Arquivo da tag: Heyon Chung

Luta adiada
Por José Nilton Dalcim
3 de outubro de 2019 às 18:48

A expectativa de uma briga direta pela liderança do ranking masculino ficou frustrada. Rafael Nadal decidiu esticar seu afastamento do circuito e não vai outra vez ao curto – e desgastante – calendário asiático.

O espanhol pode até retomar o posto por inércia, mas agora depende de um desastre com Novak Djokovic. O sérvio já está nas quartas de Tóquio após duas rodadas muito tranquilas, abriu 730 pontos de distância no ranking tradicional de 52 semanas e assim só uma derrota antes das quartas em Xangai lhe tiraria o posto. Isso agora.

Se Nole confirmar o amplo favoritismo no fraco ATP 500 japonês – Lucas Pouille e David Goffin são as pequenas ameaças até domingo – estará garantido no posto até Paris Bercy.

Nadal alegou o problema na mão esquerda surgido na Laver Cup para evitar a ida à China, o que pode até ser verdade. Mas no fundo, com casamento à vista e uma folga ainda grande no ranking da temporada, a desistência não chega a surpreender.

Mesmo que Djoko ganhe Tóquio e conquiste Xangai, ou seja some os 1.500 pontos possíveis, Rafa ainda será o primeiro no ranking da temporada com 460 pontos de vantagem. Terá a chance então de lutar pela ponta durante Paris e Londres, dois pisos sintéticos cobertos mas lentos onde sempre se saiu bem pior do que Novak.

Em Tóquio…
Com quase metade da premiação de Pequim, Tóquio só atraiu um top 10 e mais dois entre os 20. E viu os quatro cabeças da parte inferior da chave caírem na estreia. As boas novidades são Goffin, com vitórias apertadas sobre Carreño e Shapovalov, e Chung, que aplicou 6/1 no terceiro set em cima de Cilic. Os dois duelam entre si. Se o coreano ganhar, tem tudo para voltar ao top 100.

Em Pequim…
Os quase US$ 3,7 milhões levaram ao ATP 500 chinês oito dos 13 primeiros do ranking, sendo cinco entre os 10. Com isso, as quedas de cabeças foram bem menos dramáticas, como as de Berrettini para Murray ou de Monfils para Isner. As quartas são bem atrativas: Thiem x Murray, Tsitsipas x Isner, Khachanov x Fognini e Zverev x Querrey. Ainda assim, o público outra vez tem sido uma enorme decepção, com arquibancadas muito vazias.

E no feminino…
A chave das meninas em Pequim também está bem animadora. A queda tão precoce de Pliskova e Halep foram inesperadas, mas veremos Osaka x Andreescu, Barty x Kvitova e Svitolina x Bertens nas quartas. A vitória vale a vaga definitiva no Finals para Osaka e Kvitova, mas o duelo entre Svitolina e Bertens é uma luta direta. Bem diferente do masculino, o ranking da temporada feminina tem oito jogadoras numa curta faixa de distância de 2 mil pontos.

E em Campinas
Nada menos que 17 brasileiros entraram na chave de simples de 48 participantes no challenger de Campinas e o único que chegou ao menos nas quartas foi… Thomaz Bellucci! E ainda por cima com desistência do cabeça 2 Leo Mayer, que nem entrou em quadra. Aliás, Bellucci foi bye na primeira rodada e ganhou na estreia por desclassificação, portanto tendo jogando um set até aqui. A realidade nua e crua é que o tênis brasileiro de hoje precisa muito mais de futures do que de challengers. E pensar que temos um 500 e um 250…

Quem não ouviu, vale conferir o podcast desta semana com o Bellucci. Clique aqui.

A hora para Djokovic embalar
Por José Nilton Dalcim
15 de agosto de 2018 às 01:03

Assim como aconteceu em Toronto, o próprio Novak Djokovic não se mostra satisfeito com seu tênis. Sofreu diante do limitado Steve Johnson na noite de segunda-feira, arrebentou raquete, reclamou da vida. Mas avançou à segunda rodada de Cincinnati e ganhou um grande presente, ao ver Dominic Thiem sequer ir à quadra.

O sérvio tem agora 95% de chance de retornar ao oitavo lugar do ranking e automaticamente garantir a condição de oitavo cabeça no US Open, evitando duelos mais indigestos antes das quartas. Os 5% ficam por conta de um título improvável de David Goffin nesta semana. A partida da tarde desta quarta-feira para Nole é daquelas perfeitas para embalar: seu histórico é amplamente favorável diante do canhoto Adrian Mannarino, contra quem venceu todos os oito sets vencidos em três jogos, seis deles sobre a grama, um piso também veloz.

A chave está muito promissora para o sérvio: sem Rafa Nadal no caminho, teria Grigor Dimitrov nas oitavas e quem sabe um canadense nas quartas, entre Milos Raonic ou Denis Shapovalov. O que está faltando a ele? Nessa quadra veloz, maior consistência do primeiro saque, o uso de seu agressivo backhand paralelo e forçar voleios.

Aliás, foi um alívio ver Roger Federer bem mais interessado em ir à rede em sua estreia contra o frágil Peter Gojowczyk. A esperada falta de ritmo exigiu que salvasse cinco break-points, todos no set inicial e talvez os mais importantes os três do oitavo game, em que poderia ceder o empate e perder a confiança. Ao final do duelo, somou 24 winners (12 aces) e 20 erros, numa partida em que 188 dos 195 pontos tiveram menos de 5 trocas.

