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Está chegando a hora
Por José Nilton Dalcim
1 de novembro de 2019 às 20:07

 Passo a passo, Novak Djokovic e Rafael Nadal se aproximam do esperado duelo na final de Paris. Estão sobrando em quadra. Extremamente sólido e eficiente tanto no saque como nas devoluções, o sérvio ainda contou com uma tarde tenebrosa de Stefanos Tsitsipas, que se perdeu muito cedo na partida e jamais se recuperou. O espanhol teve um primeiro set exigente, em que não permitiu aventuras mas também não segurou o saque forçado de Jo-Wilfried Tsonga, porém a partir do tiebreak dominou amplamente e ainda fez um lance de cinema.

Não dá para esperar outra coisa do que uma decisão entre os líderes do ranking, que pode valer o número 1 ao final de 2019 de forma antecipada em caso de título inédito de Nadal. Os dois também lutam pelo quinto troféu da temporada e estão empatados com 51 vitórias. Ao longo de 2019, o espanhol tem 22 triunfos de Masters, mas Djoko pode empatar.

Grigor Dimitrov, é bem verdade, só ganhou um dos nove duelos que fez contra Djokovic, mas não deixa de ser curioso que reencontrará o sérvio tendo agora as orientações do mesmo dueto que trabalhou com Nole há pouco tempo, Andre Agassi e Radek Stepanek. Será que eles conseguem montar um plano tático eficiente? Ou, mais importante ainda, que o búlgaro consiga executá-lo?

Dimi está numa bela semana, jogando com confiança e solidez, com direito a lances espetaculares e plásticos. Ainda assim correu risco de perder o segundo set para o chileno Cristian Garin mesmo num piso que tanto o favorece. Me parece que a chance de equilibrar contra Djokovic é um índice muito alto de primeiro saque e a tentativa de evitar pontos mais longos.

Inegável que Gael Monfils foi uma grande decepção no duelo contra Denis Shapovalov, porque jogou muito abaixo do que vinha fazendo e foi totalmente dominado pelo tênis agressivo do garoto. Não faltava motivação para Monfils, já que a vitória valia a vaga (inesperada) no Finals de Londres. Ao menos, comemora a volta ao top 10 depois de quase três anos.

Porém, não se pode tirar os méritos de Shapovalov. A recente parceria com o experiente Mikhail Youzhny está pouco a pouco dando resultados. Não que o russo tenha sido um exemplo de frieza em quadra. O canadense tem grandes golpes e arrojo, falta lhe dar um apuro tático e emocional para conter a força e executar de forma correta os essenciais pontos importantes, onde geralmente ele falha muito.

Este será já o terceiro duelo contra Nadal, com uma vitória para cada lado. Shapovalov venceu em 2017 no Masters caseiro, campanha que o colocou na vitrine do tênis, e foi facilmente dominado no saibro de Roma quatro meses atrás. Como é um atacante por natureza, não se pode esperar outra coisa senão um jogo de alto risco neste sábado, buscando definir em poucas bolas. Tarefa difícil.

E mais
– Tsonga dará o maior salto da temporada entre os que terminam no top 50. Sairá do 259º posto para o 29º. Bem atrás está Daniel Evans (128 postos) e Alexander Bublik (121). O destaque entre os top 30 é Felix Aliassime (109 para 19).
– Nadal venceu todas as 11 quartas de final que disputou nesta temporada. Só tem uma semi a menos que Medvedev.
– Shapovalov abriu mão da vaga no NextGen Finals – não teria muito mesmo o que fazer lá – e no seu lugar entrou Alejandro Fokina.
– Quatro franceses aparecem na lista dos sete tenistas com mais vitórias porém sem títulos de Msters na carreira: Gasquet lidera, Simon é terceiro à frente de Santoro e Monfils está em sétimo.
– As líderes do ranking Ash Barty e Karolina Pliskova duelam numa das semis do Finals de Shenzhen. Isso não acontecia desde a final do Australian Open do ano passado, entre Halep e Wozniacki.
– Halep ficou de fora ao perder jogo maluco para Pliskova. Levou ‘pneu’, reagiu e fez 2/0 no terceiro set, mas não sustentou.
– Atual campeã, Elina Svitolina encerrou a fase de grupos de forma invicta e terá pela frente a estreante em Finals Belinda Bencic. As duas jogaram duas vezes neste ano, com uma vitória para cada lado. Quem vencer, será 6ª do ranking, um posto que Bencic nunca alcançou.
– Thiago Wild vive grande momento no saibro de Guayaquil e atinge sua primeira semi de nível challenger. Deixou no caminho até Thiago Monteiro, o top 90 brasileiro que ganhou Lima no domingo. Mais uma vitória e ele se aproxima do top 250 e de uma vaga no quali do Australian Open.

