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Outro dia histórico para Nadal
Por José Nilton Dalcim
18 de outubro de 2020 às 23:21

Oito dias depois da inacreditável 13ª conquista em Roland Garros, que permitiu o empate por 20 nos troféus de Grand Slam, o espanhol Rafael Nadal terá mais um momento histórico a comemorar nesta segunda-feira.

Ele vai igualar uma marca de Jimmy Connors que perdurava por 32 anos e parecia muito difícil de ser alcançada. Ao se manter continuamente no top 10 desde a ascensão em 2005, Rafa totaliza 788 semanas consecutivas nessa faixa tão prestigiada do tênis, o mesmo que o norte-americano atingiu entre 1973 e 1988.

E obviamente Nadal irá  abrir boa margem, já que ocupa o segundo posto no momento com grande vantagem sobre o atual número 11. Enquanto o espanhol soma 9.850 pontos devido ao congelamento dos resultados de 2019, Gael Monfils tem 2.860. Ou seja, somente uma fase muito ruim interromperia a sequência de Rafa, e ainda assim após Wimbledon.

O terceiro colocado nessa lista é Roger Federer, com 734 semanas seguidas no top 10, entre 2002 e 2016. Muito atrás aparecem Ivan Lendl, com suas 619, e Pete Sampras, com 565.

No total de semanas no top 10, Nadal ainda precisará de mais 29 para atingir 817 e alcançar o segundo lugar de Connors. O recorde de Federer ainda é difícil de ser igualado: 917 e contando.

Maior no top 4
E não é só. Nadal igualará nesta segunda-feira outra marca de Connors e atingirá as mesmas 669 semanas no top 4 do ranking. Os dois estarão também atrás das 803 de Federer, que ainda se mantém apesar da longa parada.

No ano passado, o canhoto espanhol assumiu a que era até então a única categoria que liderava entre as grandes façanhas do ranking: ele superou Federer no total de semanas no top 2. Hoje, ele já tem 557 contra 528 do suíço e ainda vê Novak Djokovic bem distante, com 435.

Vale por fim considerar que Rafa mira, e com grande chance, desempatar de Federer em número de temporadas encerradas entre os dois primeiros lugares. Ambos totalizam 11, mas Nadal concorre para permanecer na vice-liderança em 2020. A única ameaça é Dominic Thiem, que aparece 725 pontos atrás.

A briga pelo Finals
Sem o chamado ‘ranking da temporada’, a ATP decidiu que os oito mais bem colocados do ranking tradicional terão direito a competir no Finals de Londres, que prossegue marcado para a segunda quinzena de novembro, na despedida da arena O2.

Como Federer abriu mão da vaga, na verdade a lista se estenderá até o nono colocado. Seis no entanto já estão garantidos: Djokovic, Nadal, Thiem, Stefanos Tsitsipas, Daniil Medvedev e Alexander Zverev, que aliás repetirão a presença de 2019.

Restam portanto dois, e o russo Andrey Rublev deu um importante passo para isso neste domingo, ao faturar seu quarto título da temporada, o segundo de nível 500 em 30 dias. Isso o levou para o oitavo lugar e abriu 354 pontos de vantagem sobre Matteo Berrettini, o 10º do momento. Entre eles, está Diego Schwartzman, apenas 105 à frente do italiano. Portanto, o russo e o argentino podem debutar no Finals e serem as novidades.

Não se pode tirar da briga Gael Monfils, Denis Shapovalov ou Roberto Bautista. E é claro que campanhas espetaculares em Antuérpia, Viena e Paris poderiam ascender David Goffin, Pablo Carreño ou Fabio Fognini.

Aliás, das três finais do fim de semana, duas foram dominadas pelos novatos. O mais velho era justamente Zverev, 23 anos, campeão em Colônia em cima de Felix Aliassime, de 20, que amargou o sexto vice. Rublev fará 23 na terça-feira, mesma idade do finalista Borna Coric. Um bom cenário.

