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Os garotos desafiam
Por José Nilton Dalcim
10 de outubro de 2019 às 19:09

As quartas de final do Masters 1000 de Xangai serão mais uma oportunidade para a nova geração mostrar suas garras e tentar derrubar os experientes. Claro que entre eles estão Novak Djokovic e Roger Federer, e aí a tarefa parece muito mais difícil, principalmente pela forma notável do sérvio nos últimos sete jogos.

Como se esperava, o potente saque de John Isner não incomodou Djokovic mesmo num piso muito veloz como o de Xangai. Ao contrário, quem fez mais com o saque foi o número 1 do mundo. E não foi pouco: 79% a 76% de aproveitamento do primeiro serviço e 88% desses pontos vencidos contra 58%. Nenhum break-point permitido e aproveitamento perfeito dos dois únicos que conseguiu.

Dá para ver então o tamanho do problema que Stefanos Tsitsipas terá nesta madrugada. E já começa pelo desgaste, já que precisou de muito mais esforço físico e emocional para ganhar no tiebreak do terceiro set do bom polonês Hubert Hurkacz. Será o terceiro duelo entre Nole e Stef, uma espécie de tira-teima. Ficarei surpreso se o grego tirar um set.

Como aconteceu na grama de Halle, David Goffin apertou Roger Federer, perdeu chances e o primeiro set no tiebreak, mas ao menos não desmoronou e ainda conseguiu ser competitivo na outra série. O belga vacilou demais. Dos cinco set-points, ao menos três foram de erros bobos, um deles de dupla falta. Mas não se pode dizer que o suíço tenha jogado mal. Foi um duelo de ótimo nível, muita pancadaria e correria.

Agora, vem Alexander Zverev e, em que pese a fase de altos e baixos, o alemão ganhou três dos seis duelos contra Federer (e outro não oficial pela Copa Hopman). A partida contra Andrey Rublev espelhou o momento de Sascha: jogou um grande tênis e venceu os nove primeiros games, mas aí abriu a brecha, a consistência caiu e faltou pouco para o russo empatar. Se abrir vantagem logo – e atacar o segundo saque medroso do alemão -, Federer ganha sem sustos.

A nova geração também estará representada por Daniil Medvedev e Matteo Berrettini. O russo passou apertado contra Vasek Pospisil e sabe que não será fácil encarar o estilo versátil do experiente Fabio Fognini. Os dois se cruzaram duas vezes, ambas em quadra dura, e estão empatados, mas a situação hoje é bem outra. Já o italiano melhora a cada dia fora do saibro, mas sabe que terá de sacar muito contra Dominic Thiem. O único duelo entre eles foi em Roland Garros do ano passado e o austríaco venceu por 3 a 1. O bom senso manda apostar em Medvedev e Thiem, mas…



Números e fatos

– Esta foi a sétima vitória seguida de Djokovic sobre Isner. O norte-americano ao menos fez 9 aces e totaliza agora 1.007 na temporada.
– Federer empatou novamente com Nadal no número de vitórias em nível Masters 1000, cada um agora com 381. Suíço disputará nesta sexta-feira a partida de número 1.499 da carreira.
– Desde que retornou à quadra dura, em julho, Medvedev soma 26 vitórias e apenas três derrotas na quadra dura, todas elas em final de campeonato.
– Novo triunfo poderá permitir que Fognini retorne ao top 10 no lugar de Roberto Bautista. A única ameaça a Fabio é justamente Berrettini, que pode até virar o número 1 nacional caso vença e Fognini perca.
– De todos os classificados, Berrettini é o único que disputa as quartas de um Masters pela primeira vez e também que jamais fez uma final de Masters (seis têm título).

Aquecimento
Por José Nilton Dalcim
9 de outubro de 2019 às 18:46

Novak Djokovic e Roger Federer deram o primeiro passo para o reencontro. Embora a trajetória do sérvio seja teoricamente mais difícil, os dois mostraram apetite, ótima forma física e um tênis muito adaptado ao piso veloz – e ainda coberto – do belíssimo estádio de Xangai.

