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Djokovic conhece caminhada e espera ministro
Por José Nilton Dalcim
13 de janeiro de 2022 às 15:39

Depois de uma tremenda boataria nas redes sociais, as chaves do Australian Open foram sorteadas e Novak Djokovic aparece para defender seu título, buscar o décimo troféu e o 21º Grand Slam. Como tem treinando normalmente e em ritmo acelerado, o sérvio parece pronto ao menos no campo técnico e físico para o desafio. Ele ainda está sob ameaça de deportação, mas o ministro australiano do Interior seguidamente adia pronunciamento e permanece em absoluto silêncio sobre o caso.

Djokovic tem pela frente jogos iniciais que podem ser fisicamente exigentes, mas onde ele é muito superior ao compatriota Miomir Kecmanovic, Tommy Paul ou Lorenzo Sonego. O superfreguês Gael Monfils e o fraco Cristian Garin viriam a seguir, se chegarem tão longe num setor que Alexander Bublik é perigoso. Já nas quartas o possível adversário é bem indefinido, podendo pintar a potência de Matteo Berrettini, a experiência de Pablo Carreño ou a juventude de Carlos Alcaraz. São jogadores de estilos muito diferentes e talvez Carreño seja o nome a se evitar.

Alexander Zverev e Rafael Nadal são os tenistas de peso no segundo quadrante e portanto adversários potenciais de Nole na semi. O caminho não é ruim para Sascha e colocaria Reilly Opelka como o maior obstáculo até as quartas. Já o espanhol pode encarar sequência bem exigente. A estreia contra Marcos Giron e a segunda partida frente a Thanasi Kokkinakis não permitem vacilos. Aí haveria um respiro antes de uma pedreira do tamanho de Hubert Hurkacz ou Aslan Karatsev. Portanto, para chegar em Zverev tudo indica que Rafa terá de estar em forma e confiança máximas.

Finalista do ano passado e o mais recente campeão de Grand Slam, Daniil Medvedev também vislumbra trajeto com poucas armadilhas. O eventual terceiro jogo contra o canhoto Ugo Humbert seria um bom teste, já que o francês jogou muito bem na ATP Cup. No jogo seguinte, podem pintar John Isner ou Diego Schwartzman ou uma ‘zebra’ como Maxime Cressy, porém me parece bem provável que Medvedev chegue nas quartas e aí o quadrante é bem imprevisível. Ali estão Andrey Rublev, Felix Aliassime, Daniel Evans e Marin Cilic, curiosamente quatro jogadores cuja instabilidade emocional é o principal defeito. Como vimos na ATP Cup, Evans e Aliassime mostraram força. Apostaria no britânico.

Por fim, o terceiro quadrante promete qualquer coisa e pode surgir daí um semifinalista inédito de Slam. O principal cabeça é Stefanos Tsitsipas, que não mostrou firmeza em Sydney com um cotovelo ainda preocupante. As oitavas diante de Roberto Bautista ou Taylor Fritz, grandes destaques da ATP Cup, tende a ser decisiva. Quem sobreviver terá boa chance de ir à penúltima rodada, já que o setor anexo tem Jannik Sinner, Casper Ruud, Nikoloz Basilashvili, Alex de Minaur e uma pequena mas não desprezível chance para Andy Murray.

Aliás, Murray protagoniza um dos grandes jogos de primeira rodada, no reencontro da batalha com Basilashvili de dias atrás. Outros jogos iniciais imperdíveis são Norrie x Korda, Nakashima x Berrettini, Opelka x Anderson, Musetti x De Minaur, Schwartzman x Krajinovic, Cressy x Isner e Umbert x Gasquet.

O feminino
Nem começou e a chave feminina já deixa enorme expectativa por um duelo precoce entre Ashleigh Barty e Naomi Osaka em plenas oitavas de final. A menos que joguem muito abaixo, será difícil evitar o confronto. A única que parece ter condições disso é Belinda Bencic. Esse lado superior da chave está bem forte, com presenças também de Maria Sakkari, Ons Jabeur e a imprevisível Jessica Pegula.

Quem sobreviver a isso tudo fará semi com a vencedora do setor que tem Barbora Krejcikova, Elina Svitolina, Vika Azarenka, Sofia Kenin, Coco Gauff e Paula Badosa. Dificílima previsão. A terceira fase pode ter Kenin contra Gauff e Azarenka diante de Svitolina, que decepcionou esta semana.

Aryna Sabalenka foi muito mal nos dois preparatórios de Adelaide, mas teve sorte na formação da chave e ao menos deve ganhar os dois primeiros jogos. No seu setor ficaram as canhotas Angelique Kerber e Leylah Fernandez, que podem duelar na terceira rodada. Parece uma boa janela para Iga Swiatek mostrar que se sente mais à vontade na quadra dura.

