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Rio define o número 1 sul-americano
Por José Nilton Dalcim
21 de fevereiro de 2016 às 09:46

O experiente Pablo Cuevas ou o renovado Guido Pella será o novo sul-americano mais bem colocado no ranking internacional a partir desta segunda-feira. Os dois fazem uma final totalmente inesperada no ATP 500 do Rio e quem vencer irá desbancar Thomaz Bellucci do posto. Cuevas, aliás, pode ir até o 27º do mundo.

Não menos curioso é o fato de a decisão reunir dois tenistas que nem poderiam estar ali. Pella lembrou que em 2014 parou de jogar por três meses simplesmente porque não tinha mais dinheiro para bancar a carreira, e foi ajudar o pai na academia. Cuevas, todo mundo lembra, passou praticamente dois anos sem jogar devido a duas cirurgias no joelho, virou treinador do irmão e só retornou com esforço em 2013, aliás em challenger brasileiro.

A atuação dos dois foi notável neste sábado. É bem verdade que o adversário de Pella nem de longe pareceu o Dominic Thiem que esmagou David Ferrer. O austríaco parecia desanimado, e talvez o esforço das duas semanas enfim bateu. Que bobagem foi disputar aquela dupla de madrugada. O canhoto argentino fez sua parte, foi muito consistente e inteligente, fez Thiem correr para todo o lado. Vale lembrar que Pella escapou de três match-points na estreia contra John Isner.

A vitória de Cuevas, no entanto, roubou a cena. Superar Rafa Nadal no saibro e numa maratona física ainda é um feito e tanto. Tecnicamente não foi um espetáculo, um jogo por vezes monótono com intermináveis trocas, número alto de erros e baixo de winners, Mas no fundo foi um típico duelo palmo a palmo de um saibro lento.

Após 3h28, quem diria, o mais cansado era Nadal. E olha que ele nem havia jogado na véspera. Ainda assim, o espanhol buscou bolas incríveis no final do terceiro set, e o pecado foi ter sido passivo demais. Cuevas e seu empenho quase exclusivo no fundo de quadra conseguiram induzir o 5 do mundo a erros, precipitação e escolhas ruins, ainda que o estádio lotado estivesse quase todo com o cabeça 1.

Rafa veio ao saibro sul-americano em busca de confiança e títulos. Retornará certamente frustrado, com duas semifinais e derrotas para backhands de uma mão de Thiem e Cuevas. Deve ser terrível perder uma maratona no saibro, algo impensável pouco tempo atrás. A encruzilhada continua. Será que enfim veremos ele agregar um assistente técnico de peso? Há muita gente no circuito afirmando que agora não tem mais jeito.

O dia de surpresas teve ainda a queda de Marcelo Melo e Bruno Soares diante do jogo de base sólido dos espanhóis. Os mineiros vêm agora para São Paulo, onde a chave deverá estar mais fraca. No feminino, a veterana Francesca Schiavone, 35 anos, tem uma chance incrível para conquistar o que pode ser seu último troféu. Aliás, ela só tem seis no currículo, ainda que um seja Roland Garros.

Vem aí um 2016 inesquecível
Por José Nilton Dalcim
25 de novembro de 2015 às 00:19

A história está pronta para ser reescrita das mais diferentes e espetaculares formas em 2016. Recordes em Grand Slam, no ranking, em vitórias, em pisos, em dólares… Há de tudo.

Veja abaixo a lista das mais expressivas façanhas e marcas que podem (e devem) ser quebradas ao longo da próxima temporada e prepare-se para assistir à história ao vivo.

Federer x Serena
– Roger Federer e Serena Williams estão na briga para se tornar o profissional com maior número de vitórias em Grand Slam. O suíço é líder disparado do masculino, com 297, e a americana é a terceira entre as mulheres, com 285. Os dois perseguem o recorde absoluto que pertence a Martina Navratilova, com 306 triunfos. Antes disso, devem atingir as 299 de Chris Evert.

Federer x Djokovic
– Com US$ 97 e 94 milhões, respectivamente, Federer e Djokovic brigam para ver quem será o primeiro na história a atingir a marca dos US$ 100 milhões de premiação oficial.
– Eles também disputam entre si a liderança em títulos de Masters 1000 sobre quadra dura (no momento 19-18 para Djokovic)

Nadal x Djokovic
– Espanhol tem 82,74% de aproveitamento entre vitórias e derrotas na carreira (767-160), pouco superior aos 82,45% de Djokovic (686-146). Ambos podem passar o líder Bjorn Borg, que tem os mesmos 82,74% (609-127)

Federer x Nadal
– Disputam o recorde de títulos em quadra descoberta. O suíço lidera por 66-65.