Nole fez uma exibição magnífica diante do canhoto Denis Shapovalov. Cedeu um único ponto de serviço em todo o primeiro set, em que mesclou agressividade e contraataque na medida perfeita. Está com tempo de bola preciso, o que o deixa leve e solto. Enfrentará nesta madrugada o velho conhecido John Isner e mais do que nunca vai precisar de sua afiadíssima devolução. Vale lembrar que nos últimos quatro duelos contra o gigantão, Djoko não perdeu set e ganhou os dois tiebreaks.

Diante do também canhoto Albert Ramos, Federer ficou um pouco mais preso no fundo de quadra do que certamente desejaria. Fez um primeiro set muito firme, mas depois o espanhol trabalhou melhor os pontos, variou muito bem o saque e levou ao tiebreak. Chegou a estar na frente até que o suíço reagiu em grande estilo. Destaque para o backhand bem calibrado. Reencontrará na quinta cedo David Goffin, contra quem tem 9 a 1. O primeiro saque é elemento essencial e as subidas à rede terão de ser bem calculadas.

Daniil Medvedev e Dominic Thiem são as barreiras naturais para os dois. O russo no entanto pode se atrapalhar contra Fabio Fognini ou Karen Khachanov nas quartas e o austríaco tem contra si o desgaste de Pequim, uma estreia trabalhosa contra Pablo Carreño e jogos perigosos diante de Nikoloz Basilashvili e, se passar, Roberto Bautista ou Matteo Berretini.

Correndo por fora, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev precisaram de dois tiebreaks na estreia, mas para o grego foi uma vitória especial: enfim, derrotou Felix Aliassime. Encara agora o perigoso Hubert Hurkacz, de olho em Djokovic. O alemão disparou 23 aces e salvou set-points contra Jeremy Chardy. Até o acho favorito diante de Andrey Rublev nessa quadra mais veloz, mas o garoto russo vem de vitórias sobre Borna Coric e John Millman. Quem vencer, pode reencontrar Federer.

Xangai também já teve seu grande jogo: Fognini contra Andy Murray. Três horas de um excelente tênis, em que as trocas de bola pesadas tiveram sempre objetivo ofensivo. O escocês deveria ter vencido, já que sacou duas vezes para a vitória no terceiro set, mas o italiano veio com seu melhor nos momentos de pressão e fez devoluções milimétricas. Houve também o bate boca, ou seja, um jogo com todos os ingredientes. Murray outra vez não conseguiu embalar, mas o empenho físico e a qualidade técnica evoluem a cada semana.

Números e fatos
– Em cinco duelos contra Aliassime, dois deles em 2019 como profissionais, Tsitsipas só havia vencido um set, isso lá no primeiro confronto, em 2015.
– Djokovic completa 22 sets vencidos seguidamente na Ásia: 10 em Xangai-2018, 10 em Tóquio semana passada e agora mais 2.
– Thiem e Carreño duelaram em Slam, no Finals, em ATP 500 e 250, em challenger e até em future. Faltava mesmo só um Masters 1000. O placar agora é de 7 a 1 para o austríaco.
– Aliassime se classificou para o NextGen Finals de Milão e se juntou a Tsitsipas. Estão perto da vaga De Minaur e Shapovalov.
– Os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah garantiram o número 1 do ranking de parcerias até o final da temporada, repetindo façanhas do dueto Hans Gildemeister/Andrés Gomez e dos mineiros Marcelo Melo (2017) e Bruno Soares (2016) entre os sul-americanos.
– Faltam apenas dois aces para Isner atingir a casa dos 1.000 nesta temporada.
– Marin Cilic anunciou nas redes sociais que será pai em 2020.

No tranco
Por José Nilton Dalcim
27 de agosto de 2019 às 01:27

Se alguém ainda tinha dúvidas do quanto pesou para Roger Federer a derrota em Wimbledon, a estreia no US Open respondeu tudo. Assim como aconteceu em Cincinnati, há duas semanas, o suíço se mostrou pouco à vontade, apressado e impaciente. O desastre de 2018, quando caiu numa noite de calor infernal para John Millman, não se repetiu porque o indiano Sumit Nagal não tem experiência nem consistência, e permitiu que pouco a pouco o número 3 do ranking pegasse no tranco.

