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Swiatek e Bia Haddad são as expectivas
Por José Nilton Dalcim
26 de junho de 2022 às 10:41

Mesmo sem ter jogado qualquer partida preparatória e apesar de seu parco histórico na grama, Iga Swiatek terá novamente todos os holofotes da chave feminina de Wimbledon. A polonesa tem se mostrado tão superior às adversárias no piso duro e no saibro que restam poucos argumentos às demais concorrentes.

Campeãs como Petra Kvitova e Simona Halep, a versátil Ons Jabeur e a embaladíssima Beatriz Haddad Maia se mostraram as adversárias de maior gabarito. ao menos antes de a primeira bola ser lançada ao ar no All England Club. Gente de ranking alto, como Paula Badosa, Maria Sakkari e Garbiñe Muguruza, estiveram abaixo da crítica. Anett Kontaveit, Danielle Collins e Jessica Pegula optaram por ir direto a Wimbledon.

Swiatek tem mostrado grande trabalho de pernas e força nos golpes, com especial dedicação às devoluções agressivas. Isso já é mais do que suficiente para competir bem na grama, ainda que não assustará se ela encontrar certa dificuldade nas primeiras rodadas. Jabeur tem muito menos força, mas os slices lhe garantem versatilidade necessária no piso. Kvitova possui o jogo perfeito para a grama, ainda que se mexa um pouco pior, e é talvez nesse mesmo padrão que devamos encaixar Bia, que fica um ou dois passos atrás por sua menor experiência. Halep é o tipo de jogadora que consegue fazer de tudo e só tem deficiência a explorar quando precisa jogar muito com o segundo saque.

Em sua segunda participação no torneio, tendo sido oitavas em 2021, a líder disparada do ranking pode ter algum trabalho com Yulia Putintseva antes de oitavas mais quentes diante de Jil Teichmann ou Barbora Krejcikova. A maior candidata a sua adversária nas quartas é Jessica Pegula.

Halep e Kvitova ficaram no forte segundo quadrante, podem duelar já nas oitavas e portanto uma delas tende a cruzar com Iga na penúltima rodada. Nesse setor, ficaram também Serena Williams, a atual vice Karolina Pliskova e as jovens Cori Gauff e Amanda Anisimova. Se já era difícil para Serena voltar depois de um ano, a tarefa fica hercúlea numa chave desse quilate. Mas pode ao menos chegar na terceira rodada e não seria impossível bater Pliskova.

O lado inferior da chave coloca Ons Jabeur e Maria Sakkari com maior favoritismo do que Anett Kontaveit e Danielle Collins entre as tenistas de nível top 10, e ali também ficou a estrela da casa Emma Raducanu, que estreia nesta segunda-feira contra a perigosa Alison van Uytvanck. A tunisiana tem Kaia Kanepi e Angelique Kerber antes de chegar em Collins, Raducanu, Madison Keys ou Alison Riske.

O que nos interessa muito, claro, é o quarto quadrante da chave. Bia tem uma estreia perigosa contra a jovem Kaja Juvan, a quem venceu duas vezes mas a eslovena fez terceira rodada em Wimbledon no ano passado com vitória sobre Belinda Bencic, a mesma habilidosa suíça que poderá ser a terceira adversária da canhota brasileira. Bencic se contundiu na final de Berlim há uma semana e ganhou o único duelo contra Bia em janeiro.

Dá facilmente para acreditar nas chances de Bia chegar nas oitavas, o que seria então o maior resultado nacional em Wimbledon desde André Sá (2002) e das meninas desde Maria Esther (1976). E aí o caminho parece aberto, porque não dá para apostar em Kontaveit e pode aparecer Anhelina Kalinina ou Lesia Tsurenko. Por fim, Maria Sakkari e Jelena Ostapenko devem brigar pela vaga e, evidentemente, a torcida seria por Sakkari reencontrar Bia. A brasileira foi muito elogiada por Kvitova depois da revanche que a tcheca conseguiu em atuação impecável na semi de Eastbourne, onde depois faturou o título.

Laura Pigossi enfim jogará seu primeiro Slam. Começa contra a eslovaca Kristina Kucova, de 32 anos e atual 90 do mundo e, se surpreender, enfrentará Shelby Rogers ou Petra Martic. A paulistana de 27 anos é atual 124 do mundo. O Brasil não tinha duas tenistas na chave principal desde 1988, com Patrícia Medrado e Gisele Miró.