Thiem enfim joga como digno cabeça 2
Por José Nilton Dalcim
6 de setembro de 2020 às 00:50

Demorou, mas finalmente o austríaco Dominic Thiem voltou àquele tênis poderoso e agressivo, com golpes surpreendentes e corajosos, que o levou no começo do ano à inesperada final do Australian Open. É bem verdade que ainda perdeu um set de Marin Cilic e passou alguns apertos antes de completar a vitória, porém derrotou um genuíno adversário de piso veloz e um campeão do US Open.

Houve no geral muitos pontos favoráveis ao cabeça 2 do US Open na noite deste sábado. Usou muito bem o primeiro saque, o que automaticamente permitiu atacar a segunda bola. Exibiu um forehand angulado de grande força e precisão, mas o sinal mais claro do retorno da confiança esteve no backhand sólido. Fez uma sucessão incrível de winners com o plástico revés.

Para completar,  se mexeu muito melhor do que vimos no Masters ou nas primeiras rodadas desta semana. Ainda que tenha por vezes exagerado na busca das linhas, foi ótimo vê-lo correr atrás de todas as bolas, o que criou pressão constante no adversário. Fechou os dois primeiros sets com apenas quatro erros não forçados, depois caiu de intensidade. De qualquer forma, recupera o prestígio. Um alívio.

Com a vitória de Thiem, o único dos oito sobreviventes na parte inferior da chave com 30 anos é Vasek Pospisil, que fez uma partida primorosa de cinco sets contra Roberto Bautista e, sem abrir mão do ataque, marca seu maior resultado no US Open e o segundo mais valioso em um Slam depois de cinco anos.

Todos os outros seis classificados pertencem à nova geração. Já com resultados de peso, Daniil Medvedev e Matteo Berrettini fizeram 24 ao longo da pandemia. Andrey Rublev e Frances Tiafoe têm 22; Alex de Minaur, 21; e Felix Aliassime, apenas 20 e único entre todos que debuta em oitavas de Slam.

O adversário de Thiem será justamente Aliassime, duelo inédito, e embora o austríaco seja favorito natural é de se prever um ferrenho duelo de fundo de quadra. Se o garoto canadense mantiver o padrão dos últimos dois jogos, tem chance real.

Tiafoe encara tarefa das mais árduas contra Medvedev. Ele venceu uma vez o russo, mas lá em 2015, e no recente Australian Open tirou um set. O que mais me agradou no norte-americano nesta semana foi sua tendência de avançar mais à rede.

Muito firme no saque e na base, Rublev é forte candidato às quartas e terá revanche contra Berrettini, que o venceu nas oitavas de 2019 do mesmo US Open. Oficialmente, o russo ganhou um de três duelos, mas há poucas semanas levou a melhor sobre o italiano em exibição no saibro.

Por fim, o velocíssimo e raçudo De Minaur é o antídoto perfeito contra o jogo ofensivo de Pospisil, tanto que ganhou os dois confrontos entre eles, ambos em 2018. Como o jogo deve ir para o Armstrong, onde o piso é mais lento que nas quadras externas, sua chance ainda aumenta.

Show das mamães
O complemento da terceira rodada feminina foi uma festa para as mães do tênis: Serena Williams, Victoria Azarenka e Tstavana Pironkova fizeram excelentes apresentações. E não é nada impossível que elas façam uma série de confrontos entre si para decidir a finalista da parte inferior da chave.

Serena teve um início pouco inspirado, mas depois se soltou e, com o afiado e insuperável conjunto de saque e devoluções, virou com sobras em cima de Sloane Stephens. Assim como aconteceu com Thiem, foi enfim uma apresentação digna de Serena, mas agora vem um desafio interessante: encara a mesma Maria Sakkari que a tirou do Premier da semana anterior.

Se for à frente, já vislumbrar cruzar com Pironkova nas quartas. Superando a falta de ritmo de competição mas com jogo muito sólido, a búlgara atropelou Donna Vekic e segue sem perder set. Enfrenta agora a encardida Alizé Cornet, que viu Madison Keys desistir no segundo set. Este era o único Slam onde a francesa de 30 anos e ex-11 do ranking nunca havia chegado na quarta rodada.