Nadal x Djokovic x Federer
– Com placar de 27-26, Nadal e Djokovic duelam pela liderança de títulos em nível Masters 1000. Mais distante, Federer tem 24.
– Federer lidera em números de finais (42) de Masters 1000, tendo atrás Nadal (41) e Djokovic (38)

.Nadal x Murray
– Tentam se tornar o primeiro bicampeão olímpico da história (incluindo fase amadora). No feminino, a tentativa cabe às irmãs Serena e Venus Williams.

Federer
– Faltam seis títulos de ATP para Federer igualar os 94 do segundo colocado Ivan Lendl
– Contagem regressiva para as 13 partidas e 12 vitórias que o farão alcançar as 1.310 e 1.071 de Ivan Lendl e o segundo posto na Era Profissional nos dois quesitos
– Com mais 16 vitórias em quadras descobertas, atingirá o recordista Guillermo Vilas, que teve 811
– Caso dispute os quatro Slam de 2016, Federer chegará nos mesmos 70 Slam disputados pelo recordista Fabrice Santoro
– Está 5 atrás de Nadal no recorde de vitórias em Roland Garros, podendo anotar uma marca um tanto inesperada
– Caso atinja a semifinal de Wimbledon, igualará o recorde de 84 vitórias no torneio de Connors, que parecia inalcançável.
– Federer ainda luta para se tornar o maior campeão de Wimbledon, já que divide o recorde com Pete Sampras, com 7
– Se passar a temporada toda no top 4, será o tenista que mais ficou na posição (tem 619 contra 669 de Connors)
– Busca 512 aces para ser o terceiro a somar 10.000 na carreira desde que a ATP adotou a contagem em 1991

Djokovic
– Caso vença o Australian Open, Djokovic ganhará terceiro Slam consecutivo pela segunda vez, repetindo 2011-2012. Apenas Sampras e Federer já fizeram isso por duas vezes.
– Pode igualar Roy Emerson como os tenistas que mais venceram o Australian Open (6 vezes) em todos os tempos
– Está empatado com Sampras com 18 finais de Slam, uma a menos que Lendl e a duas de Nadal. Só as 27 de Federer são ainda inalcançáveis.
– Está com 15 finais seguidas de ATP disputadas, podendo chegar às 18 de Ivan Lendl (entre 1981-82)
– Luta para se tornar o quinto profissional a ter ao menos um troféu em cada Slam, o que foi obtido por Laver, Agassi, Federer e Nadal
– Sem perspectiva de perder liderança até a metade de 2016, está com 79 semanas seguidas como número 1 e fatalmente irá superar Lendl (80), Sampras (82), Connors (84) e Sampras (102), assumindo o quarto posto.
– Faltam 17 vitórias de Grand Slam para Djokovic superar Lendl e Agassi e assumir o terceiro posto. Ele tem atualmente 207 e o total possível é de 28 por temporada.
– Com mais seis títulos de ATP, subirá ao sexto posto e ultrapassará Sampras, Borg, Vilas e Agassi
– Grande chance de assumir a liderança em percentual de vitórias no set decisivo. Tem 140-49 (74,07%) contra 119-41 de Borg (74,38%).
– Se vencer Cincinnati, será o único a ter títulos em todos os Masters 1000 vigentes
– Se passar 2016 todo na liderança, será o segundo com maior número de semanas consecutivas no top 2. No momento é o quarto, com 251, e pode superar Lendl (280) e Connors (300), ficando só atrás das 346 de Federer.
– Pode igualar Federer se obtiver o sexto troféu no ATP Finals

Nadal
– Está apenas a duas vitórias de se tornar o sétimo homem na Era Profissional a atingir 200 vitórias de Grand Slam
– Restam duas finais de entrar na curta lista de cinco tenistas que já fizeram pelo menos 100 decisões na carreira
– Busca mais dois títulos no saibro para alcançar os 49 do recordista Vilas
– Se vencer mais um Slam, supera Sampras e se isola como segundo maior vencedor da história

Serena
– Com 21 títulos, tenta se equiparar aos 22 de Steffi Graf e pode ainda atingir os 24 de Margaret Court
– Com mais sete vitórias, chegará a 465 e se tornará a tenista com maior número de triunfos no piso sintético
– Empatada com Chris Evert, pode se tornar a maior campeã profissional do US Open se chegar ao 7º título
– Na luta para se transformar na tenista com maior número de semanas consecutivos na liderança. Já tem 145 e está perto das 156 de Navratilova, mas distante das 186 de Graf

Venus
– Caso dispute três Slam, irá igualar Amy Frazier como a tenista mais que disputou os grandes torneios na Era Profissional, com 71.

