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Sangue novo nas quartas
Por José Nilton Dalcim
6 de setembro de 2021 às 02:14

Dois cabeças de chave, um deles top 5, e duas grandes novidades marcam as quartas de final da parte inferior da chave masculina do US Open, com uma interessante realidade: a média de idade entre estes postulantes à decisão é de apenas 22,2 anos. O feminino não fica muito atrás, 23 de média, sendo 26 a maior e 18 a menor.

O grande favorito deste grupo masculino é obviamente Daniil Medvedev, que continua jogando um tênis de primeiríssima qualidade e mais uma vez economizou energia ao despachar o agressivo Daniel Evans em sets diretos e com autoridade absoluta. O britânico foi quem mais tirou games do cabeça 2 neste US Open: apenas 10.

Seu adversário será o quali holandês Botic van de Zandschulp, que tem os mesmos 25 anos porém nunca figurou sequer no top 100, tendo agora 6 vitórias em 9 jogos de Slam, curiosamente 2 delas de virada após perder os dois primeiros sets. Fez um longo e entediante duelo contra Diego Schwartzman, recheado de trocas e de erros. Deveria ter vencido em sets diretos, mas a garra do argentino conseguiu esticar a batalha antes de ser totalmente dominado no quinto set.

A outra vaga para a semi estará entre dois dignos representantes da nova geração e do tênis moderno: Felix Aliassime e Carlos Alcaraz. O canadense é muito mais rodado, faz quartas pelo segundo Slam seguido e tem o diferencial importante de sacar com maior qualidade. O espanhol no entanto mostra personalidade de campeão, com aquele espírito de jamais se entregar e, mais valioso ainda, buscar diferentes soluções.

Aliassime fez uma belíssima exibição diante de Frances Tiafoe e da torcida. Perdeu o set inicial, mas manteve um padrão agressivo, com excelente produtividade no saque (24 aces), ótimas transições à rede e nenhum desespero para finalizar os pontos. Alcaraz jogou bem menos do que fez contra Stefanos Tsitsipas e sofreu complicada instabilidade com o serviço (11 quebras em 18 break-points). Pareceu bem exausto. A sorte é que o quali alemão Peter Gojowczyk sentiu demais a longa jornada e mal andou no quinto set, totalizando incríveis 84 erros não-forçados.

Aos 18 anos recém completados, Alcaraz é agora o mais jovem profissional nas quartas do US Open e o de menor idade desde o gaúcho Thomaz Koch, sensação do torneio em 1963, ainda sobre a grama. O duelo contra Aliassime serão as quartas mais jovens de um Slam desde Nadal-Djokovic de 2006 e do US Open desde Cash-Wilander de 1984.

Leylah se mete entre as grandes
A adolescente Leylah Fernandez aprontou mais uma, derrubou a campeã e ex-número 1 Angelique Kerber de virada e é a única não cabeça entre as quadrifinalistas na parte inferior da chave feminina. Outra vez, a canadense mostrou incrível cabeça, tanto na aplicação tática como na frieza para jogar pontos muito delicados. Enfrentar o poder defensivo e de contragolpe de Kerber não é tarefa fácil, daí o valor dobrado da nova façanha.

Sua adversária não será menos complicada: Elina Svitolina, que sabe alternar o ritmo da partida com maestria e está com tanta confiança que passou sem sustos por Simona Halep. A ucraniana fez semi na última ida a Flushing Meadows, em 2019.

Aryna Sabalenka segue no seu sonho de enfim decidir um Slam. Chegou perto em Wimbledon. Neste domingo, passou por Elise Mertens sem grande esforço e sem sacar tão bem, porém mostrou-se outra vez mais comedida e conseguiu equilibrar winners e erros (22 a 21), algo que será importante diante de Barbora Krejcikova.

