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A grama ao quadrado
Por José Nilton Dalcim
14 de junho de 2015 às 21:19

Depois de tanto tempo, enfim a ATP fez o que a maioria exigia e dobrou a importância da curta temporada sobre as quadras de grama. Embora apenas um novo torneio tenha sido criado, o de Stuttgart, que abandonou o saibro, o que valeu mesmo foi elevar Queen’s e Halle para a condição de ATP 500. Como nem tudo é perfeito, ainda não entendi por que manter os dois na mesma semana, dividindo as grandes estrelas e enlouquecendo os organizadores.

Queen’s tem mais de 100 anos de história, não é um torneio qualquer. Sempre foi considerado o mais importante aquecimento para Wimbledon, e a partir de agora ficou ainda mais seletivo, já que a ATP forçou a redução da chave principal de 48 para 32 participantes, ao mesmo tempo que a bolsa saltou para 1,7 milhão de libras. Ficou tão absurdamente forte que o último a entrar direto foi o russo Mikhail Youzhny, 58º da lista de inscrição.

Teremos jogos incríveis logo na primeira rodada, especialmente Stan Wawrinka contra Nick Kyrgios, ou seja, o 4 contra o 28. E o australiano é nada menos que o quadrifinalista de Wimbledon do ano passado. Também teremos Grigor Dimitrov, o atual campeão, contra Sam Querrey, vencedor em 2010. As quartas de final apontam para Wawrinka-Nadal e Dimitrov-Andy Murray, duelos que realmente poderão valer como excelente prévia para Wimbledon.

Halle ficou um tanto mais fraco, nem tanto pelo ranking dos principais nomes mas pelo histórico menos expressivo na grama, caso de Kei Nishikori, Gael Monfils, Pablo Cuevas. Ainda assim é fácil ver que Roger Federer deverá ter trabalho se quiser chegar ao oitavo troféu: Kohlschreiber é freguês mas já ganhou o torneio; Stakhovsky tirou o suíço na segunda rodada de Wimbledon de 2013; Tomic conhece bem a grama;. e Berdych decidiu Wimbledon depois de tirar o suíço.

Aliás, não pode passar batido o fato de que esta revigorada temporada de grama tem tudo para recuperar o interesse do público alemão pelo tênis, o que despencou ano a ano com a falta de um grande campeão. Stuttgart contratou Nadal e viu um sucesso incrível de audiência. Halle tem sempre Federer como maestro principal, garantia de casa cheia, além do ídolo Tommy Haas e da esperança Alexander Zverev.

E Nadal? Cumpriu muito bem seu papel. Demorou para pegar ritmo nas primeiras rodadas, o que é absolutamente normal não só pela dificuldade natural do piso mas também por seu momento, e evoluiu até apresentações convincentes no sábado e domingo. Tudo bem, Gael Monfils e Viktor Troicki não têm currículo na grama. No entanto, a forma com que Rafa se impôs, trabalhando muito bem o saque e apostando nos voleios, reforça aquilo que eu previra após Roland Garros: mesmo não sendo o Nadal de antes, ele é bom o suficiente para qualquer top 20.

Claro que ganhar Stuttgart não aumenta seu grau de favoritismo para Wimbledon. Terá de mostrar mais em Queen’s, onde possui duas boas primeiras rodadas para embalar. Pode ser impressão falsa minha, porém me pareceu que o espanhol tirou algumas libras de pressão das cordas – talvez esteja algo na casa das 48 ou 50 -, o que seria uma alternativa frutífera na ideia de ganhar peso e profundidade nos golpes de base e ainda maximizar o efeito topspin. De quebra, ainda poupa o braço.

Tênis show
Por José Nilton Dalcim
15 de junho de 2014 às 19:31

Depois de uma longa temporada no saibro europeu onde raramente se viu um grande jogo – e incluo aí todo o torneio de Roland Garros -, o tênis masculino viveu um fim de semana notável na grama, um piso que costuma limitar os duelos. E, mais incrível ainda, nem foi pela mão mágica de Roger Federer, mas sim no Queen’s Club, onde por dois dias seguidos Feliciano López protagonizou dois tremendos duelos.

Saques perfeitos, slices venenosos, devoluções mortais, voleios de levantar o público, Tremendo show deram López, Radek Stepanek e Grigor Dimitrov. O búlgaro campeão, aliás, fez jogadas de grande exigência física e técnica, entre elas um lance de verdadeiro goleiro – bem, não vale lembrar o Casillas -, ou golpes em que se agachou tanto na grama que nem parecia ter 1,90m.

Stepanek, todo mundo sabe do que ele é capaz. Porém, para completar a festa, teve reações divertidíssimas para o público, curtindo cada minuto que passou na quadra. López é um dos meus tenistas prediletos. Talento nato, um jogador de habilidade gigantesca na rede, um slice que não se vê mais hoje em dia. Pena que, aos 32 anos, não vai mais consertar a cabeça. De qualquer forma, os três tiebreaks que ele e Dimitrov fizeram não tiveram nada de monótono.

Não menos curioso foi o fato de que a final de Halle também ter sido toda de tiebreaks, ainda que um pouco por culpa de Federer, que poderia ter liquidado os dois sets de forma bem mais tranquila. Mas Falla – e ser canhoto não é uma coincidência – já lhe deu trabalho, muito trabalho na grama antes (vale observar que cinco dos sete duelos entre os dois foi na grama, o que é algo bem inusitado para dois tenistas de rankings historicamente tão distantes).

O suíço teve seus altos e baixos, mas de forma geral foi excelente vê-lo executar saque-voleio com o primeiro serviço, como se tivéssemos voltado no tempo, além de forçar muito a devolução. Coisa de Stefan Edberg? Não duvido. Claro que Roger precisará jogar em Wimbledon muito mais como fez no sábado diante de Kei Nishikori, diga-se outro jogo muito bom, e não poderá vacilar após obter quebras. Mas o aquecimento em Halle foi bem promissor.

Tão promissor quando a excepcional campanha de Bruno Soares e Alexander Peya, ao levarem o troféu do superprestigiado torneio de Queen’s, o que certamente é uma das maiores conquistas da dupla. Até porque, na semifinal de sábado, bateram com autoridade Daniel Nestor/Nenad Zimonjic e depois tiveram nervos para derrotar o dono da casa Jamie Murray e o australiano John Peers, que não perderam um único game de serviço na partida.

Wimbledon tem melhor de cinco sets até mesmo para duplas, com vantagem normal e quinto set longo. Ou seja, é um torneio bem atípico e bem mais exigente para os duplistas.

King Federer
Ao atingir o 79º título de sua inigualável carreira, Federer completa dois heptacampeonatos, ambos na grama, ou seja em Wimbledon e Halle. Ele tem ainda dois hexa (Finals e Dubai) e três penta (US Open, Cincinnati e Basileia). Tanto em Wimbledon como em Nova York, soma até agora 67 vitórias acumuladas, seus recordes pessoais. E contando.