversário. A grama por incrível que pareça não é a praia de Opelka, que só ganhou dois jogos na carreira sobre a superfície. Andrey Rublev e Roberto Bautista perderam sets.

O precoce adeus de Kvitova
Não era de se esperar jogo fácil, mas também não era para derrota. O fato é que Petra Kvitova não se achou em quadra e foi dominada por Sloane Stephens, que ganhou seu sétimo jogo no torneio desde que atingiu as quartas em 2013. A tcheca, que perdeu na sexta-feira para Angelique Kerber na grama alemã, cometeu 20 erros não-forçados, um número gigantesco para este tipo de quadra.

Aryna Sabalenka, Sofia Kenin e Iga Swiatek bateram muito na bola e confirmaram ser boas candidatas a ir longe neste Wimbledon. Sabalenka cravou 48 winners em 17 games. Outro destaque foram os 50 minutos que Garbiñe Muguruza gastou para atropelar Fiona Ferro, 51º do mundo. A francesa ganhou apenas 5 pontos no primeiro set.

Frase do dia
“Sejam gentis com a grama”
Da juíza Eva Asderaki

Saibro de Paris vai tremer
Por José Nilton Dalcim
9 de junho de 2021 às 19:29

Já se foram 57 duelos, desde que se cruzaram pela primeira vez no saibro de Paris, há 15 anos. Ao longo da mais extensa rivalidade do tênis profissional masculino, houve dezenas de decisões de títulos e um punhado de troféus de Grand Slam em disputa, mas parece que a cada vez o confronto fica ainda mais importante e imprevisível. O desta sexta-feira tem um valor incrivelmente pesado, ainda que o vencedor tenha de completar a tarefa dois dias depois se quiser subir mais um degrau rumo ao Olimpo.

O desafio maior está nas mãos de Novak Djokovic, porque terá de derrotar um Rafael Nadal novamente imbatível no saibro de Roland Garros nos últimos cinco anos. O sérvio conseguiu a façanha uma única vez, nas quartas de um 2015 em que o espanhol estava longe do seu melhor. Desde a vitória nas quartas de Roma da temporada seguinte, Nole nunca mais conseguiu superar Rafa na terra, série que atingiu cinco derrotas consecutivas na recente decisão do Foro Itálico e que incluiu um duro placar quando os dois lutaram pelo título de Roland Garros no ano passado. Foi o único 6/0 que Djoko sofreu em qualquer decisão de Slam.

O favoritismo de Nadal é inquestionável, mas o espanhol também sofre certa pressão sobre os ombros. Além da invencibilidade incrível de 13 semifinais em Paris, sabe que está diante de uma chance de ouro para atingir o 21º troféu de Slam e se tornar o maior ganhador de todos os tempos. Aos 35 anos, as oportunidades tendem a ficar cada vez mais escassas diante da limitação natural do próprio corpo e de uma nova leva de adversários cada vez mais sedentos por glória.

Não há surpresas táticas a se imaginar. Temos visto ao longo desta temporada de saibro que o saque de Nadal preocupa mais do que antes, porque muitas vezes o segundo serviço se mostra frágil, e talvez seja o campo a ser explorado pelas devoluções sempre agressivas do número 1. Isso no entanto deveria ter acontecido no confronto de Roma dias atrás e o que vimos foi Nadal usar bem melhor o primeiro serviço e Djokovic retraído no ataque. Durante este Roland Garros, os dois se mostraram até aqui fisicamente impecáveis, muito velozes para cobrir todos os cantos da quadra, confiantes nos pontos importantes e com excelente variedade de golpes, com destaque para voleios e deixadas. É partidão para cinco sets, e aí ficaria interessante para ver se Djokovic conseguiria quebrar esse outro tabu monstruoso que Rafa carrega em Paris.

E para deixar tudo ainda mais quente, os dois perderam sets e tiveram de jogar com máxima seriedade nas quartas de final. Diego Schwartzman arriscou o máximo que pôde, encarou trocas de bolas duríssimas e tirou o prêmio maior que foi acabar com a série de sets vencidos do espanhol, até que por fim não tinha mais forças na reta final da partida – e esse filme não é novo – e suas bolas cada vez mais curtas foram um convite para o 22º ‘pneu’ aplicado por Nadal no torneio, mais um recorde.

Djokovic por seu lado seguiu o ‘script’ imaginado e explorou pacientemente o backhand de Matteo Berrettini até aparecerem os buracos. Porém sofreu bem mais, pois o 9º do ranking se salvava com saque pesado e forehand forçado e a partir do terceiro conseguiu ser realmente competitivo. Berrettini faturou um tiebreak improvável – o terceiro seguido que Nole perde no torneio, depois de abrir 5-4 e ter dois saques para fechar logo -, e ainda lutou muito no quarto set até enfim ceder e ouvir Nole soltar gritos ruidosos e eufóricos por estar em sua 11ª semi em Paris.

Nova campeã em Paris
E o circuito feminino verá mais uma campeã inédita de Grand Slam e a sexta consecutiva em Paris. Tudo porque Iga Swiatek não viveu seus melhores dias, sofreu um desconforto na coxa direita mas acima de tudo encarou uma Maria Sakkari deliciosamente decidida a brilhar. Foi uma exibição de arrojo e versatilidade da número 18 do ranking, que voltou a mostrar aquele tênis completo e a energia eletrizante de Miami. Bem curiosa sua opção tática de atacar 80% do tempo o lado direito da polonesa, onde também mirou quase sempre o primeiro serviço, e o fato de ter vencido metade dos pontos em que devolveu o segundo saque adversário.

Sua adversária já nesta quinta-feira será a tcheca Barbora Krejcikova, que não para de surpreender. Depois de tirar Elina Svitolina e Sloane Stephens, saiu do buraco no primeiro set diante de Coco Gauff, em que a jovem adversária abriu 3/0 e sacou com 5/4 e 40-30, tendo ainda dois set-points antes do tiebreak e outros dois no desempate, um deles com o serviço. Ou seja, sobraram chances e Krejcikova nunca perdeu a cabeça, exatamente o que aconteceu com a jovem adversária. Gauff pirou totalmente, despedaçou raquete e só voltou quando já perdia por 5/0 e a reação era quase impossível.

Sakkari perdeu três meses atrás para Krejickova na quadra dura de Dubai em sets diretos, mas provavelmente isso terá menor influência do que o controle dos nervos. A tcheca tem uma vantagem mais relevante: já ganhou Roland Garros e Wimbledon e foi vice na Austrália de duplas.

Com Anastasia Pavlyuchenkova x Tamara Zidansek na outra semi, esta é a primeira vez que as quatro na penúltima rodada de um Slam são inéditas em mais de quatro décadas, o que não acontecia desde Melbourne de 1978. Roland Garros verá a oitava campeã diferente seguida, série que começou com Maria Sharapova e Serena Williams e depois seguiu com Garbiñe Muguruza, Jelena Ostapenko, Simona Halep, Ashleigh Barty e Swiatek, sendo que para as cinco últimas também era o primeiro Slam.