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Super Friday
Por José Nilton Dalcim
10 de setembro de 2015 às 22:04

O US Open extinguiu neste ano um de suas produtos mais relevantes e polêmicos, o Super Saturday. Mas o destino lhe deu inesperadamente uma Super Friday, provocada pelo mau tempo desta quinta-feira. Assim, num só dia, acontecerão as duas semifinais femininas, no começo da tarde, e as duas semis masculinas, no final tarde e início da noite. Nessa incrível programação, estarão cinco campeões de Grand Slam e os quatro melhores do ranking. E um grande nome da casa. Perfeito.

Serena Williams e Simona Halep são favoritas para decidir o título às 16 horas de sábado. Se é possível uma surpresa, caberia talvez a Flavia Pennetta, jogadora experiente e que pega um Halep que anda preocupando com seus problemas na coxa. Já Roberta Vinci, que surge de um buraco na chave deixado pelo abandono de Eugénie Bouchard, teria de fazer um pequeno milagre para derrotar Serena.

Da mesma forma, Novak Djokovic e Roger Federer são os candidatos naturais à decisão das 17 horas de domingo. O sérvio tende a crescer nas horas decisivas e carrega um incrível placar de 13 a 0 sobre Marin Cilic. Já Federer vem jogando de forma mais consistente do que Stan Wawrinka e o piso mais veloz deve ajudar. No entanto, Cilic acabou com seu jejum pessoal diante de Federer justamente na semi do US Open do ano passado e dali rumou ao título. E Stan deu muito trabalho ao compatriota nos quatro duelos mais recentes, aplicando sonoros 3 a 0 nas recentes quartas de Roland Garros.

Aproveitando o dia sem jogos, vamos dar uma olhada como ficará o ranking pós-US Open.

Masculino
– Se Djokovic ganhar de Cilic, garantirá 11.985 pontos na temporada e com isso terá assegurado o número 1 de final de ano, mesmo que Federer seja campeão (o suíço ficaria com 7.525, portanto fora de possibilidade matemática de retomar o posto).
– Federer manterá o número 2 e já abriu 400 pontos de Murray. No ranking do ano, só superará o escocês se erguer o troféu.
– Wawrinka, em quarto, e Berdych, em quinto, superam Nishikori. Nadal será sétimo.
– Cilic cai por enquanto de 9 para 14, mas se manterá no top 10 caso vença Djokovic. Se perder, o número 10 será, acreditem, de Gilles Simon, mesmo derrotado na estreia do US Open.
– Bellucci continuará no 30º lugar, mas Feijão deixa o top 100 após derrota na estreia de Barranquilla.
– Djokovic, Murray, Federer e Wawrinka já estão no Finals de Londres. Parece difícil que Berdych, Nishikori e Nadal também não se classifiquem. A última vaga está entre Ferrer, Gasquet, Anderson e Isner. Se for à final, Cilic também entra na briga.

Feminino
– Pouca coisa muda no top 10. Safarova sobe para 5, Kerber volta ao 9º.
– Vinci já salta pelo menos para 25, duas posições atrás de Pennetta.
– Graças ao saibro francês, Teliana volta ao top 50.
– Apenas Serena, Halep e Sharapova estão no Finals de Cingapura. As outras cinco vagas estão abertas para pelo menos 11 concorrentes.

Precisão suíça
Por José Nilton Dalcim
10 de setembro de 2015 às 00:26

Que noite para o tênis suíço! Enquanto Roger Federer confirmou o favoritismo e marcou encontro nas semifinais com Stan Wawrinka, enfim encerrando a incômoda série de derrotas para Kevin Anderson, Martina Hingis se classificou para disputar duas finais no US Open, nas duplas femininas e nas mistas. Não dava para ser melhor.

A se lamentar apenas que os adversários dos suíços tenham jogado tão abaixo do que se esperava. Richard Gasquet havia ganhado um caminhão de elogios de Roger na véspera, e vinha desde Wimbledon mostrando crescimento físico e técnico. No entanto, foi totalmente dominado por Federer, incapaz de atacar ou se defender na maior parte do tempo. Bolas curtas e sem profundidade que deixaram o adversário à vontade. O placar reflete a exata diferença entre os dois nesta noite.

