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Medvedev reage e embola o Finals
Por José Nilton Dalcim
8 de novembro de 2020 às 21:51

Quando parecia carta fora do baralho, o russo Daniil Medvedev reencontrou seu tênis. Ele chegou ao Masters de Paris com apenas três vitórias nos últimos oito jogos e, apesar da semi no US Open há dois meses, parecia desanimado, sem confiança e com físico incerto.

O piso coberto de Bercy se encaixou perfeitamente e na hora certa. Medvedev trabalhou bem o saque, ficou sólido lá na base e até mostrou mais atrevimento, com curtas e saque-voleio. Esse misto de armas, que incluiu devoluções agressivas, foi utilizado com maestria na final contra Alexander Zverev – fez até mais aces do que o alemão -, uma versatilidade que faltou por exemplo a Rafael Nadal na véspera.

Dono de golpes pouco ortodoxos mas eficientes, a reação do russo ajuda a dar mais sabor ao circuito e de certa forma embola o ATP Finals, que começa dentro de uma semana, na despedida da espetacular arena O2 londrina. É bem verdade que no ano passado ele chegou ao torneio estafado por um calendário esdrúxulo e não ganhou uma partida sequer. Desta vez, suas chances parecem interessantes.

É impossível tirar o favoritismo de Novak Djokovic, porém o sérvio não brilhou em Viena e sofreu duas derrotas humilhantes nos últimos torneios. Pode entrar mordido ou inseguro. Nadal optou por Paris e também não empolgou, com atuações irregulares e desconforto evidente na quadra dura coberta. O saque não foi seu aliado e o backhand falhou sob pressão.

O atual campeão Stefanos Tsitsipas e o vice Dominic Thiem sofrem problemas físicos. O grego parece um caso mais preocupante e existe certa dúvida se ele estará em condições de competir. O austríaco sofre de bolhas no pé e não se encontrou nos dois parcos torneios que disputou desde a conquista do US Open.

Zverev precisa ser olhado com atenção. Não apenas porque já ganhou o Finals, mas principalmente por ter mostrado clara evolução técnica e emocional na retomada do circuito pós-pandemia. Além de mostrar mais paciência no fundo de quadra e dar menos chiliques, se mostra veloz e explora o jogo de rede com voleios bem treinados.

Completam o grupo de classificados os estreantes Andrey Rublev e Diego Schwartzman, dois grandes destaques da temporada e que gostam de jogar na quadra dura. O jovem russo tem certamente mais poder de fogo que o argentino, porém sempre deixa dúvidas quanto à consistência emocional nos dias em que as coisas saem um pouco dos eixos.

Como todos sabem, o sorteio dos grupos é feito dois a dois. Thiem e Medvedev serão sorteados para o grupo do Djoko ou do Rafa, o mesmo acontecendo com Zverev e Tsitsipas e depois com Rublev e Schwartzman. Talvez Medvedev prefira fugir de Djoko e de Zverev e aí tanto faz os debutantes, já que ambos são ‘fregueses’.

Paris ajudou muito a deixar o Finals menos óbvio.

Novo ranking congela perdas, mas projeta brigas
Por José Nilton Dalcim
7 de julho de 2020 às 11:47

A ATP ‘congelou’ o ranking para 2020, ao menos no que tange à perda de pontos. A regra excepcional, anunciada nesta segunda-feira, basicamente diz que os tenistas só poderão somar pontos quando o circuito retornar, em agosto. Mas isso não impedirá de acontecer muita briga pelas principais posições.

Até finalizar esta conturbada temporada 2020, o tenista terá considerado os 18 torneios que lhe renderam mais entre março de 2019 e dezembro de 2020, ou seja num período de 22 meses, 10 a mais do que o tradicional. A diferença é enorme. Na prática, dificilmente alguém perderá pontos em relação à lista atual, já que o regulamento diz claramente que ele não pode ter duas vezes o mesmo torneio na sua contagem de pontos válidos, valendo a pontuação maior.

O reflexo imediato disso é que qualquer tenista poderá simplesmente deixar de disputar torneios neste recomeço – não haverá eventos obrigatórios -, garantindo a pontuação obtida em 2019. Ao mesmo tempo, permite que um jogador dispute livremente todos os torneios sem a preocupação de defender pontos. Ou seja, atende a todos os interesses. Ficou sem dúvida bem democrático.

É evidente que a regra ajuda acima de todos Rafael Nadal, porque o espanhol teria a dificílima missão de defender US Open, Roma e Roland Garros, portanto 5.000 pontos, no curtíssimo espaço de sete semanas. Agora, ele está seguro para não ter que ir a Nova York e poderá jogar Roland Garros pensando unicamente no 20º troféu de Grand Slam.

