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Sofrimento de Tsitsipas continua
Por José Nilton Dalcim
26 de maio de 2022 às 19:24

Desta vez não foram os cinco sets e virada da duríssima estreia, mas disputar três tiebreaks consecutivos no saibro gera um desgaste no mínimo semelhante, principalmente no lado mental. Assim, o grego e atual vice-campeão Stefanos Tsitsipas inicia uma caminhada certamente muito mais dura do que a esperada neste Roland Garros.

Questionado se o maior adversário de momento é ele próprio ou quem está do outro lado da quadra, o número 4 do ranking não soube responder. Ele no entanto assinalou um fato inquestionável: enfrentou dois adversários de qualidade que não tinham nada a perder, e isso dificulta a vida de qualquer favorito.

O tcheco Zdenek Kolar, de 25 anos e 134º do mundo, precisou de 16 qualis para enfim entrar num Grand Slam. Na estreia, tirou o local Lucas Pouille em quatro sets bem disputados. Estava dominado por Tsitsipas até que o grego passou a fazer escolhas ruins na metade do segundo set e pouco a pouco ganhou confiança, passou a correr atrás de cada bola e achou boas soluções. O público cresceu junto com ele e aí o grego ficou contra a parede.

Faltou pouco para ir outra vez ao quinto set e sua movimentação assim como o backhand falharam em momentos importantes. É bem possível que consiga enfim um jogo mais relaxado contra o sueco Mikail Ymer, que não tem saque potente e nem é saibrista autêntico, ainda que tenha chegado na terceira rodada de Paris no ano passado. Isso será fundamental caso chegue nas oitavas para encarar o sólido Holger Rune ou o atrevido Hugo Gaston, dois jogadores que poderão exigir grande empenho físico.

Sarrafo vai subir – Daniil Medvedev, Casper Ruud e Hubert Hurkacz foram muito bem, Jannik Sinner e Andrey Rublev oscilaram. A terceira rodada promete dificuldade ainda maior a quase todos eles. O cabeça 2 tem o perigoso Miomir Kecmanovic, a principal barreira que o separa de repetir as quartas de 2021. Rublev de novo cedeu set e agora pega o especialista Cristian Garin, que parece recuperado. Ruud foi muito melhor do que na estreia diante de Tsonga e enfrenta o imprevisível Lorenzo Sonego. E Hurkacz reencontra o David Goffin que o tirou de Roma. A tarefa mais tranquila parece estar com Sinner, adversário de Mackenzie McDonald, mas o italiano não convenceu contra o mediano Roberto Carballes.

França sobrevive 1 – Com dois nomes, o tênis masculino francês ao menos atinge a terceira rodada. O veterano Gilles Simon continua a surpreender e, mesmo com bolha no dedo da mão direita, ganhou de novo em seu último Grand Slam, o que também valeu a vitória 500 da carreira. Será que aguenta Marin Cilic? O canhoto Hugo Gaston também agitou a torcida e agora desafia o parceiro de duplas Holger Rune. Muito duro.

França sobrevive 2 – Três gerações distintas representarão a França na terceira rodada feminina: a jovem Diana Parry, a surpresa Leolia Jeanjean e a experiente Alizé Cornet. Apenas 227 do ranking e aos 26 anos, Leolia atropelou Karolina Pliskova. Num jogo maluco, Cornet faz sua maior campanha no torneio desde que atingiu oitavas em 2017. Como apenas Parry está no outro lado da chave de Iga Swiatek, talvez tenha a maior chance.

Swiatek passeia em Paris – A diferença técnica entre Iga Swiatek e as adversárias só aumenta. Cedeu quatro games até agora no torneio, com direito a dois ‘pneus’. Não há perspectiva de mudança contra Danka Kovinic. Para completar. Simona Halep saiu do caminho das oitavas, ao levar virada e jogar um terceiro set tenebroso contra Qinwen Zheng. Ao melhor estilo Serena, Iga está jogando um tênis no padrão masculino, com golpes muito velozes e profundos e sobra de pernas. Resta ver se Paula Badosa ou Aryna Sabalenka serão competitivas.

