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Bom empate, mau empate
Por José Nilton Dalcim
6 de abril de 2018 às 23:17

O tênis brasileiro perdeu boa chance de disparar na frente da Colômbia e ficar bem perto da repescagem para o Grupo Mundial. Thiago Monteiro não encontrou a menor resistência diante de Santiago Giraldo, como era de se esperar, antes que Guilherme Clezar deixasse escapar o domínio sobre o garoto Daniel Galan e levasse uma dolorosa virada em Barranquilla.

Ainda que ex-top 30 e um ídolo da casa, Giraldo não poderia ter sido escalado. Ele só fez quatro jogos nesta temporada, sinalizando para uma aposentadoria, e deu um grande vexame num piso sintético veloz em que estava claramente perdido. Monteiro fez tudo exatamente como tinha de fazer e atropelou o dono da casa.

Clezar já tinha enfrentado Galan, embora há muito tempo atrás, e uma olhadinha na recente vitória que o jovem colombiano obteve sobre Thomaz Bellucci mostraria que ele era perigoso. Bate firme da base, vai para o risco, tem um bom saque. Enquanto o gaúcho o manteve em movimento, deu para segurar. Mas aos poucos Galan ficou confiante e o final do jogo virou um passeio. Monteiro que se cuide. Clezar continua sem vitória na Davis em três tentativas.

O grande perigo agora é Marcelo Melo e Marcelo Demoliner perderem para Juan Sebastian Cabal e Robert Farah. Isso colocaria grande pressão sobre o canhoto cearense. Ainda temos muita chance de levar no quinto jogo, caso Giraldo seja mantido diante de Clezar. Tomara! Vem aí mais um sábado de sofrimento.

Nadal volta firme
Um ou outro erro de forehand, uma ou outra falha no serviço, um ou outro golpe mal escolhido. Tudo absolutamente dentro do normal para um jogo de tênis em melhor de cinco sets. E o que vimos em Valência foi aquele Rafael Nadal tão dominador sobre o saibro, Deu um saboroso empate para a Espanha com a vitória sobre o ‘freguês’ Philipp Kohlschreiber..

O número 1 do ranking perdeu é verdade dois games de serviço, um logo no começo da partida e outro na abertura do terceiro set, mas jamais correu qualquer risco. Ao contrário, colocou sempre pressão sobre Kohlschreiber: foram 18 breaks e 11 quebras, com incrível diferença de 33 winners contra 9. Aliás, observe-se que Rafa ganhou 31% de seus 107 pontos na partida com bolas vencedoras (28 de forehand). O melhor de tudo: movimentou-se com leveza e destreza, nem sinal da contusão no adutor.

Embora é claro o resultado das quartas de final importe acima de tudo, fica uma enorme expectativa para o duelo entre Nadal e Alexander Zverev no domingo, depois que o embalado alemão atropelou David Ferrer com um desempenho magnífico. Vale lembrar que Sascha só treinou três dias no saibro, vindo de longa temporada na quadra dura. E elogios a um forehand preciso e agressivo, como há muito não se via, que marcou 11 de seus 27 winners.

Se a Espanha se mantém favorita para derrubar a Alemanha, a Itália ficou bem perto de fazer 2 a 0 contra a França sobre o saibro, mas Lucas Pouille conseguiu controlar os nervos no quinto set e agora a chance de os visitantes irem à semifinal ficou maior.

O saibro também foi o piso escolhido pela Croácia diante do Cazaquistão. Marin Cilic disparou 10 aces e ganhou fácil, porém Borna Coric se afundou em 45 erros não forçados e permitiu o empate. O vencedor deve pegar os EUA na semifinal, já que a Bélgica não tem David Goffin.

Djokovic supera a si mesmo
Por José Nilton Dalcim
30 de agosto de 2016 às 00:11

O polonês Jerzy Janowicz fez aquilo que melhor sabe: bater com a máxima força na bola. No entanto não foi ele o maior adversário do sérvio Novak Djokovic na estreia do US Open, mas sim o próprio Nole. Com desconforto no cotovelo direito, que prejudicou o saque e o forçou a usar muito mais os efeitos e a precisão, o desafio nesta primeira rodada do US Open foi dominar a frustração e a ansiedade.

Assim que fez isso, o jogo ficou fácil. Apesar da potência, Janowicz peca pela falta de apuro tático e pelo exagero. Djokovic esperou as brechas e, mesmo com o saque deficiente, sua poderosa devolução fez a maior parte do serviço necessário. Agora, irá reencontrar o canhoto Jiri Vesely, que fez uma partida bem ruim e só não foi para casa porque o desconhecido indiano Saketh Myneni sentiu cãibras.

De qualquer forma, a preocupação sobre o estado físico de Djokovic é indisfarçável. Ele chegou falando em dúvida quanto ao punho esquerdo, mas na verdade mostrou incerteza com o cotovelo direito, o mesmo que o perturbou no Rio e compromete o saque. Se a história do punho não foi um disfarce, então ele está com dois problemas a resolver, algo nada prazeroso num torneio tão longo e desgastante.

Rafa Nadal, por sua vez, fez um treino de luxo contra Denis Istomin. Sacou bem, empenhou-se no fundo da quadra, apesar de algumas bolas estarem curtas. Agora tem um jogador mais duro, Andreas Seppi, porém com poucas armas. Milos Raonic e Jo-Wilfried Tsonga parecem ter gostado muito do piso, que está rápido.