Novak Djokovic também não pode reclamar, já que sua liderança dificilmente será ameaçada até o final do Slam francês. Enquanto Nadal só poderá somar pontos em Cincinnati (onde dificilmente vai jogar) e Madri (já anunciou que vai), o sérvio não terá de se preocupar em defender Madri ou Paris-Bercy, terá Wimbledon mantido e ainda pode somar em Cincinnati, Roma e principalmente US Open e Roland Garros (fez oitavas em Flushing Meadows e semi em Paris). O líder por enquanto não anunciou qualquer calendário, mas há sérias dúvidas se ele vai se arriscar nos EUA.

Até mesmo Roger Federer sorri com a regra excepcional para o ranking. Ele só voltará em janeiro de 2021, então com 39 anos, e só perderá 440 pontos do ATP Finals. Assim, o top 10 é certo, com pequena chance até de permanecer no top 5.

Não é só. Daniil Medvedev, que fez uma campanha espetacular a partir das quadras duras do verão norte-americano, com cinco finais seguidas, manterá todos esses 4.050 pontos mesmo que não entre em quadra. Ele já anunciou que jogará Washington, a partir de 14 de agosto, e poderá somar muito mais do que qualquer outro, uma vez que foi eliminado na estreia de Madri, Roma e Roland Garros.

Quase 3 mil pontos atrás de Nadal no momento, Dominic Thiem terá oportunidade de brigar pelo número 2 ou ao menos diminuir sensivelmente a distância, principalmente se Rafa não for aos EUA. O austríaco nem jogou Cincinnati e caiu na estreia do US Open e de Roma. Fez  semi em Madri e final em Roland Garros, ou seja, mais espaço para somar.

Também vale dar uma olhada nas boas perspectivas para Stefanos Tsitsipas. O grego e Thiem têm sido os tenistas com maior atividade e melhor nível demonstrado nas exibições até agora. Tsitsipas perdeu na estreia de Cincinnati e do US Open no ano passado, portanto ótima chance de arrancar na pontuação, e fez oitavas em Roland Garros. Tem semi em Roma e final em Madri. Está 2.300 pontos atrás de Thiem no ranking deste momento.

E mais
– O ranking masculino voltará à atividade no dia 24 de agosto, ou seja, após Washington. Só então recomeçará a contagem das semanas na liderança para Djokovic.
– Esse ranking do dia 24 também será a base dos cabeças para o US Open, mas dificilmente haverá mudanças significativas em relação à lista de hoje.
– Os pontos obtidos na temporada de 2020 permanecerão por 52 semanas ou até que o mesmo evento seja disputado novamente, o que vier primeiro. Exemplo: Madri, que geralmente acontece no começo de maio, irá descontar bem antes se acontecer normalmente em 2021.
– As oito vagas para o ATP Finals de simples terão regras diferentes. Não haverá ‘ranking da temporada’ e entram os mais bem pontuados no ranking tradicional de 9 de novembro. Para duplas, no entanto, valerá o ‘ranking de parcerias’ de 2020.
– A ATP manteve portanto a realização do Finals entre 15 e 22 de novembro, porque não há datas disponíveis na arena O2 para outro período.
– A entidade anunciou que o ranking final de 2020 sairá no dia 7 de dezembro.
– Obviamente, a regra dos 22 meses vale também para os jogadores que disputam challengers e futures.
– A WTA ainda não se pronunciou.

Decisão do calendário 2019 é adiada
Por José Nilton Dalcim
4 de dezembro de 2017 às 18:50

A reunião entre ATP, dirigente de torneios e representante dos jogadores, que aconteceu durante o Finals de Londres, no meio de novembro, não deu em nada.

A entidade apresentou uma proposta de mudanças e adaptações no calendário para 2019, quando se esperam modificações importantes, mas os promotores não gostaram das sugestões, que consideraram ‘quadradas’, se recusaram a colocar em votação e uma nova rodada de estudos e negociação deve acontecer agora no Australian Open.

Segundo um dirigente brasileiro presente no encontro, a maior queixa foi da falta de detalhes por parte da ATP na proposta apresentada. Sabe-se que há muita gente pleiteando mudanças, seja de datas ou de piso, como é o caso do Rio Open e de Buenos Aires, que fazem parte da perna sul-americana do saibro e querem a quadra dura para tentar atrair nomes de maior peso para seus torneios.

A reunião também ratificou a ideia, já divulgada na imprensa italiana, que é fazer com que os torneios conjuntos de ATP e WTA em Madri e em Roma adotem o mesmo formato de Indian Wells e Miami, ou seja, sejam disputados ao longo de 10 dias. Isso no entanto causará um aperto ainda maior no calendário do saibro europeu. Vale lembrar que recentemente foi acrescentada uma semana na temporada de grama, o que forçou Wimbledon a começar uma semana mais tarde.

A possibilidade de um novo calendário para 2019 está aberta porque terminará o prazo de 10 anos desde a última reforma, corrida em 2008 para a temporada seguinte. Com isso, os descontentes correram à porta da ATP na intenção de puxar a sardinha para seu lado. O diretor do Masters 1000 de Paris, Guy Forget, declarou há poucos dias que gostaria de mudar o evento para fevereiro e assim fugir da proximidade com o Finals, o que geralmente enfraquece o torneio de Bercy.