A excelente sequência de vitórias e atuações convincentes seguem para Azarenka, que vai enfrentar a quarta adversária com menos de 25 anos no torneio. Passou com autoridade pela boa polonesa Iga Swiatek e precisa de cuidado com Karolina Muchova, quadrifinalista de Wimbledon no ano passado e responsável pela queda de Venus Williams logo na estreia.

O caminho de Vika promete encarar outra jovem, e das mais perigosas, antes de um possível duelo de mães. Sofia Kenin fez nesta noite seu jogo mais duro do torneio e precisou equilibrar melhor o dueto ataque-defesa diante do jogo versátil de Ons Jabeur. O histórico diante de Elise Mertens é de duas vitórias, porém sempre de virada. Então não pode vacilar.

E o Brasil avança
Dois excelentes resultados para o tênis brasileiro em Flushing Meadows. Luísa Stefani e a parceira Hayley Carter tiraram as cabeças 6 num jogo apertado, com destaque para o excelente trabalho de rede da paulista.

Com isso, ela é a primeira brasileira nas quartas de um Grand Slam desde 1982, quando Patrícia Medrado e Cláudia Monteiro chegaram tão longe em Wimbledon. A última semi coube a Maria Esther Bueno, quando  ganhou as duplas de Forest Hills em 1968, aliás seu único título de Slam na Era Profissional.

Bruno Soares e o croata Mate Pavic obtiveram outro grande resultado na difícil chave que ocupam, ao tirar o dueto norte-americano liderado por Jack Sock. Agora, eles enfrentam justamente a dupla britânica que tirou Marcelo Demoliner, formada por Jamie Murray e Neal Skupski.

Noite dos sonhos para Aliassime
Por José Nilton Dalcim
4 de setembro de 2020 às 00:46

Não era de se esperar uma grande atuação de Andy Murray depois da estreia tão desgastante de dois dias atrás, mas ele certamente não contava com um Felix Aliassime tão inspirado. O garoto canadense fez uma de suas melhores exibições como profissional, demonstrando um controle invejável de sua força, o que lhe propiciou um caminhão de aces e winners. Sufocou o escocês do começo ao fim, numa noite de sonho na Arthur Ashe.

Felix jogou tanto, mas tanto tênis que Greg Rusedski, o canadense que foi top 4 enquanto jogava sob bandeira britânica, não conteve a euforia. “Se ele jogar nesse padrão o resto do torneio, pode ser campeão”, arriscou. Os números apoiam – 52 winners contra apenas 9, 24 aces e 89% de pontos vencidos com o primeiro saque  -, mas o que realmente encantou foi o domínio emocional, a profundidade das bolas, as devoluções tão ofensivas e as variações táticas que buscou.

Enquanto o canadense aguarda Daniel Evans ou Corentin Moutet, o genial Murray sabe que ainda precisa de mais tempo para recuperar o padrão físico tão essencial a seu estilo. Está um tanto claro que ele pode ter sucesso em torneios mais curtos, de três sets, sem esse padrão tão alto de exigência, como fez no ano passado na Antuérpia.

No feminino, o show foi de Azarenka. Imprimiu um ritmo muito forte no começo e Aryna Sabalenka se perdeu toda. Cometeu erros absurdos em bolas básicas. Vika ainda perdeu um serviço que quase recolocou ânimo na compatriota, mas ficou nisso. A excelente fase da campeã de Cincinnati continua. Ela aguarda quem passar do jogo interrompido pela chuva de Iga Swiatek e Sachia Vickery. Para alegrar ainda mais, Azarenka viu a queda de Johanna Konta, que era a mais provável adversária de oitavas.

