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Domingo aguarda 100º ‘pneu’ de Nadal
Por José Nilton Dalcim
28 de abril de 2018 às 21:05

O domingo novamente é mais do que especial para Rafael Nadal. O multicampeão do saibro buscará outra façanha, desta vez o 11º troféu em Barcelona, onde aliás venceu todas as finais que disputou, o que por si só é outro espetacular feito. A lista de quem o venceu no Conde de Godó é minúscula: Alex Corretja (em 2003), Nicolás Almagro (2014) e Fabio Fognini (2015), o que lhe dá 57 triunfos em 60 possíveis. Nesse trajeto todo, cedeu apenas oito sets.

No entanto, há uma outra marca curiosa à espera de Rafa na decisão deste domingo contra o pouquíssimo experiente Stefanos Tsitsipas, que faz a primeira final de sua carreira diante das 113 do rival. Com o 6/0 que aplicou diante do belga David Goffin na semi, o canhoto espanhol atingiu 99 ‘pneus’ em competições de primeira linha e, a julgar pela distância de currículos e forma avassaladora com que Nadal tem jogado sobre o saibro, a contagem centenária não pode ser descartada.

Veja a lista anual de 6/0 aplicados por Nadal em ATPs, Grand Slam e Copa Davis (o asterisco indica recorde da temporada):

2003 = 2
2004 = 1
2005 = 11 *
2006 = 3
2007 = 4
2008 = 12 *
2009 = 10 *
2010 = 5
2011 = 8
2012 = 6
2013 = 11
2014 = 7
2015 = 5
2016 = 6
2017 = 5
2018 = 3

Infelizmente, não há uma contabilidade oficial oferecida pela ATP para ‘pneus’ na Era Profissional. Sem tempo para fazer a contagem, me baseio nas ocorrências mais repetidas para listar abaixo os tenistas que já atingiram os 100 placares de 6/0 até hoje:

Jimmy Connors – 195
Guillermo Vilas – 146
Ivan Lendl – 146
Bjorn Borg – 132
Manuel Orantes – 115
Andre Agassi – 113
John McEnroe – 101

Nadal reafirma retorno forte
Por José Nilton Dalcim
23 de abril de 2017 às 15:39

Depois de três finais na quadra dura, Rafael Nadal retornou a seu habitat natural e confirmou seu retorno forte ao circuito em 2017. Tenista com maior número de vitórias desde janeiro, o ‘rei do saibro’ escreveu nova página na história do tênis neste domingo em Monte Carlo e se coloca como candidato cada vez maior para Roland Garros.

O 10º troféu em 11 finais na terra batida do Principado é um assombro em si. Atesta não apenas a incrível eficiência do canhoto espanhol mas uma longevidade de se aplaudir de pé. Desde sua estreia, perdeu apenas quatro partidas. Em 2004, ainda juvenil, chegou a eliminar o então 7º do mundo Albert Costa. Aí emendou oito troféus seguidos antes de enfim perder para Novak Djokovic na final de 2013. Ou seja, nove decisões consecutivas. Além de Nole, apenas Guillermo Coria e David Ferrer o derrotaram lá.

Num momento em que Andy Murray não honra o número 1, Djokovic ainda se debate com seus fantasmas e Roger Federer se abstém do saibro, Nadal tem todo o direito de sonhar com seu 10º Roland Garros. Ele já seria sempre um candidato natural às rodadas decisivas, mas agora pode se tornar outra vez o homem a ser batido.