Destaques
Três chances, e o tênis masculino brasileiro se despediu rapidamente do US Open. Se Rogerinho Silva superou a expectativa e fez dois sets muito decentes diante de Marin Cilic, o mesmo não se aplica a Thomaz Bellucci, com tremendos altos e baixos, um quarto set na mão e um adversário, Andrey Kuznetsov, se arrastando pela quadra. Não houve imagem de Guilherme Clezar, então não dá para dizer algo de sua estreia em Grand Slam.

Importantes nomes da nova geração americana ficaram no ‘quase’. Frances Tiafoe deixou escapar incrível chance de eliminar John Isner – sacou para o jogo com 5/3 no quinto set -, Taylor Fritz reagiu mas também caiu no quinto para Jack Sock e Mackenzie McDonald levou virada de um quali tcheco. Os destaques foram o britânico Kyle Edmund, aproveitando-se do momento de baixa de Richard Gasquet, e o americano de origem mexicana Ernesto Escobedo, que se valeu do abandono de Lukas Lacko.

O primeiro dia de US Open já viu 12 jogos irem ao quinto set – um deles não foi disputado por abandono -, com quatro marcando viradas de 0-2. Curiosamente nenhum deles marcou uma real surpresa. Porém, deve custar caro, já que a tarde registrou temperatura de 33 graus.

Seis cabeças do feminino já deram adeus, mas todas abaixo do número 18, o que não muda muita coisa. Decepção maior para a queda da campeã olímpica Monica Puig, que entrou de cabeça em cima da hora e levou surra. Outra quem ficou devendo foi Garbine Muguruza, muito instável. Não sei se irá muito longe.

Drops
– Devido a um problema na quadra 10, a velha Granstand teve de ser retomada. O charmoso estádio, que virou anexo da Louis Armstrong, foi substituído pela nova Grandstand porque terá de ser demolido em 2017 para que seja feita a cobertura da Armstrong.
– No ano em que se inaugura o teto retrátil de US$ 150 milhões, a previsão de chuva em Nova York é mínima para as duas semanas do US Open. O único dia com mais de 50% de chance é a próxima quinta-feira. Nos demais, mal chega a 30%.
– O New York Times deu extenso perfil de 5 mil palavras com Nick Kyrgios, com destaque para dois trechos. Em um, diz que o australiano é “o jogador mais divertido desde John McEnroe” e, em outro, afirma que é provavelmente o “mais agraciado (de talento) desde Roger Federer”.

ATP acaba com o Challenger Finals
Por José Nilton Dalcim
14 de julho de 2016 às 20:13

O tênis brasileiro perdeu mais um torneio de peso. Depois de ficar sem os dois WTA num espaço tão curto de tempo, agora também deixará de promover o Challenger Finals, aquele torneio de novembro que reunia os mais bem classificados em torneios de nível challenger com distribuição de valiosos pontos e nada desprezíveis US$ 220 mil.

Criado para ser disputado no Brasil num acordo entre a promotora Koch Tavares e a ATP, o Challenger Finals foi disputado em 2011 e 2012 no ginásio do Ibirapuera, mas rapidamente ficou claro que o local era grande demais para o tamanho do evento e só mesmo a presença de Thomaz Bellucci como convidado salvou a bilheteria.

Em 2013, a ATP autorizou a mudança para saibro descoberto e o Finals foi para a bonita Sociedade Harmonia. Por fim, nos dois últimos anos, acabou na acanhada quadra coberta do clube Pinheiros. Pior ainda. Só foi confirmado na última hora em 2015 e ainda assim porque a ATP ajudou a Koch com metade da premiação.

O fato é que a ideia parecia boa, porém a própria ATP jamais deu a devida importância, já que sempre viu a série challenger como um subproduto. Não exigia a presença dos principais classificados e, pela distância da Europa e por encerrar o calendário puxado, assistíamos a um mar de desistências. Nem assim os brasileiros aproveitaram a chance, a ponto de apenas Guilherme Clezar ter feito uma final.

O mais lastimável ainda é que Thiago Monteiro e muito provavelmente Rogerinho Silva tinham grande chance de se classificar entre os oito participantes neste ano.

Fim de semana de Copa Davis
Com grande chance de vitória e de voltar à repescagem, não há como imaginar que o Brasil tenha qualquer dificuldade contra o Equador sobre piso duro coberto em Belo Horizonte. Ficarei surpreso se o confronto não terminar logo no terceiro ponto, na dupla do sábado. Não deveríamos aliás perder set.

Assim, o Brasil precisa ficar de olho nos outros zonais, já que daí saem possíveis adversários. Olhando o ranking, vai ser muito difícil sermos cabeça de chave na repescagem. Espanha é o único grande em quadra com favoritismo sobre romenos, Rússia e Ucrânia devem confirmar vantagem de jogar em casa. Hungria e Eslováquia jogam com times fracos e bem que poderiam ser nossos oponentes de setembro, ainda mais aqui no saibro. Da Ásia, podem sair Índia e Uzbequistão, enquanto Chile recebe a Colômbia.

Pelo Grupo Mundial, sem Novak Djokovic, a Sérvia escolheu acertadamente o saibro descoberto e não terá o campeão de Wimbledon pela frente, que foi poupado e só viajou para ajudar o time. Também interessante é Itália x Argentina no saibro e tchecos x franceses na quadra dura, mas sem Tomas Berdych. Os EUA completos são favoritos contra a visitante Croácia.