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Rublev e Nole brilham após triste noite do tênis
Por José Nilton Dalcim
16 de agosto de 2019 às 00:08

Andrey Rublev era uma das grandes sensações entre os novatos do circuito em 2017. Com golpes de base extremamente potentes, ganhou seu primeiro ATP aos 18 anos no saibro e fez quartas no US Open, versatilidade que lhe deu o 31º lugar do ranking. Mas aí faltou sorte. Veio uma problemática fratura por estresse na região lombar que custou meses de afastamento e dúvidas.

O renascimento de Rublev não poderia vir em melhor estilo. Finalista em Hamburgo poucos dias atrás, onde derrubou nada menos que Dominic Thiem, voltou a mostrar enorme jogo de cintura ao barrar Roger Federer num piso muito veloz, onde o suíço reinou já sete vezes e era o atual vice. Impôs ao número 3 do ranking sua mais rápida derrota em 16 anos, meros 62 minutos, e arrancou elogios: “Ele parecia estar em todos os lugares da quadra. Fiquei impressionado”.

Claro que um resultado desses é uma mistura da solidez do garoto russo no fundo de quadra, explorando ao máximo seu pesado forehand contra o backhand do adversário, e de uma tarde instável de Federer, que se encheu de erros (19 contra 6) e foi medíocre até mesmo na rede (7 pontos em 19 subidas), perdendo três vezes seu serviço.

O mais curioso é que Rublev se preocupou mais em justificar Roger do que comemorar a façanha, afirmando que “nem consigo imaginar a enorme pressão que recai sobre ele toda vez que entra em quadra, anos a fio todo mundo te assistindo e você tendo de se provar”. Não menos incrível é o fato de Rublev ter esquecido de se inscrever. Deu sorte de entrar no quali como ‘alternate’. Aí viu Tomic abandonar, tirou Kukushkin, Basilashvili e Wawrinka. Que campanha.

Enfrentará nesta sexta-feira o amigo de infância Daniil Medvedev, apenas dois anos mais velho. Vivendo um momento ímpar na carreira, Medvedev chega a 41 vitórias nos 57 jogos que já fez em 2019, sem contar mais 10 de duplas. Nas últimas duas semanas, chegou nas finais de Washington e Montréal. Haja fôlego.

Show do número 1
Se Federer decepcionou, Novak Djokovic deu uma aula de tênis para o espanhol Pablo Carreño, que nem jogou mal. Porém, foi obrigado a sair das suas características para tentar equilibrar o jogo e não teve a regularidade necessária para superar o paredão sérvio. Nole fez um pouco de tudo, incluindo voleios magníficos e defesas assombrosas. Cedeu quatro break-points no segundo set, resolvendo o problema com um primeiro saque afiado e até ace de segundo saque.

Reencontra Lucas Pouille, que me surpreendeu com a grande virada em cima de Karen Khachanov, e está em suas primeiras quartas de Masters desde Monte Carlo-2017. O francês fez uma campanha inesperada em Melbourne e foi até a semi, mas aí levou uma surra de arrepiar de Djokovic, vencendo meros quatro games. Ao menos, reage numa temporada estranha. Saiu de Melbourne com retrospecto de 5-2 e daí em diante venceu apenas sete jogos até chegar a Cincinnati.

A parte inferior da chave verá Roberto Bautista x Richard Gasquet, que acabam de se cruzar nas oitavas de Montréal com duplo 7/5 para o espanhol, e David Goffin x Yoshito Nishioka, adversários dias atrás na segunda rodada de Washington com duríssima vitória do japonês no tiebreak do terceiro set após quase 3h.

Bautista, aliás, acaba de garantir seu inédito lugar no top 10 do ranking. É o quinto tenista na temporada a atingir o feito, repetindo Medvedev, Khachanov, Stefanos Tsitsipas e Fabio Fognini.

Kyrgios ultrapassa limites
Para tentar amenizar seus erros, a ATP ao menos deu uma multa categórica para Nick Kyrgios e cobrará dele US$ 113 mil, ou seja, quase três vezes mais o prêmio a que teve direito. Tivesse o árbitro Fergus Murphy cumprido seu papel, o australiano teria sido desclassificado e perderia toda a premiação. Afinal, a própria ATP listou incríveis nove infrações cometidas pelo destemperado rapaz na derrota para Karen Khachanov na madrugada desta quinta-feira, que terminou num triste espetáculo. O tênis não merece isso.

Não se pode eximir a ATP de culpa. Só o fato de ter colocado Murphy para dirigir a partida foi uma grande falha, porque o juiz tem pouco pulso e já havia histórico de desentendimento com Kyrgios. Mas a responsabilidade maior está no descaso com que a entidade trata o comportamento doentio do tenista, que extrapola todo o Código de Conduta seguidamente e já fez por merecer um afastamento compulsório. Afastá-lo do US Open é o mínimo que se espera.

A briga com o árbitro além de tudo atrapalhou o andamento da partida. Era notório o desconforto de Khachanov, tendo que sacar com um adversário esbravejando alto do outro lado da quadra. O russo, que é meio esquentadinho, teve um admirável sangue frio. Deveria ficar com a premiação tirada de Kyrgios.

A briga continua
Não poderia estar mais empolgante a luta tríplice pela liderança do ranking feminino às vésperas do US Open. Naomi Osaka foi levada a três sets, Ashleigh Barty virou a duras penas e Karolina Pliskova lutou para atingirem as quartas de final. Basicamente, quem for a campeã fica com o posto e a briga ficará excepcional se Barty e Pliskova se cruzarem na semi.

Enquanto isso, Venus Williams deu outra mostra de sua vitalidade e tirou Donna Vekic no terceiro set, tendo agora Madison Keys, responsável por 39 winners na vitória sobre Simona Halep. Outra boa surpresa veterana foi Svetlana Kuznetsova, 34 anos e agora 153º do ranking, ao eliminar Sloane Stephens.