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Argumentos para o Goat
Por José Nilton Dalcim
4 de fevereiro de 2022 às 09:14

A conquista de Rafael Nadal no Australian Open, colocando o espanhol pela primeira vez acima de Roger Federer e Novak Djokovic na contabilidade dos Grand Slam, incluiu de vez seu nome na briga pelo chamado ‘goat’, ou ‘maior de todos tempos’, algo que parecia limitado aos outros dois. A acalorada discussão tem múltiplos ângulos e nada melhor do que comparar os números de momento desses três fenômenos para que cada um tenha chance de uma melhor avaliação. Vou listar os dados que considero mais relevantes em cada campo.

Grand Slam
Um dos indicativos de maior peso na carreira de qualquer tenista, são as estatísticas nos quatro grandes torneios.

Nadal passou nos títulos gerais (21 a 20 dos concorrentes), se aproximou no total de finais disputadas (29 contra 31 dos outros dois) e fica um pouco mais longe em semifinais (36 contra as 46 de Federer e as 42 de Djokovic). No entanto, quando se fala em números absolutos, é importantíssimo frisar que o espanhol disputou muito menos Slam (62) do que Federer (81) e Djoko (66).

Em termos de jogos e vitórias, Nadal ainda não chegou a 300 (tem 298) e está um tanto distante (369 de Federer e 323 de Djokovic). Quando se trata de eficiência, o espanhol está à frente: 87,9% contra 87.5% do sérvio e 86% do suíço. Rafa também atinge melhor aproveitamento em finais (21-8 contra 20-11 dos concorrentes).

Djokovic é o único do Big 3 a ter vencido os quatro Slam seguidamente, ainda que em duas temporadas. Nadal acaba de repetir seu feito de ter ao menos dois troféus em cada Slam.

Ao faturar o Australian Open, Nadal completou 15 temporadas com ao menos um troféu de Slam. Desde 2005, as exceções foram 2015, 2016 e 2021. Tanto Federer como Djokovic têm 11. O espanhol também ganhou um Slam ao menos por 10 anos seguidos (2005 a 2014), dois acima de Federer e quatro de Djokovic.

Federer é recordista absoluto de vitórias na Austrália e em Wimbledon e segundo no US Open. Djokovic é segundo colocado em Melbourne e Paris e terceiro nos demais. Nadal só lidera em Roland Garros e está muito atrás em Wimbledon e US Open. Suíço e sérvio somam aos menos 70 vitórias em cada Slam, Nadal cai para 50.

O suíço também é o recordista principal em finais e semis consecutivas de Slam, enquanto o sérvio detém a maior sequência de vitórias (30).

Quanto aos pisos, Djokovic tem maior eficiência tanto no sintético (88,6%) como na grama (88,8%) e Nadal lidera no saibro (97,2%).

Ranking
Djokovic tem larga vantagem no total de semanas como número 1, outro quesito de muito peso no circuito. Ultrapassou as 310 de Federer em março e já está em 358. Nadal tem a sexta marca, com 209.

Federer tem totais expressivos como maior presença no top 3, 5 e 10, além das incríveis 237 semanas consecutivas na ponta. Nadal tem outro destaque ao ter já alcançado 854 consecutivas no top 10.

Em 2021, Djokovic completou histórica sétima temporada como líder, duas a mais que Federer e Nadal.

ATP Finals
O torneio mais importante do calendário da ATP é totalmente dominado por Federer: mais títulos (6), finais (10), semis (16), jogos vencidos (59) e participações (17). Djokovic vem logo atrás em títulos (5), vitórias (41) e presenças (14). É o calcanhar de Aquiles de Nadal, que jamais venceu e só fez duas finais.

Masters 1000
O Big 3 domina amplamente a categoria Masters 1000, série criada em 1990. Djoko tem vantagem pequena sobre Nadal em títulos (37-36) e finais (54-52), mas Nadal ganhou mais (398) e tem eficiência superior (82,7% contra 82,2% de Nole).

Outro ponto em que Djokovic se diferencia são o de maior título numa temporada (6 dos 9 possíveis) e único a ter vencido todos os Masters em vigor, o que aliás já fez duas vezes (2018 e 2020).

Torneios
Federer ganhou mais torneios, fez mais finais, jogou mais partidas e tem maior número de vitórias que os concorrentes, porém em termos percentuais há disputa acirradíssima entre Djokovic e Nadal (83,25% no momento contra 83,24%), com Federer mais atrás (82%).

Djokovic é quem mais derrotou adversários de nível top 10 (229) e ainda tem melhor aproveitamento (68,8%, mais de 4% acima dos outros Big 3).

Nadal tem 10 ou mais títulos em quatro diferentes campeonatos, sendo um Slam e dois Masters. Apenas Federer também é deca (nos 500 de Halle e Basileia), enquanto a principal marca de Djokovic são os 9 da Austrália.

Nadal detém o mais alto percentual em sets vencidos da ATP (77,61%) e é o segundo em games (59,88%).

O espanhol também é o único entre os três a ter medalha olímpica de ouro em simples e em duplas. Federer foi prata em simples e ouro em duplas. Djokovic tem um bronze individual.