Ferrer
– Com 967 partidas disputadas, espanhol deve se tornar apenas o 9º homem na Era Profissional a atingir os quatro dígitos.

Nestor
– Está com 999 vitórias como duplista e tem tudo para ser o primeiro a atingir a milésima. Também devem alcançar o feito Mike Bryan (970) e Bob Bryan (956)

Schiavone
– Ao entrar em quadra no Australian Open, igualará os 62 Grand Slam consecutivos disputados por Ai Sugiyama

P.S.: Como muitos aqui já haviam verificado, Neusa Vieira cravou o placar e o tempo de duração da final de Londres, ao afirmar que Djoko venceria Federer por 6/3 e 6/4, em 1h20. Ela deve me contatar no email joni@tenisbrasil.com.br para acertarmos detalhes do envio da camiseta exclusiva da Coleção TenisBrasil. Parabéns!

Spettacolare
Por José Nilton Dalcim
11 de setembro de 2015 às 16:51

O tênis feminino está boquiaberto. A Itália, em festa. Duas veteranas, muito distante de qualquer cotação para ganhar um Grand Slam no atual estágio de suas carreiras, irão decidir nada menos que o US Open. Mais incrível ainda, ganharam das duas melhores tenistas do ranking, derrubando todos os prognósticos. É certamente a maior surpresa do circuito das meninas desde que outra italiana, Francesca Schiavone, duelou na final de Roland Garros contra Samantha Stosur.

O feito de Roberta Vinci é absolutamente histórico. Teve uma certa dose de sorte, mas isso é algo que faz parte do tênis. Fez três jogos iniciais contra adversárias sem currículo e deveria então cruzar com Eugénie Bouchard nas oitavas, a canadense em clima de reação. Mas aí aconteceu tudo aqui, a italiana nem precisou entrar em quadra e depois tirou uma pouco experiente Kristina Mladenovich.

Mas tudo isso ficará em segundo plano, porque ela entrará mesmo para a história como a tenista que impediu o Grand Slam de Serena Williams em plena Nova York, provavelmente 23 mil pessoas torcendo contra ela. E mais notável: de virada. Aliás, duas. Além de ganhar o primeiro set, a dona da casa ainda abriu 2/0 no terceiro. Porém, jamais se mostrou solta e Vinci explorou isso com notável inteligência e competência. Abusou do slice e das bolas anguladas para tirar o ritmo, recorreu aos lobs para fazer a adversária jogar sempre mais uma bola e foi recompensada com o caminhão de erros da número 1. Deu deixadas oportunas, subiu à rede com sua habilidade de duplista e não tremeu na hora de fechar o jogo.

Aos 32 anos e 1,63m, Vinci só havia ganhado três jogos de Grand Slam nas duas últimas temporadas até chegar a Flushing Meadows. Mas, não por acaso, foi justamente em Nova York onde obteve suas duas únicas passagens anteriores pelas quartas de final desse nível, em 2012 e 2013. E por que logo no piso sintético? Porque Vinci, antes de tudo, é uma excepcional jogadora de duplas, com cinco troféus de Slam ao lado da então parceira Sara Errani, com quem liderou por muito tempo o ranking da especialidade.

Aliás, a quadra dura também é onde Pennetta tem todas as suas melhores passagens da carreira. Fez semi e mais quatro presenças em quartas no US Open antes de 2015, além de quaras na Austrália. Nesses dois lugares, ganhou e fez final de duplas. Daí ser bem menos surpreendente que ela tenha eliminado Sam Stosur, Petra Kvitova e Simona Halep na sequência, depois de quase ter perdido para a boa Petra Cetkovska. É uma tenista agressiva, que joga para ganhar os pontos.

Um ano mais velha que Vinci, Flavia já esteve no top 10 de simples, há seis temporadas, e também liderou o ranking de duplas. Se levar o troféu às 16 horas deste sábado, irá ao oitavo posto e garantirá vaga no Finals de Cingapura.

Em 2010, Schiavone maravilhou o tênis e ganhou Roland Garros na condição de cabeça 17. O feito de qualquer uma de suas compatriotas será ainda maior. Pennetta é a 26ª pré-classificada e Vinci sequer figurava entre as 32 favoritas. O prêmio? Merecidos US$ 3,3 milhões, o mais alto já pago no tênis em todos os tempos.

Tal qual o masculino, o US Open verá o duelo entre o backhand de uma mão e o de duas em sua final.