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Federer merece uma despedida
Por José Nilton Dalcim
17 de novembro de 2021 às 21:00

Roger Federer é muito provavelmente a pessoa mais importante da história do tênis. E nem é apenas por sua técnica ou pelos números. O suíço também foi o maior nome quando a nova era das comunicações atingiu o circuito, fato que maximizou façanhas e rivalidades e o transformou igualmente num crucial instrumento de popularização do esporte e num sucesso arrebatador de marketing. Federer extrapolou o universo do tênis e por isso é dono de uma das 10 maiores fortunas construídas por um atleta.

Alguém com esse peso não merece a triste perspectiva de encerrar a carreira sem novamente pisar numa quadra. Em entrevista divulgada nesta quarta-feira pelo Tages Anzeiger, Federer admite que nem sua equipe médica sabe se ele voltará a jogar de forma competitiva. Com sorte, conseguirá correr em janeiro e a treinar em abril. Caso atinja um bom nível, só poderá jogar depois de Wimbledon, quando estará às portas dos 41 anos.

Ele afirma que o sonho é ainda ter condições de competir, nem que seja em 2023. Usou de forma sintomática a palavra ‘milagre’ e talvez nesta altura a esperança seja ter o mínimo de forças para realizar uma turnê de despedida, ainda que econômica. ‘Tenho dificuldade em tomar a decisão de me aposentar’, confessou, o que é algo muito comum entre megaestrelas do esporte. ‘Gostaria de poder decidir o momento de parar, me despedir do meu jeito, na quadra de tênis’.

Federer merece muito isso.

Djoko e Medvedev confirmam
Foram necessárias apenas duas rodadas para Novak Djokovic e Daniil Medvedev garantirem a vaga na semi do ATP Finals e ainda por cima como vencedores de seus grupos, o que abre a perspectiva de se reencontrarem na decisão de domingo. O russo é verdade deu alguma sorte com a saída de Matteo Berrettini, o que adiantou sua tarefa, mas fez uma boa exibição na vitória, mais uma, contra Alexander Zverev.

Djokovic por seu lado está sobrando na turma outra vez. É bem verdade que começou seus jogos contra Casper Ruud e Andrey Rublev um tanto preguiçoso, mas a partir do momento em que pegou o ritmo parecia um jogador de outra divisão. Está muito acima e completamente à vontade num piso sintético veloz, explorando saque, voleio, devolução, tudo que lhe cabe.

Zverev é o candidato a enfrentar Nole no sábado, já que basta vencer o polonês Hubert Hurkacz, mais um que está ‘baleado’ na competição. Mas nem ele, nem Jannik Sinner estão totalmente fora. O italiano precisa ganhar de Medvedev e torcer por Hurkacz, o que pelo menos animaria mais o público, que ainda não conseguiu lotar qualquer sessão de Turim. Já Medvedev aguarda quem vencer entre Rublev e Ruud, em que o russo só perdeu um set do norueguês em quatro duelos, e olha que três foram em pleno saibro.

Bruno Soares e Jamie Murray perderam outra vez em sets diretos e assim estão fora, mesmo que vençam na sexta-feira os franceses Pierre Herbert/Nicolas Mahut. Os únicos garantidos na semi são Marcel Granollers e Horacio Zeballos. Os líderes da temporada Nikola Mektic e Mate Pavic terão de ganhar de Ivan Dodig/Filip Polasek.

Decisão inesperada no México
A quinta e a oitava do ranking irão decidir o WTA Finals de Guadalajara nesta noite, cacifando mais um torneio de surpresas na agitada temporada feminina de 2021.

Claro que Garbiñe Muguruza tem currículo muito superior, mas o confronto direto é apertado: 3 a 2, e isso considerando o jogo desta semana pela fase de grupos. Nenhuma espanhola ganhou um Finals até hoje e Muguruza pode recuperar o impulso da carreira. Afinal, seus troféus de Grand Slam vieram em 2016 e 2017 e desde 2018 ela ganhou um único 1000, em Dubai deste ano.

Anett Kontaveit faz uma reta final de temporada incrível, com dois títulos que a levaram de última hora a Guadalajara. No total, esta será sua sétima decisão em 2021 e a 13ª da carreira.

Calvário de Tsitsipas continua
Por José Nilton Dalcim
15 de novembro de 2021 às 21:13

Apesar de ter somado 55 vitórias, erguido dois títulos e atingido o terceiro lugar do ranking desde janeiro, o grego Stefanos Tsitsipas tem vivido dificuldades evidentes desde a amarga derrota na final de Roland Garros.

Neste segundo semestre, ganhou apenas 15 de seus 25 jogos, perdeu sete vezes para adversários fora do top 30 e o máximo que conseguiu foram duas semis. Isso sem falar nas polêmicas geradas por atitudes dentro e fora das quadras.

O calvário prosseguiu na estreia do ATP Finals, com atuação muito abaixo de seu potencial. Graças ao piso veloz, ainda conseguiu equilibrar os dois sets contra Andrey Rublev, mas vimos um grego muito falho nos golpes da base e em várias escolhas táticas.

Ao que tudo indica, vai terminar 2021 de forma pouco animadora. Terá chance de reagir na quarta-feira contra Casper Ruud, que até fez um primeiro set decente antes de ser atropelado por Novak Djokovic diante de uma superfície muito desconfortável para o norueguês. O número 1 é favoritíssimo diante de Rublev e só mesmo um dia muito inspirado para permitir que Tsitsipas lhe dê algum trabalho.

