Arquivo da tag: Finals

Novo ranking congela perdas, mas projeta brigas
Por José Nilton Dalcim
7 de julho de 2020 às 11:47

A ATP ‘congelou’ o ranking para 2020, ao menos no que tange à perda de pontos. A regra excepcional, anunciada nesta segunda-feira, basicamente diz que os tenistas só poderão somar pontos quando o circuito retornar, em agosto. Mas isso não impedirá de acontecer muita briga pelas principais posições.

Até finalizar esta conturbada temporada 2020, o tenista terá considerado os 18 torneios que lhe renderam mais entre março de 2019 e dezembro de 2020, ou seja num período de 22 meses, 10 a mais do que o tradicional. A diferença é enorme. Na prática, dificilmente alguém perderá pontos em relação à lista atual, já que o regulamento diz claramente que ele não pode ter duas vezes o mesmo torneio na sua contagem de pontos válidos, valendo a pontuação maior.

O reflexo imediato disso é que qualquer tenista poderá simplesmente deixar de disputar torneios neste recomeço – não haverá eventos obrigatórios -, garantindo a pontuação obtida em 2019. Ao mesmo tempo, permite que um jogador dispute livremente todos os torneios sem a preocupação de defender pontos. Ou seja, atende a todos os interesses. Ficou sem dúvida bem democrático.

É evidente que a regra ajuda acima de todos Rafael Nadal, porque o espanhol teria a dificílima missão de defender US Open, Roma e Roland Garros, portanto 5.000 pontos, no curtíssimo espaço de sete semanas. Agora, ele está seguro para não ter que ir a Nova York e poderá jogar Roland Garros pensando unicamente no 20º troféu de Grand Slam.

Novak Djokovic também não pode reclamar, já que sua liderança dificilmente será ameaçada até o final do Slam francês. Enquanto Nadal só poderá somar pontos em Cincinnati (onde dificilmente vai jogar) e Madri (já anunciou que vai), o sérvio não terá de se preocupar em defender Madri ou Paris-Bercy, terá Wimbledon mantido e ainda pode somar em Cincinnati, Roma e principalmente US Open e Roland Garros (fez oitavas em Flushing Meadows e semi em Paris). O líder por enquanto não anunciou qualquer calendário, mas há sérias dúvidas se ele vai se arriscar nos EUA.

Até mesmo Roger Federer sorri com a regra excepcional para o ranking. Ele só voltará em janeiro de 2021, então com 39 anos, e só perderá 440 pontos do ATP Finals. Assim, o top 10 é certo, com pequena chance até de permanecer no top 5.

Não é só. Daniil Medvedev, que fez uma campanha espetacular a partir das quadras duras do verão norte-americano, com cinco finais seguidas, manterá todos esses 4.050 pontos mesmo que não entre em quadra. Ele já anunciou que jogará Washington, a partir de 14 de agosto, e poderá somar muito mais do que qualquer outro, uma vez que foi eliminado na estreia de Madri, Roma e Roland Garros.

Quase 3 mil pontos atrás de Nadal no momento, Dominic Thiem terá oportunidade de brigar pelo número 2 ou ao menos diminuir sensivelmente a distância, principalmente se Rafa não for aos EUA. O austríaco nem jogou Cincinnati e caiu na estreia do US Open e de Roma. Fez  semi em Madri e final em Roland Garros, ou seja, mais espaço para somar.

Também vale dar uma olhada nas boas perspectivas para Stefanos Tsitsipas. O grego e Thiem têm sido os tenistas com maior atividade e melhor nível demonstrado nas exibições até agora. Tsitsipas perdeu na estreia de Cincinnati e do US Open no ano passado, portanto ótima chance de arrancar na pontuação, e fez oitavas em Roland Garros. Tem semi em Roma e final em Madri. Está 2.300 pontos atrás de Thiem no ranking deste momento.

E mais
– O ranking masculino voltará à atividade no dia 24 de agosto, ou seja, após Washington. Só então recomeçará a contagem das semanas na liderança para Djokovic.
– Esse ranking do dia 24 também será a base dos cabeças para o US Open, mas dificilmente haverá mudanças significativas em relação à lista de hoje.
– Os pontos obtidos na temporada de 2020 permanecerão por 52 semanas ou até que o mesmo evento seja disputado novamente, o que vier primeiro. Exemplo: Madri, que geralmente acontece no começo de maio, irá descontar bem antes se acontecer normalmente em 2021.
– As oito vagas para o ATP Finals de simples terão regras diferentes. Não haverá ‘ranking da temporada’ e entram os mais bem pontuados no ranking tradicional de 9 de novembro. Para duplas, no entanto, valerá o ‘ranking de parcerias’ de 2020.
– A ATP manteve portanto a realização do Finals entre 15 e 22 de novembro, porque não há datas disponíveis na arena O2 para outro período.
– A entidade anunciou que o ranking final de 2020 sairá no dia 7 de dezembro.
– Obviamente, a regra dos 22 meses vale também para os jogadores que disputam challengers e futures.
– A WTA ainda não se pronunciou.