Por falar em Goffin, ele se vingou da derrota sofrida para Stefanos Tsitsipas dias atrás em Washington, com um momento chave ao escapar de 0-40 no 4/5 do primeiro set. O belga forçou, com 21 winners, e o grego pareceu mentalmente cansado.

Destaque também para a vitória sofrida de Nick Kyrgios em cima de Denis Kudla e seu match-point salvo com um segundo saque a 220 km/h. Atual vice e sob risco de sequer ser cabeça no US Open, todo cuidado é pouco contra Borna Coric, que ganhou 83% dos pontos com o serviço na vitória sobre Daniil Medvedev.

Registre-se finalmente a oitava derrota seguida de Jack Sock, que ainda se sustenta no top 20 graças aos pontos obtidos no final de 2017. Neste momento, ele é 170ª na temporada. Ao menos, vai se virando bem nas duplas, com quatro títulos. Seu carrasco, Heyon Chung, tem jogo interessante nesta quarta-feira contra Juan Martin del Potro.

Bolha inoportuna
Por José Nilton Dalcim
26 de janeiro de 2018 às 09:03

Toda a expectativa por um duelo de gerações e estilos na segunda semifinal do Australian Open foi por terra em apenas 64 minutos por culpa de uma bolha. Limitado no trabalho de pés que são seu ganha-pão, Heyon Chung sequer completou dois sets e colocou Roger Federer na condição mágica de ampliar a marca mais valiosa de qualquer currículo do tênis e atingir domingo seu 20º troféu no 200º Grand Slam realizado da Era Aberta, o que pode lhe dar impensáveis 10% de aproveitamento.

A se lamentar talvez apenas o fato de que Chung poderia ter completado o segundo set antes de dizer adeus, já que ele chegou a ter 15-30 e o placar era de 30-30 no nono game, quando ele inesperadamente decidiu desistir da partida. Mas a rigor havia muito pouco o que fazer. A bolha claramente tirava o ponto crucial de seu jogo que são a mobilidade e a cobertura total da quadra, o que era ainda mais importante diante de um adversário tão agressivo e de bolas geralmente muito profundas.

No pouco que tivemos de jogo para valer, vimos um Chung muito frágil com o saque na mão e com irritante teimosia em dirigir a bola para o forehand de Federer, ainda que muitas delas com acentuado topspin cruzado, que chegava a tirar totalmente o suíço de quadra. O atual campeão mostrou desde o início que o plano tático óbvio era atacar já na devolução. Acertou apenas 32% do primeiro saque no set inicial e por isso chegou a oferecer um break-point no segundo game, mas ganhou 62% dos pontos com o segundo serviço mesmo diante dos ralis.

Chung ainda lutou muito no game final desse set e saltou quatro set-points antes de enfim se render e pedir atendimento para a bolha, que já estava enfaixada mas provavelmente causava incômodo e dor. Ainda teve um serviço bem jogado antes de nova quebra, manteve outro depois e daí um tanto inesperado o abandono antes mesmo de completar o segundo set.

De qualquer forma, o coreano de apenas 21 anos e agora top 30 do ranking deixa Melbourne como o grande destaque deste início de temporada, com vitórias de peso sobre Alexander Zverev e Novak Djokovic e a sensação de que seu tênis ainda tem muito a lapidar, principalmente a partir do saque, o que afinal é sempre uma ótima notícia.

Aos 36 anos e 175 dias, Federer reencontrará Marin Cilic em sua 30ª final de Grand Slam, na busca pelo terceiro troféu sem perder sets e o 96º geral da carreira. De suas incríveis 1.138 vitórias, nada menos que 710 vieram sobre a quadra dura, 331 em Slam e 93 no Australian Open. É agora o maior finalista do torneio na Era Profissional e o terceiro de maior idade. Se mantiver o favoritismo, repetirá Rod Laver e Ken Rosewall com quatro conquistas em Slam após os 30 anos.

Claro que Federer tem de ser considerado favorito para a decisão das 6h30 de domingo já que lidera o placar de duelos por 8 a 1. O croata no entanto merece todo o cuidado, já que possui boas armas na base, um saque sempre chato de se lidar e experiência de um título e uma final de Slam. Conhece muito bem todo o arsenal do suíço – treinaram juntos na pré-temporada – e vai explorar ao máximo o backhand de Federer, ainda que o slice venenoso seja um tormento. Tomara que desta vez a bolha, sempre ela, não atrapalhe o espetáculo, como aconteceu sete meses atrás, em Wimbledon.

O sábado em Melbourne terá a tão esperada final entre as duas melhores do mundo da atualidade, que lutam contra seus fantasmas em busca do primeiro troféu de Grand Slam e a liderança do ranking. Carol Wozniacki carrega o favoritismo, não apenas pelos 4 a 2 dos duelos anteriores, incluindo os três mais recentes e dois de 2017, mas também porque parece fisicamente mais inteira do que Simona Halep. A romena não derrota o tênis paciente e agora mais agressivo da dinamarquesa desde fevereiro de 2015. As duas já salvaram match-points em Melbourne no mais autêntico estilo guerreiro. Imperdível.

Daqui a pouco, entra no ar o Desafio Australian Open para quem quiser votar nos dois campeões.