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Pessimismo relativo
Por José Nilton Dalcim
18 de maio de 2021 às 18:07

Claro que, quando um tenista de alto nível retorna à competição, o que ele é mais precisa é de muitas horas de quadra e de disputar o máximo de jogos possível. Portanto, perder logo na primeira rodada é uma ducha de água fria.

Mas Roger Federer e seus torcedores não devem ficar pessimistas, a menos que sonhem com algum grande triunfo ainda sobre o saibro, um piso que ele não pisava há dois anos e com apenas duas partidas disputadas nos últimos 16 meses. O suíço, tento certeza, tem os pés no chão.

E por quê? Porque ele não decepcionou na derrota para o espanhol Pablo Andujar, um especialista na terra. Jogou bem solto, meteu a mão na bola o tempo todo com alguns golpes incrivelmente rápidos, mostrou deixadinha afiada e voleios firmes e, acima de qualquer coisa, não teve a menor dificuldade na movimentação.

Mas então como ele foi superado? Em primeiro lugar, porque não sacou bem na maior parte do tempo, apenas 40% de primeiro serviço no set inicial e 63% no decisivo. Depois, exagerou na dose. Forçou demais os golpes o tempo todo, o backhand demorou para achar o tempo certo e as devoluções, sempre agressivas, facilitavam a tarefa do espanhol, que foi consistente nas trocas e usou bem as cruzadas na esquerda do suíço.

Assim como aconteceu em Doha, em março, Federer deveria ter vencido. Abriu 4/2 no terceiro set, perdeu os dois games seguintes no 40-30 e 30-40, chegou a ter iguais no game final quando outra vez quis jogar rápido demais. Minha real impressão é que ele quis jogar no saibro como se estivesse já na grama e talvez, lá no fundo, pretendeu mostrar a todos que estava afiado após tanto treinamento.

Não fiquei frustrado com seu desempenho, apesar da eliminação. Ousaria dizer que Federer deveria até mesmo jogar um dos torneios da próxima semana, em Belgrado ou Parma, para fazer mais jogos. É evidente que ele não tem qualquer pretensão sobre Roland Garros, portanto o que mais vale no momento é achar o ritmo competitivo para estar menos ansioso e quem sabe mais confiante quando chegar a fase da grama.