A tcheca, campeã de Roland Garros meses atrás, curiosamente joga a chave de simples do US Open pela primeira vez. Venceu um jogo um tanto maluco contra Garbiñe Muguruza, em que chegou a ter 6/3 e 4/0, sendo obrigada depois a salvar set-point. Sentiu então algum incômodo que a levou ao atendimento no vestiário e então dominou o tiebreak. A espanhola, em dia muito diferente daquele que passou por Victoria Azarenka, não gostou nada da parada. De qualquer forma, o US Open segue o único dos Slam em que Muguruza não fez quartas até hoje..

O show de Luísa
A apertadíssima vitória nas oitavas de final comprovou que Luísa Stefani é hoje uma das jogadoras mais eficientes junto à rede do circuito feminino. A paulistana deu um show de voleios, com ótima movimentação, reflexos e improvisos, que foram muito importantes diante de adversárias que pegaram bem pesado na bola: Petra Martic e Shelby Rogers.

Nem de longe se pode esquecer que a canadense Gabriela Dabrowski também foi muito bem, com passagens importantes pelo serviço e segurando firme as trocas de bola. Também é uma voleadora esperta. As duas não vão ter muito tempo para comemorar e já voltam à quadra às 14h desta segunda-feira para encarar as ucranianas Marta Kostyuk e Dayana Yastremska, que também se focam muito mais em simples do que em duplas no circuito.

Outro importante resultado para o tênis brasileiro veio com Marcelo Demoliner. O gaúcho se juntou à australiana Ellen Perez e está nas quartas de duplas mistas. Com chances.

US Open muito especial
– Este foi o segundo US Open consecutivo em que houve quatro representantes da nova geração nas oitavas masculinas (Alcaraz, Sinner, Aliassime e Brooksby).
– Houve três adolescentes nas oitavas (Alcaraz, Fernandez e Raducanu), algo que não acontecia no torneio desde 1998 (Safin, Venus, Hingis e Kournikova)
– 33 jogos já foram ao quinto set, marca superada apenas pelos 35 em 1983 e os 34 em 2004.
– Já aconteceram 10 viradas de 0-2, igualando os recordes de 1974 e 2012.
– 7 jogos foram ao tiebreak de quinto set, recorde dividido com 1980 e 1983.
– Nove cabeças chegaram às oitavas, menor número num Slam desde os nove em Wimbledon-2013 e no US Open desde os oito de 2005.
– Onze homens têm no máximo 25 anos entre os classificados para as oitavas, maior número desde os 11 de Roland Garros-2010 e os 11 do US Open-2006.

Tsitsipas segue a rotina
Por José Nilton Dalcim
2 de setembro de 2021 às 01:17

As duras críticas que recebeu após as reclamações de Andy Murray não afetaram Stefanos Tsitsipas. No plano técnico, fez outra partida com muito mais elogios do que defeitos e manteve a rotina de dar uma longa pausa no vestiário. Gastou oito minutos para reiniciar a partida após Adrian Mannarino levar o jogo ao quarto set, mas o francês preferiu não reclamar de nada.

Apesar do tiebreak perdido após um set de muito empenho do adversário, Tsitsipas fez uma exibição vistosa. Forçou sempre, ajudado ainda pelo teto fechado, e chegou a bater seu recorde pessoal de aces num jogo (27), tendo vencido 85% dos pontos com o primeiro saque. Levou vaias no retorno à quadra, pareceu pouco à vontade na entrevista pública e a pergunta é se isso tudo irá influenciar seu mental nos momentos mais complicados.

Encara agora a juventude de Carlos Alcaraz, que tem me chamado a atenção por ter se adaptado muito bem às quadras duras como mostrou na vitória de hoje sobre Arthur Rinderknech, francês que possui um tênis bem moderno. Com as quedas dos cabeças, o quadrante ficou com os sacadores Henri Laaksonen e Peter Gojowczyk. O alemão joga muito no risco, saiu do quali e já fez 10 sets na chave principal.

Daniil Medvedev por sua vez jogou com a seriedade e eficiência necessárias para não gastar energia. Ficou é bem verdade preso lá na base e isso foi mais do que suficiente para dobrar o canhoto Daniel Koepfer, a quem carece agressividade, algo um tanto semelhante a Pablo Andujar, seu próximo adversário. Para superar Medvedev numa quadra dura veloz, é preciso muito mais do que trocar bolas e assim dificuldades autênticas se podem esperar diante de Daniel Evans ou Alexei Popyrin, ainda que o favoritismo de Medvedev permaneça.

