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Wimbledon continua o grande desafio
Por José Nilton Dalcim
30 de junho de 2019 às 08:11

Por ser o mais antigo campeonato e aquele que determinou há mais de 140 anos os moldes do esporte que permanecem até hoje, Wimbledon sempre foi considerado o mais valioso troféu do tênis. A partir da década de 1970, em que os torneios sobre a grama ficaram cada vez mais raros, a importância de triunfar no All England Club apenas cresceu, porque então se criou o verdadeiro desafio de adaptação ao piso. Como bem disse Rafa Nadal, a transição do saibro para a grama, ainda que agora mais lenta do que já foi, permanece a situação mais difícil do circuito.

Grandes nomes como Ivan Lendl, Ken Rosewall, Guillermo Vilas e Mats Wilander ou líderes do ranking do naipe de Jim Courier, Guga Kuerten e Ilie Nastase não conseguiram a façanha. Daí mais uma vez temos a exata noção de quão espetacular é a geração que vivemos: em 2019, já ‘trintões’, Roger Federer, Novak Djokovic e Nadal ainda são os principais candidatos à honraria, somando 14 das últimas 16 conquistas. A exceção do período foi outro notável, Andy Murray.

O feminino tem sido mais democrático e conseguiu mostrar surpreendentes conquistas nesse mesmo período, com Maria Sharapova, Amélie Mauresmo, Petra Kvitova e Marión Bartoli e até mesmo Garbiñe Muguruza e Angelique Kerber. Elas conseguiram barrar a hegemonia das irmãs Williams, que estiveram em 12 dessas 16 finais. A menos que tenha recuperado a forma física que não mostrou em Paris, há um mês, parece muito difícil que Serena retome a coroa.

Assim, Wimbledon dá a largada nesta segunda-feira com a expectativa de briga direta entre os três maiores ganhadores de Slam, um de olho no outro, todos mirando a marca de Federer, e de uma disputa totalmente aberta entre as meninas, onde a experiência não está com vantagem significativa sobre a juventude.

Números
– Federer marca outro recorde, ao competir em seu 21º Wimbledon.
– Nadal precisa de 3 jogos para chegar também aos 300 feitos em Slam, como já têm Federer (403) e Djokovic (312).
– Feliciano López ampliará seu recorde para 70 Slam consecutivos.
– Com 72 Slam disputados, Serena só ficará atrás dos 82 da irmã Venus.
– Mais 3 triunfos e Federer será primeiro com marca de 350 em Slam.
– Maria Sharapova precisa ir às oitavas para atingir 200 triunfos em Slam.
– Federer somará 185 sobre grama na carreira se atingir as quartas e assim igualará Connors.
– Se não der o Big 3, nem Wawrinka ou Cilic, o tênis masculino verá o 150º diferente campeão de Slam da história.
– Caso seja semi, Federer será primeiro a ter 100 vitórias num mesmo Slam.

E mais
– Os campeões de Wimbledon faturam 2,35 milhões de libras (US$ 3 mi), bem atrás do US Open. A derrota na primeira rodada de simples já vale US$ 57 mil.
– Federer tenta o 9º título individual em Wimbledon, algo que apenas Navratilova possui na história. Djokovic pode igualar o penta de Borg.
– Entre os multicampeões de Slam, Federer e Nadal possuem a maior distância entre o primeiro e o mais recente troféu (14 anos), mas estão atrás de Serena (17 anos).
– Nadal pode ganhar pela terceira vez Wimbledon logo depois de Roland Garros (2008 e 2010), façanha que apenas Borg alcançou (1978 a 80).
– O único fora do Big 3 a ganhar Wimbledon desde o primeiro troféu de Federer em 2003 foi Murray, em 2013 e 2016. A partir de Paris-2005, o Big 3 ganhou 49 dos 57 Slam disputados, incluindo os 10 mais recentes.
– Wawrinka tenta mais uma vez completar sua coleção de Slam, algo que apenas oito tenistas possuem em todos os tempos: Agassi, Budge, Emerson, Laver e Perry são os outros.
– Edmund é a esperança britânica de pior ranking desde Rusedski, em 2006. Ele ocupa hoje apenas o 31º.
– O campeão defensor perdeu na primeira rodada da edição seguinte apenas duas vezes na história do torneio: Santana, em 1967, e Hewitt, em 2003.
– Djokovic ganhou 3 de seus 4 títulos em Wimbledon sem jogar preparatórios na grama. O recordista nesse assunto é Borg, com 5 seguidos.
– Aos 40 anos e 136 dias, Karlovic é o mais velho da chave. Com 18 anos e 340 dias, Aliassime é o mais jovem e o primeiro nascido no ano 2000 a jogar o torneio.

Polêmica dos cabeças
Nadal bateu pesado em Wimbledon por ter sido rebaixado para cabeça 3 e chegou a pedir uma ação da ATP contra o torneio, mas ele desconhece que existe um regulamento que permite a qualquer Slam fazer isso. Para detalhes completos, clique aqui e leia a notícia que escrevi no TenisBrasil.

