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Quem vence o Masters de Indian Wells? Aposte.
Por José Nilton Dalcim
15 de outubro de 2021 às 23:08

Daniil Medvedev saiu na véspera, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev fizeram companhia em dois jogos incríveis nesta sexta-feira e assim Indian Wells será o primeiro de 280 Masters disputados desde 1990 a não ter um top 25 sequer nas semifinais.

Cameron Norrie é o 26º do mundo e atropelou Diego Schwartzman e agora enfrenta o veterano Grigor Dimitrov, 28º e único dos sobreviventes a ter feito uma semi de Masters. Em jogos incríveis, Taylor Fritz, 39º, salvou dois match-points em exibição notável contra Zverev e jogará contra Nikoloz Basilashvili, 36º, que jogou muito contra Tsitsipas. O grego errou muito menos (21 a 42) e até fez mais pontos na partida. Loucura.

Diante de um quadro tão imprevisível, vale um Desafio no Blog do Tênis: indique a final e o campeão de Indian Wells, seguindo o formato abaixo. Quem chegar mais perto leva a biografia de Roger Federer escrita por Chris Bowers, em edição atualizada da SportBook. Palpites podem ser feitos até o primeiro saque da primeira semi de sábado.

Grigor Dimitrov v. Taylor Fritz, 6/4 4/6 6/4

Como sempre, deixe neste post apenas os palpites numéricos para facilitar a apuração. Comentários devem ser feitos no post anterior.

Vamos ver que é bom de palpite!

P.S.: Desculpem o artigo tão curto e rápido, mas cai o mundo em São Paulo e trabalho pelo celular.

A seca continua
Por José Nilton Dalcim
15 de abril de 2021 às 19:02

Monte Carlo é onde Novak Djokovic reside na maior parte do tempo, mas o saibro lento do Principado deixou de ser um paraíso para ele há algum tempo. Desde que chegou ao segundo título, em 2015, com campanhas inesquecíveis em que barrou até mesmo Rafael Nadal, ele nunca mais passou das quartas de final. Após uma estreia tão firme na véspera, parou num adversário que tem um currículo paupérrimo sobre a terra batida.

Por algum motivo que só ele próprio poderá explicar, Djokovic entrou completamente frio na partida, mudança muito radical em relação à postura diante de Jannick Sinner. Aliás, tão frio que até usava uma camiseta branca por baixo da oficial, que só foi retirar lá no segundo set. De cara, fez duas duplas faltas e parecia sem antídoto para o slice malicioso do britânico. De repente, Evans já tinha duas quebras e 3/0, com direito a curtinhas espertas que encontravam um adversário plantado demais em quadra.

Quem acompanha Djokovic com atenção sabe que slices sempre o incomodaram, até mesmo na quadra dura, porque a bola chega sem peso e com pouca altura, o que tira a ofensividade natural de seu backhand. Não permite que se pegue bolas na subida e exige força adicional para alcançar profundidade. Talvez tenha faltado confiança para que Nole arriscasse mudar de direção para a paralela e tirar Evans da zona de conforto em alguns lances capitais.

Insistência e consistência do britânico levaram o adversário a incríveis 45 erros não forçados, números que costumamos ver num jogo de Grand Slam bem apertado, não em dois sets. Evans é claro merece todos os elogios por apostar numa alternativa e ousar com a criatividade. Arrancou algumas paralelas de backhand totalmente inesperadas, fez saque-voleio e disfarçou perfeitas deixadinhas de forehand. Como escrevi ontem, Evans raramente se saiu bem no saibro em sua carreira, mas não há algo tão problemático no seu estilo que justifique isso. É baixo, leve, versátil e chega a disparar primeiro serviço a 200 km/h.

Claro que o número 1 não esteve em seus melhores dias, e ficou indisfarçável uma postura negativa, frustrada, naqueles lances decisivos de um set em que geralmente é ele quem se sobressai. Houve um momento no primeiro set em que Nole parecia ter acordado. Quebrou, encostou com 3/2 após game de saque perfeito e teve 15-40 para empatar, o que teria grande chance de abalar o britânico. Não conseguiu, mas dois games depois chegou à igualdade para imediatamente perder outro serviço e logo depois o set. Na outra série, chegou a ter 3/0 e atingiu set-point no 5/4. Evans nunca recuou da proposta, aguentou firme pontos longos e tensos, fechou a partida com enorme autoridade.

Decidirá agora vaga na semi contra David Goffin, e não ficaria surpreso se repetisse a dose, ainda que o belga tenha feito três jogos bem decentes até agora, incluindo a vitória exigente diante de Alexander Zverev, em que sofreu muito em vários games de serviço. Aliás, o alemão perdeu os quatro pontos em que sacou no início do tiebreak e teve uma chance de levar ao terceiro set. Quem vencer, cruzará com Stefanos Tsitsipas ou Alejandro Fokina. O grego fez uma bela exibição diante de Cristian Garin e surge como favorito até para ir à final.