Andrey Rublev corre por fora nesse briga, não apenas porque tem resultados menos relevantes em Slam como também seu setor ficou muito mais forte. Chegou a perder set de Pedro Martinez antes de enfim dominar as trocas de bola, pega agora o imprevisível Frances Tiafoe em jogo inédito e quem vencer enfrentará Roberto Bautista ou Felix Aliassime. Rublev ganhou as duas de Bautista neste ano e tem 2-0 sobre o canadense.

Só dá favorita
E para contrariar a todos, a chave feminina prossegue com atuações consideralmente rápidas e tranquilas das principais cabeças de chave. Duas caíram nesta quarta-feira, mas Coco Gauff jamais se mostrou solta e parou na campeã Sloane Stephens, o que está longe de ser surpresa, e Ekaterina Alexandrova só entrou como cabeça devido aos abandonos de Sofia Kenin e Serena Williams.

Aryna Sabalenka foi bem mais consistente em seu segundo jogo e isso é ainda mais relevante quando se considera o vento que já soprava forte ali no meio da tarde. Ótima atuação também de Garbiñe Muguruza, num divertido jogo contra a amiga Andrea Petkovic, e de Simona Halep, que fez 19 winners e 18 erros tomando sempre a iniciativa. Naomi Osaka nem precisou entrar em quadra e Vika Azarenka me parece instável demais.

A terceira rodada marca duelos já muito interessantes, principalmente Muguruza x Azarenka vc, que está 2 a 2. Mas também haverá Sabalenka x Collins, Mertens x Jabeur, Halep x Rybakina e Svitolina x Kasatkina.

Tempestade alaga Armstrong
A previsão de chuva em Nova York se confirmou, mas ainda que tenha atrasado o começo dos jogos nas quadras externas e provocado uma paralisação no meio da tarde, o cronograma inteligente da organização – que marcou todos os jogos de simples para o começo da rodada – garantiu que apenas um jogo acabasse adiado.

E curiosamente isso aconteceu num estádio coberto. O aguaceiro combinado com ventos muito fortes entrou pelas laterais da Louis Armstrong e alagou completamente o segundo maior estádio, prejudicando o andamento do jogo entre Diego Schwartzman e Kevin Anderson. Eles conseguiram completar um set e mais um game até que a suspensão se tornou inevitável, e aí entraram na Ashe quase meia-noite local para o reinício.

Um vídeo de Darren Cahill dá a dimensão da força da chuva e uma imagem surreal da Armstrong pelas câmeras da ESPN são perfeitas para explicar o caos.

Djokovic tenta fechar década de ouro
Por José Nilton Dalcim
29 de agosto de 2021 às 15:40

Os números não mentem: Novak Djokovic foi o jogador mais dominante em nível Grand Slam desde 2011. O US Open que começa nesta segunda-feira será o 43º torneio desse quilate do período, dos quais o chamado Big 3 venceu nada menos do que 34.

Os dados oficiais da ATP comparam Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer e são indiscutíveis. Desde janeiro de 2011, o sérvio venceu 19 Slam contra 11 do espanhol e 4 de Federer, tendo obtido 230 vitórias contra 171 de Nadal e 161 de Federer.

Também passou todas suas atuais 337 semanas na liderança, muito acima das 133 do canhoto espanhol e das 25 de Roger. A supremacia se reflete nos títulos e vitórias conquistados no geral. Nole ganhou 67 troféus (com 658 vitórias), Nadal foi campeão 45 vezes (556 triunfos) e Federer, 37 (508).

Sem a concorrência dos parceiros recordistas de títulos de Slam, Djokovic será a estrela absoluta em Flushing Meadows, o que pode ser bom ou ruim. Tenta desempatar a disputa e repetir o feito de 2016, quando se tornou dono de todos os troféus de Slam ao mesmo tempo. Mas agora pode fazê-lo num único ano, façanha que passou perto de Federer por duas vezes, em 2006 e 2007, e que Nadal nunca saboreou.