O aguardado duelo entre Stan e Anderson teve a rigor apenas um set. O sul-africano até teve sua chance, conseguiu aquele trabalho de saque e golpes vencedores, mas já não era o mesmo jogador que surpreendera Andy Murray dois dias antes. O placar inicial deu confiança a Stan e colocou dúvidas em Anderson, que escapou uma vez mas cedeu o saque na outra e aí o jogo terminou, de forma até melancólica, embora fosse previsível que o sul-africano teria poucas pernas. Cometeu quase o triplo de erros do suíço. Um desastre.

A semifinal entre amigos não deve ter nada de amistosidade. Federer leva pequeno favoritismo, porque sua campanha ao longo destas cinco rodadas do US Open, sem falar em Cincinnati, mostrou grande desempenho no saque, na rede, na devolução e nas trocas de fundo. Com pequenas oscilações, tem se mostrado muito bem adaptado a Flushing Meadows.

O retrospecto de 16 vitórias em 19 confrontos é significativo, mas não se pode menosprezar Stan sob hipótese alguma. Os cinco jogos que fizeram desde 2014, ou seja, da grande arrancada de Wawrinka, foram diferentes dos demais. Stan virou em Monte Carlo, deu trabalho na grama de Wimbledon, deveria ter ganhado no Finals e efetivamente o fez nas quartas do último Roland Garros, com sobras. Só perdeu feio mesmo na semi de Roma, um dia depois de bater Rafa Nadal pela primeira vez no saibro.

E é claro que os dois se conhecem de cor e salteado, com pouca abertura para alguma tática inesperada. Vai depender mesmo da cabeça e do dia de cada um. Tomara que joguem tudo que sabem. Ao menos o backhand de uma mão estará em sua terceira final seguida de Slam, justamente pela mão de ambos. Observe-se ainda que, com Novak Djokovic e Maric Cilic na outra semi, não haverá um novo campeão de Slam, mas pode haver um inédito em Nova York caso dê Wawrinka. Já imaginaram se ele repetir Paris e ganhar de novo dos dois líderes do ranking?

No feminino, foi definida a outra semifinal, e com surpresa. A veterana Flavia Pennetta se deu bem melhor que o namorado Fognini e conseguiu incrível virada em cima da forte tcheca Petra Kvitova. Joga a semi no US Open pela segunda vez em três anos e não descartaria suas chances diante de Simona Halep. Mas a romena fez um partidaço contra Vika Azarenka, de entrega total, muita coragem e controle emocional. Fez juz ao número 2 do ranking.

Curioso: Serena Williams, 33 anos, tenta ir à final na noite desta quinta-feira contra Roberta Vinci, de 32. Ou seja, Pennetta, 33, poderá garantir uma decisão de veteranas ou uma incrível disputa toda italiana e também ‘trintona’.

Rei Federer
– Roger manteve 67 de 69 serviços (97,1%) e aproveitou 24 de 59 break points (40,6%) neste US Open. Desde Cincinnati, são 116 games de saque confirmados em 118 possíveis (98,3%).
– Esta é sua 10ª vez na semifinal do US Open, mas ele não chega à decisão desde o vice de 2009. Federer tenta ser o primeiro profissional a vencer o torneio por seis vezes.
– O suíço também aumenta seu recorde absoluto para 38 presenças em semifinal de Slam. Também é sua nona semi de uma temporada em que já tem cinco títulos, um deles já na casa dos 34 anos.

Federer e Murray rumam para a batalha
Por José Nilton Dalcim
6 de setembro de 2015 às 00:40

A primeira semana acabou, metade da tarefa está completada pelos grandes favoritos. No lado inferior da chave masculina do US Open, o suíço Roger Federer e o britânico Andy Murray tiveram caminhadas diferentes, porém entrarão na reta decisiva com muita moral. Se Federer não cedeu sets e enfim cedeu seus primeiros dois games de serviço, Murray reagiu após a má apresentação de quinta-feira e mostrou toda sua categoria em cima de um esforçado Thomaz Bellucci.

Federer ficou 78 games sem perder o serviço, até enfim ser batido no quarto game do segundo set. E voltou a falhar no começo do terceiro, quando permitiu 0/2 ao alemão Philipp Kohlschreiber. Nada que desse para assustar. O suíço gosta mesmo de Nova York e manteve sua incrível série de atingir pelo menos as oitavas de final em todas as edições desde 2001, ou seja, já são 14 anos consecutivos.