O terceiro quadrante é encabeçado por Garbiñe Muguruza, que caiu logo no 500 de Sydney e pode encarar a renovada Simona Halep. Entre as duas está Emma Raducanu quem, vindo de covid, só ganhou um game contra Elena Rybakina e vai pegar Sloane Stephens na estreia. É bem interessante ficar de olho em Anett Kontaveit, que está no seu piso predileto e em alta.

Os brasileiros
Thiago Monteiro encara a habilidade de Benoit Paire em seu retorno ao Melbourne Park. O canhoto cearense fez bons jogos nos dois torneios anteriores, com destaque para um primeiro saque bem agressivo, e sabe que terá de tirar o máximo do forehand do francês. Se passar, deve encarar outra ‘fera’, Grigor Dimitrov.

Bia Haddad também jogou dois preparatórios e aguarda uma qualificada, o que é garantia de ranking mais baixo porém de adversária em pleno ritmo. Se vencer, deve encarar Halep e aí fica pelo menos divertido.

E se…
Houve uma enorme expectativa no início da quinta-feira em Melbourne, quando o Primeiro Ministro fez um discurso sobre a pandemia e o sorteio foi atrasado em 1h15. Parecia que a ‘bomba’ do afastamento de Djokovic iria estourar, mas de novo nada aconteceu, já que o ministro da Imigração diz continuar avaliando o caso. Angustiante. Será que há alguma investigação em andamento? Ninguém sabe, e Nole continua treinando normalmente.

A pergunta óbvia é: o que acontecerá com a chave masculina caso Djokovic seja impedido de competir? A regra diz que, caso a primeira programação ainda não tenha sido divulgada, haverá troca de lugar de alguns cabeças de chave. Rublev subiria para a posição de Djokovic e Bublik ganharia condição de cabeça 33. Se a retirada ocorrer depois da programação, então a primeira linha será ocupada por um lucky-loser.

Federer merece uma despedida
Por José Nilton Dalcim
17 de novembro de 2021 às 21:00

Roger Federer é muito provavelmente a pessoa mais importante da história do tênis. E nem é apenas por sua técnica ou pelos números. O suíço também foi o maior nome quando a nova era das comunicações atingiu o circuito, fato que maximizou façanhas e rivalidades e o transformou igualmente num crucial instrumento de popularização do esporte e num sucesso arrebatador de marketing. Federer extrapolou o universo do tênis e por isso é dono de uma das 10 maiores fortunas construídas por um atleta.

Alguém com esse peso não merece a triste perspectiva de encerrar a carreira sem novamente pisar numa quadra. Em entrevista divulgada nesta quarta-feira pelo Tages Anzeiger, Federer admite que nem sua equipe médica sabe se ele voltará a jogar de forma competitiva. Com sorte, conseguirá correr em janeiro e a treinar em abril. Caso atinja um bom nível, só poderá jogar depois de Wimbledon, quando estará às portas dos 41 anos.

Ele afirma que o sonho é ainda ter condições de competir, nem que seja em 2023. Usou de forma sintomática a palavra ‘milagre’ e talvez nesta altura a esperança seja ter o mínimo de forças para realizar uma turnê de despedida, ainda que econômica. ‘Tenho dificuldade em tomar a decisão de me aposentar’, confessou, o que é algo muito comum entre megaestrelas do esporte. ‘Gostaria de poder decidir o momento de parar, me despedir do meu jeito, na quadra de tênis’.

Federer merece muito isso.

Djoko e Medvedev confirmam
Foram necessárias apenas duas rodadas para Novak Djokovic e Daniil Medvedev garantirem a vaga na semi do ATP Finals e ainda por cima como vencedores de seus grupos, o que abre a perspectiva de se reencontrarem na decisão de domingo. O russo é verdade deu alguma sorte com a saída de Matteo Berrettini, o que adiantou sua tarefa, mas fez uma boa exibição na vitória, mais uma, contra Alexander Zverev.

Djokovic por seu lado está sobrando na turma outra vez. É bem verdade que começou seus jogos contra Casper Ruud e Andrey Rublev um tanto preguiçoso, mas a partir do momento em que pegou o ritmo parecia um jogador de outra divisão. Está muito acima e completamente à vontade num piso sintético veloz, explorando saque, voleio, devolução, tudo que lhe cabe.

Zverev é o candidato a enfrentar Nole no sábado, já que basta vencer o polonês Hubert Hurkacz, mais um que está ‘baleado’ na competição. Mas nem ele, nem Jannik Sinner estão totalmente fora. O italiano precisa ganhar de Medvedev e torcer por Hurkacz, o que pelo menos animaria mais o público, que ainda não conseguiu lotar qualquer sessão de Turim. Já Medvedev aguarda quem vencer entre Rublev e Ruud, em que o russo só perdeu um set do norueguês em quatro duelos, e olha que três foram em pleno saibro.

Bruno Soares e Jamie Murray perderam outra vez em sets diretos e assim estão fora, mesmo que vençam na sexta-feira os franceses Pierre Herbert/Nicolas Mahut. Os únicos garantidos na semi são Marcel Granollers e Horacio Zeballos. Os líderes da temporada Nikola Mektic e Mate Pavic terão de ganhar de Ivan Dodig/Filip Polasek.