Pode isso, Arnaldo? – A romena Irina Begu flertou com a desclassificação. Inconformada com o ponto perdido, quase atingiu uma criança na plateia ao jogar a raquete no chão. Claro que não foi proposital, mas entende-se que descarregar frustração no equipamento e com isso colocar em risco qualquer outra pessoa na quadra é situação definitiva para desclassificação. Mas não aconteceu. A explicação do supervisor – não é o juiz, mas o supervisor quem desclassifica – está no fato de a ‘vítima’ ser efetivamente atingida e ainda sofrer algum tipo de sequela. Como no esdrúxulo caso de Jenson Brooksby em Miami, isso felizmente não aconteceu com a criança e assim Irina não apenas seguiu como venceu.

País das duplas avança – Grande celeiro de duplistas, o Brasil soma vitórias em Paris. Bia Haddad ganhou duas vezes nesta quinta, e a segunda delas ao lado do multicampeão Bruno Soares. Mesmo com zero entrosamento – mas o mineiro está acostumado aos parceiros canhotos -, tiraram os cabeças 1.

Quem também faz dobradinha é Rafael Matos, que já está nas oitavas de duplas masculinas com o espanhol David Hernandez e estreou firme nas mistas e, com a ucraniana Lyudmyla Kichenok, tirou os cabeças 7. O canhoto gaúcho tem enorme chance de ser tornar mais um a integrar o top 50.

O digno adeus de Tsonga
Por José Nilton Dalcim
24 de maio de 2022 às 20:47

A última partida se tornou um fiel espelho do que foi a carreira profissional de Jo-Wilfried Tsonga. Jogou num nível muito alto a maior parte do tempo, deu espetáculo com lances geniais, Suou, vibrou e sorriu até que veio a contusão que acabou com suas chances.

Tsonga pertence à lista daqueles que tiveram o azar de ter nascido na era do Big 4. Provavelmente, teria feito mais do que uma final de Grand Slam ou somaria outros Masters 1000 aos dois que ganhou, já que sempre se mostrou competitivo em todos os pisos. Não por acaso, integra o grupo dos raros que ganharam de Federer, Nadal e Djokovic enquanto líderes do ranking e em torneios de Slam.

Sempre foi um dos meus tenistas prediletos, principalmente quando se dispunha a abusar do jogo de rede, onde sempre deu show. Entre suas atuações emblemáticas, estão a semi de Melbourne contra Nadal e as quartas de Wimbledon frente a Federer. Mas o corpo grande e pesado lhe custava todo tipo de contusões e isso se agravou ao longo da carreira, com paradas cada vez mais frequentes e longas.

Número 5 do ranking por 12 semanas o levou à condição de maior destaque do tênis francês das últimas duas décadas, período em que ganhou 18 torneios e integrou o time campeão da Copa Davis que resgatou a memória dos Quatro Mosqueteiros.

A comemoração entusiasmada nas vitórias e a semelhança com Muhammad Ali o deixaram ainda mais icônico. Tsonga, tal qual Juan Martin del Potro, fará muito falta ao circuito pela competência, dedicação, carisma e comportamento digno, qualidades que cada dia mais são relevantes neste planeta.

Presente de grego – Stefanos Tsitsipas ganhou o lado mais fácil da chave, mas todo mundo sabia que a estreia seria perigosa. Outra vez, Lorenzo Musetti esteve 2 sets à frente e não levou em Paris por absoluta falta de físico. Isso precisa ser revisto. A parte boa foi ver que Stef não perdeu a cabeça.

Russo em pé de guerra – Tal qual ocorreu com Djokovic, Andrey Rublev está procurando uma desclassificação e vai achar. Descontou raiva na bola e ela passou a centímetros da cabeça de um auxiliar de quadra. Depois se controlou e venceu Soonwoo Kwon. O outro russo. o cabeça 2 Daniil Medvedev, mostra aquele forehand pouco convincente para o saibro mas o contundido Facundo Bagnis não fez mais do que seis games e duas quebras de saque.

Nórdicos avançam – Além de Casper Ruud e sua suadíssima vitória sobre Tsonga, o tênis nórdico avançou com Holger Rune, Emil Ruusuvuori e Mikael Ymer. Nada mal. Destaque absoluto para o garoto Rune, que acabou de fazer 19 anos e ganhar Munique. que não deu chance a Denis Shapovalov e pega o suíço Henri Laaksonen.