Teste seu palpite
TenisBrasil lançou como prometido o Desafio Wimbledon. Já está no ar e todo mundo pode votar para o primeiro jogo escolhido, o duelo entre Kevin Anderson e Pierre Hughes. Quem se cadastrou em Roland Garros, pode usar mesmo login e senha. Clique aqui para acessar o Desafio: os prêmios são bem legais.

Que a grama os conserve
Por José Nilton Dalcim
23 de junho de 2019 às 22:50

O tênis masculino conheceu num mesmo domingo seus dois mais velhos campeões de nível ATP das últimas quatro décadas. Roger Federer, em Halle, e Feliciano López, em Queen’s, se tornaram os jogadores de maior idade a erguer um troféu de primeira linha desde Ken Rosewall, em 1977. O suíço nasceu apenas 42 dias antes do espanhol e ambos assim caminham para os 38 anos dentro de dois meses. O notável: esbanjam vigor físico e aquela essencial vontade de vencer.

Federer reencontrou o caminho da grama depois de sua excursão ao saibro europeu, mostrando que a mudança de calendário não o afetou. Ao contrário, talvez tenha até contribuído para o deixar com pernas mais fortes, algo que ele precisou muito na campanha de Halle, principalmente em duas rodadas exigentes diante de Jo-Wilfried Tsonga e Roberto Bautista.

Fato curioso destacado pela ATP, ele jogou Halle pela primeira vez no ano 2000 e nenhum tenista daquela chave continua em atividade, entre eles Ivan Ljubicic e o treinador de David Goffin, o sueco Thomas Johansson.

Embora sejam universos um tanto diferentes, Federer deixou bem claro que a 10ª conquista em Halle é muito animadora para Wimbledon, onde ele será mesmo o cabeça 2. Se ‘melhor de cinco sets’ podem pesar para a idade, não parece menos verdade que sua experiência em jogos longos sobre a grama serve como diferencial importante diante dos mais jovens.

Se eu fosse apostar hoje, cravaria Roger como o favorito ao título.

O nome da semana
Quando López ganhou convite e entrou na chave de simples de Queen’s, ele não era muito mais do que o parceiro que Andy Murray havia escolhido para tentar sua volta às quadras. Apesar de já ter vencido o torneio em 2017 e feito outra final em 2014, o ranking de 113º e os 37 anos nas costas não davam qualquer credencial ao canhoto espanhol, que ainda sonhava que o All England lhe daria ingresso direto em Wimbledon.

É bem verdade que Feli deu alguma sorte ao não precisar enfrentar Juan Martin Del Potro na segunda rodada, mas todos seus outros quatro jogos foram ao terceiro set, e três deles exigiram virada. Tirou o garotão Marton Fucsovics, o sacador Milos Raonic, a estrela adolescente Felix Auger-Aliassime e por fim o experiente Gilles Simon. A soma deu 9h13 de esforço, e uma parte considerável disso sob grande pressão.

A campanha nas duplas não foi menos exigente, obrigando López a ficar mais 6h02 em ação. O problema maior no entanto esteve no acúmulo dos jogos, já que a chuva do meio de semana o fez entrar duas vezes em quadra na sexta, três no sábado e mais duas no domingo. E querem saber? López jogou muito tênis no finalzinho do match-tiebreak da dupla, mostrando energia e determinação incomuns.

Para mim, López foi o homem de uma semana que teve muita coisa boa. O retorno vitorioso de Murray, com destaque para um primeiro saque muito firme, ótimo tempo de bola nas devoluções e passadas, voleios apurados e muita garra, jogando-se ao chão algumas vezes. Jurou não ter sentido qualquer dor no quadril, o que é ainda mais esperançoso. Ele irá jogar Eastbourne ao lado de Marcelo Melo e Wimbledon com Pierre Herbert (e talvez mistas) e considera a chance de jogar simples num challenger inglês em setembro.

Também foi excepcional ver as campanhas de Felix e do italiano Matteo Berrettini na grama, dois nomes da nova geração que se firmaram no saibro europeu e mostram aquela versatilidade essencial para quem deseja brigar lá em cima do ranking. Está certo que ficaram muito mais no fundo de quadra, mas essa parece a tendência inevitável do tênis atual até mesmo para a grama. Novak Djokovic, Rafael Nadal, Marin Cilic e Kevin Anderson que o digam.

Aliás, a ATP lembra que mais um campeão de 37 anos surgiu neste domingo: o ex-top 10 Tommy Robredo, em challenger sobre o saibro.

Vida longa e próspera a esses notáveis senhores.

