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Guga foi a maior ‘zebra’ de Grand Slam
Por José Nilton Dalcim
29 de setembro de 2017 às 11:40

Numa roda de amigos no fim de semana de muito tênis, discutiu-se calorosamente quem teria sido a maior ‘zebra’ da história dos Grand Slam. Houve opinião das mais diversas, alguns lembrando os tempos que o Australian Open produzia resultados totalmente inesperados, outros argumentando sobre o estilo pouco apropriado de outros.

Resolvi então dar um parecer sobre o assunto aqui no Blog e listei os 10 resultados que mais me parecem fora de padrão desde 1990. Aliás, lembrei de uma curiosa relação que me foi enviada por um internauta vários anos atrás, em que ele colocava uma longa série de surpresas que marcaram os Slam.

Antes da lista em si, pesquisei as chaves de alguns torneios ‘estranhos’ e me deparei com dois realmente especiais: Wimbledon de 1996, quando Jason Stoltemberg atingiu a semi, MaliVai Washington chegou à final e o título ficou com Richard Krajicek, que havia eliminado Pete Sampras, e Roland Garros de 2004, vencido por Gastón Gaudio em cima de Guillermo Coria e David Nalbandian e que ainda teve Tim Henman como semifinalista.

Quanto aos feitos individuais, não tenho dúvida que a conquista de Guga Kuerten em Roland Garros de 1997 foi a maior ‘zebra’ de todas. O catarinense de 20 anos só tinha no currículo dois títulos de nível challenger, era apenas 66º do ranking e fez uma campanha espetacular, derrubando todos os campeões imediatamente anteriores do torneio (Bruguera, Muster e Kafelnikov).

Em segundo lugar, eu colocaria o vice do cipriota Marcos Baghdatis no Australian Open de 2006, jogador que só havia feito uma final de ATP e era 52º do ranking, eliminando três top 10 (Roddick, Ljubicic e Nalbandian) entre oitavas e semi. Na final, ainda ganhou o primeiro set do todo poderoso Federer.

A seguir, voto no vice do holandês Martin Verkerk em Roland Garros de 2003. Então 46º do mundo, havia conquistado até ali um ATP sobre carpete. Mesmo com seus golpes bem retos, tirou Moya e Cañas. Vinha jogando qualis no saibro europeu e quase perdeu para Flavio Saretta na semana anterior a Paris.

A quarta maior surpresa para mim foi o vice de Jo-Wilfried Tsonga no Australian Open de 2008. Então com 22 anos, jamais havia disputado qualquer final de nível ATP. Solto na chave como 38º do ranking, tirou três cabeças de peso (Murray, Gasquet e especialmente o 2 Nadal) e ainda saiu na frente de Djokovic na final.

Por fim, fico com Mariano Puerta como finalista de Roland Garros de 2005 no quinto lugar. Claro, o canhoto argentino era um especialista de saibro, então 37º do ranking e com um título e seis vices na terra batida. Tirou Ljubicic, Coria e Davydenko antes de levar virada de Nadal na decisão.

Minha lista das 10 maiores ‘zebras’ dos Slam modernos ainda incluiria cinco vice-campeões: Malivai Washington em Wimbledon de 1996 por ser um piso totalmente estranho a ele; Andrei Medvedev em Roland Garros de 1999, que era 100 do ranking naquele momento mas tinha bom currículo, tendo batido Sampras e Guga; e ainda Arnaud Clement no Australian Open de 2001; Rainer Schuettler no Australian Open de 2003; e Robin Soderling em Roland Garros de 2009.

Menções mais do que honrosas caberiam ainda a Jason Stoltenberg (semi de Wimbledon-96), Fernando Meligeni (semi de Paris-99), Wally Masur (semi do US Open-93), Nicolas Lapentti (semi da Austrália-99), Vladimir Voltchkov (semi de Wimbledon-2000) e Filip Dewulf (Paris-97).

E vocês, o que acham?

Bendito saibro
Por José Nilton Dalcim
12 de abril de 2017 às 22:40

O circuito se muda de vez para as quadras de terra e a expectativa de que vitórias brasileiras se avolumem fica bem maior a partir de agora. Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro venceram em Houston e têm boa chance de ir às quartas. Rogerinho Silva deixou escapar no terceiro set.

Ao derrotar com ampla superioridade o também canhoto Donald Young, que nunca foi grande coisa na terra batida, Thiago conquista sua 13ª vitória em nível ATP. É interessante observar que 10 desses resultados vieram sobre top 100, sendo quatro contra top 50 e dois diante de top 30. Todos esses triunfos foram sobre o saibro. Na quadra dura, sua marca são oito derrotas.

Bellucci teve altos e baixos diante do promissor Frances Tiafoe, que também gosta mais da quadra dura e deu muito trabalho a Roger Federer em Miami. Com a vitória de hoje, Bellucci se torna o terceiro brasileiro com maior número de vitórias em primeiro nível da Era Profissional, com 192, deixando Luiz Mattar para trás. Logo à frente está Fernando Meligeni, com 202. O lider absoluto é Guga Kuerten e suas 358.

O ‘Saiba Mais’ de TenisBrasil desta semana traz dados curiosos. Do montante de vitórias dos três líderes, Guga teve 50% no saibro e 41% no sintético; Meligeni, 79% na terra e 19% no sintético; Bellucci está agora com 62% no saibro e 34% na dura.