E mais

  • Os campeões da 135ª edição do The Championships, a 54ª da Era Profissional, embolsarão 2 milhões de libras. Quem perde na primeira rodada já leva 50 mil, nada desprezíveis R$ 320 mil.
  • Este será o primeiro Slam desde o Australian Open de 1999 sem os dois líderes do ranking. Isso nunca aconteceu em Wimbledon desde o uso do ranking, a partir de 1974.
  • Se vencer sua estreia nesta segunda-feira, Djokovic se tornará o único tenista, homem ou mulher, com ao menos 80 vitórias em cada Slam. Ele tem 79 em Wimbledon, 85 em Paris, 82 na Austrália e 81 nos EUA.
  • Aos 36 anos e 34 dias, Nadal concorre a ser o mais velho campeão profissional de Wimbledon, marca que pertence a Federer, com 35 anos e 342 dias. E iguala feitos de Laver (1969) e Djokovic (2021) de erguer os três primeiros troféus de Slam de uma temporada.
  • Ao disputar seu 20º Wimbledon, Feli López repete Connors e atinge os mesmos 81 Slam de Federer, que jogou 22 vezes no Club. Aos 40 anos e 293 dias, López também é o mais velho a jogar desde Fraser, em 1975, aos 41.
  • O último tenista a ganhar Wimbledon na primeira participação foi Dick Savitt, em 1951.
  • Apenas quatro campeões juvenis chegaram ao título principal masculino (Borg, Cash, Edberg e Federer) e três no feminino (Hingis, Mauresmo e Barty).
  • Com 365, Serena está apenas a quatro vitórias do recorde absoluto de Slam de Federer. E faltam dois para fazer contagem centenária em Wimbledon.
  • Rafael Matos chegou a seu quarto ATP, o mesmo número de Marcelo Demoliner, e é agora top 40, superando Marcelo Melo. A campanha na grama de Mallorca foi surpreendente. Ele e o espanhol Vega serão cabeças em Wimbledon, mais um marco na carreira do canhoto gaúcho de 26 anos.
  • Enquanto a chave masculina tem 5 campeões de Slam, três doa quais com título em Wimbledon (Djoko, Nadal e Murray), há 11 vencedoras de Slam na chave feminina, cinco delas com triunfo no Club (Halep, Kerber, Muguruza, Serena e Kvitova).
  • Cornet empata com Ai Sugiyama em Slam consecutivos, com 62.
  • Em 122 edições da chave feminina, apenas 11 países chegaram ao título. Entre eles, o Brasil de Maria Esther.
Todos os olhos em Nole
Por José Nilton Dalcim
27 de junho de 2021 às 20:07

Com a ausência de Rafael Nadal e o momento incerto de Roger Federer e Serena Williams, todas as atenções em Wimbledon se concentram sobre Novak Djokovic. E o atual campeão e número 1 do mundo inicia a campanha já às 9h30 desta segunda-feira, tendo pela quarta vez a honra de ser o primeiro a pisar na imaculada grama da Quadra Central, como reza a tradição centenária.

Há muita coisa em jogo para Djokovic. Claro que todo mundo pensa no 20º troféu de Slam, o que o igualaria a Nadal e Federer, mas há outras façanhas importantes aguardando o sérvio. Ele pode ser apenas o quinto homem na história a conquistar os três primeiros Slam da temporada, repetindo Jack Crawdford (1933), Don Budge (1938), Lew Hoad (1956) e Rod Laver (1962 e 1969). Desses, apenas Budge e Laver completaram o Slam nos EUA.

Vencer seguidamente no saibro de Paris e na grama londrina também era um feito raro até Bjorn Borg fazê-lo por três vezes seguidas, entre 1978 e 1980. Desde então, apenas Nadal (2008 e 2010) e Federer (2009) repetiram o sueco.

Penta ao lado de Borg, Djoko poderá ainda se isolar como terceiro maior vencedor de Wimbledon desde que foi abolido o ‘challenge round’ em 1921 (ou seja, quando o campeão do ano anterior apenas defendia o título na edição seguinte). Os outros dois são Federer (oito troféus) e Pete Sampras (sete).

Por fim, se for à semifinal, somará 100 vitórias na grama na carreira, clube exclusivo de Federer (188) e Andy Murray (108) na fase profissional.

Com apenas três jogos de duplas feitos em Mallorca – em quatro de seus cinco títulos não jogou preparatórios de qualquer espécie -, Djokovic testa sua adaptação á grama diante do garoto britânico Jack Draper, 253º do ranking nesta segunda-feira. Fico a imaginar o tamanho da ansiedade do canhoto de 19 anos: vai jogar seu primeiro Slam, diante do número 1 e em plena Central, um palco reservado a muitos poucos na história.