Decisão inesperada no México
A quinta e a oitava do ranking irão decidir o WTA Finals de Guadalajara nesta noite, cacifando mais um torneio de surpresas na agitada temporada feminina de 2021.

Claro que Garbiñe Muguruza tem currículo muito superior, mas o confronto direto é apertado: 3 a 2, e isso considerando o jogo desta semana pela fase de grupos. Nenhuma espanhola ganhou um Finals até hoje e Muguruza pode recuperar o impulso da carreira. Afinal, seus troféus de Grand Slam vieram em 2016 e 2017 e desde 2018 ela ganhou um único 1000, em Dubai deste ano.

Anett Kontaveit faz uma reta final de temporada incrível, com dois títulos que a levaram de última hora a Guadalajara. No total, esta será sua sétima decisão em 2021 e a 13ª da carreira.

Calvário de Tsitsipas continua
Por José Nilton Dalcim
15 de novembro de 2021 às 21:13

Apesar de ter somado 55 vitórias, erguido dois títulos e atingido o terceiro lugar do ranking desde janeiro, o grego Stefanos Tsitsipas tem vivido dificuldades evidentes desde a amarga derrota na final de Roland Garros.

Neste segundo semestre, ganhou apenas 15 de seus 25 jogos, perdeu sete vezes para adversários fora do top 30 e o máximo que conseguiu foram duas semis. Isso sem falar nas polêmicas geradas por atitudes dentro e fora das quadras.

O calvário prosseguiu na estreia do ATP Finals, com atuação muito abaixo de seu potencial. Graças ao piso veloz, ainda conseguiu equilibrar os dois sets contra Andrey Rublev, mas vimos um grego muito falho nos golpes da base e em várias escolhas táticas.

Ao que tudo indica, vai terminar 2021 de forma pouco animadora. Terá chance de reagir na quarta-feira contra Casper Ruud, que até fez um primeiro set decente antes de ser atropelado por Novak Djokovic diante de uma superfície muito desconfortável para o norueguês. O número 1 é favoritíssimo diante de Rublev e só mesmo um dia muito inspirado para permitir que Tsitsipas lhe dê algum trabalho.

O outro grupo começou agitado, com virada exigente de Daniil Medvedev sobre Hubert Hurkacz, aliás uma constante em todos os duelos entre os dois. O polonês se saiu muito bem no piso bem mais rápido do que se esperava e não pode ser descartado.

Alexander Zverev vinha tendo dor de cabeça com Matteo Berrettini até o triste abandono do italiano, que outra vez sofreu com o abdômen, como aconteceu em 2020. Há dúvidas se ele irá continuar ou cederá vaga para Jannik Sinner. Semelhante a Tsitsipas, Berrettini também não se recuperou depois do vice em Wimbledon, embora aí os motivos sejam físicos, já que ele vinha baleado desde a semi.

Caso Sinner ocupe o lugar, será interessante rever a batalha contra Hurkacz como a final de Miami de março e quem sabe ele possa incomodar Medvedev. Seria uma experiência bem válida para um jogador que cresceu muito este ano e quase sempre no piso duro. Medvedev e Zverev se cruzam nesta terça-feira com placar de 5-5 no histórico, mas quatro vitórias seguidas do russo desde que Sascha ganhou no Finals de 2019.

Festa espanhola no México
Sem a número 1 do mundo Ashleigh Barty, o WTA Finals de Guadalajara tem tido alguns placares inesperados. No grupo principal, Paula Badosa ratifica o ótimo momento e já se garantiu como primeira da chave, depois de superar Aryna Sabalenka e Maria Sakkari, que fazem duelo direto esta noite pela segunda vaga. Iga Swiatek até teve chance, mas sofreu dura virada de Sabalenka e não deu para se recuperar.

Já o outro grupo classificou as duas piores na lista do ranking. Se não chega a ser surpresa a adaptação difícil de Barbora Krejcikova ao piso sintético, a ponto de sair sem vitórias do Finals, Karolina Pliskova levou dois ‘pneus’ e isso influiu diretamente na sua eliminação no critério de set-average.

Anett Kontaveit está demais na reta final de temporada, ainda que tenha perdido nesta fase classificatória para Garbiñe Muguruza em sets diretos. Seu estilo agressivo foi até aqui o ponto alto do torneio. Muguruza, que disputou oito sets em três jogos, fará duelo todo espanhol e inédito contra Badosa na semi e a vencedora irá repetir Arantxa Sanchez, vice em 1993.

Para quem não se recorda, entre 1984 e 1998, a partida decisiva do WTA Finals era disputada em melhor de cinco sets. Por três vezes, chegou ao set decisivo, a primeira com vitória de Monica Seles sobre Gabriela Sabatini (1990) e as outras com títulos de Steffi Graf (1995 contra Anke Huber e 1996 frente a Martina Hingis).