Com isso, chega à 75ª vitória no torneio e iguala Vic Seixas, ficando a quatro de Andre Agassi (a marca de 98 de Jimmy Connors parece inalcançável). Percentualmente, sua eficiência sobe para 88,2%, atrás somente dos 88,7% de Pete Sampras (71 em 80) na Era Profissional. Na fase amadora, Bill Tilden ganhou 71 de 78. Estatística curiosa: desde que completou 30 anos, Federer ganhou 20 torneios, tendo agora 262 vitórias e 51 derrotas (84% de aproveitamento). Êta velhinho bom.

Seu adversário será John Isner. E, acreditem, o americano ainda não jogou um único tiebreak em suas três partidas deste Open, algo inédito em sua trajetória em Nova York, em que disputou ao menos um desempate em 21 de 26 partidas. Até agora, o gigantão perdeu apenas 14 pontos com seu primeiro saque e manteve todos seus últimos 93 games de serviço em Flushing Meadows (54 no ano passado e 39 neste).

Murray, por sua vez, esbanjou categoria em cima de Bellucci. O brasileiro começou muito bem, fez 2/1 e saque, 40-30. Era fundamental se manter à frente e ganhar confiança, mas cometeu duas duplas faltas e acordou o britânico, que passou a jogar cada vez melhor, com enorme variação. Bellucci perdeu intensidade, quase cede também o saque no começo do terceiro set. Mas se levantou, brigou muito o tempo inteiro, tentou um pouco de tudo, mas a distância técnica para o escocês se mostrou enorme e insuperável. Se Murray jogar dessa forma, vai facilmente às quartas. Dominic Thiem, que completou 22 anos na quinta-feira, mostrou suas limitações muito defensivas para um piso rápido e foi dominado pelo sul-africano Kevin Anderson.

Quem ainda precisa mostrar mais tênis é Stan Wawrinka. Muito instável, sacando abaixo da média, sofrendo até mesmo contra um quali como Ruben Bemelmans. Destruiu uma raquete mesmo depois de ter vencido o primeiro set, mostrou preguiça e quase se enrola na hora de fechar. Seria amplo favorito diante de Donald Young, não fosse sua cisma ao encarar canhotos. Perdeu de Young quatro anos atrás lá mesmo em Flushing Meadows. Com apoio maciço da torcida, o americano conseguiu sua segunda virada de 0-2 em apenas quatro dias. Jogou com coragem diante de um Viktor Troicki que não soube ganhar quando deveria.

Por fim, teremos o interessante duelo entre Tomas Berdych e Richard Gasquet. Ainda que não tenha levantado qualquer título nem feito uma fantástica caminhada em qualquer Slam, o tcheco vive sua melhor temporada em termos de vitórias, com 45 em 59 jogos, chegando a 76% de eficiência. Mas tem uma bola reta que agrada muito Gasquet. O francês vai ser proibido de entrar na Austrália, já que ganhou 14 dos últimos 15 duelos contra os ‘aussies’, agora 10 seguidos. Sua vitória garantiu um feito histórico para o tênis francês, que nunca havia classificado quatro nomes para as oitavas masculinas do US Open. Ele se junta a Tsonga, Paire e Chardy.  Em uma boa temporada, ele aparece pela sexta vez nas oitavas do torneio, tendo uma semi dois anos atrás.

O complemento da terceira rodada feminina teve cinco dos oito jogos decididos na terceira série, alguns de excelente nível, como o de Vika Azarenka em cima de Angelique Kerber, e outros muito emocionantes, como a incrível virada de Sabine Lisicki, que perdia de 1/5 no terceiro set contra Barbora Strycova. As redes sociais faltam de um atrito entre os treinadores das duas depois da partida, já que a alemã pediu longo atendimento médico no 1/4.

Bem tranquilas foram as vitórias de Simona Halep e Petra Kvitova, que parecem as mais capacitadas desse lado inferior da chave. E, que legal, teremos um duelo direto entre as experientes Sam Stosur e Flavia Pennetta. A namorada de Fabio Fognini, que mal conseguiu ver a partida contra Rafa Nadal devido ao horário, também fez das suas e virou contra Petra Cetkovska depois de tomar 1/6. Pennetta é um perigo numa quadra sintética.