Nadal por sua vez encontrou mínima resistência num Grigor Dimitrov apático. Mais tarde, o búlgaro explicaria que tem dormido e se alimentado muito mal devido a um problema dentário e isso então justifica a surra de 55 minutos e de pontos vencidos (55 a 26). O canhoto espanhol passou assim por dois jogos muito fáceis – cinco games perdidos – e talvez tenha de se concentrar em dobro ao encarar o fogo cerrado de Andrey Rublev. O russo superou batalha de intensas trocas e muita pancadaria contra Roberto Bautista, mas ainda acho que o saibro lento poderá levá-lo ao destempero muito rapidamente caso Nadal se segure bem no começo da partida. E isso o multicampeão sabe fazer com maestria.

Boa notícia é a recuperação lenta e gradual de Fabio Fognini, que se reencontrou com o lugar de seu maior título e isso parece ter lhe feito muito bem. Sinceramente, esperava agora que ele fosse cruzar com Pablo Carreño, mas o campeão de Marbella não soube fechar o jogo duríssimo contra o bom Casper Ruud e ficou no caminho. Esse norueguês de 22 anos é um saibrista nato. Fez belas campanhas aqui na América do Sul, atingiu semi em Roma do ano passado.e bateu Fognini nos dois duelos já realizados, um deles no saibro de Hamburgo meses atrás.

Vale por fim observar que quatro dos classificados têm no máximo 23 anos e um deles vai avançar. Em termos de saibro, é uma renovação muito bem vinda.

Djoko e Nadal têm início animador
Por José Nilton Dalcim
14 de abril de 2021 às 17:04

Diante de dificuldades bem distintas, Novak Djokovic e Rafael Nadal tiveram início animador no saibro europeu. O sérvio passou dias treinando em Monte Carlo, quase um quintal de casa, e fez uma bela estreia diante de Jannik Sinner. O ultracampeão espanhol mostrou-se à vontade na volta a seu habitat natural e aproveitou cada minuto para se experimentar frente ao irregular Federico Delbonis.

Djokovic teve um teste real já de cara. Sinner faz a bola andar muito, mesmo no saibro lento, mas justamente essa característica de Monte Carlo foi o que mais o atrapalhou. Diante de um jogador de excepcional qualidade na defesa e no contra-ataque, o italiano se perdeu na necessidade de obter bolas milimétricas o tempo todo. Mais uma vez, ficou claro que ainda lhe falta um plano B.

O sérvio deu uma aula ao garoto sobre versatilidade e apuro tático. Entrou em quadra aparentemente já com o plano traçado de evitar que o adversário batesse na bola em posição equilibrada e utilizou as curtas para aproveitar a postura recuada de Sinner. E é essencial observar que as duas propostas não são nada simples de se executar diante de alguém que golpeia tão bem e forte dos dois lados.

É bem verdade que Nole perdeu dois games de serviço no primeiro set, algo que não assusta diante da lentidão do piso e das devoluções ousadas do italiano. Mas nada tirou seu foco e o líder do ranking seguiu até o fim com execução admirável da opção escolhida, subindo de nível no segundo set.

Pena que o reencontro com Hubert Hurkacz não vá acontecer, já que o polonês não se sentiu bem e jogou sem forças diante de Daniel Evans. O britânico de 1,75m até tem um estilo adaptável ao saibro, mas acaba de ganhar seu sexto jogo no piso em toda a carreira, algo que não fazia desde Barcelona de 2017. Assim, Djoko é candidato natural a duelar contra Sascha Zverev ou David Goffin nas quartas. O alemão teve bem menos trabalho do que eu imaginava diante de Lorenzo Sonego. Dos quatro sets que o belga ganhou, dois foram ‘pneus’.

Rafa teve a estreia muito tranquila que era esperada, já que o também canhoto Delbonis está alguns degraus abaixo. O espanhol aproveitou bem a partida para soltar os golpes e fez um primeiro set bem a seu estilo sobre o saibro, com meros quatro erros não forçados. Depois até perdeu um serviço em game longo no melhor momento do argentino, o que ao menos serviu para o espanhol esticar a presença em quadra, rodagem bem vinda neste retorno à atividade.

Nas condições normais de Monte Carlo, Grigor Dimitrov teria poucas chances frente a Nadal. Fato curioso, este será o quarto duelo entre eles no torneio e só lá em 2013 o búlgaro deu trabalho. Em 2018 e 2019, tirou meros cinco games por jogo. O placar geral do confronto é arrasador: 13 a 1, com única vitória de Dimitrov no veloz Pequim de 2016. Me parece lógico acreditar que Rafa cruzará com Andrey Rublev ou Roberto Bautista em seguida.

As três primeiras rodadas do torneio tiveram outros destaques, o principal deles o abandono forçado de Daniil Medvedev por ter contraído covid. Isso já coloca em risco sua presença em Madri e abre grande oportunidade para Nadal recuperar rapidamente o segundo lugar do ranking.

Já Pablo Carreño emendou mais duas vitórias a seu título de domingo em Marbella, a de hoje diante de Karen Khachanov, e terá pela frente um embalado Casper Ruud, que não deu chance a Diego Schwartzman. No caminho dos dois, está o atual campeão Fabio Fognini, que economizou energia em duas atuações firmes e é favorito contra Filip Krajinovic.

Imperdível será o duelo entre Stefanos Tsitsipas e Cristian Garin, um dos setores mais duros da chave. Basta ver que o grego estreou contra Aslan Karatsev e precisou jogar firme, enquanto o chileno virou o jogo de dois dias contra Felix Aliassime. Há uma ótima chance de o vencedor chegar até a semi e desafiar Djokovic.