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Desafio financeiro
Por José Nilton Dalcim
21 de julho de 2014 às 21:36

Um interessante artigo publicado por Andrew Moss em seu blog, chamado Cleaning The Lines, alerta para um fato: a ATP está negligenciando há muito tempo os torneios de segundo escalão, os chamados ‘challengers’, em favor quase exclusivo dos ATPs, Finals e Masters 1000.

Apesar de haver uma certa discrepância histórica no apontamento de Moss, ele não deixa de ter razão e publica gráficos bem elaborados em que se percebe com nitidez: enquanto os Grand Slam e ATPs aumentam ano após ano a premiação, os challengers têm se mantido praticamente estáveis ao longo das últimas 20 temporadas.

Ao contrário do que o autor indica no seu texto comparativo, os challengers não foram criados em 1978. Na verdade, existia uma gama chamada de “outros torneios”, mas era um número irrisório se comparado ao calendário principal dos ATPs (então Grand Prix). A noção de ‘challengers’ como eventos de segundo escalão e preparatórios para o calendário principal ganhou força em 1986 e apenas em 1993 houve um número de ‘challengers’ compatível com os de ATPs.

Mas, ainda que a base a ser tomada seja o ano 2000, fica ainda evidente a disparidade no montante financeiro. Segundo os gráficos do blog, na virada do século os ATPs pagavam juntos coisa de US$ 270 milhões (em valores corrigidos) e hoje já passa dos US$ 320 milhões. Já os ‘challengers’ se mantém na casa dos US$ 80 milhões.

Isso significa que o circuito masculino não é justo? Claro que os eventos ATPs, Masters, Finals e Grand Slam são os que reúnem as principais estrelas e portanto têm condições de atrair mídia, patrocinadores e público. Dessa forma, podem também pagar mais aos tenistas. Muitos ‘challengers’ são disputados em cidades pequenas, países com pouca tradição e têm dificuldade para se autofinanciar.

O problema bem salientado por Ross é que isso aumenta ainda mais a distância entre os jogadores. Um top 20, por exemplo, carrega consigo um numeroso time de especialistas, que inclui até nutricionista, encordoador personalizado e um rebatedor oficial. Um top 100, ao contrário, mal consegue levar o treinador para as viagens e aí a desvantagem vai além do simples talento e esforço.

Ross acredita que seja preciso injetar apenas US$ 3,4 milhões no calendário dos challengers para que eles recuperem o poder que tinham 20 anos atrás. Para dobrar o total da premiação de 1990, seriam necessários cerca de US$ 15 milhões. Para o universo tão rico do circuito masculino, isso no entanto é um valor totalmente administrável e atingível.

Concordo plenamente com Ross. Para que o tênis continue a crescer – e principalmente a ser um bom negócio -, a ATP deve cuidar do futuro e considerar a renovação de suas estrelas como uma constante. O que vemos hoje é o surgimento de alguns bons nomes, que no entanto levarão um tempo perigosamente grande até atingir o status de virar manchete e formar fila nos estádios. Para mim, é algo preocupante.

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