Vale rever a lista de grandes façanhas de Rafa após outro mágico domingo em Monte Carlo:

– Primeiro tenista na Era Profissional a ganhar 10 vezes o mesmo torneio.
– Recordista isolado de títulos no saibro, com 50.
– Atinge o 70º troféu da carreira, quinta maior coleção, atrás das 77 de John McEnroe.
– Soma 29 conquistas em Masters e gruda novamente no recordista Novak Djokovic, que tem 30.
– Chega a 21 troféus de Masters sobre o saibro, marca absoluta.
– Tem incríveis 50 títulos no saibro em 58 finais disputadas.
– Soma agora 14 temporadas consecutivas com ao menos um troféu de nível ATP (desde 2004)
– Contabiliza 370 vitórias e apenas 34 derrotas sobre o saibro ao longo da carreira, aproveitamento que beira os 92%.
– Dessas 34 derrotas, 12 aconteceram antes de ganhar Monte Carlo pela primeira vez, em 2005.
– Jamais perdeu uma decisão de campeonato para outro espanhol em 15 disputas.

Justiça tarda, mas não falha
Por José Nilton Dalcim
27 de novembro de 2016 às 19:53

Demorou, foi incrivelmente sofrido, mas a Argentina enfim levantou a Copa Davis. Se existe um país que merecia essa glória, são nossos hermanos. Não apenas pela qualidade de gerações e gerações que marca sua trajetória nas quadras, mas acima de tudo por sua paixão pelo tênis e o coração que colocam a cada bola rebatida.

Aliás, perseverança e espírito de superação foram exatamente o que tiveram nesta duríssima final contra a Croácia. Fora de casa – aliás, todos os quatro duelos foram como visitantes na campanha deste ano -, com placar desvantajoso desde o primeiro jogo, estiveram a apenas um set para engolir mais uma desilusão.

Como sempre, jamais desistiram. O gigante Juan Martin del Potro não se entregou. Ele havia estado em outras duas decisões. A dolorosa derrota em casa para a Espanha, em 2008, em Buenos Aires, quando perdeu para Feliciano López, deixou claro o atrito interno na equipe. Em 2011, mais difícil, teve de ir à Espanha e foi batido tanto por David Ferrer como por Rafa Nadal.

Delpo estava afastado do time desde 2012 por desentendimentos com a federação e rixa com o grupo, especialmente David Nalbandian. Só retornou em julho deste ano na dupla contra a Itália porque precisava cumprir o regulamento dos Jogos Olímpicos. Marcou o ponto e virou referência do time. Foi essencial na vitória sobre os britânicos, superando Andy Murray diante dos escoceses.

O desempenho em Zagreb fechou um ano incrivelmente emocionante para Delpo. Ele, que não atuava desde Estocolmo, marcou um ponto de empate duro contra Ivo Karlovic na sexta-feira, não se saiu bem na dupla de sábado e foi dominado por Marin Cilic no jogo decisivo de domingo cedo. Mas aí achou forças. Começou a jogar cada vez melhor, mexeu as pernas para disparar forehands, teve paciência para esperar as falhas de Cilic no saque e conseguiu uma virada de arrancar lágrimas.

Entregou a decisão para o canhoto Federico Delbonis, que fez um jogo impecável a partir da metade do primeiro set diante de Karlovic, que dinossauricamente praticava seu saque-voleio cada vez mais desconfortável. Nota 10 para a tranquilidade de Delbonis, que, lembremos, já havia marcado o ponto decisivo em julho contra Fabio Fognini.

A invasão da torcida argentina, onde se incluiu um empolgadíssimo Dom Diego Maradona, completou um final de semana inesquecível. Sofrido, como sempre foi para os argentinos, mas que coroa um currículo invejável, principalmente em termos de tênis latino-americano. Nada menos que 11 nomes já figuraram no top 10, desde Guillermo Vilas, o pioneiro em 1974, passando por Jose-Luis Clerc, Alberto Mancini, Martin Jaite, Guillermo Coria, Gastón Gaudio, Guillermo Cañas, David Nalbandian, Mariano Puerta, Delpo e Juan Mónaco, sem falar em Gabriela Sabatini.

Para se fazer definitivamente a justiça com eles, só falta mesmo a ATP reconhecer seu erro e dar a Vilas o número 1 do mundo ao final de 1977, temporada em que ganhou nada menos do que 16 torneios, entre eles Roland Garros e US Open.