Para todos os gostos
Por José Nilton Dalcim
31 de outubro de 2019 às 20:56

Apenas três dos top 10 do ranking chegaram nas quartas de final do Masters de Paris, porém isso não reduz em nada a interessantíssima rodada desta sexta-feira em Bercy. Pode-se torcer na briga particular pelo número 1, por mais um momento de progresso da nova geração, pelos dois veteranos e espetaculares jogadores da casa ou por quem enfim irá ao Finals.

Novak Djokovic deu um salto claro de qualidade após a estreia titubeante, em que errou demais e quase perdeu set do garoto Corentin Moutet. O jogo contra Kyle Edmund foi bem mais exigente e ele teve raros momentos de baixa. Fará agora reencontro imperdível contra outro NextGen, o ousado Stefanos Tsitsipas, para quem perdeu dias atrás em Xangai. O grego foi muito bem contra Taylor Fritz e Alex de Minaur e será curioso ver se continuará optando pelo jogo mais ofensivo.

Rafael Nadal precisava de ritmo e Adrian Mannarino cumpriu o papel. Mais solto, espanhol dominou Stan Wawrinka pela 19ª vez em 22 confrontos com uma atuação segura, sem ceder quebras e especialmente jogando muito bem nos tão famosos pontos importantes, o que é sinal de confiança. As devoluções bloqueadas do suíço não incomodam mesmo o espanhol. Ele é favorito natural contra Jo-Wilfried Tsonga, ainda que o veterano francês tenha a torcida, um título em Bercy no currículo e três vitórias no histórico de 12 duelos. O ex-top 10 quase perdeu para o bom Jan-Lennard Struff, porém outra vez faltou cabeça fria ao alemão.

Quem também esteve com um pé fora do torneio foi Gael Monfils. O brigador Radu Albot teve um set e uma quebra à frente até o 4/3 do segundo set. Daí em diante faltou coragem e só venceu mais um game. Monfils cresceu, empurrado pelo público. Recupera seu lugar no top 10 do ranking e precisa agora derrotar o canhoto Denis Shapovalov para atingir uma impensável vaga no Finals de Londres. Os dois fizeram um belo jogo no US Open meses atrás e o canadense se rendeu lá no quinto set. Shapovalov vem do título em Estocolmo, se saiu muito bem contra os experientes Gilles Simon e Fabio Fognini e despachou Alexander Zverev. O alemão no entanto conseguiu seu lugarzinho no Finals e defenderá seu título, um verdadeiro prêmio diante de sua temporada tão instável.

Inesperado mesmo será o duelo inédito entre Grigor Dimitrov e Cristian Garin. O búlgaro de tantos altos e baixos parece ter reencontrado o domínio dos nervos e fez apresentações dignas diante de David Goffin e Dominic Thiem. O chileno sofria evidente dificuldade de repetir o sucesso do saibro nas quadras sintéticas, com raras atuações empolgantes, porém faz em Paris uma caminhada notável. Tirou John Isner em dois tiebreaks, o que é uma façanha, e salvou três match-points contra Jeremy Chardy, o homem que dois dias antes havia encerrado a série de Daniil Medvedev.