A pergunta que todo mundo se faz em Nova York é como Nole irá reagir à tamanha pressão, externa e principalmente interna. A motivação não poderia ser maior, é o grande favorito, porém o excesso de confiança tem seus perigos. O sérvio já mostrou inúmeras vezes capacidade de aguentar cobranças e concretizar expectativas. Mas esta é única e Nole terá de estar pronto para jogar uma autêntica final a cada vez que entrar em quadra.

Torneio feminino promete outra vez
A chave feminina mais uma vez está bem aberta, ainda que o favoritismo de Ashleigh Barty seja incontestável. A número 1, que vem do título em Cincinnati, tem no entanto alguns desafios até mesmo nas rodadas iniciais, quando poderá encarar Veronika Kudermetova e depois nas oitavas Jennifer Brady.

É provável que Iga Swiatek seja sua adversária de quartas, mas o setor tem Belinda Bencic e nomes de bom currículo como Jessica Pegula e Anett Kontaveit, sem falar em Jil Teichmann, que não saiu de cabeça e pode ser a terceira adversária da polonesa.

A outra vaga para a semi no lado superior é indefinida. Karolina Pliskova e Anastasia Pavlyuchenkova são possíveis oitavas, assim como Bianca Andreescu e Petra Kvitova. Mas essas duas estão pouco confiáveis e não seria surpresa de Maria Sakkari ou Jelena Ostapenko aproveitassem a oportunidade.

O lado debaixo é muito atraente, apontando para uma semi entre Aryna Sabalenka e a bicampeã Naomi Osaka. Se jogar seu normal, a cabeça 2 bielorrussa deve passar por Danielle Collins e Ons Jabeur até encontrar o grupo onde ficaram Barbora Krejcikova, Garbiñe Muguruza e Vika Azarenka. Sou mais Sabalenka.

Ainda sem mostrar seu melhor tênis desde o título no Australian Open, Osaka tem de ser respeitada em Flushing Meadows. Seria interessante um duelo de oitavas contra Coco Gauff, mas que pode ser impedido por Angie Kerber. Campeã neste sábado, Elina Svitolina me parece a candidata natural às quartas, já que Simona Halep está longe da boa forma.

Eu particularmente acharia fantástica uma final entre Barty e Osaka. E se apostasse numa nova campeã de Slam, seria em Sabalenka.

E mais
– O US Open masculino tem sido bem mais versátil do que os demais Slam. Nos últimos 13 anos, o torneio teve oito novos campeões enquanto Melbourne, Paris e Wimbledon viram apenas quatro cada um.
– Com as desistência de Nadal, Federer e Thiem, sete dos oito principais cabeças do torneio têm no máximo 25 anos e quatro vão até 23. Os únicos que nunca fizeram semi em Slam são Rublev e Ruud.
– Djokovic tem 35-1 em jogos de cinco set contra tenistas nascidos após 1993, o que inclui 3-0 sobre Medvedev e 2-0 sobre Tsitsipas e Zverev. A única derrota foi para Chung, em Melbourne-2018.
– Único campeão olímpico a vencer o US Open no mesmo ano foi Murray, em 2012.
– EUA não ganham o título masculino do US Open desde 2003, mas no ranking desta semana o país tem 14 nomes no top 100, superiando a Itália.
– O único campeão do US Open que não era cabeça foi Andre Agassi, em 1994.
– Cornet chega a 59 Slam consecutivos e fica a três de igualar recorde de Sugiyama. Feliciano atinge 78 seguidos.
– Todas as 16 principais cabeças do feminino fizeram ao menos uma semi de Slam.
– Barty é única com múltiplos títulos em quadra dura neste ano (3). Apenas Pliskova e Andreescu entre as 10 cabeças não ganharam torneios no sintético, mas foram vices em 2021.
– Serena segue como mais velha campeã em três dos quatro Slam. Exceção é o US Open, em que Pennetta tirou seu recorde por diferença de 3 meses.