Serena Williams jogou um pouco melhor do que na estreia, mas permitiu reação da russa Margarita Gasparyan, uma das raras no circuito que usa backhand de uma mão, e perdeu três serviços. A multicampeã levantou o astral com seus tradicionais gritos, que ecoam ainda mais alto no estádio vazio. Agora, reencontra Sloane Stephens para um duelo de campeãs, com vantagem de cinco vitórias em seis duelos.

A rodada masculina
– No dia em que comemorou 27 anos, Dominic Thiem venceu por sets diretos mas ainda viveu instabilidades. Incrível como devolveu lá no juiz de linha mesmo diante de um Sumit Nagal cuja média de primeiro saque é de 160 km/h. Vai precisar de muito mais diante do rodado Marin Cilic.
– Daniil Medvedev até encontrou resistência num desconhecido Christopher O’Connell, que tentou brechas com seu backhand de uma mão na paralela. A chave do russo continua incrível. Agora vem o convidado JJ Wolf, 21 anos e 138º do ranking. Não é mau jogador, mas foge demais do backhand e deixa buracos perigosos.
– Vasek Pospisil, um dos mentores da nova associação de jogadores, impediu o aguardado duelo entre Milos Raonic e Roberto Bautista. Ótimo duplista, Pospisil ousou esperar o saque do compatriota sempre em cima da linha e Raonic colecionou erros de todo o tipo. Bautista tenta chegar pela terceira vez nas oitavas.
– Frances Tiafoe lutou 3h57, cometeu 73 erros mas mostrou estar sobrando físico após a contaminação do coronavírus. Enfrentará Marton Fucsovics, que reagiu diante de Grigor Dimitrov em maratona ainda mais longa, de 4h50 e quase 400 pontos disputados. Foi apenas a 2ª vitória de Tiafoe em 10 jogos que chegaram ao quinto set.
– Semi do ano passado, Matteo Berrettini ainda não perdeu set no piso bem mais veloz. Agora, encara o também jovem Casper Ruud. E há boa chance de um outro ‘next-gen’ entrar na briga por essa vaga nas quartas: Andrey Rublev tirou dois franceses com autoridade e é favorito diante da surpresa italiana Salvatore Caruso, 100º aos 27 anos e que joga seu primeiro US Open.

– Outro duelo da nova geração envolverá o rapidíssimo Alex de Minaur e o mão de pedra Karen Khachanov, que hoje sacou muito bem. O australiano foi campeão de duplas em Cincinnati no sábado.
– Daniel Evans teve seu difícil jogo diante do canhoto Corentin Moutet adiado. A situação estava complicada. O francês de 21 anos mistura força e jeito. Pode complicar.

Os destaques femininos
– A cabeça 2 Sofia Kenin está na terceira rodada do US Open pelo quarto ano seguido, mas nunca passou disso. A juvenil canadense Leylah Fernandez confirmou sua qualidade, mas não foi páreo para a solidez da norte-americana, que agora encara a versatilidade de Ons Jabeur.
– As cabeças continuam a cair, e desta vez foi um nome de peso: Garbiñe Muguruza. Ela se rendeu ao tênis sempre agressivo de Tsvetana Pironoka, que não jogava torneios desde Wimbledon-2017 e sequer tem ranking. A espanhola raramente jogou bem em Nova York na carreira.
– A outra surpresa coube a Sorana Cirstea, que virou em cima de Johanna Konta, quadrifinalista do ano passado. Mas a romena tem qualidade: já ganhou 14 vezes de uma top 10 e agora 32 de top 20.
– Sloane Stephens e Madison Keys passearam em quadra. Amanda Anisimova fortalece a esquadra americana, mas teve grande trabalho com a promissora Katrina Scott, de tenros 16 anos, e agora tem jogo de pouco prognóstico frente à boa grega Maria Sakkari.

Virada de Demo
Suada e valente vitória de Marcelo Demoliner e seu parceiro holandês Matwe Middelkoop. Frente ao grande especialista Nicolas Mahut, os dois foram buscar uma bela virada após tenso segundo set. Agora, pegam os britânicos Jamie Murray/Neal Skupski. Que chave!