E mais
– Berrettini não passou por Tsonga e torcerá contra Monfils para ficar com a oitava vaga no Finals. Gael só jogou o torneio uma vez, em 2016, abandonando depois de perder os dois primeiros jogos da fase de grupo.
– Fato muito raro, dois tenistas com menos de 3 mil pontos na temporada poderão chegar ao Finals. Historicamente, a ‘linha de corte’ fica na casa dos 3.200.
– Nadal e Djokovic serão o cabeça principal de cada grupo do Finals, esperando para ver se pegam Federer ou Medvedev. Serão sorteados também Thiem e Tsitsipas e por fim Zverev e Berrettini ou Monfils. Tudo indica um bom equilíbrio.
– Já o Finals feminino em Shenzhen está maluco. Osaka só fez um jogo e abandonou. Bertens entrou em seu lugar, venceu a número 1 Barty e aí também se contundiu e desistiu no final de seu segundo jogo. Kvitova não ganhou nada e Bencic avançou à semi junto com Barty
– No outro grupo, Andreescu se machucou e nem completou a segunda partida, substituída por Kenin que enfrentará Svitolina em verdadeiro amistoso, já que ucraniana já garantiu o primeiro lugar da chave. A outra vaga será decidida no confronto direto entre Pliskova e Halep.
– A lentidão da quadra em Shenzhen tem sido assunto de todas as entrevistas e quase todas as jogadoras contestaram a escolha, afirmando que a exigência física está excessiva para um torneio de fim de temporada.
– As vagas finais para as duplas de Londres também estão abertas em Paris. Classificados para as quartas, Chardy/Martin e Dodig/Polasek estão na luta. Se os franceses forem campeões em cima justamente da dupla do croata, os irmãos Bryan ficarão de fora.

Quadras públicas
Um interessante balanço das quadras de tênis públicas do Brasil foi publicado hoje em TenisBrasil. A lista contabiliza 226 quadras em 77 cidades e 19 estados, mas vários internautas já estão contribuindo e acrescentando locais. Fica aberto o convite para o pessoal aqui do Blog também participar. Clique aqui para ver o texto e a relação das quadras.

Desafios e dúvidas para o Big 3 em Paris
Por José Nilton Dalcim
25 de outubro de 2019 às 19:51

Acostumado a ampla soberania nos Grand Slam e Masters 1000 da última década, o Big 4 sempre teve maior dificuldade de impedir as surpresas no piso sintético lento de Bercy. O Masters 1000 de Paris viu uma série de nomes diversificados chegarem ao título desde 2007, com David Nalbandian, Jo-Wilfried Tsonga e Robin Soderling, além de verdadeiras surpresas com as conquistas de David Ferrer, Jack Sock e Karen Khachanov, estes dois nas edições mais recentes.

Com quatro títulos e atual vice, Novak Djokovic tem é claro o favoritismo natural, ainda que venha de derrota em Xangai. O sorteio da chave lhe dá duas primeiras partidas muito tranquilas, provavelmente diante de Richard Gasquet e Diego Schwartzman, então um jogo mais perigoso, seja Stef Tsitsipas ou Roberto Bautista. Mas o que todo mundo aguarda é o possível reencontro com Daniil Medvedev, o homem que vem de seis finais consecutivas e duas vitórias em cima do número 1. O russo encara uma caminhada exigente, com John Isner, Dominic Thiem e David Goffin pela frente.

Rafa Nadal e Roger Federer ficaram do outro lado da chave, vendo oportunidade de recuperar o brilho em Bercy. Com uma única final no torneio, lá em 2007, existem também dúvidas sobre como estará o espanhol, que não joga desde o título no US Open e acaba de viver a emoção do casamento. Sua motivação é certamente vislumbrar o número 1 do ranking, que será seu de qualquer jeito na segunda-feira. O sorteio não foi de todo ruim, já que pode ter o contundido Stan Wawrinka ou o decadente Marin Cilic nas oitavas. Há muitos candidatos para as quartas: Matteo Berrettini, Khachanov, Andrey Rublev ou até Tsonga.