O outro grupo começou agitado, com virada exigente de Daniil Medvedev sobre Hubert Hurkacz, aliás uma constante em todos os duelos entre os dois. O polonês se saiu muito bem no piso bem mais rápido do que se esperava e não pode ser descartado.

Alexander Zverev vinha tendo dor de cabeça com Matteo Berrettini até o triste abandono do italiano, que outra vez sofreu com o abdômen, como aconteceu em 2020. Há dúvidas se ele irá continuar ou cederá vaga para Jannik Sinner. Semelhante a Tsitsipas, Berrettini também não se recuperou depois do vice em Wimbledon, embora aí os motivos sejam físicos, já que ele vinha baleado desde a semi.

Caso Sinner ocupe o lugar, será interessante rever a batalha contra Hurkacz como a final de Miami de março e quem sabe ele possa incomodar Medvedev. Seria uma experiência bem válida para um jogador que cresceu muito este ano e quase sempre no piso duro. Medvedev e Zverev se cruzam nesta terça-feira com placar de 5-5 no histórico, mas quatro vitórias seguidas do russo desde que Sascha ganhou no Finals de 2019.

Festa espanhola no México
Sem a número 1 do mundo Ashleigh Barty, o WTA Finals de Guadalajara tem tido alguns placares inesperados. No grupo principal, Paula Badosa ratifica o ótimo momento e já se garantiu como primeira da chave, depois de superar Aryna Sabalenka e Maria Sakkari, que fazem duelo direto esta noite pela segunda vaga. Iga Swiatek até teve chance, mas sofreu dura virada de Sabalenka e não deu para se recuperar.

Já o outro grupo classificou as duas piores na lista do ranking. Se não chega a ser surpresa a adaptação difícil de Barbora Krejcikova ao piso sintético, a ponto de sair sem vitórias do Finals, Karolina Pliskova levou dois ‘pneus’ e isso influiu diretamente na sua eliminação no critério de set-average.

Anett Kontaveit está demais na reta final de temporada, ainda que tenha perdido nesta fase classificatória para Garbiñe Muguruza em sets diretos. Seu estilo agressivo foi até aqui o ponto alto do torneio. Muguruza, que disputou oito sets em três jogos, fará duelo todo espanhol e inédito contra Badosa na semi e a vencedora irá repetir Arantxa Sanchez, vice em 1993.

Para quem não se recorda, entre 1984 e 1998, a partida decisiva do WTA Finals era disputada em melhor de cinco sets. Por três vezes, chegou ao set decisivo, a primeira com vitória de Monica Seles sobre Gabriela Sabatini (1990) e as outras com títulos de Steffi Graf (1995 contra Anke Huber e 1996 frente a Martina Hingis).

Medvedev reage e embola o Finals
Por José Nilton Dalcim
8 de novembro de 2020 às 21:51

Quando parecia carta fora do baralho, o russo Daniil Medvedev reencontrou seu tênis. Ele chegou ao Masters de Paris com apenas três vitórias nos últimos oito jogos e, apesar da semi no US Open há dois meses, parecia desanimado, sem confiança e com físico incerto.

O piso coberto de Bercy se encaixou perfeitamente e na hora certa. Medvedev trabalhou bem o saque, ficou sólido lá na base e até mostrou mais atrevimento, com curtas e saque-voleio. Esse misto de armas, que incluiu devoluções agressivas, foi utilizado com maestria na final contra Alexander Zverev – fez até mais aces do que o alemão -, uma versatilidade que faltou por exemplo a Rafael Nadal na véspera.

Dono de golpes pouco ortodoxos mas eficientes, a reação do russo ajuda a dar mais sabor ao circuito e de certa forma embola o ATP Finals, que começa dentro de uma semana, na despedida da espetacular arena O2 londrina. É bem verdade que no ano passado ele chegou ao torneio estafado por um calendário esdrúxulo e não ganhou uma partida sequer. Desta vez, suas chances parecem interessantes.

É impossível tirar o favoritismo de Novak Djokovic, porém o sérvio não brilhou em Viena e sofreu duas derrotas humilhantes nos últimos torneios. Pode entrar mordido ou inseguro. Nadal optou por Paris e também não empolgou, com atuações irregulares e desconforto evidente na quadra dura coberta. O saque não foi seu aliado e o backhand falhou sob pressão.

O atual campeão Stefanos Tsitsipas e o vice Dominic Thiem sofrem problemas físicos. O grego parece um caso mais preocupante e existe certa dúvida se ele estará em condições de competir. O austríaco sofre de bolhas no pé e não se encontrou nos dois parcos torneios que disputou desde a conquista do US Open.

Zverev precisa ser olhado com atenção. Não apenas porque já ganhou o Finals, mas principalmente por ter mostrado clara evolução técnica e emocional na retomada do circuito pós-pandemia. Além de mostrar mais paciência no fundo de quadra e dar menos chiliques, se mostra veloz e explora o jogo de rede com voleios bem treinados.

Completam o grupo de classificados os estreantes Andrey Rublev e Diego Schwartzman, dois grandes destaques da temporada e que gostam de jogar na quadra dura. O jovem russo tem certamente mais poder de fogo que o argentino, porém sempre deixa dúvidas quanto à consistência emocional nos dias em que as coisas saem um pouco dos eixos.

Como todos sabem, o sorteio dos grupos é feito dois a dois. Thiem e Medvedev serão sorteados para o grupo do Djoko ou do Rafa, o mesmo acontecendo com Zverev e Tsitsipas e depois com Rublev e Schwartzman. Talvez Medvedev prefira fugir de Djoko e de Zverev e aí tanto faz os debutantes, já que ambos são ‘fregueses’.

Paris ajudou muito a deixar o Finals menos óbvio.