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Wild só merece aplausos
Por José Nilton Dalcim
21 de fevereiro de 2020 às 00:54

A expectativa positiva que cerca Thiago Wild só se fez aumentar durante sua passagem pelo saibro lento do Rio Open. Colocado diante de diferentes desafios, o paranaense de 19 anos se saiu muito bem nas duas partidas que fez, deu um pequeno mas animador salto no ranking e reforçou qualidades.

O jogo de estreia contra o espanhol Alejandro Fokina forçou Wild a segurar a cabeça e sustentar um esforço físico tremendo, que tem sido uma de suas dificuldades no circuito. São dois tenistas jovens e impetuosos, que tiveram altos e baixos contínuos no duelo de quase 4 horas, mesclando lances espetaculares com golpes extremamente descalibrados e apressados.

O brasileiro ganhou os primeiros elogios ao ganhar o tiebreak catimbado e empurrar a decisão ao terceiro set, logo depois de salvar três match-points. Naquele momento, parecia entregue, quase desinteressado, e um lance de sorte mudou tudo. O notável no entanto é que jamais deixou de tomar a iniciativa, exibindo o forehand potente que chama a atenção de qualquer um. No longo e disputado terceiro set, jogou com empenho máximo e total controle emocional.

A derrota desta quinta-feira para Borna Coric foi um pecado e o próprio croata admitiu que Wild se mostrou o melhor tenista em quadra. Depois de um primeiro set um tanto passivo, ele mudou tudo, e isso é para quem possui recursos técnicos. Passou a cruzar com firmeza as devoluções e a explorar o saque pelo centro. Ditava os pontos diante do 32º do mundo e teve as maiores oportunidades, incluindo aquele doloroso 0-40 no 11º game, em que os méritos foram do adversário. A se lamentar apenas o começo ruim do tiebreak, que deu 4-0 a Coric. Com coragem, reagiu e empatou, mas a experiência do croata decidiu.

Wild chegou ao Rio sem vitórias na temporada. Sai como o 179º do ranking, o que no mínimo o garante no quali de Roland Garros, já que ele só tem 20 pontos a defender até sair a lista de inscritos do Slam francês. Espera-se que ele receba um convite para Santiago, na próxima semana, e aí seguirá para a missão quase impossível diante da Austrália na Copa Davis. A meu ver, deveria ser escalado como titular de simples ao lado de Thiago Monteiro. Para termos alguma chance na quadra dura de Adelaide, será preciso arriscar. E isso ele sabe fazer muito bem.

O saibro carioca, aliás, também foi importante para outros três garotos: Felipe Meligeni Alves teve a incrível oportunidade de enfrentar Dominic Thiem e não decepcionou, arrancando pontos incríveis e até um impensável set. É bem verdade que Thiem pareceu preocupado com dor repentina no joelho, mas o sobrinho de Fernando Meligeni suportou muito bem o peso das bolas do número 4 do mundo, o que não é pouca coisa para quem ainda está em nível future e challenger.

Orlandinho Luz e Rafael Matos conseguiram também seu lugar ao sol, ao derrubar nada menos que a dupla número 1 do mundo. Ainda que estivesse clara a falta de ritmo de Robert Farah, que voltava da suspensão preventiva, os brasileiros fizeram coisas incríveis em quadra. Note-se que essa parceria já ganhou dois challengers, um deles no mês passado. Perderam nas quartas para Meligeni e Monteiro.

Por falar em Monteiro, ele deixou escapar outra oportunidade de ouro para fazer uma grande semana em nível ATP, como aconteceu em Buenos Aires. A estreia contra Guido Pella no Rio realçou a evidente evolução do canhoto cearense, que de certa forma acabou penalizado por ter de voltar menos de 20 horas depois à quadra e à umidade sufocante, perdendo totalmente a intensidade no terceiro set diante de Atilla Balazs. Na condição de 86º do ranking, segue agora para o ATP de Santiago com uma pequena chance de ser cabeça de chave.