Saiba mais
– O torneio mais antigo do mundo atinge a 134ª edição desde 1877 e a 53ª desde que profissionais foram admitidos, em 1968.
– Nesse longo período, o torneio deixou de ser disputado apenas 11 vezes, sendo 4 na Primeira Guerra, 6 na Segunda e 1 nesta pandemia.
– Os campeões embolsam 1,7 milhão de libras (US$ 2,3 mi) e quem perder na estreia, 48 mil (US$ 67 mil)
– Se chegar ao nono troféu, Federer marcará também a maior distância entre o primeiro e o último Slam, com 18 anos. O recorde hoje é de Serena, com 17 anos e 5 meses, seguida por Nadal, com 15 anos e 4 meses.
– Aos 39 anos e 337 dias, suíço também pode ser o mais velho campeão de um Slam.
– Federer disputa o torneio pela 22ª vez, com total de 81 Slam, e Venus completa 23 participações e 90 Slam, recordes absolutos. Feli Lopez chega a 77 Slam seguidos.
– Só existem quatro vencedores de Slam na chave masculina, somando Murray e Cilic. Dos demais, apenas Anderson chegou numa final de Wimbledon. No feminino, são 15 e olhem que Osaka e Halep estão fora.
– Mais dois recordes para o tênis italiano: representantes na chave masculina (10) e cabeças (4).
– Dos oito principais cabeças, Medvedev, Tsitsipas, Zverev, Rublev e Berrettini nunca fizeram quartas em Wimbledon. Bautista foi semi em 2019.
– O cabeça 1 só perdeu uma vez na estreia na Era Aberta: Hewitt para Karlovic em 2003
– Há 18 canhotos na chave. O último a vencer foi Nadal, em 2010
– Borg, Cash, Edberg e Federer foram únicos campeões juvenis que ergueram troféu no profisisonal
– A última vez que um debutante ganhou Wimbledon foi em 1951, com Dick Savitt
– Um membro do time de Johanna Konta deu positivo para covid e a britânica foi obrigada a se retirar do torneio. Ela foi semi em 2018 e quartas em 2019.
– Sabalenka pode tirar Barty da ponta do ranking, mas terá de ser campeã e a australiana não passar das quartas.
– Em 19 participações, Serena nunca perdeu na estreia de Wimbledon. Precisa de duas vitórias para chegar à 100ª no torneio.
– Desde 2017, o circuito feminino vê sempre quatro diferentes campeãs de Slam (em 2020 foram três).
– O Brasil de Maria Esther faz parte da curta lista de 11 países a ganhar o título feminino na história do torneio

Paris, toujours Paris
Por José Nilton Dalcim
4 de novembro de 2020 às 20:07

Rafael Nadal começou nervoso, como não poderia deixar de ser. Seu reencontro com a quadra dura, onde pisou pela última vez em março, ainda era diante de um amigo e parceiro de duplas e treinos, o experiente e talentoso Feliciano López. Perdeu o primeiro set, precisou do tiebreak no segundo e por fim jogou mais solto para atingir mais uma façanha, a 1.000ª vitória.

Nadal entra para o restritíssimo clube que tem Jimmy Connors (1.274), Roger Federer (1.242) e Ivan Lendl (1.068) com quatro dígitos de vitórias. Entre todos, o espanhol é quem possui melhor aproveitamento: 83,2% de sucesso, contra 82,1% do suíço, 81,8% de Connors e 81,5% de Lendl. Isso porque Rafa soma 201 derrotas até agora.

O indiscutível ‘rei do saibro’ tem 91,8% de vitórias na terra (445 vitórias e 40 derrotas), mas em números absolutos ele ganhou mais no piso duro (482). No rol de seus triunfos, destaquem-se os 282 em Grand Slam – apenas 39 derrotas -, os 387 em nível Masters, os 100 em Roland Garros e os 21 em cima de um líder do ranking, recorde que aumentou na recente final contra Novak Djokovic.

A caminhada de Rafa para chegar à milésima vitória começou ainda aos 15 anos, quando derrotou o paraguaio Ramon Delgado, então 81º do mundo, no ATP disputado em Mallorca, uma época em que ainda competia no nível future. Logo depois, abandonou os estudos para se dedicar integralmente ao tênis.

Na temporada seguinte, ganhou seu primeiro challenger, furou o quali e venceu duas rodadas nos Masters de Monte Carlo e de Hamburgo, o que lhe deu ranking para entrar diretamente em Wimbledon e surpreender o super-sacador Mario Ancic logo na estreia. Era sua primeira vitória em Grand Slam, ironicamente sobre a grama.

Em pelo menos nove temporadas de sua carreira, Nadal venceu no mínimo 60 jogos. Seu recorde pessoal veio em 2008, com 82. Não menos incrível é sua marca de 95,2% de sucesso após vencer o primeiro set – ou seja, levou apenas 45 viradas.

Quatro jogadores foram batidos mais de 20 vezes pelo canhoto espanhol: Djokovic (27), David Ferrer (26), Federer (24) e Tomas Berdych (20), mas o maior ‘freguês’ talvez seja Richard Gasquet, que perdeu todas as 16 tentativas.

Em mais um ano em que Paris lhe dá tantos feitos históricos, talvez seja enfim a vez de conquistar o Masters de Bercy. Livre do nervosismo de estreia, é favoritíssimo contra Jordan Thompson, pode reencontrar Pablo Carreño e fazer semi diante da nova geração, seja Alexander Zverev ou Andrey Rublev ou quem sabe apareça Stan Wawrinka.

Do outro lado da chave, Diego Schwartzman encara Alejandro Fokina e pode cravar vaga no Finals se bater depois Daniil Medvedev ou Alex de Minaur. Com a queda de Stefanos Tsitsipas na estreia para Ugo Humbert, qualquer coisa pode acontecer num setor que tem ainda Milos Raonic e Marin Cilic.