Os números do primeiro set foram tenebrosos: 19 erros em 10 games, apenas 10 winners com 48% de primeiro saque. Demorou 1 hora para Federer enfim jogar num nível decente para o tamanho de seu jogo, mas ainda assim saiu de quadra com sete duplas faltas e apenas 66% de sucesso nas 50 tentativas junto à rede. Totalizou 61 winners e 57 erros, e isso diante do 190º do mundo que dias antes quase se despediu no quali diante de João Menezes.

Tomara que tenha sido o tal resfriado que se comentou nas mídias sociais – nenhum jornalista em Nova York confirmou até agora, 1h20 da manhã – e que Federer consiga se soltar diante do bem mais rodado Damir Dzumhur.

Novak Djokovic também não fez uma apresentação brilhante. Na verdade, me pareceu que o sérvio claramente jogou com o freio de mão puxado diante de Roberto Carballes, procurando fazer o suficiente para uma vitória sem sustos. E conseguiu. Forçou estritamente quando era necessário, não permitiu um único break-point e ainda aproveitou os bons golpes de base do adversário para buscar ritmo. Aliás, o atual campeão garantiu com todas as letras: não viu quadra mais rápida, nem bola mais leve. Tudo absolutamente igual a 2018, exceto claro (e felizmente) o clima bem mais ameno.

A outra expectativa do dia era o reencontro entre Serena Williams e Maria Sharapova, que já foram símbolo máximo do tênis-força feminino. Porém outra vez a russa se mostrou bem pouco competitiva. Teve lá suas chances de apertar, mas não aproveitou os cinco break-points construídos. O placar de duplo 6/1 talvez tenha sido até cruel demais, porém ratificou que o poder de fogo de Serena continua muito superior. Se servir de consolo, Sharapova cometeu apenas três duplas faltas. Riccardo Piatti vai ter muito trabalho para recolocá-la nos trilhos.

Resumo do dia 1
– Três cabeças deram adeus no masculino: Fognini, Pella e Fritz. O italiano se mostrou desanimado diante do sacador Opelka.
– Boas atuações da nova geração. Vitórias de Medvedev, Coric, Garin, De Minar e Kecmanovic, atuações acima da média de Jannik Sinner (tirou um set de Wawrinka) e Zachary Svajda (16 anos, levando Lorenzi ao 5º set).
– Quatro qualis e dois lucky-losers avançaram, entre eles o polonês Kamil Majchrzak, 23 anos, que tirou Jarry no quinto set.
– Thiago Monteiro fez seis games muito animadores, mas aí teve serviço quebrado e perdeu totalmente o rumo, dominado pelo também canhoto Bradley Klahn.
– Kerber e Garcia foram as primeiras cabeças a se despedir. Pliskova passou apertado em dois tiebreaks contra a quali Martincova e Barty levou 1/6 antes de dominar Diyas.
– Sem muita força no masculino, as norte-americanas se saíram bem. Além de Serena, avançaram Keys, Kenin, Venus, Davis e McNally.
– O resultado mais contundente foi o 6/1 e 6/0 que Sakkari deu em cima de Giorgi, vice no Bronx no sábado.

Destaques
– A postura ofensiva de Madison Keys chama a atenção desde Cincinnati. Na estreia do US Open, totalizou 27 winners, sacou acima dos 190 km com média de 170, ganhou 9 de 12 subidas à rede. Promissor.
– Aos 17 anos, Jannik Sinner é mais uma preciosidade do renovadíssimo tênis italiano. Encarou Wawrinka com personalidade, ganhou apenas 12 pontos a menos na partida e foi mais vezes à rede. Precisa trabalhar um pouco mais o forehand para diminuir os erros não forçados e aumentar a potência do saque, já que mede 1,88m.

Para a história
Ao contrário dos outros Slam, o US Open jamais viu um campeão na Era Profissional que tenha vencido todos os sets disputados. O último a conseguir o feito foi o australiano Neale Frase, em 1960.