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Traiçoeira, grama faz primeiras vítimas
Por José Nilton Dalcim
12 de junho de 2014 às 20:07

Depois que o US Open trocou a grama pelo saibro verde, em 1974, o circuito nunca mais foi o mesmo. Pouco a pouco, o calendário de torneios sobre o piso natural do tênis foi recuando e o golpe final viria com a mudança do Australian Open, que fez seu último torneio sobre a grama em 1987. Wimbledon então ficou como o único Grand Slam a manter a tradicional superfície e o calendário se resumiu a poucos torneios de aquecimento disputados quase sempre na própria Grã-Bretanha (e depois na Alemanha e Holanda).

Esse breve histórico apenas ilustra como a grama se tornou uma exceção e um desafio para os profissionais. Para os então especialistas em saibro, espalhados na Europa e na América Latina, era uma tortura; até mesmo os americanos, com suas quadras rápidas sintéticas, sofreram para se adaptar aos desvios e deslizes que esse tipo de piso invariavelmente causa. Enquanto o voleio imperou, coisa de 20 anos atrás, ainda exista uma saída. Agora, que o tênis ficou centrado no fundo de quadra, um grande sacador ou um tenista de bolas muito planas tem sido a ‘zebra’ mais comum.

No ano passado, Wimbledon assistiu a uma sucessão de surpresas ainda em sua primeira semana, lista que incluiu campeões como Roger Federer e Rafael Nadal e sacadores como Jo-Wilfried Tsonga, John Isner e Milos Raonic. E um indício de que coisas novas poderão surgir também neste ano vêm de Halle e Queen´s, torneios que se tornarão ATP 500 na próxima temporada. Na grama alemã, Nadal e Raonic fizeram companhia para Janowicz, Gasquet e Youzhny e nem chegaram nas quartas. Até mesmo Federer fez uma estreia ruim nesta quinta-feira. No tradicional torneio britânico, Murray, Tsonga e Gulbis decepcionaram.

A derrota de Nadal, ainda que com placar elástico demais, não chega a ser um desastre. Afinal, ele chegou em cima da hora e ainda pegou Dustin Brown, que gosta de bater na bola. Não podemos no entanto esquecer que Rafa só ganhou dois jogos na grama desde o vice em Wimbledon de 2011. Federer, por sua vez, continuou desperdiçando break-points e por pouco não se enrolou com João Sousa. O suíço não pode alegar falta de tempo para se preparar. O sempre perigoso Yen-Hsun Lu é um bom teste nesta sexta e quem sabe aconteça o reencontro com Kei Nishikori na semi. É interessante dar uma olhada no que Federer irá produzir e o quanto o japonês terá evoluído na grama (ele só ganhou quatro partidas em Wimbledon até hoje) .

Murray é uma dor de cabeça real para seus súditos. Numa temporada de pouco brilho, terá agora de defender o troféu diante da mesma torcida que tanto o apoiou em 2013. Uma campanha desastrosa – e existe sempre chance para isso, daí a importância de um bom sorteio da chave – poderá jogar o escocês para fora do top 10. É uma considerável dose de pressão para a nova treinadora Amélie Mauresmo, que nunca foi um grande exemplo de frieza em quadra.

A boa notícia para o escocês é que, segundo cálculos do site The Tennis Space, ele será mesmo o cabeça 3 em Wimbledon, o que evitará duelo contra Nadal, Djokovic ou Federer antes da semi. Se chegar até as quartas, ele certamente será favorito contra Wawrinka, Berdych, Ferrer ou Raonic. O chamado ‘ranking da grama’ foi um sistema matemático introduzido pelo All England Club em 2001, que aposentou o antigo ‘Comitê dos Cabeças’, que avaliava de forma mais empírica quem deveria ou não ser bem cotado para Wimbledon.

Agora, o Club adiciona ao total de pontos do ranking (da próxima segunda-feira) 100% dos pontos que cada tenista anotou na última temporada de grama e mais 75% do que realizou na temporada anterior. Veja abaixo os totais calculados pelo site:

1. Novak Djokovic – 14.070 (adicionou 1.740 na grama)
2. Rafael Nadal – 12.543,75 (somou 43,75)
3. Andy Murray – 7.990 (3.150 a mais)
4. Roger Federer – 6.740 (mais 1.795)
5. Stan Wawrinka: 5.647.5 (inc 167.5)
6. Tomas Berdych – 5.088,75 (adicionou 408,75)
7. David Ferrer – 4.820 (com 630)
8. Milos Raonic – 3.323,75 (mais 78,75)

Os torneios em andamento não irão alterar mais a ordem, ainda que Federer, Wawrinka, Berdych ou Nishikori sejam campeões.