Decisão do calendário 2019 é adiada
Por José Nilton Dalcim
4 de dezembro de 2017 às 18:50

A reunião entre ATP, dirigente de torneios e representante dos jogadores, que aconteceu durante o Finals de Londres, no meio de novembro, não deu em nada.

A entidade apresentou uma proposta de mudanças e adaptações no calendário para 2019, quando se esperam modificações importantes, mas os promotores não gostaram das sugestões, que consideraram ‘quadradas’, se recusaram a colocar em votação e uma nova rodada de estudos e negociação deve acontecer agora no Australian Open.

Segundo um dirigente brasileiro presente no encontro, a maior queixa foi da falta de detalhes por parte da ATP na proposta apresentada. Sabe-se que há muita gente pleiteando mudanças, seja de datas ou de piso, como é o caso do Rio Open e de Buenos Aires, que fazem parte da perna sul-americana do saibro e querem a quadra dura para tentar atrair nomes de maior peso para seus torneios.

A reunião também ratificou a ideia, já divulgada na imprensa italiana, que é fazer com que os torneios conjuntos de ATP e WTA em Madri e em Roma adotem o mesmo formato de Indian Wells e Miami, ou seja, sejam disputados ao longo de 10 dias. Isso no entanto causará um aperto ainda maior no calendário do saibro europeu. Vale lembrar que recentemente foi acrescentada uma semana na temporada de grama, o que forçou Wimbledon a começar uma semana mais tarde.

A possibilidade de um novo calendário para 2019 está aberta porque terminará o prazo de 10 anos desde a última reforma, corrida em 2008 para a temporada seguinte. Com isso, os descontentes correram à porta da ATP na intenção de puxar a sardinha para seu lado. O diretor do Masters 1000 de Paris, Guy Forget, declarou há poucos dias que gostaria de mudar o evento para fevereiro e assim fugir da proximidade com o Finals, o que geralmente enfraquece o torneio de Bercy.

Bom começo
Por José Nilton Dalcim
12 de novembro de 2017 às 21:37

A lógica prevaleceu na abertura do Finals de Londres. Roger Federer não foi brilhante, mas conseguiu a consistência necessária no piso coberto e lento da arena O2 para superar Jack Sock em dois sets. Alexander Zverev deu um susto e parecia caminhar para outra dura derrota quando então mostrou firmeza mental e reagiu em cima de Marin Cilic.

Federer também possui no Finals alguns dos números mais impressionantes do tênis. Com o recorde absoluto de 15 participações – 14 consecutivas, série interrompida com a contusão do ano passado -, ele atingiu neste domingo a 53ª vitória em 65 partidas já feitas.

Ao longo desse tempo todo, só não passou a fase de grupos na temporada de 2008, aquela em que sofreu com mononucleose, ao perder dois dos três jogos iniciais. Desde que o torneio se mudou para Londres, jamais ficou de fora da semi, ganhou dois títulos e participou de outras três finais.

A partida contra Sock não teve todo o brilho técnico esperado e o próprio suíço admitiu que não conseguiu jogar solto, algo bem natural numa estreia, ainda que o Finals não traga aquele mesmo fantasma da eliminação de outras competições tradicionais. De qualquer forma, o saque foi seu grande aliado e, apesar de um ou outro game mais apertado, não cedeu um único break point.

Sock merece elogios. Depois que perdeu o serviço logo de cara, realizou uma partida bem sólida, onde se destacaram a boa variação de saque e seu poderoso forehand. Não pode ser totalmente descartado da luta por vaga na semifinal. Enquanto Federer disputará na terça-feira o jogo de vencedores contra Zverev, Sock terá jogo decisivo contra Cilic e é bom lembrar que o americano ganhou os dois duelos que já fez diante do croata.

Zverev por sua vez trazia algumas interrogações para sua estreia. Desde o título em Montreal, no meio de agosto, não teve resultados expressivos e sofreu quatro viradas com atuações que mostravam decadência física e pouca força mental nos terceiros sets. A história quase se repetiu contra Cilic neste domingo, ao perder o saque ndo terceiro set, mas desta vez se manteve na partida sem aquela carinha de bebê reclamão e buscou a reação. No geral, foi um bom jogo, com boas variações e empenho.

O duelo direto de Federer e Zverev oficialmente está empatado por 2 e não considera a vitória do alemão na Copa Hopman de janeiro. Isso já dá dimensão de como o alemão gosta do desafio e sente motivação, mesmo diante dos terríveis slices e curtinhas do adversário. Promete ser um ótimo duelo.