Assim como Nadal, Federer também não é exatamente um fã de Bercy. Desde o título isolado de 2011, ficou de fora por três vezes e atingiu mais duas semis, em ambas batido por Djoko, incluindo a excepcional partida do ano passado. Jogará neste sábado a semi da Basileia e aí devem vir mais duas barreiras: a diferença de velocidade de pisos e a sequência exigente, pois deve estrear na quarta-feira em Paris e aí terá de jogar todos os dias. Ainda assim, um novo ‘Fedal’ pinta no horizonte, já que o suíço tem uma sequência favorável (Gael Monfils ou Benoit Paire, Sascha Zverev ou Fabio Fognini).

Dá para apostar em alguma outra ameaça ao Big 3 que não seja Medvedev? Esta semana de ATPs 500 tem mostrado Thiem e Tsitsipas muito inconstantes, Bautista e Fognini se arrastando, Stan machucado e Zverev medroso. Pena que Andy Murray, à espera do nascimento do terceiro filho, não esteja lá.

Briga pelo Finais
Atração paralela em Paris é a luta pelas duas vagas ainda em aberto para o Finals de Londres. Nada menos que 10 candidatos se apresentam, mas o bom senso indica que Zverev, Berrettini e Bautista possuam as maiores chances. Se for campeão em Viena, Monfils crescerá e passará à frente do espanhol.

Atual campeão do Finals, Zverev corre risco porque tem uma estreia perigosa contra Verdasco ou Coric, depois Fognini ou Shapovalov e nas quartas Federer. O próprio Fognini está na briga, mas terá de ser finalista. A situação também não é fácil para Monfils, com estreia provável contra Paire e oitavas diante de Roger.

Berrettini ainda pode somar em Viena e vê outro caminho duro em Paris: Tsonga ou Rublev na estreia, depois Khachanov – só o título interessa ao russo –  e depois Nadal nas quartas.

Eliminado nesta sexta, Bautista se complicou. Aguarda De Minar ou Djere antes de eventual encontro com Tsitsipas e depois Djoko. É o setor onde está Dieguito, outro que vai precisar ir à final e isso quer dizer tirar Djoko nas oitavas.

Correm por fora ainda Goffin, que precisa no mínimo de semi; e Stan e Isner, que assim como Khachnov só chegarão a Londres erguendo o troféu.

E mais
– A expectativa é que caia a marca de Ferrer, que ganhou Bercy aos 30 anos, em 2012, e ainda é o campeão de maior idade.
– O Masters parisiense tem estádio principal para 15 mil espectadores, com quali no sábado e domingo e chave principal a partir das 7h de segunda-feira. A final está marcada para as 11 horas.
– Finals feminino começa neste domingo em Shenzhen com ingrediente especial: a campeã receberá o maior prêmio da história do tênis, entre US$ 4,7 mi (invicta) e US$ 4,1 (se perder 2 jogos). O torneio dá US$ 14 mi, muito acima dos US$ 9 mi do ATP Finals.
– O torneio larga na madrugada com o Grupo Vermelho: Osaka x Kvitova e Barty x Bencic. A chave Roxa ficou com Pliskova, Andreescu, Halep e a atual campeã Svitolina.
– Barty precisa apenas entrar em quadra nos três jogos classificatórios para se garantir como número 1 ao fim da temporada.

Ingressos gratuitos para Paris
Premiado com um lote farto de ingressos para Paris por ter ido a Roland Garros, o internauta André Queiroga decidiu ceder gratuitamente suas entradas para Paris-Bercy a quem tiver verdadeiras condições de ver os jogos na próxima semana. E escolheu o Blog para isso.

São quatro ingressos para a sessão diurna de segunda-feira (dia 28), três para a noturna (dia 28), dois para a diurna de terça (dia 29) e quarto para a noturna de terça (dia 29).

Quem estiver interessado e efetivamente puder usar essas entradas, deve enviar email para joni@tenisbrasil.com.br. Atenderemos pela ordem de chegada dos pedidos.