Número 1 muda de mãos
A queda técnica e assuntos extra-quadra de Naomi Osaka desde a conquista do Australian Open se somaram à qualidade crescente de Ashleigh Barty e eis que enfim o tênis feminino tem uma nova líder, a 27ª de sua história e apenas a segunda australiana, após Evonne Goolagong, desde que o ranking foi criado, em novembro de 1976.

A rigor, a pequenina Barty saiu do zero ponto ao topo da lista em apenas três temporadas, o que é um feito espetacular. Neste ano, venceu três torneios, um em cada piso, com destaque óbvio a Roland Garros, ainda mais que o saibro nunca foi o favorito. A grama combina muito mais com seu estilo requintado e daí que ela já vira séria candidata a Wimbledon, desde que saiba controlar ansiedade e bajulação, um binômio nada fácil de se administrar quando se tem 23 anos.

Recordes e façanhas: os principais números de Roland Garros
Por José Nilton Dalcim
25 de maio de 2019 às 13:48

A poucas horas da largada do Aberto da França, nada melhor do que destacar recordes, façanhas e todos os números mais importantes que homens e mulheres já marcaram sobre o saibro parisiense. Também dá para ver quantas marcas espetaculares e obviamente históricas têm chance de cair:

– Nas 51 edições profissionais do torneio, a partir de 1968, a Espanha ganhou 19 vezes no masculino, 11 delas com Nadal, e os EUA levou 29 no feminino (7 com Chris Evert). Esta é a 86ª vez que está o torneio está sediado no complexo de Roland Garros, inaugurado em 1928.

– Nadal e Margaret Court são os únicos campeões de Slam com 11 troféus num mesmo torneio. A australiana venceu em casa, sendo sete consecutivos. A única tenista a ter 12 conquistas num campeonato na Era Aberta é Martina Navratilova, em Chicago.

– Djokovic tenta igualar Rod Laver como únicos a deter os quatro troféus de Slam simultaneamente por duas vezes, repetindo a mesma série que fez entre Wimbledon-2015 e Paris-2016. A maior sequência pertence a Don Budge, com seis Slam, entre 1937 e 38.

– Djoko e Federer concorrem para se tornar o primeiro profissional e o terceiro no geral a ter ao menos dois troféus em cada Slam. Apenas Laver e Roy Emerson obtiveram tal feito.

– Campeão há 10 anos, Federer também pode superar Connors (oito temporadas em Wimbledon) na maior distância entre o primeiro e segundo título de um mesmo Slam.

– O Big 3 ganhou todos os últimos 9 Slam, desde que Wawrinka foi campeão no US Open-16. É a terceira maior sequência (18 a primeira e 11 a segunda). Em Roland Garros, Wawrinka também é o único fora do Big 3 a ter vencido desde 2005.

– Serena é a recordista na distância entre o primeiro e o mais recente Slam conquistado (17 anos e cinco meses), seguida de longe por Federer (14 anos e sete meses) e Nadal (13 anos). Mais uma vez, ela corre atrás do 24º troféu para se igualar a Court, mas desta vez suas chances parecem pequenas.

– Nadal e Djokovic podem se juntar a Laver, Rosewall e Federer se atingirem seu quarto Slam após completar 30 anos.

– O jejum de conquista francesa no masculino chega a 36 anos. Cabeça 16, Gael Monfils é o mais bem cotado, mas está na chave de Thiem, Del Potro e Djokovic. No feminino, a França não leva desde 2000 e conta com Caroline Garcia.

– O tênis masculino poderá ver seu 150º diferente campeão de Slam na história, caso Cilic, Delpo, Djoko, Federer, Nadal ou Wawrinka não vençam.

– Nadal tem 111 vitórias e apenas 2 derrotas em partidas de cinco ses sobre o saibro. As únicas derrotas foram para Soderling e Djokovic em Paris. Com 58 títulos no piso, até hoje só perdeu 39 jogos (3 deles nesta temporada).

– Nenhum profissional conseguiu defender por cinco vezes seu título num Slam. Nadal (Paris), Borg (Wimbledon) e Federer (Wimbledon e US Open) são únicos pentacampeões autênticos.

– Venus (82) e Federer (76) ampliam seus recordes de participação em Slam. E Feli López, para 69 consecutivos. O espanhol é também quem mais disputou Roland Garros até hoje (19) entre os homens. Venus chega a 22 presenças (só não competiu em 2011).

– Nicolas Mahut tem agora 12 convites para a chave de um Slam, sendo 9 deles em Paris.

– Com a ascensão de Thiago Monteiro à chave principal, serão 11 sul-americanos na chave masculina, sendo 6 argentinos, 2 chilenos, um uruguaio e um boliviano. Delpo x Jarry e Pella x Andreozzi serão duelos diretos. Não há meninas do continente.

– 77 anos somam Ivo Karlovic e López para o jogo de estreia. O primeiro duelo entre eles aconteceu há 15 temporadas. O croata é o recordista de aces em Paris para uma só partida: 55 anotados em 2009 contra Lleyton Hewitt.