Um item relevante são os tiebreaks. Bellucci está com 99 vencidos e 51,6% de aproveitamento, ligeiramente inferior aos 52% que Guga e Mattar tiveram na carreira. Índice que Bellucci precisa melhorar são as vitórias no terceiro set. Hoje foi a 72ª, mas tem 76 derrotas e portanto 48,6% de eficiência. Como comparativo, Guga chegou a 62%; Mattar, a 55%; e Meligeni, a 49,6%.

Challengers
Algo que passou despercebido mas que merece registro é que Rogerinho Silva, campeão no Panamá no sábado, chegou a 284 vitórias em torneios de nível challenger, o que o coloca no nono lugar em toda a história da ATP para este nível de torneio. Apenas seis tenistas superaram até agora a marca de 300 triunfos.

No ano passado, Rogerinho ganhou 50 jogos de challenger, terceira melhor marca de todos os tempos. O recordista é Carlos Berlocq, com 57.

André Sá ocupa o quarto lugar em títulos de duplas, com 34, atrás dos 37 do aposentado Rik de Voest e dos 43 dos irmãos Ratiwatana.

Acho que vale a pena conferir as estatísticas do tênis brasileiro no Saiba Mais. Clique aqui.

Um iceberg no Rio
Por José Nilton Dalcim
24 de fevereiro de 2017 às 23:08

Muito mais que a qualidade de saque e a ousadia do forehand, o que me deixou de queixo caído foi a frieza do garoto Casper Ruud. Ele deu uma de convidado trapalhão e estragou a festa brasileira no Rio Open. Não deu a menor bola para o apoio maciço da torcida e jogou como um veterano diante de Thiago Monteiro. Seu tiebreak, diga-se, foi um espetáculo para quem tem apenas 18 anos de idade, 23 futures, sete challengers e agora cinco ATPs no pequeno currículo.

Claro que muito desse desempenho teve a contribuição de outro início muito irregular do canhoto cearense, bem parecido com o que aconteceu na estreia diante de Gastão Elias. A diferença é que Ruud manteve a produtividade no saque o tempo inteiro, não permitindo sequer um 40-40 a Monteiro, mesmo jogando atrás do placar no segundo set. O brasileiro melhorou muito quando calibrou o saque, porém foi incapaz de achar um jeito de devolver o serviço. Na hora da pressão de um tiebreak, a tranquilidade de Ruud assombrou. O apressado e afoito foi Monteiro. Que coisa.

Antes de o Rio Open começar, me perguntaram quais os predicados principais de Ruud, que recebeu convite por ser contratado da agência IMG, a dona do torneio. E a resposta agora está bem clara. Ainda não tem um jogo excepcional, porque o backhand não é consistente, mas a parte mental é um elemento de primeira. Fico a imaginar se Nick Kyrgios tivesse esse mesmo juízo…

Thiago fez um torneio abaixo do que apresentou em Buenos Aires na semana passada, acredito que muito pela pressão natural de competir em casa. Ele no entanto precisa agora se focar no Brasil Open, porque está com uma enorme possibilidade diante de si. Nesta segunda-feira, aparecerá no 74º posto e, se obtiver 90 pontos de uma semi em São Paulo, irá beirar o top 60. E o que isso significa? Muito. Pode garantir por exemplo vaga direta em Monte Carlo e a condição de cabeça nos qualis de Madri e Roma. De qualquer forma, ele já tem a comemorar a vaga em Roland Garros e Wimbledon, assim como em Barcelona, Munique ou Estoril.

Monteiro subiu definitivamente de patamar e, embora isso seja um desafio muito maior do que já encarou, também é o lugar onde todo tenista sonha atingir. Nunca é demais lembrar que ele tem apenas 22 anos e nem completou ainda uma temporada inteira no primeiro nível.

Adeus, saibro?
Excelentes reportagens de Felipe Priante, publicadas hoje por TenisBrasil (clique aqui para ver), mostram que os promotores do Rio Open trabalham firme nos bastidores para trocar a quadra de saibro pelo piso sintético em 2019, quando vence o atual contrato da ATP com os torneios e algumas mudanças poderão ser realizadas. A ideia principal é atrair mais jogadores de peso, aproveitando a proximidade com Acapulco.

Como tudo na vida, há prós e contras. Até me surpreendi ao ver o apoio de Guga Kuerten e Fino Meligeni à ideia (leia aqui), imaginando que eles gostariam da preservação do circuito de saibro. Prova de que a vida é cíclica mesmo, Mas os dois acham que o provável uso do Parque Olímpico compensaria a perda. Acredito que os promotores do Rio economizarão pelo menos R$ 2 milhões em estrutura se acontecer a transferência, já que quase tudo no Jockey é montagem provisória. Lui Carvalho, diretor do torneio, não concorda comigo e acha que o gasto não diminuirá.

Respondendo – Sobre a dúvida levantada pelo Luiz Carlos de qual teria sido o brasileiro que mais enfrentou um tenista nacional em torneios de ATP, cheguei à conclusão que foi mesmo Luiz Mattar: ele fez 23 jogos contra compatriotas, tendo vencido 19 deles. Ele também protagoniza o duelo que mais se repetiu, com seis confrontos diante de Cássio Motta e placar de 4 a 2.

Momento histórico – O tênis brasileiro terá três representantes entre os 85 primeiros do ranking nesta segunda-feira, algo que não acontecia desde 23 de junho de 2003, quando Guga Kuerten era 13, Flávio Saretta apareceu no 60 e André Sá, no 84.

Federer em dúvida – Em entrevista dada ao New York Times, Roger Federer revelou que não conseguiu ainda treinar com 100% da capacidade devido à contusão que sofreu na perna em Melbourne. ‘Terei de ir com cautela’, afirmou sobre sua participação no ATP de Dubai, a partir de segunda-feira.