Festa francesa – A torcida foi demais, tanto na homenagem a Tsonga como no apoio a Gilles Simon e Hugo Gaston, que fizeram milagres para virar o quinto set. Despedindo-se do torneio, o veterano Simon ganhou os últimos quatro games para surpreender Pablo Carreño. Já o canhoto Gaston, rei das deixadinhas, perdia o set final por 0/3 e levou no supertiebreak diante de Alex de Minaur. O não menos veterano Richard Gasquet atropelou, mas Paire, Mannarino, Pouille, Humbert, Rinderknech e Bonzi deram adeus. No feminino, Cornet e Garcia não perderam set.

Badosa e Halep acordam – Enfim, a espanhola Paula Badosa jogou o que se espera dela sobre o saibro e só perdeu dois games da convidada Fiona Ferro. Tomara que embale. Simona Halep levou um susto com a canhota poderosa da juvenil alemã Nastasja Schunk, mas se achou no terceiro set. Mostrou um tênis mais agressivo, porém o saque precisa melhorar.

Americanas seguem – As quatro americanas que figuram como cabeças de chave no feminino estrearam bem. Danielle Collins, Jessica Pegula e Madison Keys se juntaram a Amanda Anisimova. Curiosidade foram os 9 match-points evitados por Qiang Wang antes de enfim Pegula concluir.

Duplas brasileiras – Rafael Matos ganhou seu primeiro jogo de Grand Slam, sinal do bom momento ao lado do espanhol David Hernandez. Já Marcelo Melo, finalista em Lyon no sábado, entrosou bem com o argentino Maximo Gonzalez e vai encarar agora o incansável Feliciano López que joga com Maxime Cressy;

Basileia vale tudo para Federer
Por José Nilton Dalcim
25 de outubro de 2018 às 19:05

Depois de um início perturbador, Roger Federer enfim mostrou um tênis competitivo na Basileia. A estreia muito estranha de terça-feira, em que uma vitória fácil se transformou num sufoco danado diante de Filip Krajinovic devido à queda vertiginosa do primeiro saque, estendeu seus reflexos quando Jan-Lennard Struff obteve quebra, saltou a 3/1 e ainda teve 15-30.

Mas o alemão contribuiu com sua conhecida instabilidade emocional. Federer ganhou cinco games seguidos e só então pudemos ver um jogo mais solto, menos afoito, ainda que me incomode sua feição muito carrancuda. O backhand mostrou solidez, e talvez por isso tenha sido seu ponto alto, e o primeiro serviço apareceu em momentos importantes, ainda que tenha caído ainda mais (55% no set inicial para 52% na outra série).

È evidente que Federer não atravessa um grande momento, seja por culpa da contusão na mão – que revelou nesta semana ter aparecido ainda em Halle – ou por uma pressão auto-imposta de mostrar um jogo de alto nível e quem sabe chegar ao 100º título. Essa combinação pode explicar as terríveis derrotas em Wimbledon e no US Open e a decepção em Xangai.

Jogando em casa e em condições que tanto aprecia, a Basileia se mostra portanto ainda mais especial para ele. Um lugar onde já fez 13 finais – recorde absoluto na ATP – e soma oito troféus, atrás somente de seus nove em Halle. Tudo que Federer necessita é de uma conquista com atuações convincentes.

O desafio desta sexta-feira se chama Gilles Simon, para quem perdeu duas vezes há 10 anos e depois ganhou seis, a mais recente em 2015. O francês também não vive seus melhores dias, mas adora jogos grandes, é especialista na quadra dura e aposta no contra-ataque. Nesta altura do campeonato, é um perigo.

Números curiosos:
– Se vencer, Federer cravará 200 semifinais na carreira, número apenas inferior às 240 de Connors. Vale sempre lembrar que desse total do suíço, 43 vieram em Grand Slam, um assombro.
– Federer disputou hoje a 1.430ª partida da carreira. Faltam 67 para chegar na marca incrível de Connors (1.497).
– Em termos de vitórias, a dificuldade é maior: está com 1.173, portanto 69 atrás do norte-americano (1.242).
– Roger é o tenista com mais títulos no sintético coberto (23, sendo oito na Basileia)
– O número 3 está garantido por mais uma semana. Se chegar ao título no domingo, estará assegurado até o Finals. Com isso, a chance de atingir 700 semanas também nesse quesito é grande, já que no momento tem 694. Federer tem mais de 700 semanas como top 4, 5 e 10 e lidera todas as categorias, incluindo 1, 2 e 3.